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Activismo de sofá: Optimus Alive

Ontem fiz mais um pouco do meu activismo de sofá:

From: anabananasplit
To: geral @ everythingisnew . pt
Subject: info transportes
Date: 06/03/2010 09:08:03 PM

Olá,

Vi há pouco a sondagem no vosso site, acerca do meio de transporte a usar para ir ao festival. Contudo, reparei que essa sondagem e, paralelamente, a vossa secção “Como chegar”, ignora completamente 3 opções que deveriam ser promovidas, a par dos transportes públicos:

1) ir a pé
2) ir de bicicleta
3) ir de moto

A opção carro deveria ser fortemente desencorajada. 1000 ou 2000 automóveis a querer aceder, passar e estacionar naquela zona é intolerável. Gera poluição, ruído, insegurança, e origina situações de estacionamento selvagem que danifica os passeios e outros equipamentos públicos, e dificulta a circulação dos peões. Não se admite isto num sítio integrado na malha urbana, plano, e onde há um interface de transportes públicos que inclui comboio, eléctrico e autocarros.

A bicicleta e a moto poderiam ser incentivadas oferecendo um local de estacionamento para as mesmas num local apelativo (mesmo à entrada do recinto), vedado, vigiado, e com boas estruturas onde encostar as
bicicletas e onde as prender (tal como as motos). Isto deveria ser publicitado com antecedência.

O mundo muda-se todos os dias, basta querer.

Grata pela atenção.

Cumprimentos,

Mandem a vossa posta também. Os amanhãs fazem-se hoje!

Ciclistas, cheguem-se à frente!

Hoje acordei a horas indecentes para ter tempo suficiente para acordar e perder um bocado aquela voz de cama para participar em directo no programa do José Candeias na Antena 1. Foram pouco mais de 6 minutos de entrevista, numa rubrica semanal que visa dar a conhecer pessoas que utilizam a bicicleta como meio de transporte na cidade. Li o repto do José no site da MC e lembro-me de o Miguel Barroso ter dito que ia participar. Acho relevante esta rubrica (será provavelmente única no país), pois ajuda a dar visibilidade e um rosto humano (ou pelo menos voz ;-) ) aos ciclistas actuais, contribuindo para a desconstrução de ideias feitas e preconceitos, desmistificando algumas questões. Precisamos de coisas assim, que mostrem que há pessoas que optam livremente pela bicicleta como meio de transporte principal ou complementar, quem são, o que fazem, o que pensam, etc. Passar a mensagem que são pessoas como as outras, que devem ser respeitadas nas suas opções, e que estas não são menos válidas que as outras.

Aqui fica a minha intervenção. Infelizmente o programa não tem um arquivo, pelo que não dá para aceder aos testemunhos dos outros intervenientes.

Audio clip: Adobe Flash Player (version 9 or above) is required to play this audio clip. Download the latest version here. You also need to have JavaScript enabled in your browser.

O José procura mais ciclistas que queiram participar no programa. Respondam ao apelo (jose.candeias@ext.rtp.pt), é um pequeno “activismo de sofá” que só nos leva meia dúzia de minutos e pode fazer muito pela mudança de mentalidade da sociedade no que aos ciclistas diz respeito. E isso é fundamental para sermos bem sucedidos nos esforços pela alteração ao Código da Estrada, à promoção de condições de estacionamento e multi- e inter-modalidade, etc.

P.S.: Amanhã é dia de Massa Crítica. Apareçam! Eu este mês devo conseguir ir também! :-)

MC Abril 2010

Pela liberdade de não-religião

A liberdade de religião parece ser uma liberdade de pensamento, crença e expressão específica. No entanto é perniciosa, mesmo que não na letra da lei, ao subentender que este pensamento/crença/expressão não pode ser criticada ou ridicularizada como qualquer outra (astrologia, vegeterianismo, poligamia, whatever). E pior, parece subentender que essa liberdade de religião anula os direitos associados à liberdade de não-religião.

Bom, esta pequena intro só para assinalar esta marcha dos ateus e agnósticos na Polónia, terra do Papa João Paulo II.

Pela reactivação das ligações fluviais margem Sul – Parque das Nações

Assinem a petição, faz sentido:

“Na sequência da reformulação da mobilidade no Parque das Nações, os peticionários requerem às entidades competentes, em particular:

  • Transtejo/Soflusa
  • Autoridade Metropolitana dos Transportes
  • Parque Expo
  • Câmara Municipal de Lisboa
  • Câmara Municipal de Almada
  • Câmara Municipal do Montijo
  • Câmara Municipal do Seixal
  • Câmara Municipal do Barreiro

Pela reactivação das ligações fluviais margem Sul – Parque das Nações

De 1998 até 2002 a Transtejo/Soflusa operou transporte fluvial de passageiros dos municípios da margem Sul do Tejo directamente até ao Parque das Nações, tendo fechado estas linhas por alegada falta de procura.

Com o aumento em muitas ordens de grandeza de número de postos de trabalho nesta zona (note-se que é a zona de Lisboa em que o número de postos de trabalho mais tem aumentado desde 2002), assistimos hoje a uma sobrelotação e exponencial aumento da frequência das carreiras 782 e 28 da Carris que transportam passageiros chegados da margem Sul do Tejo ao terminal fluvial do Terreiro do Paço. A acrescer a estes, há todos aqueles que escolhem a opção de transporte individual.

Somos de opinião de que nada descongestionaria e melhoraria mais a rede viária da grande Lisboa em geral e do Parque das Nações em particular do que a re-abertura de linhas de transporte colectivo fluvial desde a margem Sul residencial à zona laboral do Parque. Para mais, isto implicaria uma significativa melhoria da qualidade de vida dos milhares de trabalhadores do Parque das Nações residentes na margem Sul do rio Tejo.

A nossa recomendação mais veemente é pois que Vossas Excelências, em conjunto com as outras entidades a quem o assunto respeita, estudem convictamente a reabertura de tais canais de transporte.

Atenciosamente, os signatários.”

Hoje é dia de Massa Crítica

Em Lisboa apareçam no Marquês de Pombal pelas 18h (partida cerca das 18h30), para uma volta pela cidade, à hora de ponta, no meio de transporte mais eficiente no meio urbano (além de saudável, económico, convivial, etc, etc): a bicicleta.

poster MC Outubro

Venham integrar a Massa Crítica de Outubro!

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Sei que é o precedente aberto em Setembro é difícil de manter e superar, mas podemos tentar! E amanhã é dia das Bruxas, pelo que podem juntar-se ao grupo (meio secreto) que planeia ir mascarado à boa maneira do Halloween! ;-) Não se esqueçam das luzes!! A hora mudou e o Inverno aproxima-se, as Bicicletas já acontecem de noite nesta altura, e sermos vistos é fundamental.

Às 21h30 é a inauguração da nova loja de bicicletas Ciclone, do Ricardo, pelo que pode ser realmente uma noite dedicada às bicicletas. ;-)

Dia do parque de ajardinamento? :-P

Com as devidas diferenças de escala, isto faz-me lembrar o Chiado à hora de ponta:

Aqui fica um relato do Park(ing) Day, uma iniciativa de que tive conhecimento há alguns anos e que sempre sonhei fazer acontecer aqui em Portugal. Ver muitas daquelas fotos e daqueles parques tão lindos dá-me uma esperança renovada num futuro diferente, mais verde, mais human-friendly, e adoraria vê-la infiltrar-se e crescer aqui por terras lusas (que bem precisam!).

Essa oportunidade ainda não se proporcionou, mas já houve pelo menos umas 3 iniciativas do género, de que eu tenha conhecimento. Uma relacionada com bicicletas, no Porto, na prática foi usar um lugar de estacionamento automóvel para o ocupar com bicicletas. Uma associada a uma campanha da Ben & Jerry’s, e uma Park(ing) Day em 2009, pelos Cidadãos por Lisboa. Foto cortesia do Miguel:

Park(ing) Day na R. dos Fanqueiros, em Lisboa

Também gosto do efeito de plantar árvores no alcatrão:

Sempre dá um efeito de acalmia de tráfego mais interessante: dos carros, em vez dos peões, como acontece actualmente com as árvores que temos nos passeios. ;-)

Amanhã é dia de Massa! Festa! Crítica!

:-)

6 anos que um grupo flutuante de gente “maluca” mantém a tradição instalada da Massa Crítica, a.k.a. Bicicletada, em Portugal. A primeira cidade a aderir foi Lisboa, e amanhã, última 6ª-feira de Setembro, comemora-se mais um aniversário. E desta vez a coisa é mesmo à séria, com Festa organizada e tudo.

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Por isso não se esqueçam, amanhã peguem na bicicleta e apareçam no Marquês de Pombal às 18h para, depois de se pôr a conversa em dia, arrancarmos às 18h30 rumo ao desconhecido! :-P Bom, o percurso ainda é realmente uma incógnita, na boa filosofia de coincidência organizada da MC, mas a cidade percorrida em bicicleta torna-se cada vez mais conhecida. ;-) Será mais uma bela viagem de bicicleta pela cidade, aconchegados na “segurança dos números”. Depois disso (a volta toda costuma demorar à volta de hora e meia, a duas horas e meia) o pessoal reúne-se em Alfama, no Centro Cultural Magalhães Lima para festa com música, comes & bebes, e muita ciclo-conversa, espero, a partir das 21h! :-) Nota: ir de bicicleta ou participar previamente na Massa Crítica não é pré-requisito para ir à Festa Crítica!! ;-)

Limpar Portugal

Fantástico! :-D

E há gente a querer repetir a ideia em Portugal! Eu já me alistei no grupo de Oeiras. Não fiquem a olhar, participem!

Nós pedalámos

Bué. Mesmo bué, porque além do que está neste mapa (feito pelo Hernâni), falta contabilizar de casa até à estação de Paço de Arcos (onde apanhámos o comboio), depois desde a estação do Cais do Sodré até ao Arsenal da Marinha, de onde começou a contagem. E depois, no regresso, falta o percurso que fizemos desde Linda-a-Velha até ao Jamor e depois à beira-mar desde a Cruz Quebrada até Paço de Arcos, e daí até Porto Salvo e até casa. O Bruno não controlou rigorosamente, mas pelo conta-quilómetros, estima-se em cerca de 80 km. Pensei que fosse ficar exausta e que não me conseguiria levantar no dia seguinte, mas espantosamente, estava fresca que nem uma alface. :-P E fizemos aquilo tudo numa cargobike, sendo que o Bruno levava uns 10 kg em ferramentas e bombas de ar. Not bad at all, dado que diariamente pedalamos apenas, e em média uns 5 a 10 km, por aí, sem fugir do alcatrão e sem grandes declives. Nesta volta passámos por alcatrão bom, alcatrão em degradação, terra em lama, terra com calhaus, subidas vertiginosas, etc.

De que falo? Do passeio reivindicativo “Nós pedalamos“, antigo “Belém-Trancão”, em que eu e o Bruno participámos, integrados com o grupo da Ciclo-Via.org, Gonçalo, Miguel, Kátia, Fábio, Enzo e Hernâni, que prestou serviço no âmbito de uma Cicloficina móvel de apoio ao evento, além de termos ajudado com a condução do grupo em dois cruzamentos. :-)

O Gonçalo arranjou um kung-fu para espalhar a palavra:

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O Enzo preparou umas folhas com o nome “Ciclo-Via.org” pra pormos nas t-shirts, mas acabaram por cair (excepto a dele, curiosamente, que aguentou até ao fim, penso).

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O Hernâni avançou uma estimativa / registo de memória das intervenções da Cicloficina Móvel:

Antes da partida:
1 furo
Encher vários pneus
Ajustes de travões
1 desviador traseiro desmanchado (Caiu o parafuso e espalhou-se em peças)

Até ao parque das nações:
mais 2 furos
1 banco desapertado
1 banco mal regulado

Antes da chegada:
1 crank desapertado
1 corrente partida e mal montada
encher pneus
afinação de mudanças
muito apoio moral

A equipa da Ciclo-Via.org foi essencial para o sucesso do evento, pois evitou que os vários participantes que tiveram problemas técnicos nas suas bicicletas, ainda antes da partida ou ao longo do percurso, tivessem que ficar em terra, voltar para trás, ou esperarem para serem “recolhidos” por alguém, permitindo que toda a gente concluisse o passeio. :-) [Eu cá apenas ajudei a controlar um cruzamento.]

Um vídeo oficial:

Sim, fui entrevistada assim, sem pré-aviso nem nada, de chofre sem dó nem piedade. Mas como puseram a música alta e tal, e nem puseram tudo até passa despercebido. :-P

As fotos que consegui ir tirando ao longo da volta toda (não só do passeio do GEOTA), aqui.

Foi um dia muito bem passado, a pedalar, a conhecer novos sítios, a conversar. :-)

Quanto ao passeio em si, achei que tinha algumas falhas a nível de organização (nada de monta, contudo: posição da equipa de socorristas, assistência técnica [coberta por nós numa base voluntarista, inédita no evento, e preparada pouco antes], dicas de circulação em pelotão inexistentes, fraca recepção a nível de animação e rentabilização do evento e de apoio aos participantes e voluntários em termos de “combustível”), achei a hora e o local de partida desajustados do propósito do passeio, a reivindicação de um corredor verde, pois o nível de exposição pública do mesmo a partir de um local fechado, às 8h de um domingo é mínima. Também não gostei da experiência de andar a li em pelotão, numa massa densa e progressivamente mais dispersa, soube a corrida lenta, obrigação, não teve um feeling de passeio, de desfrute da viagem e da paisagem (raros foram os locais com paisagem agradável, piso a condizer e espaço visual aceitavelmente livre de outros ciclistas por onde espreitar essa paisagem). Isto é algo que não é fácil de “resolver” nem sei se é algo a resolver… :-P

Guerrilla tactics

Os peões estão no fundo da cadeia alimentar da acessibilidade e da mobilidade em Portugal. E destes, só os mais aptos se safam. Os mais fracos, debilitados, ou limitados na sua mobilidade e agilidade são quase virtualmente excluídos by design dos nossos espaços públicos. E isto é tido como normal, aceitável, or just the way things are. Well, «Just because it is, doesn’t mean it should be.» Ou não viram o Australia? :-)

Não é justo nem ético impedir as outras pessoas de poderem viver uma vida normal, de poderem sair e circular pelas ruas, de acederem aos sítios que precisam ou a que querem aceder. E mesmo que não as impeçamos de o fazer, não é justo nem ético dificultar-lhes a tarefa, torná-la mais morosa, mais perigosa, mais desconfortável ou desnecessariamente mais onerosa.

Não é uma estratégia inteligente por parte da sociedade como um todo excluir elementos da sua população da vida pública, não é inteligente abdicar de uma parte da força de trabalho disponível, de uma parte do mercado, em termos de oferta e de procura de serviços.

É um crime social e económico negar às crianças o direito à rua como espaço de convívio, encontro, descoberta, brincadeira, desenvolvimento, aprendizagem, e negar-lhes a possibilidade de alguma autonomia na mobilidade quotidiana.

Há vários problemas nas nossas cidades, no geral. As redes e vias pedonais são negligenciadas na forma, coerência, consistência, continuidade, eficiência, segurança, conforto, universalidade do desenho, etc. Os acessos dos edifícios de serviços públicos e privados sofrem muitas vezes dos mesmos problemas. E depois há o problema das pessoas inutilizarem o pouco que existe, impedindo ou dificultando o acesso aos ou o uso dos passeios e de outros acessos. Uma mentalidade de desrespeito transversal a toda a sociedade, pois passa pelos comerciantes, pelas Câmaras Municpais, pelo Governo e pelos cidadãos individuais, com mobiliário urbano, publicidade, esplanadas, etc, nos passeios e, claro, os automóveis e motas estacionados…

Claro que numa cidade onde é tão desagradável, desconfortável, perigoso e moroso deslocarmo-nos a pé, a tendência é começar a depender do carro para todas as deslocações, por menores que sejam, e procurar que sejam praticamente porta-a-porta. O que só piora o problema original…

Como mudar isto? Temos aqui um problema essencialmente de vontade política, ancorado numa cultura onde não se questiona isto, as pessoas tendem a ser os infractores ou a identificarem-se com eles.

E é aqui que entram as tácticas de guerrilha nas acções dos cidadãos, uma vez que os políticos e as autoridades são inoperantes e coniventes. São os cidadãos que têm que começar a impôr-se, a chamar a atenção, a fazer “peer pressure“, a queixar-se, a indignar-se, a agir. Em vez de se calarem, de não reagirem, de serem coniventes, e de fazerem o mesmo.

Recentemente tem sido bastante divulgada nos media tradicionais (imprensa, rádio e TV) e na blogosfera uma iniciativa de cidadãos que dá pelo nome de “Passeio Livre“. Isto levou as iniciativas individuais de várias pessoas a título pessoal, de deixar recados no pára-brisas de carros mal-estacionados, a um nível superior.

Passeio Livre

A ideia consiste em colar no vidro lateral dos carros estacionados em cima dos passeios, à esquerda do condutor, um autocolante com uma mensagem de sensibilização. Paralelamente, o autocolante serve como um “selo” de mau comportamento, que “marca” o infractor, e a característica autocolante desse “selo” funciona como uma punição ligeira desse comportamento.

Ainda foi simpático em deixar espaço para uma pessoa sair de casa

Com contribuições pessoais do grupo original foram impressos 15 mil autocolantes, que são agora enviados a quem os solicite (o envio vai à cobrança, mas os autocolantes são distribuídos gratuitamente, embora as doações sejam bem-vindas). Ou seja, o movimento alastrou-se rapidamente, e qualquer pessoa que faça uso de um desses autocolantes passa a ser parte desse movimento.

Parte da “campanha” passa pelo blog Quero andar a pé! Posso?, onde são publicados muitos dos contributos enviados para o e-mail da mesma: peão . exaltado @ gmail . com, as fotos de denúncia, os parabéns, os protestos, as queixas, etc. Depois cria-se algum debate nas caixas de comentários, o que é justamente o que é pretendido: discutir, enfrentar as questões, em vez de a ignorar como se fosse invisível, inevitável ou inócua.

A iniciativa inspirou-se numa de um grupo grego, os Street Panthers (versão traduzida automaticamente pelo Google, aqui).

Uma iniciativa parecida no Brasil é a do site Sou otário, eu paro na faixa.

Por cá havia já antes pelo menos um blog que se focava na parte de denúncia, não aplicava autocolantes, Wheels versus Legs, uma versão específica para passeios do do estilo I park like an idiot, parece.

Outra iniciativa local, sem a vertente de comunicação e debate do Passeio Livre, e com uma tónica óbvia no embaraço social e na “peer pressure” são os papéis do QUE SE FODAM OS PEÕES!. A ideia é legendar as obscenidades que os condutores de automóveis (e não só) dizem (fazem!) aos (outros) peões através das suas acções, nomeadamente nas opções de estacionamento.

Ideias vão aparecendo, pelos vistos, é preciso é pegar nelas e agir! :-)

Follow-up do mail à CP

Bom, depois de enviar este e-mail, recebi esta resposta:

Em resposta ao V/ e-mail, o qual desde já muito agradecemos, as chamadas áreas multifunções, ou seja zonas amplas para permitir o transporte de passageiros de mobilidade reduzida que utilizem cadeiras de rodas, o acondicionamento de carga volumosa tal como carrinhos de bebé, bicicletas e malas de viagem, fazem parte desde há vários anos da configuração interior do material circulante novo/modernizado para os serviços urbano e regional.

As novas Unidades para a Linha de Cascais não serão excepção a este princípio.

Pensei que estivessem a falar de outra linha de Cascais… E enviei novo e-mail:

Boa tarde,

Lamento ter que discordar, mas tal coisa não existe ainda, pelo menos na linha de Cascais, que é que conheço e uso regularmente há vários anos.

Refiro-me a carruagens desenhadas de modo a poder acomodar bicicletas, prendendo-as de modo a que o dono se possa sentar, ou pelo menos não ter que ficar junto à bicicleta a segurá-la.

Refiro-me a carruagens que tenham espaço para as bicicletas sem que estas impeçam o acesso ou uso de lugares sentados, ou que impeçam ou embaracem a circulação dos outros utentes (sem ou com bicicletas ou
outros acessórios volumosos) nos corredores e a entrada e saída pelas portas para o exterior e inter-carruagens ou para a zona do maquinista.

Refiro-me a carruagens que acomodem mais que 4 bicicletas (que considero ser o máximo das de Cascais (2 em cada ponta). Falo de bancos rebatíveis, suportes para bicicletas, etc.

Não digo que todas as carruagens de cada composição deveriam ser assim, obviamente, apenas que cada composição deverá ter 1 destas carruagens. E apenas digo que este novo lote de carruagens é uma oportunidade para isto, que a ser perdida será um erro estratégico da CP, e que poderá sair caro politicamente.

Grata pela atenção.

Cumprimentos,

Aguardo a resposta.

Outros sinais: a REFER colocou calhas para bicicletas na passagem pedonal aérea da estação de comboios de Belém, mas não nas escadas que dão acesso às plataformas, as calhas são apenas para os ciclistas que precisam de passar de um lado para o outro, os clientes da CP não merecem tantos cuidados.

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Ver mais fotos aqui. Nota: parabéns pelas calhas! São um progresso, mesmo que ainda côxo. ;-) O novo interface da estação do Cais do Sodré não tem estacionamento para bicicletas (a intermodalidade, a mobilidade sustentável, etc, ficaram só nos discursos políticos), e os utilizadores de bicicleta em regime de co-modalidade com os comboios não foram lembrados especificamente ao implementar os novos portões de acesso às plataformas dos comboios (são talvez poucos e à justa).

Novos portões de acesso na estação de comboios do Cais do Sodré Acesso especial para "os volumosos"

Acesso especial para "os volumosos"

E não vamos falar na falta de condições para optar por viagens em bicicleta + comboio fora das linhas urbanas…

O Bruno fez anos há dias e pensei em irmos passar um sábado a Évora, conhecer a ecopista, passear de bicicleta. Perdi horas de volta dos sites da CP, Fertagus, Transpolis… Não há maneira, só os Regionais toleram as bicicletas, e não dá. Optámos, contrariados, por tentar ir (talvez no próximo fds), sem bicicleta (alugamos lá), usando um Intercidades. Vivemos na Idade da Pedra, fogo…

Actualmente a CP apenas tolera as bicicletas, ainda não encara os seus utilizadores como um mercado apetecível… Que raio de visão estratégica comercial…

Um vídeo de uma acção subversiva em Espanha aqui:

:-)

Para Renfe parece misión imposible, pero un grupo de ciclistas ha desmontado 2 asientos del TRD de Teruel para demostrar que es sencillo habilitar un espacio para bicis en él.

El sábado 7 de marzo de 2009, un grupo de cicloturistas ha desatornillado dos asientos del Tren Regional Diésel (TRD) que circulaba haciendo la ruta Valencia-Teruel-Zaragoza, y ha colocado una bicicleta en su lugar, sin interrumpir la circulación del tren ni ocasionar molestias a ningún viajero.

Se trata de una acción de protesta, en la que el grupo ciclista quiere mostrar gráficamente que es muy sencillo habilitar un espacio para bicicletas en este tren, al que ahora mismo está prohibido acceder en bicicleta.(…)

Cá não sei se isso é um argumento, mas aqui fica a iniciativa de nuestros hermanos. ;-)

[Via]

E vai mais um mailzinho

A propósito disto (e disto) e, a par das minhas experiências e observações como utilizadora dos serviços da CP, resolvi fazer mais um pouco de activismo de sofá, e enviei há pouco o seguinte e-mail pelo formulário online deles (espero que tenha funcionado, deu um ecrã branco quando carreguei em “enviar”…):

Bom dia,

Escrevo para procurar saber se as 36 novas unidades anunciadas para a linha de Cascais (http://www.cenasapedal.com/blog/2009/02/23/1341) serão aproveitadas como uma oportunidade de disponibilizar 1 carruagem por composição preparada para passageiros com necessidades especiais, de mobilidade/acessibilidade ao nível da locomoção e/ou do transporte de bens. Ex.: pessoas em cadeiras de rodas, famílias com carrinhos de bebé, velocípedes, pranchas de surf, etc. Refiro-me a carruagens preparadas para os acomodar (estruturas de suporte e retenção de bicicletas), bancos rebatíveis, espaço de manobra para entrar, circular e sair das carruagens, etc.

Gostaria ainda de saber para quando está prevista a acessibilidade “universal” em toda a rede da CP, urbana e regional. Penso que esta lacuna no serviço da CP deixa de fora vários segmentos da população que poderiam ser seus clientes, com benefícios próprios para estes, para a CP, bem como para a sociedade em geral, caso pudessem depender do comboio para as deslocações quotidianas utilitárias (trabalho, outros afazeres e compromissos) e lúdicas (passeios ao fim-de-semana, férias, etc).

De notar que, no que concerne especificamente ao transporte de bicicletas e outros volumes do género, não me refiro a um serviço forçosamente gratuito, embora em situações favoráveis (horas ou trajectos de baixa ocupação) tal possa constituir-se como uma estratégia comercial inteligente.

Aguardarei uma resposta da vossa parte.

Grata pela atenção.

Cumprimentos,

Rescaldo d’A Marcha do Caracol

Estava a trabalhar pelo que não pude participar, mas até agora encontrei este relato no site do movimento, este artigo no Jornal de Notícias (também tinham divulgado o evento no dia anterior), este artigo no Portugal Diário, outro igual no Sol e no DiárioDigital, um artigo no Publico, e um relato num blog, (e fotos aqui)

Não foi o nível de terrorismo da primeira celebração, mas o facto de terem aparecido tantos agentes para tão poucos cidadãos, e o facto de terem aparecido e agido de cara tapada e capacetes, denota alguma má-fé, ou pelo menos falta de bom senso na gestão e planeamento destas intervenções…

Não percebo também a necessidade de tirar o rapaz do chão à força, aquela zona é tão ampla que os carros poderiam passar ao lado, desviando-se, tal como os peões têm que desviar deles muitas vezes…

Celebração II – A Marcha do Caracol

Isto não pode ficar assim.

A marcha do caracol

Vamos ver que estratégias criativas serão usadas pela polícia desta vez, contra quem, e em defesa do quê… Filmem, fotografem, gravem. De perto e de longe. Descaradamente e dissimuladamente. ;-)

‘Bora reivindicar o direito dos peões às zonas pedonais

Recebi esta mensagem:

Olá ,

Dois meses após a inauguração da zona pedonal de Almada, é tempo de experimentar e celebrar este novo espaço. Um espaço que ajuda Almada a ser uma cidade com vida própria, afastando-a do seu papel de subúrbio dominado pelo automóvel.

Almada tem finalmente uma zona pedonal. Curiosamente, nesta zona circulam veiculos autorizados, que incluem 4 carreiras de autocarro, táxis, cargas e descargas e centenas de automóveis com autorização especial. Em qualquer dia da semana, à hora de ponta, pode contar-se mais de 50 veículos a circular num período de 15 minuto. Trata-se provavelmente da zona pedonal com mais carros do mundo.

Esta festa é uma oportunidade para todos os automobilistas, peões, ciclistas, skaters, ou outros veículos, disfrutarem da zona pedonal sem usar o motor.

Há muitas pessoas que não têm ou não querem ter um automóvel. Outras, que tendo um, preferem circular na cidade de bicicleta, disfrutar o convívio a pé e fazer as compras nas lojas do seu bairro, em vez de deslocar-se para uma grande superfície fora da cidade.

Se você é uma destas pessoas, então venha também celebrar a zona pedonal, na próxima 6ª feira, dia 16 de Janeiro, a partir das 16:00 em frente ao Café Central, no praça do MFA. Daqui seguiremos com um passeio pela zona, animados por música e outros elementos de animação que os cidadãos decidirem trazer para a sua rua – um rádio, instrumentos musicais, mesa e cadeiras de campismo, vinho, sumos, bicicletas, patins, trotinetes, skates e carrinhos de bébes! Haverá também uma banda de percussão.

Para os automobilistas que diariamente estacionam de forma ilegal na zona: é melhor prepararem-se para estacionar os carros fora da nossa zona, uma vez vamos precisar de todo o espaço a que temos direito para fazer a nossa celebração!

Já experimentou percorrer a zona pedonal a pé?

Experimente e junte-se a nós!

Como chegar:

A praça do MFA fica bem no centro da zona pedonal, entre as paragens de metro de S. João Baptista e Gil Vicente. Para quem vem de fora de Almada, pode apanhar o comboio para o Pragal e daí a linha de metro para Cacilhas; ou o barco para Cacilhas, podendo depois seguir em qualquer uma das linhas de metro.

Da última vez que lá passei ainda aquilo estava com obras a terminar, mas também não me pareceu muito pedonal… :-(