Tag Archive for 'Lisboa'

Orçamento Participativo de Lisboa: deadline das votações

Votei na instalação de pilaretes e outras barreiras para salvaguardar o espaço público pedonal em várias freguesias (prioridade 1, máxima), votei na requalificação da entrada em Lisboa via Calçada de Carriche, e por último no reordenamento/requalificação das hortas urbanas na Granja, Lumiar e mais não sei onde. Esta última estive quase a trocar pela repavimentação da Baixa…

O prazo para a votação dos 3 projectos por pessoa, no Orçamento Participativo de Lisboa, acaba hoje. Para poderem votar tem que ter feito previamente o registo no site.

“Bike boxes” são um bem não-essencial, embora útil. “Ciclovias e pistas cicláveis” passo, não são uma boa aposta em termos de investimento vs. rentabilidade, e muitas vezes gastam o dinheiro e fazem uma merda qualquer inútil, ou no mínimo fútil. “Zonas 30″, tenho pouca fé que conseguissem implementar aquilo e “Estacionamento para bicicletas” seria fixe, mas a CML não percebe muito daquilo e/ou não se interessa verdadeiramente (gastar dinheiro e depois continuar a não ter um sítio decente para deixar a bicicleta, mais vale estar quieto). “Requalificação” disto e daquilo, sem pormenores é difícil escolher, e não tenho grande confiança na capacidade de fornecerem bons resultados. A Calçada da Carriche seria uma excepção porque é impossível seja o que for que façam lá não melhorar aquele horror. As Hortas são uma aposta estratégica, são mais vitais no ecossistema da cidade e têm mais valias económicas para quem delas usufrui do que um simples jardim.

As carências são demasiadas para os votos e para o orçamento. É difícil escolher, prioritizar…

Um Dia Por Lisboa: A BAIXA E O CHIADO

Hoje, dia 11 de Novembro de 2008, no Jardim de Inverno do Teatro S. Luiz, em Lisboa, das 18h às 24h, com entrada livre.

Bolas, só soube agora e não vou conseguir ir! :-( Gostei da sessão sobre o Tejo. Não pude ir também à da habitação. O tema da de hoje parece-me igualmente vital…

Excerto do programa:

As diferentes intervenções serão balizadas por três grandes questões:

1. Que papel queremos para a Baixa-Chiado, qual a mistura ideal de moradores, turistas, comércio, hotelaria, serviços e animação? E para o Terreiro do Paço em particular?
2. Que concessões estamos dispostos a fazer para concretizar essa visão? (demolição de edifícios, fecho de ruas ao trânsito, alterações de uso)
3. Aquilo que se deve fazer e o que não se deve deixar fazer na Baixa?

O programa da sessão é o seguinte:

• Introdução e projectos previstos para a Baixa
• Passear & Comprar
• Trabalhar & Habitar
• Imaginar & Projectar
• Novidades relativas à Zona Ribeirinha de Lisboa
• Governar & Planear

Elisio Sumavielle, a reabilitação da Baixa; Biencard Cruz, o Terreirodo Paço e a articulação com a zona ribeirinha; António Costa e Manuel Salgado, os planos e expectativas da CML; Presidente da Junta de Freguesia de S.Nicolau, expectativas dos moradores; Luis Patrão, o papel da Baixa para o turismo de Lisboa.

“UM DIA POR LISBOA - Fazer e Não Fazer: Cada vez mais casas, Cada vez menos gente”

Fui ao último, sobre a cidade e o rio, gostava de ir a este de amanhã, mas não devo conseguir. :-(

Das 18h à 01h, no Teatro S. Luís (que não tem estacionamento para bicicletas, mas dobráveis podem entrar e ficar numa espécie de bengaleiro, e que tem a estação de Metro do Chiado logo ali). Terá 3 painéis, cheio de “personalidades”:

18h - 19h30 - O despovoamento da cidade de Lisboa e a dispersão metropolitana
19h30 - 20h30 - Construção vs. reabilitação
21h - 22h - Imobiliário e direitos adquiridos vs. interesse público
22h - 23h - Debate institucional

Recomendo vivamente.

Obrigada, Mário, pelo lembrete. ;-)

MobQua

O seminário foi dos mais interessantes em que tenho participado, pelas pessoas que intervieram, pelos projectos e temas apresentados.

Seminário final do MobQua

Gostei. :-) Embora algumas coisas avançadas por alguns dos intervenientes me pusessem um bocado ansiosa na expectativa do que aí vem em termos políticos e mediáticos relativamente à promoção do uso da bicicleta… Algumas fotos disponíveis aqui. E é giro ver muitas das mesmas caras nestas coisas. Chego à conclusão que há pouca gente a trabalhar ou interessada nisto… Devo ser a única que anda ali em turismo, sem trabalhar em nenhuma Câmara ou empresa de consultoria or something like that. Outros no dia de folga vão ao cinema, à praia,… Eu vou a conferências como hobby. I need to get a life. :-P

Na estação de comboios em Oeiras reparei que instalaram outra bike rack, mas a opção foi por um wheel bender:-( No parque antigo duas bicicletas estavam caídas…

Novo estacionamento para bicicletas junto à estação de comboios de Oeiras Fallen bikes

Antes passei por um terreno onde andavam duas vaquinhas a pastar. Foi estranho, porque geralmente vejo estes animais sempre muito quietos e “parados”, e aqui elas estavam a brincar, corriam de um lado para o outro e,… Como cães ou gatos. Senti-me mal por comer carne de vaca. Bom, na verdade é muito raro, mas still

Vaquinhas a brincar

Desta vez não fui de bicicleta, mas vi duas estacionadas nas redondezas, além de motas.

Motas e bicicletas estacionadas no já exíguo passeio Distribuição modal, sort of

Da última vez que fui ao CIUL, a uma conferência das Sessões Ponto de Encontro, fui de bicicleta. Fui a pedalar até Paço de Arcos, levei a bicicleta comigo no comboio, e depois pedalei até Picoas. O problema foi estacionar. Não queria deixá-la na rua e num passeio tão pequeno. Aí lembrei-me da discussão na mailing-list da MC e resolvi tentar o parque de estacionamento subterrâneo quando reparei que havia ali um. O funcionário foi excelente e embora não houvesse um lugar para bicicletas (o das motas não dava por não ter nada onde prender), deixou-me pô-la num canto sob o seu ângulo de visão. Correu tudo bem. :-)

O edifício do CIUL é novo, mas a vista para as traseiras é péssima, edifícios podres, abandonados,…

Lisbon's backyards - some are ugly... Lisbon's backyards - some are ugly...

Ando um bocado sem tempo, ultimamente, e há mails que demoro dias a responder. Aos visados, sorry. ;-)

Seminário sobre projectos-piloto de mobilidade suave em Lisboa

Uma cena muito interessante (já me inscrevi, claro):

Seminário final do sub-projecto MobQua (1), no dia 17 Março de 2008, a ter lugar no CIUL, (R. do Viriato, 13 - Picoas Plaza) com início às 9h00. Será abordada a temática da Mobilidade Suave, com a descrição de alguns casos piloto em Lisboa, Génova e Valência (Picanya). MobQUa é um sub-projecto europeu do MARE (Interreg IIIC) de promoção de mobilidades suaves no interior dos bairros.
Inscrições gratuitas e limitadas: dmpu.dpi@cm-lisboa.pt. Programa:

seminariomobqua.jpg

Mensagens subliminares

O paradigma da supremacia do automóvel revela-se nos mais inesperados (or not) detalhes:

Maldito mindset, bolas!

O passeio já é pequeno, adivinhem onde colocaram os aparelhos de controlo de passagem de automóveis no Bairro Alto?…

Lisboa: esta cidade está a morrer com uma imensidão de pequenos e grandes AVCs - está bloqueada e entupida

Há uns meses fui a Lisboa tratar de um assunto ali perto de Entrecampos. Fui durante a tarde, o que me impossibilitou de fazer: bicicleta + comboio + bicicleta, como me tinha apetecido, porque para ir, tudo bem, mas para voltar já não dava para trazer a bicicleta no comboio… Fui então de carro + bicicleta dobrável. Conduzi até ali na zona do Alto dos Moinhos e estacionei - havia muitos lugares, e gratuitos. Mas depois surgiu a dúvida: como raio passo daqui para ali (junto da Universidade Católica), se não posso passar pela Av. Lusíada? Não me pareceu ter passeio, pelo menos do lado da estrada onde eu estava. Desci, acabei por ir apanhar o Metro nas Laranjeiras e,… enfim, foi uma tarde estúpida em termos de acessos e mobilidade, nem vale a pena recordar… No regresso, saí na estação da Cidade Universitária ou do Campo Grande, não me recordo bem. E vim a pedalar pela estrada entre o Hospital Santa Maria e o campo desportivo da Cidade Universitária. Chego aos semáforos, sigo pela estrada, novos semáforos e aqui ponho-me no passeio e atravesso numa passadeira junto à mesquita. E sigo por ali, há uma estrada paralela à Av. Lusíada para onde se pode entrar para aceder à tal mesquita.

Desvio para os automóveis acederem à Mesquita
(vista de baixo)

Chego ao fim, há um stop, e acaba o passeio. Mas descobri, satisfeita, que o viaduto contempla uma passagem para peões, alcatroada. :-) E sigo por ali a pedalar na minha fiel Mobiky.

Início do passeio sobre o viaduto da Av. Lusíada

Passo em frente à Loja do Cidadão e vejo uma bike estacionada à porta. :-)

Bicicleta à porta da Loja do Cidadão, nas Laranjeiras

É fixe haver o passeio mas a manutenção do mesmo não existe. Comparem a limpeza da estrada dos carros com a das pessoas:

Estado de limpeza da estrada Estado de limpeza (NOT!) do passeio...

A Av. Lusíada é a maneira mais directa de ligar o Campo Grande ao Alto dos Moinhos (zona do Media Markt e assim). Mas só contempla os automóveis, não há vias para peões! Agora digam-me como é isto possível? E Lisboa está cheia de situações destas. E Oeiras! Isto é uma injustiça social. E um erro in so many ways

A meio do viaduto cruzei-me com outra pessoa. Mas quase chegada ao fim, começo a indagar-me se aquilo será mesmo um passeio… Afinal, está a começar a afunilar…

Passeio (?) no viaduto da Av. Lusíada Ho oh...

Reparem na (já escassa) largura da via antes de começar o afunilamento e depois de o mesmo se instalar:

Largura antes de começar a afunilar Já afunilado...

E a coisa começa a ficar mesmo complicada…

É este o respeito que a CML tem pelas pessoas, pelos peões

Mas olho para os lados e para o carros há 3 faixas em cada sentido à minha esquerda, duas à direita, e montes de espaço de estacionamento…

Moooontes de espaço para os carros pararem, estacionarem ou circularem... Agora é suposto o peão teletransportar-se para o outro lado

E depois, a machadada final. E agora? Salto? Teletransporto-me?

E agora, salto ou não salto?São sempre reconfortantes as surpresas que esta cidade nos reserva

Não podiam ter feito isto menos hostil, não? Yup, é um degrau e uma rampa

Mesmo depois de saltar, fico muito vulnerável no meio de um saída de uma estrada muito movimentada, e sem passadeira, nem passagem aérea ou o que seja, para atravessar em segurança para o outro lado… Se no início do viaduto houvesse um aviso, ok, agora andar aquilo tudo a pensar que há continuidade na estrutura viária pedonal e depois deparar-me com esta triste realidade,… *sigh*

Quando o espaço público apresenta este nível de qualidade, conforto, segurança, eficiência, é apenas compreensível que os ricos construam condomínios privados que recriem o que o exterior deixou de oferecer. A mania dos mega-centros comerciais que recriam as zonas de comércio tradicional, com as suas ruazinhas e praças e dos condomínios fechados com jardim, sossego e segurança onde se possam deixar as crianças brincar é uma reacção ao espaço urbano hostil que as cidades oferecem cá fora…

Hospital dos Lusíadas

Tudo para os carros, nada ou muito pouco para os peões e similares…

Espaço em excesso para os carros estacionarem (raros são os que são assim tão longos...) Como querer que as pessoas não levem o carro para chegar a um local a menos de 500 mts de distância?

Como convencer as pessoas a não usarem o carro para chegarem a locais a apenas 500 metros de distância?…

Os carros têm estradas e espaços para estacionamento à larga.

Espaço para os peões circularem vs. espaço para os carros circularem + espaço para os carros estacionarem...

Os peões não têm direito a larguezas.

Espaço reservado aos peõesLargura do passeio = comprimento da Mobiky

E o pouco espaço que lhes é dado ainda é local de eleição para plantar coisas, na maior parte das vezes dedicada aos automobilistas, como sinais de trânsito, semáforos, parquímetros, etc.

Não podiam ter posto o poste ao lado do passeio, tinha mesmo que ser em cima

E são sempre mais uma opção para estacionar o carrinho…

É preciso ter lata...

Os políticos deveriam ser obrigados por lei a deslocar-se de transportes públicos, a pé e de bicicleta, só podendo usar o carro em 20 % do tempo, para que não permitissem que se construíssem cidades assim: absurdas.

Mais uma bicicletada

Foi na 6ª-feira, dia 30, a Massa Crítica de Novembro. Já fomos tarde, mas ainda deu, chegámos mesmo mesmo na hora da partida (às 18h50, praí) e lançámo-nos para a rotunda a ver se os apanhávamos. :-)

Foi um percurso curto e simples: depois de umas voltas na rotunda do Marquês fomos pela Av. Fontes Pereira de Melo até ao Saldanha, demos a volta e regressámos ao Marquês, descendo depois pela Av. da Liberdade até ao Rossio, onde o grupo parou e ficou na conversa um bocado. O percurso foi condicionado para permitir uma MC com música ao vivo! :-D Um músico foi o caminho todo dentro de um carrinho de supermercado a tocar gaita-de-foles! O carrinho não era pilotado, mas sim “controlado” e vagamente dirigido por outros 2 ou 3 ciclistas presos a ele com umas cordas. Desportos radicais, é o que é. Mas correu bem, chegámos todos sãos e salvos ao fim. ;-) A única desvantagem foi que para manter a segurança do músico e dos ciclistas acoplados muitas vezes a coluna de ciclistas ocupou mais que uma faixa, o que noutras condições seria um desnecessário (e ilegal) empatar do trânsito dos restantes utilizadores da estrada.

Massa Crítica de Novembro, em LisboaMassa Crítica de Novembro, em Lisboa

Foram distribuídos panfletos, várias pessoas tinham cartazes com palavras de ordem presos às bicicletas ou às costas. Que eu me apercebesse houve apenas 2 ou 3 situações pontuais de algum conflito com automobilistas. Um dos principais problemas da MC (e não é só cá), e que me desmotiva a participar por vezes é a falta de coesão do grupo que origina comportamentos repreensíveis por parte de alguns ciclistas (não saberem circular, responderem com hostilidade aos motoristas mais impacientes or plain dumb, etc). Eu sou da opinião que a MC deve ser um evento reivindicativo mas sensato, cordial e não hostil para com os não-ciclistas, sob pena de se estar a piorar a imagem dos ciclistas (já de si tão desvalorizada) e a piorar-lhes a vida fora da MC… A Critical Mass tem que ter Critical Manners (sugiro leitura deste post). ;-)

Bom, depois alguns de nós ainda seguiram juntos até à Praça do Município, onde se falou mais um pouco e alguns de nós gritaram umas palavras de ordem para o edifício da Câmara Municipal. :-)

Massa Crítica de Novembro, em Lisboa

Foi mais uma oportunidade de ver a falar um bocadinho com o Mário, com o Miguel, com o Marcos, com o Hugo, entre outras pessoas novas. Antes, no caminho enquanto pedalávamos, falei brevemente com um rapaz acerca da minha opção de usar um espelho retrovisor, e com uma rapariga acerca das opções de luzes e de transporte de bagagem (cesto v.s alforges, essencialmente). Também tivemos oportunidade para falar com o Zé, um fellow Mobikyan, e que pela segunda vez consecutiva participava numa Bicicletada na sua Mobiky. :-)

Massa Crítica de Novembro, em Lisboa

Talvez numa próxima MC sejamos 3 Mobikyanos. :-P

No final, seguimos de volta até à estação do Cais do Sodré. O Zé acompanhou-nos. :-)

Massa Crítica de Novembro, em Lisboa

Depois ele apanhou o Metro e nós o comboio. Quando chegámos, vimos um homem que vinha a pedalar pela estação (o que é proibido, como é óbvio) e só parou junto à máquina dos bilhetes. Tipo drive-in. :-)

Um ciclista a comprar o bilhete de comboio, by bike

Para participarmos na bicicletada de Lx, desta vez fomos de bicicleta até Paço de Arcos (uns 15 min), onde apanhámos o comboio por volta das 18h10 até ao Cais do Sodré. Depois fomos a pedalar até ao Marquês. O trânsito estava caótico, o que aliado ao estacionamento automóvel omnipresente e a má qualidade do piso nas vias, nos levou a optar por levar a bicicleta à mão em alguns troços, circular pela parte pedonalizada da Baixa e seguir pelas ilhas de passeio na Av. da Liberdade.

Aqui há uns meses, saindo de Porto Salvo às horas a que conseguimos sair, não poderíamos ter participado. Ou melhor, poderíamos tê-lo feito mas recorrendo ao carro e prescindindo do comboio - teríamos levado as bicicletas dobráveis no porta-bagagem do carro, deixando-o no Cais do Sodré e a) pedalando na mesma até ao Marquês ou b) apanhando o Metro até lá (porque já estávamos atrasados). Com a grande o Metro não é opção (bicicletas só depois das 20h30). E quando somos 2 o carro já fica mais barato que o comboio (4.80 € para 2 pessoas, ida e volta). Assim, é mesmo óptimo que a CP tenha passado a permitir o transporte (e gratuito!) de bicicletas nos seus comboios urbanos, mesmo que ainda com severas limitações a esse uso multimodal para quem vai trabalhar nas horas “convencionais”… Ganhou clientes!

Massa Crítica de Novembro, em Lisboa

Deu alternativas às pessoas, ajudou a tirar carros da estrada. :-) Falta só mais um bocadinho to go all the way

Mais fotos da MC no grupo no Flickr (espero que entretanto mais gente vá adicionando fotos!).

Vídeo da viagem:

A Bicicletada de Novembro em Portugal aconteceu em 5 cidades: Lisboa, Porto, Coimbra, Aveiro e Portimão (~40, 10, 2, 3 e 8 pessoas, respectivamente), num total de cerca de 60 pessoas.

É o mindset

Passeios: lugar para plantar sinais de trânsito para os motoristas, marcos de correio, caixotes do lixo… E, se der, para os peões se encolherem e passarem. À vez.

Passeios: lugar para plantar sinais de trânsito para os motoristas, marcos de correio, caixotes do lixo...

Não ocorre aos CTT nem à CML colocar os marcos do correio na estrada, reduzindo o espaço de menos de 1 lugar de estacionamento. Que sacrilégio seria!

País insustentável, intolerável

Na 5ª-feira passada, 22 de Novembro, fomos a Lisboa, ao lançamento do livro “País (In)sustentável“, da Luísa Schmidt, no Teatro S. Luiz (again!).

Não sabia do livro, foi através de um blog or something que soube disto, praí na véspera, e decidi ir. Leio a coluna da autora no Expresso desde que me lembro, gostei de ver aqueles documentários «Portugal – Um Retrato Ambiental», e tenho-a em boa conta, no geral. Bom, àparte de ela no final do último “Um Dia Por Lisboa” ter dado convites para o lançamento do livro a pessoas com quem nós estávamos a conversar mas não a nós, à nossa frente. Na altura não sabia o que era, agora já sei. Enfim, também não tem importância, foi só um pormenor. :-P

Nunca tinha ido ao lançamento de um livro, e fui mais para saber como era. Posso comprar o livro noutro sítio qualquer. Afinal ali era mais barato uns 5 € e aproveitei o desconto. ;-)

2058451164_7b71be8074_m.jpg

Não, no final não fui “falar com a autora”, nem pedir um autógrafo. O que iria dizer? “Ah, gosto muito do seu trabalho.” Ou outros clichés do género? Eu não conheço a mulher! E não sei fazer conversa, já sabem. :-P E também não fomos petiscar depois, afinal, não fomos convidados. lol

Foi uma viagem multimodal: carro + bicicleta para lá, bicicleta + Metro + carro para cá.

No Metro

Já tenho bastante experiência de utilização da Mobiky com o Metro e há cenas que me lixam o juízo. Porque é que a política de mobilidade e acessibilidade não é uniforme em TODAS as estações? Numas há elevadores, noutras não…

No elevador do Metro de Lisboa

Numas vêem-se placas para esses mesmos elevadores, noutras andamos feitos parvos a tentar vê-las. Numas há escadas rolantes além das escadas normais.

Nas escadas rolantes do Metro de Lisboa

Noutras só há escadas normais. Noutras há escadas rolantes mas só nalguns troços das escadas normais, ou só nalgumas entradas… F***-se! Uma pessoa tem que saber à partida que estações vai usar para se certificar de que consegue entrar e/ou sair de lá (assumindo que já as conhece). Isto admite-se? Para mim isto apenas me rouba tempo e torna a minha viagem mais cansativa, quando não habia nexexidade. Pego na bicicleta e lá subo ou desço as escadas. Claro que ao fim de 4 ou 5 ou 6 vezes em que tive que a carregar (quando ela está preparada para eu a levar a rolar ao meu lado!) já começo a questionar a minha opção de ter optado ou pela bicicleta ou pelo Metro. Geralmente quem perde é o Metro porque ou vou o caminho todo de bicicleta ou substituo o Metro pelo carro… (Hey Metropolitano de Lisboa, take a damn HINT!!). Mas e se for uma pessoa com um miúdo num carrinho? Ou uma pessoa em cadeira-de-rodas? Ou um idoso ou outra pessoa com mobilidade algo limitada/condicionada? Porque é que estas pessoas não se vêem no Metro em grande quantidade? Hein? Talvez porque o Metro não serve as suas necessidades. Por isso ou ficam em casa (muitos dos deficientes) ou compram um carro e usam-no intensivamente quer queiram quer não, quer gostem quer não, quer o consigam sustentar quer não (famílias com filhos)!! A sério, isto revolta-me. E sinto-me impotente e é uma sensação horrível. E gostava de ter energia e combater o conformismo e lutar, fazer alguma coisa mais útil que postar fotos das asneiras deste país e blogá-las. Aaargh! :-(

No site deles: “Aconselhamos as pessoas de mobilidade reduzida a viajarem acompanhadas.” No shit!! Claro, elas precisam de alguém que as ajude a localizar os elevadores, quando existam, ou que vá “chamar alguém” para inventar ou lhes indicar uma maneira de saírem dali. Ora, todos os utentes do Metro (ou de qualquer outro transporte público), se pagam o mesmo que toda a gente pelo bilhete, deveriam ter condições para usar os serviços de uma forma independente e fluida. Se eu não posso chegar e sair dos cais de embarque de forma autónoma e rápida, sem ter que esperar e perder tempo a pedir ajuda e a usar infrastruturas “especiais” ou condicionadas, mais vale comprar um carro, porra!! Como está, seria mais justo colocarem nas entradas das estações sinais e dizer “se traz carrinhos ou cadeiras-de-rodas, esqueça, isto não serve para si. Apanhe um táxi, vá a pé ou desista”. Os transportes públicos não podem ser uma não-escolha dos seus utentes, não podem ser o último recurso, porque assim só vão atrair os que não têm dinheiro para comprar e manter um carro, ou andar de táxi. Os transportes públicos têm que atrair utentes porque são melhores alternativas do que ir de carro, ou a pé ou de bicicleta (e não devido à falta de condições dignas para estes modos!).

*sigh*

Aquilo começou às 18h e já era de noite quando íamos para lá (chegámos uns 15 ou 20 minutos atrasados). Passámos pela ciclovia do Campo Grande para fugir aos carros, mas a ciclovia não tem iluminação absolutamente nenhuma, e está toda cheia de caruma e folhas, além de rachas e outros danos no piso.

Na ciclovia ÀS ESCURAS do Campo Grande

Há iluminação nas vias do lado esquerdo e do lado direito, destinadas aos carros (e às bicicletas cujos condutores não temam pela vida a circular num local multi-faixas e onde as latas andam a velocidades MUITO acima dos 50 km/h legais…), que têm luz própria para dar e vender, mas a ciclovia pode ficar às escuras para ser insegura pela infrastrutura e pelo ambiente propício a assaltos… Mas alguém percebe este povo?

Para lá, íamos a descer a Av. Fontes Pereira de Melo e estava fila, hora de ponta. Houve uma gaja que tinha um problema qualquer com bicicletas e então “ultrapassava-nos” para se tentar meter à nossa frente. Atenção, estava tudo parado, muitos carros, semáforos uns atrás dos outros. Qual era a necessidade? Tipo, parece que se pica de estarmos à frente dela, e não pode ser. Ela não nos apitou, simplesmente teve uma atitude imbecil, o que ainda não é crime, infelizmente. :-P A primeira vez que me fez aquilo, passou-me rente (mesmo que a baixa velocidade), para parar 50 cm à minha frente, dei-lhe uma Airzoundzada logo. :-P Adoro, o pessoal nunca está à espera de uma buzinadela de um ciclista, muito menos de uma tipo camião vinda de uma mini-bicicleta como a Mobiky. lolol Ao menos sempre me vou divertindo com estas pequenas desgraças inconsequentes do trânsito. :-D Bom, ela continuou a fazer aquilo a seguir, mas já não passou perto… ;-)

No dia seguinte, 6ª-feira, voltei a Lx, e meti-me em novas aventuras. :-P Logo blogo sobre as minhas peripécias, quando der. ;-)

Um dia por Lisboa

No passado dia 12 de Novembro eu e o Bruno fomos ao Teatro S. Luiz, em Lisboa, no Chiado, a propósito do “Um Dia por Lisboa: O Tejo e tudo”. Foi muito interessante.

Um dia por Lisboa: "O Tejo e tudo"

Estivémos lá desde as 18h30 até à meia-noite e meia, o pior foi depois das 22h, em que tivémos que ficar em pé porque já não havia cadeiras livres (desocupámos as nossas pra ir jantar um double cheeseburger no caminho).

Independentemente do que se abordou lá, fiquei com uma sensação muito boa de comunidade. Ali estiveram umas 500 pessoas ao longo daquelas 6 horas, e teve a participação de pessoas em cargos políticos e técnicos elevados. Não teve o feeling das conferências convencionais, parecia mais uma conversa de igual para igual numa praça pública. Não houve muito debate / diálogo com o “povo”, primeiro falaram os técnicos, depois os políticos, e umas amostras do público.

Um dia por Lisboa: "O Tejo e tudo"Um dia por Lisboa: "O Tejo e tudo"

Mas comparado com o resto, foi excelente. Senti que talvez o país esteja a mudar, a mentalidade (de alguns, pelo menos), a relação com a política e com quem a faz. Nota-se um esforço de intervenção, de discussão, de intimação a prestar contas do que se pretende fazer, do que se está a fazer, do que se fez. Foi estranho ver pessoas que vemos nos media assim ao perto, como se fossem pessoas “normais”. :-P

Um dia por Lisboa: "O Tejo e tudo"

Talvez o país não esteja realmente a mudar, talvez tudo continue na mesma, mas naquele dia, naquele local, senti-me bem com Lisboa, com esperança.

Vindos do Cais do Sodré, passámos por uma bicicleta holandesa (literalmente, Gazelle), estacionada encostada a uma parede.

Bicicleta holandesa estacionada em Lisboa, durante a noite

Tinha bom aspecto e perguntámo-nos onde estaria o seu dono. No regresso, já depois da meia-noite, a bicicleta continuava lá.

Bicicleta holandesa estacionada em Lisboa, durante a noite

Sim, eu sei, desculpem lá a mania de pôr bicicletas em tudo, mas não consigo evitar fotografá-las e depois tenho que as mostrar, não é? ;-)

Pedibus em Lx

Vídeo do “Minuto Verde” sobre a iniciativa dos Pedibuses em escolas de Lisboa:

Espero que seja para continuar e fazer prosperar! :-)

Viagem inaugural

O vídeo da viagem inaugural da Xtracycle do Bruno está lame porque a minha máquina não é para grandes vôos, e porque não consigo ficar quieta e estabilizada com ela. :-P Mas pronto, dá pra ter uma ideia de como é pedalar em Lisboa. ;-) Chamo particular atenção para a zona do Terreiro do Paço, onde por momentos pensámos que tinha havido uma revolução, havia árvores no “meio” da estrada. :-) Afinal, era tudo adereços. :-P E depois a parte na Baixa, quase sem carros. Que maravilha!! Tentei filmar o piso, porque acho que as más condições das estradas são a principal razão que pode desincentivar as pessoas a usar a bicicleta como meio de transporte (tal como as medíocres infrastruturas pedonais levam os peões a arranjar um carro logo que possam…), mas a qualidade da imagem depois de uploadar (é um verbo novo) o vídeo não dá para perceber muito bem.

Lx: 1 ciclista a cada 10 min: nice rate!

Há uns dias atrás fui a Lisboa, e enquanto esperava pelo Bruno, à porta de um prédio em frente à Praça de Touros, vi passar 3 pessoas de bicicleta. A primeira era uma mulher, não levava capacete e ia pela estrada, não consegui sacar da máquina a tempo. O segundo era um homem, levava capacete e ia pela estrada.

Ciclista n.º 2 - na estrada

O terceiro era um homem, não levava capacete e ia pelo passeio.

Ciclista n.º 3 - no passeioCiclista n.º 3 - no passeio

Entretanto fomos embora e numa rua lateral vimos passar um quarto ciclista, um homem, que não levava capacete e ia pela estrada.

Ciclista n.º 4 - na estrada

Eram todos bike commuters, não iam em desporto. Isto aconteceu ao longo de um período de 30 minutos, mais ou menos, por volta das 16h-17h. Já dá uma excelente média! :-D

La velorution
is taking off! ;-)

Estatísticas:

Dos bike commuters em Lisboa:

25 % são mulheres : : 75 % são homens
25 % circulam pelos passeios : : 75 % circulam pela estrada
25 % usam capacete : : 75 % não usam capacete

:-P

Concentração em Lx pelo fim da guerra civil nas estradas


«CONVITE

A Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados vem convidar-vos para participar, na próxima segunda-feira, dia 5 de Novembro, pelas 16.30, numa concentração de homenagem às vítimas do triplo atropelamento ocorrido ontem pelas 5.30h, no local da tragédia, a passagem de peões fronteira à Estação Fluvial do Terreiro do Paço.

Pretendemos fazer uma passadeira com pessoas deitadas no chão, cobertas com um lençol.

Para garantir o sucesso desta iniciativa, vimos solicitar a vossa colaboração, participando na concentração e levando, se possível, um lençol branco.

O Governo Civil foi já notificado desta iniciativa.

Pedimos também a divulgação desta mensagem.

Pela direcção da ACA-M
Manuel João Ramos»

Li no SOL o relato de uma pessoa que socorreu as vítimas, dizendo que viu um braço decepado algures, metade do corpo de uma vítima dentro do carro, e coisas assim. Tétrico. E que o carro só parou 200 metros depois. Vi noutro sítio que a condutora foi levada sob prisão ao hospital, mas no SOL dizia que saiu em liberdade… Como é possível? Porque é que a negligência e os homicídios perpetrados atrás de um volante de um automóvel são aceites pela sociedade como “acidentes” e não por aquilo que são, homicídios por negligência, inépcia, e… sei lá, irresponsabilidade, maldade,…?