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Um mito jurídico

Sempre me disseram que não se pode andar na via pública sem o BI (ou outro documento de identificação). E que se formos apanhados sem ele podemos ser levados para a esquadra para sermos identificados. Isto aconteceu com um miúdo amigo meu.

Ora, acabo de saber que isto afinal é um mito. Não há lei nenhuma que nos obrigue a andar com ID, e nenhum polícia nos pode pedir os documentos, a não ser que sejamos suspeitos de algum crime. Nesse caso, então, é que, se não tivermos ID connosco, podemos ser levados para a esquadra por um período de até 2 horas, para sermos identificados.

Morreu um engenheiro de tráfego revolucionário

Hans Monderman, o engenheiro de tráfego holandês conhecido pelos seus inovadores planos de “espaço partilhado” enfatizando a interacção e negociação humanas em vez da obediência cega aos aparelhos de controlo de tráfego mecânicos, morreu ontem. Para saberem mais, leiam o post (e sigam os links) no Streets Blog.

Esta abordagem atrai-me, pois muitas vezes ao conduzir de carro dentro da cidade sinto que há demasiada sinalização vertical, semafórica e no chão a exigir a minha atenção e sinto que em vez de me concentrar nos outros carros, ciclistas e peões tenho a atenção dispersa pelos inúmeros sinais que tenho que visualizar, registar e compreender para não incorrer em nenhuma infracção ou acidente. E depois há a dispersão espacial e falta de uniformidade na posição e tipo de suporte das indicações como ruas, institutos, etc.

Gostava de um dia visitar os locais em que o Hans implementou este sistema.

Nascimentos de meninos vs. meninas - 106:100 para 50:100

Enquanto este tipo de dramas se passava na China (devido à política do filho único para controlo do crescimento da população) e na Índia (porque as filhas mulheres implicam dote e mais não o quê) por motivos culturais, onde os bebés do sexo feminino ou são abortados ou são assassinados porque valem menos ou exigem maior despesa ou investimento,… passava um bocado ao lado, ainda mais quando o que faltava eram mulheres. Mas se isto realmente começa a afectar o Ocidente e a causa é “ambiental” (mas provocada pelo Homem), e são os homens a desaparecer, e em larga escala, de certeza que vai haver mudanças grandes…

Quando se diz que “o futuro é das mulheres”, nunca pensei que fosse por no futuro simplesmente não haverem quase homens nenhuns… :-P

Agora a sério, isto é grave. É grave porque isto pode significar desequilíbrios entre os sexos, defraudando as naturais expectativas dos jovens de casar, ter um companheiro, ter filhos, etc. E é grave porque estes químicos podem provocar um aumento dos distúrbios de desenvolvimento a nível sexual (sexos genético, anatómico e cerebral não coincidentes). Penso eu de que…

Promoção da mobilidade sustentável no Porto

O eléctrico voltou às ruas do Porto (tem vídeo).

Esta autarquia lançou também um Prémio Municipal de Mobilidade Sustentável com vista a fomentar o desenvolvimento de trabalhos que possam ajudar a melhorar as condições de transporte no concelho

«(…) o principal objectivo da distinção é o de “estimular e valorizar a apresentação de propostas concretas que visem a melhoria das condições de mobilidade no concelho do Porto”. O prémio será atribuído anualmente no decorrer da Semana da Mobilidade e em causa está um valor de 5.000 euros. O júri poderá ainda decidir atribuir duas menções honrosas no valor de mil euros cada.
(…)
De acordo com a proposta de regulamento, a concurso poderão ser apresentados, a título individual ou colectivo, trabalhos, iniciativas, produtos e soluções implementadas ou não que possam ajudar na melhoria das condições de mobilidade do concelho. A autarquia dá a título exemplificativo alguns dos temas que podem ir a concurso, sendo eles os veículos mais limpos e combustíveis alternativos, a organização e planeamento de transportes, a abordagem integrada dos transportes urbanos, o reequilíbrio do espaço urbano e restrições de acesso, os Sistemas de Informação e Gestão Inteligentes para Transportes, a logística urbana limpa, os transportes públicos de alta qualidade, as novas formas de uso do carro, a promoção de modos de transporte limpos e a gestão da mobilidade e sensibilização em relação ao uso do transporte. (…)
»

Fonte: O Primeiro de Janeiro

PediBus em escolas de Lisboa!

Falei nos Walking Buses há tempos, mas pensando que iria levar anos até se ver algo similar por cá. Enganei-me e ainda bem. :-)

A Câmara Municipal de Lisboa vai fazer uns testes-piloto de um projecto destes. Chama-lhe PediBus, e vai ser experimentado em 3 escolas do 1º Ciclo dos bairros de Alvalade e de Campo de Ourique. A iniciativa insere-se no projecto MobQua - Mobilité dans le Quartiers - e visa promover as boas práticas de mobilidade sustentável no interior dos bairros, através da:

• Redução da utilização de modos motorizados nas deslocações internas e de atravessamento aos bairros,
• Integração das rotas cicláveis e pedonais, de modo a potenciar a criação de uma rede estruturada e hierarquizada.

«Um Pedibus é um «grupo de crianças» que andam a pé para a escola segundo um circuito pré-definido e acompanhados por adultos. É uma forma divertida, segura e activa das crianças irem para a escola. O Pedibus pode ser mais ou menos flexível de forma a facilitar as necessidades das famílias. As crianças podem usá-lo todos os dias, dia sim, dia não, uma vez por semana, ou ocasionalmente.»

Desenrolar da acção piloto - PediBus

Na 1ª semana de aulas (de 17 a 21 Setembro), que é coincidente com a semana Europeia da Mobilidade, será feito um trabalho com os alunos nas escolas, por parte dos professores, com o envolvimento da Divisão de Formação e Segurança Rodoviária da DSRT-CML, e da Escola Segura da PSP. O objectivo é de sensibilização, elaboração de um logotipos, dos placares de paragens, de aprendizagem das regras básicas de circulação na estrada, de saída de campo para identificação do percurso e de organização com os pais dos alunos e professores.

Na 2ª semana (24 a 28 Setembro), iniciar-se-á a realização dos diversos PediBus no terreno. Serão realizados 3 circuitos por escola, organizados com cores distintas por dentro dos bairros.

EXCELENTE! :-)

Morreu a Anita Roddick

Soube hoje. Morreu aos 64 anos, com uma hemorragia cerebral, no dia 10 de Setembro.

Lamento esta perda. Conhecia a Anita Roddick de nome, sabia que era a fundadora da Body Shop. Um dia (há alguns anos, já) no zapping do costume parei num documentário. Uma mulher andava na rua disfarçada de “velha”, para ver (e sentir) como é ser velho nesta sociedade. Também fez outra cena em que se disfarçou de obesa. O tipo de cenas que eu adoro ver na TV. :-) Bom, a dada altura percebo que aquela mulher é a Anita da Body Shop. Continuei a ver. Gostei dela. Há uns meses (talvez já mais de 1 ano), descobri o site/blog dela. Andei por lá a deambular. Li algumas coisas. Lembro-me de ter gostado de alguns textos sobre empreendedorismo, nomeadamente os de uma entrevista que ela deu (parte 1, parte 2). Identifiquei-me com o que ela dizia, gostei do estilo, das ideias. Foi reconfortante ver que alguém assim conseguiu levar as suas ideias avante, sem ter que fazer as coisas como os outros fazem.

Tomara que estejam outras Anitas a nascer por esta altura, precisamos desesperadamente de gente assim.

Success is going from failure to failure without a loss of enthusiam” – Winston Churchill

Carpooling em português

Depois de ouvir falar, em Junho deste ano, no Flexis Carpooling, iniciativa recente (mas sem face online, até agora), de dois operadores de transportes públicos, soube agora da existência de um outro serviço de carpooling, este de iniciativa privada.

http://www.CARPOOL.COM.PT

O CARPOOLING - Partilha de viagens «é um serviço de utilização grátis na World Wide Web, que tem como objectivos promover a partilha de viagens entre os cidadãos de forma a melhorar a sua mobilidade, reduzir o tráfego, problemas de estacionamento, incentivar uma utilização racional de recursos não renováveis e promover a protecção do ambiente. Este sítio consiste numa base de dados de utilizadores e num motor de pesquisa que permite fazer a correspondência entre estes, facilitando o encontro de pessoas que reúnem ascondições necessárias a esta partilha.»

Muito, mas mesmo muito fixe! :-) Excelente iniciativa, os meus parabéns a quem pôs isto a andar! :-) Estou muito contente por ver que estas cenas estão a chegar a Portugal! Esperemos que as pessoas adiram em massa! :-)

Ajudem a espalhar a palavra e, caso se enquadrem no público alvo, registem-se e participem! ;-)

Retro-updates na questão do Verde Eufémia

Agora que já pude ler o Expresso das duas últimas semanas, encontrei mais dados e notícias sobre o incidente de Silves com o Verde Eufémia.

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Já debati um bocado isto no Fórum da FCT e não tenho pachorra de o repetir nem desenvolver aqui também. Mas achei uma coisa curiosa neste artigo do Expresso:

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Então, aqueles tipos conseguiram cortar quase 1 hectare de milho (isso é 1 campo de futebol, certo? em menos de 15 minutos? Fogo! O agricultor devia mas é contratá-los. :-P

Bilhete combinado para os Domingos sem carros no Terreiro do Paço, Lx

Cool! :-) Quantos menos títulos de transporte e afins, melhor.

«Aos domingos em Lisboa
Bilhete combinado junta Carris, Metro e estacionamento

A partir de Setembro, vai passar a existir um bilhete combinado entre a Carris, o Metropolitano de Lisboa e os sete parques de estacionamento que estão localizados perto do Terreiro do Paço, em Lisboa. Esta iniciativa está inserida no âmbito do programa “Aos domingos o Terreiro do Paço é das pessoas”, que está a ser desenvolvido pela Câmara Municipal, e que pretende dinamizar toda a zona da Praça do Comércio e Baixa pombalina, fomentando também a utilização dos transportes públicos. O custo do bilhete ainda não está definido, embora a secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino, tenha referido durante a apresentação desta iniciativa que «será relativamente baixo». Ao estacionar o seu automóvel num dos parques aderentes, os automobilistas poderão utilizar os transportes públicos que circulam na área, bastando para isso mostrar o título combinado. O trânsito no Terreiro do Paço será fechado aos domingos e apenas os autocarros da Carris poderão circular. Os parques de estacionamento associados à iniciativa são os do Martim Moniz, Praça da Figueira, Restauradores, Santa Apolónia, Portas do Sol, Largo Camões, Calçada do Combro e Largo Vitorino Damásio.»

Fonte: Transportes Online

Notícia sobre o fecho do Terreiro do Paço aos carros ao domingo, aqui.

Mulheres não podem andar de bicicleta no Irão

Fónix, que viver sob o Islão é mesmo do piorio!… Agora nem andar de bicicleta (nem patins ou scooters) é permitido às mulheres no Irão, pelo menos “em público”. É uma boa capa para o lobby do petróleo e do automóvel…

Oeiras: Adjudicado prolongamento do Passeio Marítimo

Retirado do site da Câmara Municipal de Oeiras:

A obra, cujo valor ultrapassa os cinco milhões e 200 mil euros, deverá ser executada num prazo de 18 meses, prevendo-se a sua conclusão para finais de 2008.

O projecto de prolongamento corresponde à execução do troço compreendido entre o restaurante Saísa e a Doca dos Faróis, na praia de Paço de Arcos.

Recorde-se que o Passeio Marítimo se desenvolve, actualmente, entre o Forte de S. Julião da Barra e a praia de Santo Amaro de Oeiras, ao longo de uma extensão de 2400m, sendo um local de referência do concelho, onde se pode, desfrutando da vista para o mar, correr, caminhar e andar de bicicleta.

Essa do andar de bicicleta é que não é bem verdade, não é?… A notícia verdadeiramente interessante seria: “CMO adjudicou alargamento do Passeio Marítimo para inclusão de faixa ciclável e o prolongamento até Paço de Arcos”. Maybe someday.

O fim de uma era

Oeiras já não é “mais à frente”. Como eu comecei a desconfiar no ano passado, após observar a substituição de uma série de ecopontos e a colocação de mais, e também mais recentemente ao constatar que por vezes não é feita a recolha porta-a-porta nalgumas zonas, este sistema em vigor há já 10 anos vai acabar.

Nos últimos meses deixei de ver as casas “todas” com sacos e montes de papel e cartão à porta, para a recolha, às 2ªs e 5ªs. Estranhei, mas não pensei muito nisso. O Bruno tem-se queixado de que em casa dele a recolha falha. Na minha também já aconteceu.

Agora veio a confirmação e a sentença final. No correio puseram-me um folheto informativo sobre os ecopontos e uma carta de aviso.

O folheto diz: “novos equipamentos de deposição de resíduos urbanos” (embora a substituição tenha sido há mais de 1 ano e os antigos me parecessem em bom estado…).

Folheto informativo sobre os ecopontos

Lá dentro ensina o que se deve pôr em cada ecoponto. Sugere ainda, para separar os resíduos em casa, usar sacos de plástico das compras, reutilizando-os. Têm ainda a amabilidade de nos informar de que a Tratolixo oferece um “recipiente doméstico apropriado” para as 3 categorias de resíduos recicláveis.

Folheto informativo sobre os ecopontos

(Chamo a atenção para o tamanho de um saco de plástico das compras típico, e para o tamanho do recipiente na imagem.)

Depois dirigem-se aos munícipes informando, nomeadamente, que:

O sistema porta-a-porta, apesar de ser prático, tem apresentado alguns inconvenientes em zonas de habitação colectiva, pelo que se considerou oportuno substituir este sistema pela colocação de ecopontos, indo ao encontro de muitos munícipes que consideram este equipamento mais adequado à deposição selectiva dos seus resíduos.

Folheto informativo sobre os ecopontos

Por fim, na carta dizem-nos:

Atendendo à problemática das questões ambientais relacionadas com a poluição, a CMO considera urgente a necessidade de minimizar o impacto causado pela constante passagem das viaturas de recolha na zona em que reside. Com o intuito de melhorar a qualidade de vida dos munícipes serão efectuadas alterações relacionadas com a recolha selectiva porta-a-porta, através do saco azul translúcido e dos contentores privativos azuis.

Aviso municipal

E avisam que a partir de 19 de Julho deixará de existir recolha porta-a-porta, passando a ser efectuada a deposição dos resíduos no ecoponto. ficou-me uma dúvida pela ambiguidade do texto: deixará de existir em todo o concelho ou só aqui nos desgraçados de Porto Salvo?

Alertam ainda:

Considerando que a preservação do espaço público é um bem comum, apela-se a todos os munícipes residentes neste local que não depositem o lixo doméstico junto dos ecopontos, de forma a evitar situações de lixo espalhado pelo chão.

Sabem o que eu acho? Tretas! É o que isto é.

1) Afinal qual é a razão: o folheto diz “inconvenientes em zonas de habitação colectiva”, a carta diz que é para “minimizar o impacto causado pela constante passagem das viaturas de recolha na zona” em que resido. Decidam-se.

2) Se é por inconvenientes em zonas de habitação colectiva porque é que vão acabar com o serviço aqui, uma zona essencialmente de vivendas?

3) Se é pelo impacto das viaturas de recolha que, aliás, não é “constante”, visto ser apenas 2 vezes por semana (!), e da poluição, onde está a preocupação da Câmara noutras medidas bem mais significativas na redução de impactos ambientais e sociais relacionadas com a mobilidade no concelho? Aqueles camiões 2 vezes por semana é uma gota no oceano de automóveis que todos os dias entopem as estradas do concelho. E esta súbita preocupação com este impacto pernicioso também se estende à recolha porta-a-porta do lixo normal? O tópico “alterações climáticas” agora serve para tudo, até para justificar medidas potencialmente contra o ambiente…

4) Será que acabar com os “inconvenientes” e/ou o “impacto dos camiões” não gerará outros inconvenientes diferentes e outros impactos? O inconveniente de ter que ir todos os dias ao ecoponto deixar meia-dúzia de embalagens (porque o saco de plástico é pequeno, e o recipiente-tipo da Tratolixo é minúsculo, e a merda da abertura dos ecopontos nos obriga quase a enfiar embalagem a embalagem!), e o impacto de ainda menos gente se dar ao trabalho de separar o lixo e ainda o ir depositar em pequenos sacos quase todos os dias.

5) «(…) se considerou oportuno substituir este sistema pela colocação de ecopontos, indo ao encontro de muitos munícipes que consideram este equipamento mais adequado à deposição selectiva dos seus resíduos.» A mim ninguém me perguntou nada! O “muitos” deve ser porque não foi a maioria. Nem podia ser! A recolha porta-a-porta é muito mais prática! E se isso fosse um problema nos prédios (se muita gente fizesse separação, acumular-se-iam muitos sacos à porta ou no caminho) os ecopontos já lá estavam para quem os quisesse usar!

6) As pessoas deixam os sacos no chão, encostados aos ecopontos porque ninguém os foi recolher a casa e sacos de 50 Litros de resíduos não passam pelas aberturas minúsculas dos ecopontos!!!

Não é por isto que vamos passar a ser slobs, mas, que merda!, só nos dão é mais trabalho! Não há pachorra pra este país.

Ah, e devemos andar a nadar em dinheiro, para substituir ecopontos bons por outros novos e mudar para um sistema que convida à preguiça quando o original tem apenas 40 % dos custos deste e é muito mais prático e eficaz. Mas não temos dinheiro para fazer passeios, paragens de autocarros em condições, estradas com bermas largas para facilitarem o uso da bicicleta, jardins, estacionamentos para bicicletas, etc, etc.

Yes, I’m pissed.

Biocant Park abre centro de ciência júnior

«O Biocant Park – Parque de Biotecnologia de Portugal, com o apoio do Programa Ciência Viva, vai ter um espaço laboratorial exclusivo ao qual chamou Centro de Ciência Júnior. Este Centro pretende sensibilizar os jovens Portugueses para o ensino experimental das Biociências bem como para a importância de uma atitude empreendedora.

O modelo idealizado para este espaço não se esgota na demonstração e divulgação, mas requer uma participação activa dos jovens, fazendo com que se sintam investigadores e empreendedores, tomando eles próprios a iniciativa, mediante a orientação de um tutor ou professor. O Biocant Park pretende contribuir, assim, de uma forma activa, para o reconhecimento do valor social e económico das Biociências.

A inauguração do Centro de Ciência Júnior terá lugar no dia 27 de Junho, pelas 9:00h, no edifício sede do Biocant Park.

A apresentação do Centro de Ciência Júnior será feita com demonstrações experimentais levadas a cabo por grupos de alunos dos 1º, 2º e 3º ciclos do ensino básico de uma escola local.»

[Via]

Reino Unido defende direito ao ar

Depois da Irlanda, Gales e Escócia, é a Inglaterra a ser smoke-free a partir de dia 1 de Julho de 2007. O Reino Unido passará a ser o maior país smoke-free do mundo. :-)

Em Portugal falam, falam mas não fazem nada. Eu bem gostaria de sair mais vezes a bares e afins, e mesmo umas discotecas pra curtir a música e dançar um pouco. Mas com tanto fumo não consigo estar. É suposto uma pessoa sair e ir a um lugar para se divertir e passar um serão agradável. Se não consigo respirar, se me ardem os olhos e a garganta, se o meu cabelo, pele, roupa, mala, etc ficam a tresandar a tabaco, um cheiro seco e insuportável, obviamente não estou a divertir-me nada. Quando vou, tento sair o mais depressa possível e acabo por consumir menos do que poderia. E na maior parte das vezes nem chego a sair.

Aqueles empresários todos sempre a queixarem-se que se proibirem o tabaco os clientes desaparecem, nunca pensaram que há outros clientes que não aparecem justamente pela ausência de proibição… Tónis. Por mim, que se lixe. Um dia ainda abro uma rede de bares smoke-free e agarro o nicho de mercado. Já se a proibição for real e não ao gosto do empresário, lixa-me a ideia de negócio. ;-)

A dignified way out

Há dias vi o documentário sobre a EXIT, na RTP2.

Do site deles:

«The World Federation, founded in 1980, consists of 38 right to die organisations from 23 countries. The Federation provides an international link for organisations working to secure or protect the rights of individuals to self-determination at the end of their lives.»

Foi interessante acompanhar um pouco do trabalho desta associação. É pesado. Mas é tão importante! Fico tão feliz por saber que há pessoas que se sujeitam a este desgaste a bem de terceiros! É preciso muita abnegação, aguentar aquele fardo emocional para ajudar alguém que não nos é - à partida - próximo, da nossa família, amigos,…

Há demasiada procura para a oferta deles. E muita procura de pessoas de outros países, onde a eutanásia/suicídio assistido [já agora, qual a diferença, exactamente?] não é permitida pela lei, e que a associação não pode ajudar…

Há tanta gente a sofrer tanto… Não consigo compreender aqueles que negam aos outros o direito a morrer, a dispôr da própria vida e do próprio corpo, à auto-determinação. Geralmente também são contra o direito a abortar uma gravidez. Embora possa tentar compreender a posição deles neste caso - porque envolve um outro ser vivo em desenvolvimento - não posso aceitar a sua posição quanto à eutanásia, porque só envolve a pessoa em causa. Haverá algo mais humilhante e degradante do que ser obrigado a viver uma vida que não se quer viver? É de um egoísmo e de uma falta de compaixão e de empatia que me choca. Ia dizer que é desumano, mas não, é totalmente humano, só estes são capazes de actos tão cruéis.

Hoje li no Público a notícia de que 40 % dos 450 médicos oncologistas inquiridos num estudo defendem legalização da eutanásia. Aaah, mais algum alento na inteligência e compaixão das pessoas neste país!… Nomeadamente, dos médicos. Já na campanha do referendo sobre a despenalização do aborto fiquei contente pela existência do Movimento Médicos pela Escolha, esta notícia vem reforçar a confiança na evolução das mentalidades.

Embora 40 % sejam pelo direito a, só 20 % admitem praticar a eutanásia caso esta seja legalizada. Não interessa, tal como com o aborto e a grande quantidade de médicos e instituições que farão objecção de consciência, o importante é que quem execute estes procedimentos o possa fazer dentro da legalidade, e da dignidade…

«(…)Rui Nunes, presidente do Serviço de Bioética da Faculdade de Medicina [do Porto, que realizou o estudo], manifestou a sua preocupação pela percentagem de médicos que é favorável à eutanásia e ao suicídio assistido, o que, em sua opinião, reflecte “uma mudança na forma como estas questões fracturantes passaram a ser encaradas”. “O resultado evidencia que há cerca de 40 por cento dos médicos oncológicos que antevêem legalizar a eutanásia em Portugal e isso é, naturalmente, um resultado preocupante, dado que a ética e a deontologia médicas tradicionalmente são contra esta prática no nosso país”, declarou Rui Nunes.

Contrário à legalização da eutanásia, mas favorável à realização de um referendo, “precisamente por se tratar de uma questão fracturante”, aquele professor observa que a legalização não é a solução. “A nosso ver a resposta não é legalizar a eutanásia é ver porque é que as pessoas pedem a eutanásia e tentar responder a isso”, disse ao PÚBLICO Rui Nunes, sublinhando que é preciso reflectir por que é que “uma franja tão significativa da população médica é favorável à legalização da eutanásia”

Sou totalmente a favor da aposta e expansão dos cuidados paliativos, mas estes têm os limites da medicina. Esta não consegue evitar todas as doenças, não consegue curá-las a todas e nem sequer consegue ao menos livrar completamente os doentes (terminais ou não) da dor. Por melhores que sejam os recursos materiais e humanos disponíveis. Vai sempre haver alguém para quem a medicina não tem resposta ou solução para uma vida condigna. Esse alguém deve ter o direito de escolher continuar e aguentar ou ficar por ali. Esta questão “fracturante” não deve ser decidida em referendo, porque implicaria que parte da população poderá impôr à outra um código de conduta para a sua vida pessoal que só ao indivíduo diz respeito. Tal como poderia ter acontecido no referendo à despenalização do aborto, mas ainda pior, porque aqui não há terceiros envolvidos e afectados pela decisão da pessoa.

«“(…)nada se fizer, temo que estes 40 por cento sejam amanhã 60 ou 70 por cento e depois aí a população vai começar a aderir mais a esta causa”.»

Espero bem que sim, que adira e se dê um salto civilizacional importantíssimo.