Tag Archive for 'política'

Food Inc

Vejam.

Caso não se apercebam, isto também tem a ver com as bicicletas, com a mobilidade sustentável, com as cidades “vivas”, etc, etc, basta “connect the dots“.

Pela liberdade de não-religião

A liberdade de religião parece ser uma liberdade de pensamento, crença e expressão específica. No entanto é perniciosa, mesmo que não na letra da lei, ao subentender que este pensamento/crença/expressão não pode ser criticada ou ridicularizada como qualquer outra (astrologia, vegeterianismo, poligamia, whatever). E pior, parece subentender que essa liberdade de religião anula os direitos associados à liberdade de não-religião.

Bom, esta pequena intro só para assinalar esta marcha dos ateus e agnósticos na Polónia, terra do Papa João Paulo II.

Porto Salvo a precisar de ser salvo

Abriu hoje oficialmente um novo hipermercado em Oeiras, mais concretamente numa zona em Porto Salvo, entre o Casal da Choca, o Bairro dos Navegantes e Talaíde.

Isto devia ser proibido por lei

É a maior loja / posto de venda do Grupo retalhista “Os Mosqueteiros” em Portugal. Numa área bruta de 12.3 mil m2, há uma galeria comercial com 3 hipermercados: Intermarché, Bricomarché e Roady, e mais 10 outras lojas. Inclui ainda um parque de estacionamento para 650 automóveis. O investimento total foi de 20 milhões de euros, e diz-se criar 150 postos de trabalho.

Estes 150 novos empregos talvez cubram os que serão extintos no comércio de rua. Não culpo só os Mosqueteiros por isto, contudo. A culpa é dos próprios comerciantes, que muitas vezes param no tempo, não inovam, não se unem para melhorar as suas ruas e comunidades (e, logo, os seus negócios). A Rua do Comércio está tão atravancada de carros que há lojas que eu nem sabia que estavam ali porque estão tapadas pelos carros.

IMGP9872.JPG

E a culpa é das Juntas de Freguesia e das Câmaras Municipais, que deixam o espaço público degradar-se, tornando o comércio de rua, local, pouco apelativo, ao mesmo tempo que permitem coisas como este novo hiper-hipermercado.

Talvez não haja 650 automóveis no Casal da Choca, ou em Talaíde, ou no Bairro dos Navegantes. Estas ruas locais, residenciais, já são usadas às horas de ponta como atalhos para fugir às artérias principais (Estrada de Talaíde/Estrada de Leião e Variante à Estrada Nacional 249), aumentando o ruído, a poluição e a insegurança de quem cá vive e de quem cá circula. Os miúdos que vivem no Bairro dos Navegantes vão a pé para a escola de Talaíde (onde eu também andei). Hoje em dia é uma estrada oficial, alcatroada. No meu tempo era uma cena tortuosa em terra batida, lama no Inverno. Continua sem ter um passeio, ou sequer berma alcatroada (fizeram um passeio arborizado a ligar o Bairro dos Navegantes à Rua Lopo Soares de Albergaria, a estrada cá em cima, para as pessoas chegarem à paragem dos autocarros, mas ficou por aí). Afinal, que se fodam os peões, que se fodam as crianças que não são levadas à escola de carro pelos pais que depois estacionam em cima dos passeios e passadeiras (debaixo do nariz da “Escola Segura”…) para que os seus filhos (flores de estufa que não sabem e não podem andar na rua) não corram riscos, afinal, a estrada, a rua, é perigosa, está cheia de pais das outras crianças.

Será que a Câmara Municipal de Oeiras também vai pagar um autocarro para servir este hiper, como faz com o Oeiras Parque?

Por onde circularão os 5000 ou mais automóveis (650 lugares, umas 14 horas diárias de funcionamento, uma estadia média de 2 horas…) que este hiper atrairá? Por onde circularão as carrinhas e camiões que alimentarão este centro comercial? Só há 2 vias: Casal da Choca e Porto Salvo, e Talaíde -> Cascais ou Talaíde -> Porto Salvo, Cacém ou Barcarena.

What the fuck?!...

Ah, pois é, que se fodam as pessoas.

A zona do Casal da Choca e do Bairro Auto-Construção tem génese ilegal (depois regulamentada), e muitas das ruas não têm lugares de estacionamento definidos, e os passeios são estreitos.

Pai & filha

A qualidade do piso é geralmente boa. Toda esta zona precisa de ser reordenada. Os passeios precisam de ser alargados, arranjados, arborizados/ajardinados (uns bancos aqui e ali, e uns bebedouros seriam úteis) e protegidos. Actualmente as pessoas estacionam total ou parcialmente em cima dos passeios existentes.

Que se lixem os peões

As paragens de autocarros precisam de ser tornadas mais people-friendly. Há que estudar as necessidades de estacionamento e acautelar as essenciais (cargas e descargas, estacionamento de curta duração junto ao comércio e afins, etc). A maior parte das casas – moradias – tem garagem. Pode é haver mais carros do que lugares na garagem… A CMO pode criar zonas de estacionamento nos espaços vagos para os carros excedentes, a um determinado preço. Depois há que ver o espaço que sobra e redefinir os sentidos de trânsito, dada a largura das ruas, para acautelar espaço de circulação pedonal decente muitas ruas teriam que ser tornadas de sentido único. Isto, a par da implementação de zonas 30 poderia servir também para tornar pouco apelativa a fuga ao trânsito por estas ruas interiores.

A Câmara ou a Junta podia financiar autocarros escolares para as crianças que vêm de mais longe, e promover os pedibus dentro da Freguesia (acabam por existir intrinsecamente no caso dos miúdos do Bairro dos Navegantes, dado o número dos mesmos e a proximidade do Bairro). Se têm dinheiro para financiar autocarros para levar as pessoas para o hipermercado, quando elas têm alternativa local, também têm dinheiro para financiar autocarros para levar as crianças para a escola – estas não têm alternativa “local”.

Claro que isto sou eu a sonhar.

No programa eleitoral do Isaltino Morais, que ganhou novamente a Câmara de Oeiras, na secção “mobilidade” há 11 tópicos relacionados com vias rodoviárias (1 dos quais ciclovias), e 3 relacionados com transportes públicos colectivos.

Na secção “estacionamento”, pretendem criar mais 7800 lugares de estacionamento automóvel para residentes. Não dizem se é pago ou não, e se pretendem servir as necessidades de estacionamento do 1º, 2º, 3º ou 4º automóveis de cada agregado familiar… Nem uma palavra sobre estacionamento de motos e bicicletas.

Ora vejam se também detectam aqui alguma esquizofrenia (os bolds são meus)

O congestionamento progressivo das vias que estabelecem as ligações regionais e que integram a Rede Supra Concelhia (vias de elevada capacidade de transporte), a Auto-Estrada A5, a Marginal, a E.N.117, o I.C.17–CRIL e pelo I.C. 19, empurra os utilizadores do transporte individual para procurarem soluções alternativas de fluidez, através da Rede Viária Municipal, que atenuem esses estrangulamentos.

As soluções para a melhoria da mobilidade devem, pois, centrar-se em dois domínios estratégicos: a melhoria das acessibilidades no sistema viário e a criação de uma rede eficaz de transportes colectivos.

Oeiras apresenta-se hoje como um território de características eminentemente urbanas, podendo verificar-se a existência dos denominados períodos de ponta da manhã e da tarde, devidamente confinados, que se traduzem numa maior afluência de tráfego rodoviário e em alguns casos atrasos no atravessamento das intersecções.

Estas deslocações, centradas no transporte individual, têm custos sociais e ambientais significativos e, para além de se transformarem numa fonte de ineficiência na afectação de recursos e perdas de tempo, são uma fonte de degradação ambiental.

Esta redução de eficiência tem por base não só os volumes de tráfego nos períodos de ponta, na rede interna dos aglomerados e na rede regional, mas também o desempenho das próprias intersecções em alguns casos desajustadas.

A eliminação ou a atenuação dos estrangulamentos viários favorece a afectação de recursos mas não é, por si só, uma medida que faça diminuir os impactos ambientais.

Os objectivos que a este nível se alcançarão procuram uma opção combinada que terá necessariamente que se traduzir em novas soluções de reordenamento, de modo a capacitarem a rede viária para a absorção do tráfego gerado e, sobretudo, a aposta mais forte, centrar-se-á na construção de uma rede de transportes colectivos em sítio próprio, devidamente hierarquizada e que abranja todo o Concelho, de forma a garantir um melhor serviço, sobretudo ao nível das velocidades de circulação, tornando o Transporte Colectivo mais competitivo relativamente ao Transporte Individual.

Engraçado, reconhecem o impacto ambiental e a ineficiência associados ao transporte em automóvel, e a necessidade de apostar no transporte público colectivo. Mas depois afirmam que a solução está em ajustar a rede viária ao tráfego gerado, isto é, à procura (muita gente a andar de carro), pelo que há que alargar estradas e nós, e construir mais estradas, ignorando totalmente o paradoxo de Jevons, algo que podemos ver todos os dias: a Estrada de Leião, que atravessa Porto Salvo, está quase ao mesmo nível de congestionamento à hora de ponta que estava antes da construção da variante, pelo que agora continuamos sem poder sair de casa, mas temos menos dinheiro público (gasto na variante), mais barulho, mais poluição, etc, etc.

Por outro lado, defendem a melhoria dos transportes públicos colectivos, e pretendem apostar em modos com canais próprios (ex.: comboios, eléctricos, etc) para melhorar a velocidade comercial dos mesmos e, assim, torná-los competitivos com o automóvel. O mesmo automóvel cuja expansão em número de utilizadores e velocidade de circulação eles pretendem promover com tanta obra rodoviária. Parecem achar que melhorar a eficiência do sistema NÃO vai induzir mais utilizadores na rede rodoviária, mas que no caso dos transportes públicos um aumento de eficiência já tem esse poder de atrair mais utilizadores. Esquecem-se que se aumentam a eficiência dos dois concorrentes, fica tudo na mesma. É caso para pensar, então se mais estradas não vão aumentar o número de carros e até vão melhorar a experiência dos que já lá andam, quem irá utilizar os novos transportes públicos? Pela lógica, os novos aderentes aos TP seriam pessoas que antes andariam de carro e que se viraram para os TP porque estes oferecem melhor serviço, o curso natural das coisas se não se tentasse melhorar a eficiência da rede rodoviária e deixasse o caos seguir o seu caminho, quem sabe até dar alguma ajuda (e observando depois o efeito da Evaporação de Tráfego). Mas dado que não é o caso, como é que o TP em canal próprio, que implica investimentos avultados e pouca ou nenhuma flexibilidade no ajuste das rotas, numa zona suburbana (pouco densa), será competitivo com o automóvel, em que o condutor tem toda a liberdade e flexibilidade de ajustar os seus percursos e horários, e a rede viária é continuamente expandida para tentar oferecer-lhe velocidades de circulação inalteradas pelo crescente congestionamento/utilização automóvel?… Como é que as pessoas chegam ao TP em canal próprio? A pé? De bicicleta? De autocarro? Ou de carro?…

Há uns tempos que ando a resmungar que devia fazer alguma coisa, tinha umas ideias para pôr Porto Salvo (and beyond) no mapa do activismo e participação cívica, para mostrar alternativas, apontar problemas e sugerir soluções. Queria tornar Porto Salvo um sítio mais vivo, mais verde, mais amigo das pessoas, mais próspero e interessante. Depois lembro-me que não tenho tempo. Já tenho outros projectos adormecidos e como é que quero meter-me em mais um? E depois ponho-me a fazer estas coisas quando devia estar a trabalhar para ganhar a vida, ou então a descansar e a vivê-la, em vez de estar feita parva a tentar salvar um mundo que parece que não quer ser salvo.

*sigh*

Queria ganhar o Euromilhões, assim já podia trabalhar nestas coisas que ninguém paga, sem ter que me preocupar com de onde virá o dinheiro para viver. Mas não, geralmente isso sai a pessoas que querem essencialmente comprar casas, carros, e passar a vida de férias. :-P

Engraçado que, muitas vezes queixo-me de viver aqui no meio do nada, nem dá vontade de sair para ir à mercearia, etc, é tudo “longe”. E agora plantam-me um mega-hipermercado ao lado. Posso ir de bicicleta que nem há quase subidas (hell, I could walk there, com um trolley de compras e tal), mas não sei porquê duvido que haja estacionamento para bicicletas…

Well, let the hell begin…

Comparação dos programas eleitorais para as autárquicas em Lisboa

Foi hoje lançado o site www.lisboa09.pt.to, um trabalho desenvolvido pelo Bernardino Aranda e pela Rosa Félix.

Este site pretende comparar os programas das 4 principais forças candidatas à CML, compilando-os numa Grelha Comparativa dos Programas Eleitorais, que não só permite uma leitura rápida, sectorial e sintética das propostas concretas de cada candidatura, como permite, tema a tema, uma comparação entre as várias propostas.

Este PDF – um documento de 21 páginas – está disponível para consulta e download em www.lisboa09.pt.to

Nesse site, queremos também dinamizar o debate sectorial dos programas. Esperamos que na caixa dos comentários apareçam análises críticas e é também por isso que te convido a visitares o site, para conheceres o trabalho que desenvolvemos e para deixares lá um contributo, principalmente no tema da mobilidade!

Esperamos que tudo isto contribua para que os lisboetas conheçam melhor as propostas de cada candidatura, e também para um debate de qualidade e aprofundado sobre as políticas para Lisboa.

Para quem não foi ao debate

No passado dia 30 de Setembro teve lugar em Lisboa um debate com as 4 listas candidatas à Câmara Municipal de Lisboa nestas próximas eleições autárquicas, com o tema “Que lugar para o peão em Lisboa?”, organizado por elementos do Passeio Livre.

Debate "Que lugar para o peão em Lisboa?" Debate "Que lugar para o peão em Lisboa?"

Mais meia-dúzia de fotos aqui. Estavam presentes à volta de 50 pessoas.

Podem ouvir o registo áudio integral do debate aqui:

A TSF deu eco do debate, mas não captou o propósito do mesmo, mas aquilo em que ele efectivamente se transformou, como se pode concluir pelo título da notícia: “Movimento de Cidadãos organizou debate sobre problema do estacionamento em Lisboa“.

Pessoalmente, fiquei um bocado desmotivada, que lugar haverá para o peão em Lisboa, se quase não há lugar para o peão num debate sobre “o lugar do peão em Lisboa”?… O carro e as pessoas que andam de carro continuam a moldar a cidade, o peão vem em último lugar, e só se houver espaço… E ninguém tem coragem de dar um murro na mesa e fazer o que precisa de ser feito, sem medo de desagradar a todos os que se habituaram a mamar à pala e aos “direitos adquiridos” dos automobilistas. *sigh*

O debate podia ter corrido melhor, sim, podia ter sido melhor organizado, sim. Mas fez-se o que se pôde com os recursos que havia. Era mesmo importante que este debate tivesse lugar, para enfatizar que HÁ PESSOAS QUE SE INTERESSAM POR ISTO, e cada vez serão mais e mais barulhentas e mais exigentes, pelo que é melhor que os políticos, técnicos, empresários, comerciantes, e afins, se mentalizem que as coisas têm que começar a mudar.

Todas as ruas deveriam acomodar o espaço necessário à circulação fluida e confortável dos peões. Onde seja possível 2 cadeiras de rodas cruzarem-se sem problemas, tipo mínimo 2 metros de largura livre, com árvores e canteiros, iluminação, papeleiras e bancos regularmente espaçados. Este espaço de circulação livre deveria ser efectivamente livre, nada de sinais de trânsito, paragens de autocarro no meio do caminho, caixotes do lixo, carros estacionados, etc. O piso deveria ser confortável para os pés e para as rodas e anti-derrapante. Estes passeios deveriam ainda incluir sinalização de rotas, tal como há para quem se desloca de carro, uma pessoa a deslocar-se a pé deve poder saber para onde se deve dirigir para chegar (a pé) a determinado destino (estação, centro comercial, parque de estacionamento, rua A, B ou C, bairro Y ou Z, etc), e deve saber onde há a próxima casa-de-banho pública, por exemplo. Os passeios deveriam estar apenas ligeiramente desnivelados face à faixa de rodagem, para os degraus não constituírem barreiras difíceis de ultrapassar, e totalmente nivelados em todos os atravessamentos e afins. Só depois de implementadas estas vias pedonais com estas condições se veria o espaço que sobra em cada rua. E depois haveria que acautelar a passagem de transportes públicos, se possível e aplicável, depois algum estacionamento de curta duração (cargas e descargas, tomada e largada de passageiros, essencial, e vital que seja bem fiscalizado), depois vias de circulação normais, no número que fosse possível, estudado no plano geral da cidade. Actualmente é ao contrário. O peão fica com as migalhas do que sobrar do banquete dos automóveis e de quem os conduz e estaciona. Enquanto assim for, não há incentivo ao uso dos transportes públicos, bicicletas, andar a pé, que nos valha.

Dentro da cidade, as passadeiras e a semaforização deveriam servir primeiro os interesses dos peões, os atravessamentos têm que ser na menor distância possível e no período de tempo mais curto possível, os peões não devem esperar para passar, carrega no botão e fica logo verde.

Mas não, entretemo-nos a falar da EMEL, de túneis, de “incentivos”, blá blá blá. E a questão essencial, a posição dos peões e da associada liveability da cidade na hierarquia das prioridades eleitorais, continua quase na mesma, o peão é o mexilhão da cidade. Depois admirem-se que ela colapse.

Autárquicas em Lx – Debate: “Que Lugar para o Peão em Lisboa?”

Debate: Que Lugar para o Peão em Lisboa

É já esta 4ª-feira, dia 30 de Setembro, às 18h no Cinema S. Jorge, que se vai discutir com 4 dos principais candidatos à Câmara Municipal as condições dos peões em Lisboa.

Convidados:

* Nunes da Silva, professor catedrático do IST, especialista em mobilidade e que ocupa o 8º lugar à Câmara na candidatura “Unir Lisboa / PS

* António Carlos Monteiro, Deputado à AR pelo CDS-PP no distrito de Lisboa, foi Presidente da EMEL entre 2002 e 2005 e foi ainda Vereador da CML com o pelouro do Transito e do Espaço Público. Ocupa o 4º lugar na candidatura à Câmara pela lista “Lisboa com Sentido

* Carlos Moura, Engenheiro do Ambiente, Ex-Dirigente da Quercus e 4º candidato à Câmara pelas listas da CDU

* Heitor de Sousa, Economista na Carris, Deputado Municipal em Lisboa e recém eleito Deputado à AR pelo BE no distrito de Leiria. É o nº2 à lista da Assembleia Municipal pelo BE

Moderador: o jornalista José Vitor Malheiros.

QUEM DEVE APARECER?

Toda a gente, salvo talvez os acamados. :-) Quem anda a pé, basicamente, quem sai à rua.

Isso inclui quem também anda de carro, de bicicleta, ou de transportes públicos. Inclui os pais com filhos pequenos a transportar em carrinhos, inclui todas as pessoas com mobilidade condicionada (idosos, doentes, deficientes, etc), inclui os viajantes com as suas malas com rodinhas, e inclui os “compradores” com os seus trolleys, e inclui quem se preocupa com eles, os seus familiares, amigos e colegas.

Devem ainda aparecer os comerciantes e os operadores de transportes públicos, pois são dois grupos fortemente afectados pelas condições de acessibilidade pedonal que, a existirem e a serem boas, potenciam fortemente as suas actividades e o seu sucesso comercial e social.

Apareçam, convidem amigos, e ajudem a DIVULGAR!

O Passeio Livre está na rede!

Postem, retweetem, e-mailem, facebookem, whatever! :-)

Aqui fica a papinha toda feita, é só copiar este código em html e publicar:

<p><a href="http://passeiolivre.blogspot.com/2009/09/passeio-livre-em-debate.html"><img src="http://profile.ak.fbcdn.net/object3/578/1/n135713988405_6703.jpg" align="left" alt="Debate: Que Lugar para o Peão em Lisboa" /></a></p>

<p>É já<a href="http://passeiolivre.blogspot.com/2009/09/passeio-livre-em-debate.html"> esta 4ª-feira, dia <strong>30 de Setembro</strong>, às <strong>18h</strong> no <strong>Cinema S. Jorge</strong>, que se vai discutir com os principais candidatos à Câmara Municipal as condições dos peões em Lisboa</a>.</p>

<p><strong>Convidados:</strong></p>

<p>* <strong>Nunes da Silva</strong>, professor catedrático do IST, especialista em mobilidade e que ocupa o 8º lugar à Câmara na candidatura “<strong>Unir Lisboa / PS</strong>”</p>
<p>* <strong>António Carlos Monteiro</strong>, Deputado à AR pelo CDS-PP no distrito de Lisboa, foi Presidente da EMEL entre 2002 e 2005 e foi ainda Vereador da CML com o pelouro do Transito e do Espaço Público. Ocupa o 4º lugar na candidatura à Câmara pela lista “<strong>Lisboa com Sentido</strong>”</p>
<p>* <strong>Carlos Moura</strong>, Engenheiro do Ambiente, Ex-Dirigente da Quercus e 4º candidato à Câmara pelas listas da <strong>CDU</strong></p>
<p>* <strong>Heitor de Sousa</strong>, Economista na Carris, Deputado Municipal em Lisboa e recém eleito Deputado à AR pelo BE no distrito de Leiria. É o nº2 à lista da Assembleia Municipal pelo <strong>BE</p>

<p><strong>Moderador</strong>: o jornalista José Vitor Malheiros.</p>

<p><strong>QUEM DEVE APARECER?</strong></p>

<p>Toda a gente, salvo talvez os acamados. :-) Quem anda a pé, basicamente, quem sai à rua.

<p>Isso inclui quem também anda de carro, de bicicleta, ou de transportes públicos. Inclui os pais com filhos pequenos a transportar em carrinhos, inclui todas as pessoas com mobilidade condicionada (idosos, doentes, deficientes, etc), inclui os viajantes com as suas malas com rodinhas, e inclui os "compradores" com os seus <em>trolleys</em>, e inclui quem se preocupa com eles, os seus familiares, amigos e colegas.</p>

<p>Devem ainda aparecer os <strong>comerciantes</strong> e os <strong>operadores de transportes públicos</strong>, pois são dois grupos fortemente afectados pelas condições de acessibilidade pedonal que, a existirem e a serem boas, potenciam fortemente as suas actividades e o seu sucesso comercial e social.</p>

<p><strong>Apareçam, convidem amigos, e ajudem a DIVULGAR!</strong></p>

<p>O <strong>Passeio Livre</strong> está na rede!</p>

<ul> <li><a href="http://passeiolivre.blogspot.com">Blog</a> (o anúncio do Debate está <a href="http://passeiolivre.blogspot.com/2009/09/passeio-livre-em-debate.html">aqui</a>)</li>
<li><a href="http://www.facebook.com/passeiolivre?ref=ss">Facebook</a> (e este evento está <a href="http://www.facebook.com/event.php?eid=135713988405">aqui</a>)</li>
<li><a href="http://twitter.com/passeiolivre">Twitter</a></li></ul>

<p><em>Postem</em>, <em>retweetem</em>, <em>e-mailem</em>, <em>facebookem</em>, whatever! :-) </p>

«Bicicletas já têm vias próprias»

Olhem-me bem para isto.

4697

Será possível que ninguém comente este tipo de asneiras? «O presidente da autarquia chamou os jornalistas ao local das obras, no parque, para explicar que a construção de ciclovias é uma “área em que o know-how técnico é muito pouco”.» Ha! No shit?! Pelos vistos, e dada a frequência com que encontro exemplos deste género (e piores) o know-how básico do bom-senso também é escasso…

Ora, fantástico, os primeiros 500 metros de ciclovia estão prontos, e são dentro de um PARQUE URBANO. Um “espaço verde” em S. João da Madeira.

A jornalista lembra que «As ciclovias são faixas destinadas a bicicletas, que se estendem num dos lados da estrada, com 1,20 metros de largura, pintadas de vermelho e balizadas por linhas brancas.» Bolas, espero que não sejam bi-direccionais, com 1,20 m de largura e só de um lado da faixa de rodagem…

No orçamento camarário para 2009 estão descritos sete quilómetros de ciclovia, um investimento de 232.700 euros. Para 2010 estão previstos mais oito quilómetros de ciclovias, um investimento de 120.882 euros.

Ora, 353.582 € para pintar 15 km da berma da estrada de vermelho (dá 23.572 € / km). Os cofres públicos ficam mais pobres em 350 mil euros, os ciclistas perdem o seu direito legal a uns 60 % daquelas vias (se forem assinaladas com aquele sinalzinho azul…) e não obtêm absolutamente nenhum benefício a nível de segurança (pelo contrário*!), conforto, whatever, os políticos podem cortar umas fitas e motoristas e políticos vão para casa descansados porque acham que estão a ser bonzinhos para os ciclistas.

Ora, quantas paragens de autocarros decentes, redes pedonais decentes, parques de estacionamento para bicicletas, programas de formação escolar em condução de bicicleta, ciclovias “atalhos” ou ou ciclovias recreativas/turísticas/interurbanas não sobrepostas com a rede viária normal, etc, etc, é que estes 350 mil euros atirados para o lixo não poderiam assegurar?…

E ainda dizem que somos um país pobre. Somos, mas não é de dinheiro.

* É só tinta. O desconforto associado à proximidade com veículos automóveis continua, pode até ser piorado porque agora não temos espaço por onde gerir a nossa posição na via, e os carros passarão mais perto e mais depressa por nós, o que só torna aquela via mais perigosa para os ciclistas… *sigh*

Bloqueios mentais

Por que é que as pessoas acham justo taxar um mesmo uso do mesmo espaço público de formas diferentes consoante esse uso seja feito por uma pessoa que mora ali em oposição a uma pessoa que mora mais longe?

Isto é, por que é que é regra achar que se eu morar em determinada rua tenho direito a ocupar parte dessa mesma rua (que é pública, logo, para acesso e usufruto meu e de todos os outros) com o meu carro (mas não com um barco, ou uma roulote, ou uma pequena casa de jardim ou mesmo de bonecas) sem ter que pagar taxas nenhumas, mas se eu morar a 10 km de distância e usar o carro para me deslocar a essa rua para ir a uma loja, a uma empresa, ou visitar alguém, e lá estacionar o carro exactamente da mesma forma, já é justo que pague. Ou seja, o tipo que mora lá num sítio sem garagem (ou lugares suficientes nela) e tem um carro à mesma, pode ocupar gratuitamente o espaço público sem nenhuma contrapartida para os seus vizinhos e demais contribuintes que mantêm a rua, já o tipo que precisa de um sítio para estacionar porque foi de carro até lá e deu negócio (a.k.a. contribuiu com impostos) à freguesia tem que pagar esse mesmo espaço público que para o tipo que vive na rua é de borla.

Será que ninguém percebe que isto não faz sentido e introduz desigualdades e injustiças no sistema?

Entretanto, (mais) um belo exemplo da má gestão pública:

Para evitar que os motoristas estacionassem em cima dos passeios, impedindo ou dificultando a vida dos peões, impedem ou dificultam a vida dos peões tornando-os barreiras arquitectónicas. Bravo!

Enfim…

Sinistralidade rodoviária a decrescer (ou talvez não)

Na passada 6ª-feira a ANSR esteve presente na Segurex 2009 (no dia em que a Segurança Rodoviária assumiu destaque nesta feira) e preparou um seminário onde fez a Apresentação do Relatório de Segurança Rodoviária de 2008 (descarreguem o pdf aqui), e onde houve lugar a dois debates subsequentes, um sobre Segurança Rodoviária, moderado pelo Presidente do ACP (?!), Carlos Barbosa, e outro sobre o conceito da Carta por Pontos, moderado pelo Presidente da Direcção da PRP, José Trigoso.

Não estive neste evento, mas vi alguns artigos a relatar. Citando um detalhe num deles:

Os dados mostram que os peões continuam a ser das principais vítimas da estrada: no ano passado, morreram 136 pessoas e 529 ficaram gravemente feridas na sequência de atropelamentos. Entre as vítimas constam também os ciclistas (37 mortos e 105 feridos graves), o que levou Carlos Lopes, da Unidade de Prevenção Rodoviária, a admitir que “é preciso tomar algumas medidas para acautelar esta situação”.

Pelas minhas experiências mais recentes (e tudo o que vem de trás), não auguro nada de bom…

Ver o resto da notícia aqui.

Entretanto, recomendo leitura desde artigo da ACA-M, cito apenas um trecho:

(…)Temos portanto três tipos de omissão nas estatísticas da mortalidade rodoviária: 1) decorrentes da não contabilização dos mortos a trinta dias, ao contrário do que acontece no resto da Europa; 2) não verificação de óbitos por ausência de médico no local e por não confirmação posterior; 3) falta de confronto, ou confronto tardio, entre diferentes bases de dados.

Quando recebeu em 2008 o Prémio europeu de segurança rodoviária, o governo português tinha pleno conhecimento de que os números que tem apresentado ao país e ao mundo são errados. Aceitou ilegitimamente o prémio porque privilegia a propaganda do anúncio da redução contínua da sinistralidade rodoviária ao confronto com a realidade.

Segundo o Instituto de Medicina Legal, o número de vítimas mortais da estrada é 40% superior às estatísticas apresentadas pelo governo. O não reconhecimento público deste morticínio só aproveita ao MAI, que assim não tem de se maçar a resolvê-lo. Os custos, esses, são pagos pelas famílias das vítimas e por todos nós, contribuintes e concidadãos. (…)

Rescaldo d’A Marcha do Caracol

Estava a trabalhar pelo que não pude participar, mas até agora encontrei este relato no site do movimento, este artigo no Jornal de Notícias (também tinham divulgado o evento no dia anterior), este artigo no Portugal Diário, outro igual no Sol e no DiárioDigital, um artigo no Publico, e um relato num blog, (e fotos aqui)

Não foi o nível de terrorismo da primeira celebração, mas o facto de terem aparecido tantos agentes para tão poucos cidadãos, e o facto de terem aparecido e agido de cara tapada e capacetes, denota alguma má-fé, ou pelo menos falta de bom senso na gestão e planeamento destas intervenções…

Não percebo também a necessidade de tirar o rapaz do chão à força, aquela zona é tão ampla que os carros poderiam passar ao lado, desviando-se, tal como os peões têm que desviar deles muitas vezes…

Celebração II – A Marcha do Caracol

Isto não pode ficar assim.

A marcha do caracol

Vamos ver que estratégias criativas serão usadas pela polícia desta vez, contra quem, e em defesa do quê… Filmem, fotografem, gravem. De perto e de longe. Descaradamente e dissimuladamente. ;-)

Terrorismo interno

Terrorismo policial” parece ser a melhor descrição para as atitudes e acções de alguns agentes da PSP no passado dia 16 de Janeiro, contra uma vintena de cidadãos, na chamada Zona Pedonal de Almada.

É sempre complicado perceber estas histórias vistas de fora, quando não há muitas testemunhas nem provas, é uma questão de credibilidade dos envolvidos, o que torna difícil tomar partido. Contudo, conheço pelo menos uma das vítimas, e acredito na sua versão dos factos.

Testemunhos:

Peões agredidos e detidos pela polícia na Zona Pedonal de Almada
Quando a cidadania fica refém da intolerância
Mais um relato da violência policial na Zona Pedonal Almada

Galeria de fotos no site do movimento Almada Pedonal.

Alguma da repercussão na blogosfera:

Cultura de violência
Peões agredidos e detidos em Almada

Eco nos media:

Primeiro Jornal da SIC (19/01/2009) (min 02:16)
Manifestação contra circulação automóvel resulta em três feridos e duas detenções
Almada: Peões agredidos vão apresentar queixa contra PSP
Agredidos em manifestação vão apresentar queixa contra PSP
Peões agredidos em manifestação vão apresentar queixa contra a PSP

20 pessoas transformaram-se em 200. Uma celebração transformou-se numa manifestação & protesto. A circulação pedonal (trânsito de peões), transformou-se em “perturbação do trânsito” (motorizado e ilegal, presume-se). Um grupo de pessoas na rua que “se recusam a dispersar” sujeitam-se a levar porrada por isso.

Impressionante.

Posto isto, e na onda do apelo feito, fiz o mínimo que me é possível, escrevi um e-mail que enviei ao IGAI (c/ conhecimento da Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias), a pedir informações acerca dos procedimentos de inquérito em curso. E achei por bem divulgar esta questão aqui no blog.

Isto é terrorismo. Pior que o “outro”, porque mina a confiança nas pessoas e instituições encarregues de zelar pela ordem, pela liberdade e pela justiça no seu país.

Os agentes envolvidos deveriam ser expulsos e processados criminalmente. O facto de não se identificarem (por distintivo nem em resposta ao pedidos dos cidadãos) e de se preocuparem em apagar fotos e vídeos e destruir máquinas fotográficas/vídeo demonstra a má fé subjacente aos seus actos…

Banquetes

Mais uma vergonha:

A Invesfer, uma participada da Refer que tem como missão ganhar dinheiro com os terrenos e imóveis que já não têm utilidade “tendo em vista libertar meios financeiros para a melhoria da infra-estrutura ferroviária”, acumulou dívidas de 48,9 milhões de euros.

Também não compreendo esta cena de uma empresa (pública?) criar outra empresa, que detém a 100%, para tratar de algo que a empresa-mãe deveria tratar: a gestão (incluindo compras e vendas) dos seus activos. É para arranjar mais cargos, e para criar mais “diversions” que permitam coisas destas: «a Invesfer vendeu em 2006 por um euro uma participação de 50 por cento no capital social da Espaços Seniores – Serviços de Continuidade de Cuidados de Saúde, SA, que havia sido adquirida um ano antes. O negócio traduziu-se num custo de 1,2 milhões de euros.»

Ou não, o mais certo é ser eu que não percebo nada de finanças, economia ou gestão…

Ramblings

Há bocado peguei na bicicleta e fui ali a baixo ao Bairro comprar algumas coisas para reabastecer ligeiramente a despensa. Nada de especial, apenas 2 sacos cheios. Não tenho alternativa que não estacionar a bicicleta no já magro passeio (longitudinalmente, claro) presa a um sinal de trânsito. Estava ali naquela pequena e atafulhada mercearia a pensar quanto tempo esta e outras mercearias (e cafés, papelarias, talhos, peixaria, etc) naquela rua (chamada mesmo “Rua do Comércio”) sobreviverão depois do Intermarché que estão actualmente a construir aqui em cima à minha beira, abrir.

O trânsito à minha porta ficará muito pior, mais uma machadada na paz e no sossego, após o alcatroamento da estrada que liga a Talaíde (e que deu jeito, sem dúvida). Haverá concerteza mais movimento na zona, principalmente de carros, pois os acessos pedonais são sempre esquecidos (todos os dias dezenas e dezenas de miúdos caminham por esta estrada até à escola, na estrada (recente, alguns anos) sem passeio nem berma. Não prevejo nenhuma súbita mudança de política por parte da Câmara, pelo que assumo que a construção de uma superfície comercial não traga alterações a nível de acessibilidade não-motorizada…

Com um super (hiper?) mercado aqui, concerteza com ampla oferta de estacionamento gratuito para automóveis, presumo que o pequeno comércio ali do centro do Bairro, já literalmente tapado por todos os automóveis que ladeiam as ruas e ocupam os passeios, sofrerá um revés. Há lojas naquela rua que eu só “descobri” que existiam recentemente, pois raramente passo lá a pé, ou passo de carro ou de bicicleta, e os carros estacionados não deixam perceber o que há na rua… Sim, claro que a minha personalidade e o meu estilo de vida também contribuem, but still

Há uns dias que ando a pensar em algo para fazer aqui. À la Streetfilms, uma “reparação urbana“. Mas além de não ter os meios (political skills) tenho a certeza de que mal se mencionasse “tirar daqui os carros e limitar o estacionamento a poucos lugares e de curta duração” comerciantes e moradores linchar-me-iam. Mas era o que esta zona precisava, remover os carros, alargar e reperfilar os passeios, colocar bancos de jardim, estacionamentos para bicicletas, canteiros. Haver espaço para circular livre e facilmente a pé, ter hipótese de ver as montras. Será mais fácil de ver isso quando os últimos resistentes estiverem em risco de fechar portas?…

Mas para onde iriam os carros? Há demasiados. Algumas pessoas têm mais carros do que espaço em garagem ou quintal. A dependência do carro leva muita pessoas a pegar neles para andar 500 metros (not kidding), de casa até ao café ou até ao ginásio.

Estas pessoas não pagam para guardar os seus carros na rua. Pagamos todos nós. E o preço é não termos árvores, canteiros ou jardins nas ruas, e nem sequer passeios. É preferirmos pegar no carro (ou na bicicleta, no meu caso) e ir mais longe para onde é mais fácil estacionar o carro (ou a bicicleta) durante 15 ou 30 minutos.

É um paradigma que tem que ser mudado mas não sei como, sem ser com um preço do combustível proibitivo que leve as pessoas a serem obrigadas a reduzir o número de carros e a frequência com que os usam. E depois caberia às Câmaras Municipais cobrar pelo uso do espaço público, como deveriam, mas nelas trabalham pessoas que vivem no mesmo paradigma, e quem tem tomates para afrontar os habitantes e os comerciantes assim? Era preciso ter um plano integrado e coerente, e coragem política. Era preciso um Peñalosa ou um Lerner.

A propósito, há tempos soube que o Jaime Lerner iria estar cá em Portugal, iria falar nas Jornadas de Energia de Cascais.Para o lado do sentido Lisboa-Cascais, só escadas! Claro que não podia perder tal oportunidade, e inscrevi-me (sou uma papa-freebies!). Levei o Bruno comigo. :-) Fomos de bicicleta até Oeiras (tudo smooth), depois apanhámos e comboio até ao Estoril. Quando lá chegámos tivemos que levar as bicicletas às costas (de notar que a minha, p.e., deve pesar uns 23 kg…) para descer as escadas, quem vem na direcção de Lisboa para Cascais não tem outra maneira de descer (a não ser que nos tenha escapado algo :-) ).

Ah e tal, energia, ambiente, sustentabilidade, mas não há bike racks!Claro que o Congresso do Estoril não tem bike racks (embora numa outra passagem por ali tenha visto pilaretes e postes usados como racks ali em frente, junto ao Casino). Já se sabe que em Portugal isto é tudo blá blá blá, “a sustentabilidade”, e “o ambiente”, e “mudar hábitos”, yadayadayada. Depois de falar com as raparigas da recepção do evento, falei com o segurança (que entretanto já estava cá fora a mirar as Xtracycle, eheheh), e ele foi simpático e deixou que estacionassemos as bicicletas lá dentro, deixámo-las num canto, presas uma à outra, just in case.

Macário CorreiaChegámos a tempo de assistir à apresentação do Macário Correia, que mandou umas bocas certeiras aos atrasos, e, finalmente, à do Jaime Lerner. Jaime LernerThis is the stuff I’m talking about. Carisma, obra feita, bom orador e bons slides. Engaging. Inspiring. Digam-me onde é que temos em Portugal alguém que possa vir apresentar algo remotamente semelhante ao que o Lerner e o Peñalosa fizeram nas suas cidades. Não, nós cá é só politiquices, jogos, esquemas, não se vê boldness acompanhada de competência, criatividade, isso vê-se nestas conferências, os políticos só falam do que se tem que fazer, dos bons exemplos, patatti patatá. Uma pessoa adormece. E depois andam ali às voltas no discurso, nos pseudo-debates desenrolam novelos que às tantas já nem sabemos qual era a pergunta e tentamos a custo descortinar para onde segue aquela linha (tortuosa) de raciocínio.

Porra, pá.

Apanhei em vídeo estes dois momentos reveladores da personagem Jaime Lerner. Enjoy:

Mais fotos aqui.

Quando voltámos (só fui lá mesmo por causa do Jaime Lerner, viémos embora no intervalo para almoço), fotografámos os acessos à estação.

Rampa de acesso à Estação de comboios do Estoril Deste lado temos escadas + rampa, é só escolher

Para o lado Norte da estação de comboios, deste lado da linha, podemos passar ou por cima, usando as passadeiras e os semáforos, ou podemos passar pela passagem subterrânea, há uma rampa e uma escadaria deste lado (do Casino e assim) e outra do outro lado.

O túnel Rampa ou escada para o lado do sentido Cascais-Lisboa

Estranha e incompreensivelmente, o acesso à margem Sul da estação só tem acesso a partir deste túnel por uma escada. Não há rampa, pelo que conseguimos apurar. À ida tivemos, assim, mais sorte, levámos as bicicletas a rolar pela rampa. :-)

Rampa de acesso ao lado Norte da Estação do Estoril Bicicletas estacionadas junto ao quiosque-bar

Cá em cima vimos duas bikes estacionadas presas às grades dos canteiros. :-) Lá apanhámos depois o comboio de volta a Oeiras. Em Carcavelos vimos imensas (tipo cerca de 15) bicicletas estacionadas junto à estação, presas ao que houvesse livre. :-D A CP can’t seem to take a hint, it looks. Sad, sad, sad…

Bicicletas no comboio MONTES de bicicletas estacionadas na rua junto à estação de Carcavelos!

Quando saímos em Oeiras, vimos algumas bikes estacionadas na rack do lado Norte (as do lado Sul são mais concorridas). E reparei numa com uma cadeirinha de criança sui generis. Nunca tinha visto tal modelo/conceito. Era de montar à frente, mas não no quadro, estava montada sobre a roda dianteira. Além disso tinha um mecanismo que transformava a cadeira num cesto para bagagem quando não havia puto nenhum para transportar. Muito fixe mesmo!

Bikes estacionadas na rack do lado Norte Unsusual child carrier

Orçamento Participativo de Lisboa: deadline das votações

Votei na instalação de pilaretes e outras barreiras para salvaguardar o espaço público pedonal em várias freguesias (prioridade 1, máxima), votei na requalificação da entrada em Lisboa via Calçada de Carriche, e por último no reordenamento/requalificação das hortas urbanas na Granja, Lumiar e mais não sei onde. Esta última estive quase a trocar pela repavimentação da Baixa…

O prazo para a votação dos 3 projectos por pessoa, no Orçamento Participativo de Lisboa, acaba hoje. Para poderem votar tem que ter feito previamente o registo no site.

“Bike boxes” são um bem não-essencial, embora útil. “Ciclovias e pistas cicláveis” passo, não são uma boa aposta em termos de investimento vs. rentabilidade, e muitas vezes gastam o dinheiro e fazem uma merda qualquer inútil, ou no mínimo fútil. “Zonas 30″, tenho pouca fé que conseguissem implementar aquilo e “Estacionamento para bicicletas” seria fixe, mas a CML não percebe muito daquilo e/ou não se interessa verdadeiramente (gastar dinheiro e depois continuar a não ter um sítio decente para deixar a bicicleta, mais vale estar quieto). “Requalificação” disto e daquilo, sem pormenores é difícil escolher, e não tenho grande confiança na capacidade de fornecerem bons resultados. A Calçada da Carriche seria uma excepção porque é impossível seja o que for que façam lá não melhorar aquele horror. As Hortas são uma aposta estratégica, são mais vitais no ecossistema da cidade e têm mais valias económicas para quem delas usufrui do que um simples jardim.

As carências são demasiadas para os votos e para o orçamento. É difícil escolher, prioritizar…