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Oeiras mais atrás

Na 5ª-feira passei pelo novo Centro de Saúde de Paço de Arcos, ia buscar uns exames (mas só depois de lá entrar me lembrei que tinha sido atendida ali mas as análises tinham sido feitas no CS de Oeiras). A zona de parque de estacionamento ainda estava em obras, mas quase terminada.

Novo Centro de Saúde de Paço de Arcos

Fui de bicicleta e constatei que não havia lugar oficial para ela (nem para motas, diga-se de passagem). Isto não é uma obra feita há 20 anos, foi feita hoje. Não é admissível. Ainda cheguei eu a ir perder tempo para sessões de participação pública da Agenda XXI Local

Oeiras mais atrás Parque de estacionamento p/ carros no novo CS de Paço de Arcos Estes tipos projectam para o passado... Business as usual

No regresso do CS de Oeiras, e a caminho de outro centro de exames, desta vez para levantar um raio-X, passei pela estação de comboios de Oeiras, onde aproveitei para fotografar mais uma vez o novo suporte para estacionamento de bicicletas:

Design & usability how-not-to

E porquê? Porque exemplifica alguns dos defeitos destas estruturas. Não permitem prender o quadro da bicicleta com um U-lock, e se só tivermos 1 cadeado, só podemos prender a roda, o que pode dar nisto:

Exemplo 2 em 1

Esta foto ilustra também outro problema, a incapacidade destas estruturas de acomodarem bicicletas com travões de disco (cada vez mais comuns). Embora nem todos os dobra-rodas tenham este problema em particular (exemplo aqui).

Na presença de um mau design, muitos utilizadores optam por não usar as estruturas, ou usá-las de forma diferente do suposto. Neste caso, o ciclista usou o suporte como se fosse um U invertido:

Dobra-rodas usado como um U invertido

Finalmente, não pude resistir a perder mais uns instantes e experimentar colocar lá a minha bicicleta. Resultado:

Um dobra-rodas que também dobra raios...

Ainda o pneu não tinha chegado ao fundo, ficando apoiado à frente e atrás no suporte em baixo, já os ferros em cima estavam a comprimir os raios… Claro que eu não deixaria ali a minha bicicleta. Será assim tão difícil fazer as coisas como deve de ser? *sigh*…

E será pedir muito esperar estacionamentos cobertos nos interfaces? Se até põem árvores para dar sombra aos carros, alardeando “mais estacionamento para carros (ao preço da chuva) = mais qualidade de vida”, será assim tão descabido pedir um pouco mais de cuidado e consideração para quem requer 10 vezes menos investimento e espaço?…

Oeiras e as suas não-soluções

Ao voltar para casa, em direcção a Porto Salvo, passei pelo Oeiras Parque, para ver se encontrava uma cena no Continente. Não encontrei, mas aproveitei a viagem para re-abastecer ligeiramente a despensa. São as vantagens de andar com uma Xtracycle, a capacidade de carga está lá sempre, sem nos apercebermos sequer. :-)

A X é para os imprevistos

Deixei a bicicleta à entrada do Continente, o meu spot habitual. No entanto, ao voltar à estrada não resisti a parar e subir para uma zona em frente à entrada principal para tirar uma foto:

Entrada principal do Oeiras Parque

Havia 2 bicicletas e 2 motas estacionadas em cima do passeio presas ao gradeamento. À direita vemos os desgraçados que andam de transportes públicos, sem abrigo do sol e da chuva e sem bancos para se sentarem, enquanto que quem vai de carro tem centenas de lugares de estacionamento coberto, iluminado e gratuito. À esquerda vêm-se alguns dos carros estacionados numa zona de proibição de parar e estacionar (percebo o estacionar, mas se não se pode parar não sei para que serve aquela via…).

Antes de chegar ao OP, vim em contramão por uma estrada que ladeia o Parque dos Poetas e tirei esta foto:

A paisagem em mudança...

À esquerda têm o IZI (que, a propósito, não tem estacionamento para bicicletas…). Foi construído num ápice. Devem ter agradado bastante ao sr. 10 %… Neste preciso local estava o único sítio verdejante da zona. Foi arrasado e agora só há betão. À direita vê-se a linha do SATUO, que supostamente terá continuidade. Mas se agora está ali o IZI, fico sem saber por onde é que aquilo irá passar. Duas grandes superfícies que podiam muito bem ser ligadas por uma ponte pedonal/ciclável. Mas não, estamos em Oeiras, onde se espera que para andar 200 metros usemos o carro…

As últimas duas fotos da viagem, junto à rotunda das oliveiras, na saída da A5 em Porto Salvo / Paço de Arcos:

Fuck the pedestrians Oeiras cada vez mais atrás

Neste local, como em dezenas (ou centenas) de outros espalhados pelo concelho de Oeiras, os fluxos, a mobilidade e a acessibilidade pedonal foi esquecida. Quando não é simplesmente esquecida é até dificultada ou impedida. Mas hey!, o munícípio ganhou um prémio de mobilidade/acessibilidade e tudo!!

Isto já diz muito do resto do país...

Não há pachorra para isto, pá, a sério que não…

Mexa-se na Marginal!

Este ano será no dia 1 de Junho (próximo domingo), das 10h às 13h, entre Algés e Oeiras.

Folheto do "Mexa-se na Marginal" 2008 Folheto do "Mexa-se na Marginal" 2008

De bicicleta, a pé, seja lá como for, é um evento imperdível! :-)

O ano passado foi assim.

Dia Aberto no ITQB

Este ano há mais ciência aberta ao público e, particularmente, às crianças, no ITQB. Dia Aberto, 23 de Fevereiro, das 10h às 17h, em Oeiras. Recomendo vivamente! Levem os miúdos e os graúdos, aquilo é giro! :-) E vão cedo, porque é um evento muito concorrido…

Perspectivas díspares do mesmo problema e do mesmo evento

Comparem isto com isto. Alguns remarks breves (os bolds são meus):

Na opinião de Madalena Castro, “a decisão em matérias desta natureza deve depender também do conhecimento directo do terreno, pois só assim as políticas de proximidade, e particularmente a política de transportes, servirão o cidadão”.

Nota-se o conhecimento que os decisores autárquicos têm do “terreno”, uma pessoa percebe logo que eles têm imeeeeeeeensa experiência a circular de transportes públicos, a pé ou de bicicleta por Oeiras…

Recorde-se que o seminário “Melhor Mobilidade, Melhor Oeiras” foi promovido pela Oeinerge – Agência Municipal de Energia e Ambiente de Oeiras em parceria com a Câmara Municipal e visou sensibilizar autarquias, empresas e público em geral para a importância da gestão da mobilidade a nível local, concretamente através de acções que permitam melhorar a qualidade de vida.

Pffff! Viu-se o esforço de sensibilização na divulgação que o evento teve junto das massas, a afluência estrondosa de “público em geral” e “empresas” e no interesse demonstrado em ouvir o “público em geral” que se dignou assistir àquilo e ainda se deu ao trabalho de (tentar) participar activamente na discussão.

Para além de um enquadramento da temática, com a apresentação pública dos resultados do ‘Estudo de Mobilidade e Acessibilidades de Oeiras’, com a divulgação do ‘Serviço Combus’ e com o lançamento do ‘Consultório de Mobilidade, Energia e Ambiente’, o seminário constituiu-se como um espaço de debate e discussão acerca da temática dos transportes e da mobilidade sustentável.

lol Grande debate, sim senhor. A democracia participativa no seu melhor.

Assinale-se que a apresentação pública de projectos e iniciativas que caracterizam as políticas locais ligadas à mobilidade sustentável em Oeiras tem ocorrido, anualmente, no âmbito da Semana Europeia da Mobilidade.

Claro, para apresentar trabalho em dia solene, para europeu ver.

A confirmação

Aha! Está a ser utilizado! :-D

Infrastrutura de estacionamento de bikes a ser usada! :-)Infrastrutura de estacionamento de bikes a ser usada! :-)

We’re not alone

Eheheh! No outro dia passou por mim um homem numa bicicleta dobrável. Íamos ambos em direcção à estação de comboios, em Oeiras, e ainda consegui captar o achado em foto.

Outra pessoa com uma bicicleta dobrável no comboio! :-)

Já tinha visto outras pessoas em bicicletas dobráveis em diferentes sítios, mas nunca nos transportes públicos. This was a first. :-) Cool!

Cenas óbvias

Pelo nosso Código da Estrada, uma pessoa em cadeira-de-rodas é equiparada a um peão. Isto significa que deve circular pelos passeios sempre que estes existam e que não pode circular nas ciclovias. E isso até poderia fazer sentido, mas num país onde quem constrói as infrastruturas tivesse dois dedos de testa e alguma consideração pelos outros. Até lá, é óbvio que uma pessoa com qualquer coisa com rodas vai preferir o piso liso da ciclovia ao piso irregular e rugoso dos passeios em calçada, já para não falar da falta de desnivelamento, rampas, nos acessos aos passeios…

De cadeira-de-rodas na ciclovia da Quinta do Marquês, Oeiras

Bons exemplos de ecopontos

Também nas Caldas vi isto:

Um ecoponto bem desenhado

Um ecoponto funcional! Weeee! Com estes uma pessoa pode simplesmente levantar a tampa e colocar lá um saco grande, em vez de ter que enfiar quase embalagem a embalagem, como em Oeiras e em muitos outros concelhos pelo país.

O do lixo normal também é bonito e, aparentemente, funcional:

Outro design de ecoponto

A propósito, no outro dia vi isto em Oeiras, perto da estação da CP:

Aqui ainda fazem reciclagem porta-a-porta?

Uns são filhos e outros enteados? Pensei que o fim da recolha porta-a-porta fosse igual para todos…

Lotação esgotada

A procura dos parques de estacionamento para bicicletas na estação de comboios de Oeiras já excede largamente a oferta, a lotação fica esgotada rapidamente.

O parque de estacionamento de bicicletas tem a lotação mais que esgotadaMais bikes e motas do outro lado da rua, frente à PSPMais bikes e motas do outro lado da rua, frente à PSP
Mais bikes do outro lado da rua, frente à PSPMais bikes do outro lado da rua, frente à PSPBicicleta junto ao barEstacionamento para bicicletas no lado Sul da estação de comboios de Oeiras

Agora imaginem a quantidade de pessoas que se perde em atrair para a utilização da bicicleta como meio de transporte, porque não há lugares suficientes, porque os lugares que existem não oferecem a segurança que algumas pessoas exigiriam para deixar as suas bicicletas ali durante um dia inteiro (como eu), porque não há lugar para guardar bicicletas diferentes do modelo previsto (ex.: muita gente diz que até gostava de usar a bicicleta mais vez mas tem que levar o cônjuge e os filhos de manhã)…

Além disso, também o estacionamento de motas parece não ser muito levado em conta no planeamento de lugares de parqueamento, o que leva a que os donos as estacionem em cima dos passeios e noutros locais menos adequados…

Para que serve a Divisão de Acessibilidades e Mobilidade do Departamento de Planeamento e Gestão Urbanística da Câmara Municipal de Oeiras?… Presumo que nenhum deles passe pela estação de comboios no seu dia-a-dia e que não saibam o que se passa no seu concelho… Ou simplesmente sirvam apenas o lobby do alcatrão e do automóvel e por isso é que tudo o que tenha a ver com “acessibilidade” e “mobilidade” do não-automobilista (peões, ciclistas, motociclistas até) seja ignorada, negligenciada, até desprezada…

Eventos sobre mobilidade em Setembro: o de dia 18

No dia 18 fui assistir ao seminário da OEINERGE, “MELHOR MOBILIDADE, MELHOR OEIRAS”.

Seminário "MELHOR MOBILIDADE, MELHOR OEIRAS"

Era na Biblioteca Municipal de Oeiras e por isso fui de bicicleta. :-)

Seminário "MELHOR MOBILIDADE, MELHOR OEIRAS"

Era a única. Não sei que opções tomaram as pessoas que participaram no seminário e trabalham na Câmara Municipal (ali perto), arrisco a assumir que usaram o carro, mesmo que tenha sido em carpooling. Alguns “meros” cidadãos” usaram os TP. Estava muito pouca gente no seminário, a maioria era das entidades que organizaram ou apresentaram estudos no seminário. A sociedade civil não apareceu (salvo meia-dúzia de excepções nas quais me incluo).

Na apresentação do estudo de mobilidade para Oeiras da TIS, percebi que o Professor José Manuel Viegas deve ter mudado de ideias quanto à bicicleta, visto abordar o seu uso, vias cicláveis, etc, neste estudo. Ou então acha que Oeiras é diferente de Lisboa e que aqui as pessoas não se vão matar umas às outras e a si próprias ao optar por circular de bicicleta…

Seminário "MELHOR MOBILIDADE, MELHOR OEIRAS"

Houve algumas coisas que aprendi ao assistir a este evento, nomeadamente que para mudar uma paragem de autocarros de sítio ou o percurso de uma carreira, tem que se pedir o aval à administração central… (!!!). Mas houve outros pomenores que não foram abordados ou que foram mal explicados e, pela primeira vez, decidi arriscar e colocar perguntas aos oradores. Delineei-as no papel e pus o braço no ar. Ia fazer aquelas perguntas independemente do coração acelerado (isto de ser tímido é do caraças). Mas não me deixaram, “não havia tempo”. Só 3 pessoas fizeram perguntas, e se tivessem gerido melhor o tempo quer dos que perguntaram quer dos oradores que responderam, eu também teria podido falar… :-(

Enfim, foi uma banhada, como esperava. Vejam os exemplos desta foto:

Seminário "MELHOR MOBILIDADE, MELHOR OEIRAS"

O SATUO anda prá frente e pra trás VAZIO, há anos, a gastar energia e a fazer ruído desnecessário junto às casas dos prédios por onde passa.

Os comboios não estão preparados para serem utilizados por utentes com maiores necessidades de espaço (mesmo que pagassem por isso): bicicleta, carrinhos de bebé, cadeiras-de-rodas, equipamento desportivo como pranchas de surf, mal cabem nas carruagens e tornam-se um empecilho. Tem havido progressos por parte da CP, mas a falta de carruagens adequadas e a subsequente limitação de levar bicicletas nos fluxos e horas de ponta, impedem a utilização do conjunto comboio/bicicleta para ir para o emprego…

Os autocarros andam todos sujos, sebosos, e as paragens não têm conforto nenhum (a maior parte não tem sequer abrigo, nem banco).

É assim que querem tirar pessoas dos seus carros e pô-las a usar transportes públicos?…