Ontem passei pelo Alegro, em Alfragide, onde vi pela primeira vez ao vivo e a cores um puto seguro por uma trela para bebés, acompanhado pelo que me pareceu ser o avô.
Juro que não sei o que pensar, por um lado parece uma ideia fixe, os putos têm a mania de desatar a correr e de repente olhamos e ele já deu à sola. Por outro parece-me algo verdadeiramente castrador, imbecil, e ofensivo.
Estes miúdos crescem e vivem presos. Como podem ser felizes, como podem crescer, descobrir o mundo, testarem-se, desenvolverem-se se ninguém lhes dá espaço para tal?…
Estou a ler o Last Child in the Woods (HIGHLY recommended, para pais, políticos, empresários, everybody!!), do Richard Louv, and it’s kinda scary… Mais que Nature Deficit Disorder, muitos putos estão em risco de sofrer de Space Deficit Disorder, pois nem no ambiente totalmente artificial lhes é permitido esticar os braços e as pernas… Se nem atrás dos nossos filhos corrermos, dentro dos hipermercados para onde entramos directamente de carro, não tarda seremos todos uns fat bastards exigindo que todos os serviços sejam home delivery ou drive-in porque simplesmente não teremos força para levantar o cu do sofá ou do banco do carro…
Há necessidade em breve para um lobby de protecção da espécie em vias de extinção, os freerange kids…
Há bocado peguei na bicicleta e fui ali a baixo ao Bairro comprar algumas coisas para reabastecer ligeiramente a despensa. Nada de especial, apenas 2 sacos cheios. Não tenho alternativa que não estacionar a bicicleta no já magro passeio (longitudinalmente, claro) presa a um sinal de trânsito. Estava ali naquela pequena e atafulhada mercearia a pensar quanto tempo esta e outras mercearias (e cafés, papelarias, talhos, peixaria, etc) naquela rua (chamada mesmo “Rua do Comércio”) sobreviverão depois do Intermarché que estão actualmente a construir aqui em cima à minha beira, abrir.
O trânsito à minha porta ficará muito pior, mais uma machadada na paz e no sossego, após o alcatroamento da estrada que liga a Talaíde (e que deu jeito, sem dúvida). Haverá concerteza mais movimento na zona, principalmente de carros, pois os acessos pedonais são sempre esquecidos (todos os dias dezenas e dezenas de miúdos caminham por esta estrada até à escola, na estrada (recente, alguns anos) sem passeio nem berma. Não prevejo nenhuma súbita mudança de política por parte da Câmara, pelo que assumo que a construção de uma superfície comercial não traga alterações a nível de acessibilidade não-motorizada…
Com um super (hiper?) mercado aqui, concerteza com ampla oferta de estacionamento gratuito para automóveis, presumo que o pequeno comércio ali do centro do Bairro, já literalmente tapado por todos os automóveis que ladeiam as ruas e ocupam os passeios, sofrerá um revés. Há lojas naquela rua que eu só “descobri” que existiam recentemente, pois raramente passo lá a pé, ou passo de carro ou de bicicleta, e os carros estacionados não deixam perceber o que há na rua… Sim, claro que a minha personalidade e o meu estilo de vida também contribuem, but still…
Há uns dias que ando a pensar em algo para fazer aqui. À la Streetfilms, uma “reparação urbana“. Mas além de não ter os meios (political skills) tenho a certeza de que mal se mencionasse “tirar daqui os carros e limitar o estacionamento a poucos lugares e de curta duração” comerciantes e moradores linchar-me-iam. Mas era o que esta zona precisava, remover os carros, alargar e reperfilar os passeios, colocar bancos de jardim, estacionamentos para bicicletas, canteiros. Haver espaço para circular livre e facilmente a pé, ter hipótese de ver as montras. Será mais fácil de ver isso quando os últimos resistentes estiverem em risco de fechar portas?…
Mas para onde iriam os carros? Há demasiados. Algumas pessoas têm mais carros do que espaço em garagem ou quintal. A dependência do carro leva muita pessoas a pegar neles para andar 500 metros (not kidding), de casa até ao café ou até ao ginásio.
Estas pessoas não pagam para guardar os seus carros na rua. Pagamos todos nós. E o preço é não termos árvores, canteiros ou jardins nas ruas, e nem sequer passeios. É preferirmos pegar no carro (ou na bicicleta, no meu caso) e ir mais longe para onde é mais fácil estacionar o carro (ou a bicicleta) durante 15 ou 30 minutos.
É um paradigma que tem que ser mudado mas não sei como, sem ser com um preço do combustível proibitivo que leve as pessoas a serem obrigadas a reduzir o número de carros e a frequência com que os usam. E depois caberia às Câmaras Municipais cobrar pelo uso do espaço público, como deveriam, mas nelas trabalham pessoas que vivem no mesmo paradigma, e quem tem tomates para afrontar os habitantes e os comerciantes assim? Era preciso ter um plano integrado e coerente, e coragem política. Era preciso um Peñalosa ou um Lerner.
A propósito, há tempos soube que o Jaime Lerner iria estar cá em Portugal, iria falar nas Jornadas de Energia de Cascais. Claro que não podia perder tal oportunidade, e inscrevi-me (sou uma papa-freebies!). Levei o Bruno comigo. Fomos de bicicleta até Oeiras (tudo smooth), depois apanhámos e comboio até ao Estoril. Quando lá chegámos tivemos que levar as bicicletas às costas (de notar que a minha, p.e., deve pesar uns 23 kg…) para descer as escadas, quem vem na direcção de Lisboa para Cascais não tem outra maneira de descer (a não ser que nos tenha escapado algo ).
Claro que o Congresso do Estoril não tem bike racks (embora numa outra passagem por ali tenha visto pilaretes e postes usados como racks ali em frente, junto ao Casino). Já se sabe que em Portugal isto é tudo blá blá blá, “a sustentabilidade”, e “o ambiente”, e “mudar hábitos”, yadayadayada. Depois de falar com as raparigas da recepção do evento, falei com o segurança (que entretanto já estava cá fora a mirar as Xtracycle, eheheh), e ele foi simpático e deixou que estacionassemos as bicicletas lá dentro, deixámo-las num canto, presas uma à outra, just in case.
Chegámos a tempo de assistir à apresentação do Macário Correia, que mandou umas bocas certeiras aos atrasos, e, finalmente, à do Jaime Lerner. This is the stuff I’m talking about. Carisma, obra feita, bom orador e bons slides.Engaging. Inspiring. Digam-me onde é que temos em Portugal alguém que possa vir apresentar algo remotamente semelhante ao que o Lerner e o Peñalosa fizeram nas suas cidades. Não, nós cá é só politiquices, jogos, esquemas, não se vê boldness acompanhada de competência, criatividade, isso vê-se nestas conferências, os políticos só falam do que se tem que fazer, dos bons exemplos, patatti patatá. Uma pessoa adormece. E depois andam ali às voltas no discurso, nos pseudo-debates desenrolam novelos que às tantas já nem sabemos qual era a pergunta e tentamos a custo descortinar para onde segue aquela linha (tortuosa) de raciocínio.
Porra, pá.
Apanhei em vídeo estes dois momentos reveladores da personagem Jaime Lerner. Enjoy:
Quando voltámos (só fui lá mesmo por causa do Jaime Lerner, viémos embora no intervalo para almoço), fotografámos os acessos à estação.
Para o lado Norte da estação de comboios, deste lado da linha, podemos passar ou por cima, usando as passadeiras e os semáforos, ou podemos passar pela passagem subterrânea, há uma rampa e uma escadaria deste lado (do Casino e assim) e outra do outro lado.
Estranha e incompreensivelmente, o acesso à margem Sul da estação só tem acesso a partir deste túnel por uma escada. Não há rampa, pelo que conseguimos apurar. À ida tivemos, assim, mais sorte, levámos as bicicletas a rolar pela rampa.
Cá em cima vimos duas bikes estacionadas presas às grades dos canteiros. Lá apanhámos depois o comboio de volta a Oeiras. Em Carcavelos vimos imensas (tipo cerca de 15) bicicletas estacionadas junto à estação, presas ao que houvesse livre. A CP can’t seem to take a hint, it looks. Sad, sad, sad…
Quando saímos em Oeiras, vimos algumas bikes estacionadas na rack do lado Norte (as do lado Sul são mais concorridas). E reparei numa com uma cadeirinha de criançasui generis. Nunca tinha visto tal modelo/conceito. Era de montar à frente, mas não no quadro, estava montada sobre a roda dianteira. Além disso tinha um mecanismo que transformava a cadeira num cesto para bagagem quando não havia puto nenhum para transportar. Muito fixe mesmo!
Aqui no concelho de Oeiras, em Linda-a-Velha, está a surgir um projecto com muitos sonhos e vontade de os realizar – a Ciclo-Via. Uma das ideias que os principais promotores têm vindo a cozinhar vai ter a sua primeira edição no próximo sábado, dia 29, entre as 10h e as 13h, no Quartel dos Bombeiros, a Cicloficina de Linda-a-Velha! Partilha o nome com o projecto inicialmente surgido, e agora ressuscitado, em Lisboa, porque o conceito é o mesmo, e assim contribui para consolidá-lo e divulgá-lo, usando uma marca e uma referência central comum. Há mais voluntários na fase de arranque, e bastante dinâmicos!, pelo que esta Cicloficina terá, espera-se, uma escala e abrangência maiores. Ateliers para ensinar os miúdos (o principal – mas não exclusivo – grupo-alvo da iniciativa) a manter as suas bicicletas em bom estado, as mudanças e os travões afinados, etc, e a ajustá-las ao utilizador e à utilização. Quem sabe não haverá oportunidade também para um Bicicletada após a Cicloficina?
Apareçam e tragam as biclas.
A propósito, fotos das sessões de ensaio e inaugural da sessão de Novembro da Cicloficina em Lisboa podem ser vistas aqui.
Votei na instalação de pilaretes e outras barreiras para salvaguardar o espaço público pedonal em várias freguesias (prioridade 1, máxima), votei na requalificação da entrada em Lisboa via Calçada de Carriche, e por último no reordenamento/requalificação das hortas urbanas na Granja, Lumiar e mais não sei onde. Esta última estive quase a trocar pela repavimentação da Baixa…
O prazo para a votação dos 3 projectos por pessoa, no Orçamento Participativo de Lisboa, acaba hoje. Para poderem votar tem que ter feito previamente o registo no site.
“Bike boxes” são um bem não-essencial, embora útil. “Ciclovias e pistas cicláveis” passo, não são uma boa aposta em termos de investimento vs. rentabilidade, e muitas vezes gastam o dinheiro e fazem uma merda qualquer inútil, ou no mínimo fútil. “Zonas 30″, tenho pouca fé que conseguissem implementar aquilo e “Estacionamento para bicicletas” seria fixe, mas a CML não percebe muito daquilo e/ou não se interessa verdadeiramente (gastar dinheiro e depois continuar a não ter um sítio decente para deixar a bicicleta, mais vale estar quieto). “Requalificação” disto e daquilo, sem pormenores é difícil escolher, e não tenho grande confiança na capacidade de fornecerem bons resultados. A Calçada da Carriche seria uma excepção porque é impossível seja o que for que façam lá não melhorar aquele horror. As Hortas são uma aposta estratégica, são mais vitais no ecossistema da cidade e têm mais valias económicas para quem delas usufrui do que um simples jardim.
As carências são demasiadas para os votos e para o orçamento. É difícil escolher, prioritizar…
Para estabelecer e consolidar a identidade, a “marca” Cicloficina, montámos um site para o projecto, para animar a cena e para servir de meio de divulgação e referência.
Para começar slow & easy está prevista uma sessão mensal fixa, a ter lugar na Crew Hassan, em Lisboa, sempre no 3º Domingo de cada mês (um aperitivo para a Bicicletada!), entre as 14h30 e as 16h30. A próxima é já este domingo próximo, dia 16 de Novembro. Apareçam para dois dedos de conversa.
Hoje, dia 11 de Novembro de 2008, no Jardim de Inverno do Teatro S. Luiz, em Lisboa, das 18h às 24h, com entrada livre.
Bolas, só soube agora e não vou conseguir ir! Gostei da sessão sobre o Tejo. Não pude ir também à da habitação. O tema da de hoje parece-me igualmente vital…
As diferentes intervenções serão balizadas por três grandes questões:
1. Que papel queremos para a Baixa-Chiado, qual a mistura ideal de moradores, turistas, comércio, hotelaria, serviços e animação? E para o Terreiro do Paço em particular?
2. Que concessões estamos dispostos a fazer para concretizar essa visão? (demolição de edifícios, fecho de ruas ao trânsito, alterações de uso)
3. Aquilo que se deve fazer e o que não se deve deixar fazer na Baixa?
O programa da sessão é o seguinte:
• Introdução e projectos previstos para a Baixa
• Passear & Comprar
• Trabalhar & Habitar
• Imaginar & Projectar
• Novidades relativas à Zona Ribeirinha de Lisboa
• Governar & Planear
Elisio Sumavielle, a reabilitação da Baixa; Biencard Cruz, o Terreirodo Paço e a articulação com a zona ribeirinha; António Costa e Manuel Salgado, os planos e expectativas da CML; Presidente da Junta de Freguesia de S.Nicolau, expectativas dos moradores; Luis Patrão, o papel da Baixa para o turismo de Lisboa.
Organizado pela ACA-M, o Mestrado em Risco, Trauma e Sociedade - ISCTE, PQN-COST Action 358 e a Fundação Friedrich Ebert
Dia 12 de Novembro das 9.45h às 18.00h.
O encontro fortuito entre cidadãos anónimos é a pedra de toque da vida urbana. Os espaços exteriores de atracção de gente são o garante da interacção entre gerações, classes sociais e comunidades, e de construção da “coisa pública”.
Por toda a Europa, as preocupações ambientais e energéticas, associadas a novas exigências de qualidade na vivência urbana, têm contudo promovido visíveis alterações nos paradigmas ideológicos que balizam o discurso e a prática da gestão urbana.
O presente Colóquio procura reflectir, numa perspectiva comparada e a nível europeu, sobre essa categoria funcional da mobilidade urbana, tão ubíqua e estigmatizada que é o “peão”. Para tal, foram convocados especialistas europeus de reconhecido mérito em áreas tão diversas como a engenharia de transportes, o urbanismo e as ciências sociais.
No contexto deste Colóquio Internacional, é também promovida uma Mesa Redonda juntando investigadores e organizações da sociedade civil portuguesa, onde se procurará fazer uma avaliação da situação da pedonalidade em Portugal.
No final do Colóquio será lançado o livro de Aymeric Bôle-Richard, Pedonalidade no Largo do Rato: Micro-poderes. Uma edição ACA-M.
PROGRAMA
The Walker and the City – O Peão e a Cidade
Dia 12 de Novembro 2008
Goethe-Institut Portugal
Campo dos Mártires da Pátria, 37
1169-016 Lisboa
9:45h – Recepção e registo
10:00h – Abertura: Presidente do ISCTE
10:10h – Apresentação do Programa: Reinhard Nauman (FES), Manuel João Ramos e Mário José Alves, coordenadores da Acção COST em Portugal.
10:20h – Melhor mobilidade com menos automóveis – Heiner Monheim (Universidade de Trier, Alemanha)
10:40h – Andar, tempo e espaço público: percepções, políticas e perspectivas – Daniel Sauter (Urban Mobility Research, Suíça)
11:00h – Debate
11:20h – Intervalo para café
11:40h – Comodidade e segurança dos peões na Europa: passado e futuro – Nicole Muhlrad (INRETS, França)
12:00h – Necessidades de qualidade para peões (Pedestrian Quality Needs) – Rob Methorst (Coordenador da Acção COST-PQN, DVS-CTN, Holanda)
12:20h – Debate
13:00h – Intervalo
14:30h – Mesa Redonda – Sociedade Civil: Estudos, participação e conflito…
15:40h – Uma abordagem etnográfica à Rambla del Raval: espaço (público?) e peões. – Gerard Horta (Universidade de Barcelona, Espanha)
16:00h – Debate
16:30h – Intervalo para café
16:50h – O sistema de gestão de acesso de Londres (LAMS) e o estado do andar a pé. – Jim Walker (The Access Company, Reino Unido)
17:10h – Peões: cidadãos de segunda? – Ralf Risser (Universidade de Lund, Suécia)
17:10h – Debate
18:00h – Lançamento do novo livro editado pela ACA-M: Pedonalidade no Largo do Rato: micro-poderes, de Aymeric Bôle Richard.
Com o apoio de: European Cooperation in the field of Scientific and Technical Research, Goethe-Institut Portugal, Instituto da Mobilidade e dos Transportes Terrestres IP, Câmara Municipal de Lisboa, Carris.
Nota: Quando me inscrevi (junto da Feslisbon) perguntei se tinham estacionamento (ou outro local onde se pudesse estacionar) para bicicletas, pois bicicleta+comboio é a minha primeira opção de mobilidade para ir a isto. Reencaminharam-me para o local do colóquio, telefonei, mais tarde enviaram-me um mail a dizer que «por motivo de espaço, não é possível parquear as bicicletas no Goethe-Institut». Entretanto, vi que aqui divulgaram o evento com mais info, nomeadamente acerca das opções de mobilidade. Vamos torcer para que os senhores do parque para carros sejam tão fixes como outros têm sido.
Os portugueses até podem ser bons a criar grandes coisas. Mas acabam por lixar tudo mais cedo ou mais tarde, por via da negligência ou da preguiça activa…
Telha Sol: prédio de 6 apartamentos - dois T2 e quatro T3 - em Leceia (Oeiras), com jardim e espaços comuns amplos. Os apartamentos, para venda, têm bons acabamentos, cozinha espaçosa e equipada, terraços e varandas convidativos, divisões amplas e desafogadas, com muita luz natural, e têm garagens individuais. Numa zona calma, com vista para o rio e para o campo.
Cenas a Pedal: bicicletas dobráveis, karts a pedal / triciclos reclinados, malas para ciclistas, buzinas, kits para transporte de carga em bicicleta (reboques sem engate), aluguer de karts, batidos a pedal, cursos de condução de bicicleta (aprender a andar de bicicleta e a conduzir na estrada).
Cafetaria Doce Lima: cafetaria & pastelaria, pão para fora, sopa e mini-pratos durante a semana. Cibercafé, TV por cabo, música ambiente, zona lounge, wifi gratuito.
Primo Vivere: produtos e serviços personalizados para pessoas com necessidades especiais, nomeadamente idosos, pessoas acamadas, etc.
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