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“UM DIA POR LISBOA - Fazer e Não Fazer: Cada vez mais casas, Cada vez menos gente”

Fui ao último, sobre a cidade e o rio, gostava de ir a este de amanhã, mas não devo conseguir. :-(

Das 18h à 01h, no Teatro S. Luís (que não tem estacionamento para bicicletas, mas dobráveis podem entrar e ficar numa espécie de bengaleiro, e que tem a estação de Metro do Chiado logo ali). Terá 3 painéis, cheio de “personalidades”:

18h - 19h30 - O despovoamento da cidade de Lisboa e a dispersão metropolitana
19h30 - 20h30 - Construção vs. reabilitação
21h - 22h - Imobiliário e direitos adquiridos vs. interesse público
22h - 23h - Debate institucional

Recomendo vivamente.

Obrigada, Mário, pelo lembrete. ;-)

Great depression

É impressão minha ou há uma nuvem gigante negra e pesada a começar a pairar por cima de nós, tugas?…

Everywhere I look, people are gloomy, going nuts, edgy. É a crise, é a crise, vamos todos passar fome e comer-nos uns aos outros no desespero das vacas magras.

O meu pai só me diz que isto anda tudo fodido da cabeça. As pessoas, as empresas, tudo disfuncional. A mãe do Bruno, que também lida com várias empresas, diz que parece que o país está fechado para obras. Em casa o discurso é de catástrofe e de prepararmo-nos para o pior, inclusive ir plantar batatas para a terrinha. Não há emprego, não há consumo, as empresas e as pessoas retraem-se de investir, de consumir, de viver, tudo à espera que a crise passe (e assim, inadvertidamente, tornando-a ainda pior).

Está tudo na merda e é difícil não nos deixarmos contaminar com esta depressão e psicose colectiva. Ainda há pouco o meu pai me falava no cenário negro traçado pelo Expresso de hoje (que ainda não tive oportunidade de ler), e como isto está tão mau ou pior como na altura antes de Portugal se juntar à CEE, em 1986…

Claro que isto não está assim nestes tons só em Portugal, mas talvez se não tivéssemos gente mal-formada, atrasada, incompetente e corrupta a desgovernar o país na política e nos grandes grupos económicos, isto tivesse melhor aspecto…

E depois ter que aturar políticos a dizer que vão “experimentar dizer a verdade”… Olha, obrigadinha!!

Um país em que duas pessoas a trabalhar na mesma empresa podem ganhar ordenados obscenamente díspares como o top ganhar 30 a 40 vezes mais que o bottom… (havendo exemplos de 50, 70 ou mais de 200 vezes mais!!!). Quando o desejável seria 6 a 8… Que raio de sociedade é que isto reflecte? Que pesadelo de sociedade é que isto vai desenvolver?… Será que ninguém vê que isto está doente? Desequilibrado?

Um tipo ou uma empresa muito muito rica é como uma pessoa morbidamente obesa. Isso já é mau por si só, mas se essa pessoa obesa viver numa comunidade com mais 9 morbidamente obesos, uns 30 tipos com um IMC normal e depois 60 desgraçados subnutridos… That tells you something, doesn’t it?

O lucro deve ser usado para alavancar coisas que se toda a gente ganhasse sempre apenas o suficiente para as suas necessidades “normais” não haveria maneira de criar. Investigação científica, novos produtos e serviços que sirvam para melhorar a vida das pessoas, etc. Não deveria servir para ser acumulado por indivíduos e entidades que por sua vez acumulam McMansions, SUVs, jactos particulares, etc, etc, etc. Esses 10 gajos morbidamente obesos só seriam aceites face à desnutrição dos outros 60 se se estivessem a preparar para uma expedição qualquer em busca de mais fontes de comida, abrigo, whatever, para a comunidade, para a qual tivessem que acumular reservas.

*sigh*

Mais do que com medo “da crise” e das minhas já parcas expectativas de futuro sairem goradas, estou farta de ninguém me deixar sonhar um pouco e manter-me à tona da água, pelo menos. Família, media, tudo nos traça cenários negros. Assim uma pessoa nem tem já força para tentar melhorar as coisas e perseverar. Chiça.

Yeah, this banana got the blues. Dark-storm-like blues.

A falácia dos biocombustíveis como solução mágica e verde para a crise energética

[Pensava que tinha publicado isto, weird... Atrasado, mas aqui fica.]

Não ando com tempo para grandes dissertações, pelo que me limito a partilhar isto, que achei interessante.

Este artigo porque nunca me tinha lembrado disso, de a terra para cultivo de alimentos também ser cobiçada e usada para cultivo de outras coisas, umas mais importantes que outras (ex.: roupa vs. tabaco):

«A crise alimentar e as limitações à agricultura»

Este porque perpetua a falácia: mesmo que não se usem culturas alimentares, exerce-se uma pressão brutal sobre a terra/agricultores para que se produzam culturas destinadas à produção de combustível automóvel… Logo, os agricultores passam a cultivar aquilo que dá mais dinheiro e abandonam o cultivo de bens alimentares…

«Fome que não dá em fartura»

Entretanto, a verdadeira solução vai sendo lentamente asfixiada… Literalmente, com tanto carro que para aí anda…

«Os comboios já não passam aqui»

Vigília por um país decente

Esta cena da CRIL é o exemplo acabado da razão pela qual este país é uma merda. Os ricos são uns fdp que destroem tudo e depois vão viver para a Quinta do Lago ou outro local verdejante, calmo e bonito.

Dá vontade de emigrar para Marte or something.

Façamos todos de conta que é pela Selecção e participemos em massa na vigília amanhã às 19h30 em Belém. Boa? Eu ainda estarei working a essa hora. :-(

[Via]

A new world livable city

Why not here too? Why, why, WHY, for fuck’s sake?!?!

Porque será que as pessoas com poder neste país têm tomates para roubar e desperdiçar mas não têm para isto?…

E-Mobility e Flexis

Amanhã, 27 de Março, vai decorrer nos Paços do Concelho de Odivelas, a partir das 9h, o Seminário Final em Portugal de apresentação dos sub-projectos E-Mobility e Flexis, no âmbito da Operação Quadro Regional – MARE, iniciativa comunitária INTERREG IIIC:

Esta operação visa melhorar a eficácia das politicas e dos instrumentos de desenvolvimento regional através de troca de informação e partilha de experiências e boas práticas em torno do termo Mobilidade e Acessibilidade Metropolitana, com vista à criação e desenvolvimento de uma estratégia integrada de mobilidade, que assegure a qualidade de vida e contribua para o desenvolvimento sustentável em cada região participante. Participam os Municípios de Odivelas, Loures e Barreiro, INTELI – Inteligência e Inovação, Centro de Inovação, em parceria com outros participantes de Espanha e Itália.

[Fonte: Nova Odivelas]

Isto está relacionado com o MobQua, são sub-projectos do mesmo projecto europeu.

Teorias dissidentes do ‘Aquecimento Global’

Eu não duvido da existência, impacto e relevância das alterações climáticas em curso, e concordo totalmente com a urgência em introduzir resuisitos de eficiência energética e respeito ambiental em todas as actividades humanas. Mas há que ouvir as vozes discordantes ou aquelas que nos alertam para coisas que correm o risco de nos passar ao lado. Por isso achei interessantes os artigos publicados no Expresso, uma entrevista a um investigador português, João Corte-Real, e outro na Sábado, uma entrevista a Bjorn Lomborg, o director do Centro de Consenso de Copenhaga:

"Debate a quente" - Parte 1"Debate a quente" - Parte 2

"O aquecimento global é um conto de fadas" - Parte 1"O aquecimento global é um conto de fadas" - Parte 2

Outro dissidente é o José Delgado Domingos, professor do IST. Deste último ainda não tive tempo de ver as apresentações e ouvir o podcast da apresentação, mas lembro-me de ler algo dele sobre as alterações climáticas numa revista.

Workshop “Livro Verde Para uma Nova Cultura de Mobilidade Urbana”

Fui a este workshop no passado dia 13 de Fevereiro. Decorreu no CCB e foi organizado pelo IMTT (um novo instituto que incorporou as antigas DGV e DGTTF). Na verdade não foi um workshop, foi mais uma conferência…

Aquilo foi dividido em 7 temas:

1 - Vilas e cidades descongestionadas
2 - Vilas e cidades mais verdes
3 - Transportes urbanos mais inteligentes
4 - Transportes urbanos mais acessíveis
5 - Transportes urbanos seguros
6 - Criação de uma nova cultura de mobilidade urbana
7 - Recursos financeiros

De manhã decorreram em paralelo 4 sessões, cada uma dedicada a um dos 4 primeiros temas. Foi-me difícil escolher, queria ir a todas, mas tendo que optar, escolhi o tema 4.

Workshop IMTT: Livro Verde para uma Nova Cultura de Mobilidade

Teoricamente, os temas 5 e 6 seriam tratados transversalmente em todas as sessões. De tarde seria discutido o tema 7, na última sessão do dia.

Workshop IMTT: Livro Verde para uma Nova Cultura de MobilidadeWorkshop IMTT: Livro Verde para uma Nova Cultura de Mobilidade

Na verdade, o tema 5 foi “esquecido”. Pelo menos nas sessões em que participei (4 e 7)… Foi neste tema que vi o parágrafo que me “indignou”:

009/365 || 13 Fevereiro 2008

A propósito do “comportamento mais prudente”:

Para aumentar a consciencialização dos cidadãos sobre o seu comportamento na estrada, há que dar prioridade a campanhas de educação e informação. Sugere-se a organização de campanhas de segurança e de iniciativas especiais de formação dos jovens e a consagração de uma das próximas jornadas europeias de segurança rodoviária às zonas urbanas. As partes interessadas sugeriram também que se fomentasse o comportamento prudente dos ciclistas, promovendo, por exemplo, a utilização de capacetes em toda a Europa ou a investigação sobre desenhos de capacetes mais ergonómicos. A aplicação mais severa do código da estrada é igualmente essencial para todos os motociclistas, condutores de ciclomotores e ciclistas. As partes interessadas sugeriram que a UE apoiasse actividades de vulgarização de dispositivos de controlo activo nas vilas e cidades para todos os utentes da estrada.

A melhor sugestão para um comportamento mais prudente por parte dos ciclistas é que estes usem capacete?!… Eu pensava que o mais importante, relevante e urgente fosse ensiná-los a circular na estrada em segurança, e ensinar os outros utentes da estrada a respeitá-los e a agir de forma a não colocar em risco a sua segurança…

E depois consideram ainda igualmente essencial a aplicação mais severa do código da estrada justamente aos elementos mais fracos da “cadeia alimentar rodoviária” e aos que estão mais vulneráveis aos erros cometidos por eles próprios e por todos os outros utilizadores da estrada… Eu pensava que urgente e essencial era aplicar o CE mais severamente aos condutores de máquinas de várias toneladas, homicidas e fazedores de caos urbano em potência…

Fquei a saber também que «em 2005, morreram nas estradas da UE 41 600 pessoas», estando «ainda muito longe o objectivo comum de 25 000 acidentes mortais por ano até 2010». Há que ser realista, mas estes objectivos são um bocado sinistros. :-P

Esperava deste workshop algo mais como a sessão participativa do campus verde, na FCT, ou a da Agenda XXI Local de Oeiras, mas não, foi muito tradicional e pouco interactiva…

Aprendi algumas coisas, mas foi mais interessante por ter lá encontrado algumas pessoas conhecidas do que outra coisa. Infelizmente, as minhas social skills ainda me inibem muito e sou incapaz de ir e meter conversa facilmente seja com quem for, ainda mais se não as conheço já… :-(

De qualquer modo, o que me chateia nisto é que estou farta de ir a conferências e afins nos últimos anos e nada muda. Falam bem mas não fazem nada. O problema é sempre outro, quem tem poder é sempre outro. E assim vamos, estagnados e atrasados… Estou farta de conversa de chacha, quero fazer alguma coisa, quero encontros e reuniões de realização e não de exposição e desfile de vedetas e bons fatos e currículos.

Provavelmente para inglês ver, mas os contributos para a discussão pública deste Livro Verde Para uma Nova Cultura de Mobilidade Urbana são bem-vindos e podem ser enviados por e-mail ou colocados directamente no site do Livro Verde no IMTT, em cada uma das secções/temas.

Mensagens subliminares

O paradigma da supremacia do automóvel revela-se nos mais inesperados (or not) detalhes:

Maldito mindset, bolas!

O passeio já é pequeno, adivinhem onde colocaram os aparelhos de controlo de passagem de automóveis no Bairro Alto?…

Perspectivas díspares do mesmo problema e do mesmo evento

Comparem isto com isto. Alguns remarks breves (os bolds são meus):

Na opinião de Madalena Castro, “a decisão em matérias desta natureza deve depender também do conhecimento directo do terreno, pois só assim as políticas de proximidade, e particularmente a política de transportes, servirão o cidadão”.

Nota-se o conhecimento que os decisores autárquicos têm do “terreno”, uma pessoa percebe logo que eles têm imeeeeeeeensa experiência a circular de transportes públicos, a pé ou de bicicleta por Oeiras…

Recorde-se que o seminário “Melhor Mobilidade, Melhor Oeiras” foi promovido pela Oeinerge – Agência Municipal de Energia e Ambiente de Oeiras em parceria com a Câmara Municipal e visou sensibilizar autarquias, empresas e público em geral para a importância da gestão da mobilidade a nível local, concretamente através de acções que permitam melhorar a qualidade de vida.

Pffff! Viu-se o esforço de sensibilização na divulgação que o evento teve junto das massas, a afluência estrondosa de “público em geral” e “empresas” e no interesse demonstrado em ouvir o “público em geral” que se dignou assistir àquilo e ainda se deu ao trabalho de (tentar) participar activamente na discussão.

Para além de um enquadramento da temática, com a apresentação pública dos resultados do ‘Estudo de Mobilidade e Acessibilidades de Oeiras’, com a divulgação do ‘Serviço Combus’ e com o lançamento do ‘Consultório de Mobilidade, Energia e Ambiente’, o seminário constituiu-se como um espaço de debate e discussão acerca da temática dos transportes e da mobilidade sustentável.

lol Grande debate, sim senhor. A democracia participativa no seu melhor.

Assinale-se que a apresentação pública de projectos e iniciativas que caracterizam as políticas locais ligadas à mobilidade sustentável em Oeiras tem ocorrido, anualmente, no âmbito da Semana Europeia da Mobilidade.

Claro, para apresentar trabalho em dia solene, para europeu ver.

Conversas sobre bici cultura & política

Hoje, a partir das 16h, em Lisboa. A manter-se, a chuva deve cancelar os bike smoothies planeados, mas o resto está confirmado. :-(

Remember, remember, the 5th of November…

[Via]

País insustentável, intolerável

Na 5ª-feira passada, 22 de Novembro, fomos a Lisboa, ao lançamento do livro “País (In)sustentável“, da Luísa Schmidt, no Teatro S. Luiz (again!).

Não sabia do livro, foi através de um blog or something que soube disto, praí na véspera, e decidi ir. Leio a coluna da autora no Expresso desde que me lembro, gostei de ver aqueles documentários «Portugal – Um Retrato Ambiental», e tenho-a em boa conta, no geral. Bom, àparte de ela no final do último “Um Dia Por Lisboa” ter dado convites para o lançamento do livro a pessoas com quem nós estávamos a conversar mas não a nós, à nossa frente. Na altura não sabia o que era, agora já sei. Enfim, também não tem importância, foi só um pormenor. :-P

Nunca tinha ido ao lançamento de um livro, e fui mais para saber como era. Posso comprar o livro noutro sítio qualquer. Afinal ali era mais barato uns 5 € e aproveitei o desconto. ;-)

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Não, no final não fui “falar com a autora”, nem pedir um autógrafo. O que iria dizer? “Ah, gosto muito do seu trabalho.” Ou outros clichés do género? Eu não conheço a mulher! E não sei fazer conversa, já sabem. :-P E também não fomos petiscar depois, afinal, não fomos convidados. lol

Foi uma viagem multimodal: carro + bicicleta para lá, bicicleta + Metro + carro para cá.

No Metro

Já tenho bastante experiência de utilização da Mobiky com o Metro e há cenas que me lixam o juízo. Porque é que a política de mobilidade e acessibilidade não é uniforme em TODAS as estações? Numas há elevadores, noutras não…

No elevador do Metro de Lisboa

Numas vêem-se placas para esses mesmos elevadores, noutras andamos feitos parvos a tentar vê-las. Numas há escadas rolantes além das escadas normais.

Nas escadas rolantes do Metro de Lisboa

Noutras só há escadas normais. Noutras há escadas rolantes mas só nalguns troços das escadas normais, ou só nalgumas entradas… F***-se! Uma pessoa tem que saber à partida que estações vai usar para se certificar de que consegue entrar e/ou sair de lá (assumindo que já as conhece). Isto admite-se? Para mim isto apenas me rouba tempo e torna a minha viagem mais cansativa, quando não habia nexexidade. Pego na bicicleta e lá subo ou desço as escadas. Claro que ao fim de 4 ou 5 ou 6 vezes em que tive que a carregar (quando ela está preparada para eu a levar a rolar ao meu lado!) já começo a questionar a minha opção de ter optado ou pela bicicleta ou pelo Metro. Geralmente quem perde é o Metro porque ou vou o caminho todo de bicicleta ou substituo o Metro pelo carro… (Hey Metropolitano de Lisboa, take a damn HINT!!). Mas e se for uma pessoa com um miúdo num carrinho? Ou uma pessoa em cadeira-de-rodas? Ou um idoso ou outra pessoa com mobilidade algo limitada/condicionada? Porque é que estas pessoas não se vêem no Metro em grande quantidade? Hein? Talvez porque o Metro não serve as suas necessidades. Por isso ou ficam em casa (muitos dos deficientes) ou compram um carro e usam-no intensivamente quer queiram quer não, quer gostem quer não, quer o consigam sustentar quer não (famílias com filhos)!! A sério, isto revolta-me. E sinto-me impotente e é uma sensação horrível. E gostava de ter energia e combater o conformismo e lutar, fazer alguma coisa mais útil que postar fotos das asneiras deste país e blogá-las. Aaargh! :-(

No site deles: “Aconselhamos as pessoas de mobilidade reduzida a viajarem acompanhadas.” No shit!! Claro, elas precisam de alguém que as ajude a localizar os elevadores, quando existam, ou que vá “chamar alguém” para inventar ou lhes indicar uma maneira de saírem dali. Ora, todos os utentes do Metro (ou de qualquer outro transporte público), se pagam o mesmo que toda a gente pelo bilhete, deveriam ter condições para usar os serviços de uma forma independente e fluida. Se eu não posso chegar e sair dos cais de embarque de forma autónoma e rápida, sem ter que esperar e perder tempo a pedir ajuda e a usar infrastruturas “especiais” ou condicionadas, mais vale comprar um carro, porra!! Como está, seria mais justo colocarem nas entradas das estações sinais e dizer “se traz carrinhos ou cadeiras-de-rodas, esqueça, isto não serve para si. Apanhe um táxi, vá a pé ou desista”. Os transportes públicos não podem ser uma não-escolha dos seus utentes, não podem ser o último recurso, porque assim só vão atrair os que não têm dinheiro para comprar e manter um carro, ou andar de táxi. Os transportes públicos têm que atrair utentes porque são melhores alternativas do que ir de carro, ou a pé ou de bicicleta (e não devido à falta de condições dignas para estes modos!).

*sigh*

Aquilo começou às 18h e já era de noite quando íamos para lá (chegámos uns 15 ou 20 minutos atrasados). Passámos pela ciclovia do Campo Grande para fugir aos carros, mas a ciclovia não tem iluminação absolutamente nenhuma, e está toda cheia de caruma e folhas, além de rachas e outros danos no piso.

Na ciclovia ÀS ESCURAS do Campo Grande

Há iluminação nas vias do lado esquerdo e do lado direito, destinadas aos carros (e às bicicletas cujos condutores não temam pela vida a circular num local multi-faixas e onde as latas andam a velocidades MUITO acima dos 50 km/h legais…), que têm luz própria para dar e vender, mas a ciclovia pode ficar às escuras para ser insegura pela infrastrutura e pelo ambiente propício a assaltos… Mas alguém percebe este povo?

Para lá, íamos a descer a Av. Fontes Pereira de Melo e estava fila, hora de ponta. Houve uma gaja que tinha um problema qualquer com bicicletas e então “ultrapassava-nos” para se tentar meter à nossa frente. Atenção, estava tudo parado, muitos carros, semáforos uns atrás dos outros. Qual era a necessidade? Tipo, parece que se pica de estarmos à frente dela, e não pode ser. Ela não nos apitou, simplesmente teve uma atitude imbecil, o que ainda não é crime, infelizmente. :-P A primeira vez que me fez aquilo, passou-me rente (mesmo que a baixa velocidade), para parar 50 cm à minha frente, dei-lhe uma Airzoundzada logo. :-P Adoro, o pessoal nunca está à espera de uma buzinadela de um ciclista, muito menos de uma tipo camião vinda de uma mini-bicicleta como a Mobiky. lolol Ao menos sempre me vou divertindo com estas pequenas desgraças inconsequentes do trânsito. :-D Bom, ela continuou a fazer aquilo a seguir, mas já não passou perto… ;-)

No dia seguinte, 6ª-feira, voltei a Lx, e meti-me em novas aventuras. :-P Logo blogo sobre as minhas peripécias, quando der. ;-)

Um dia por Lisboa

No passado dia 12 de Novembro eu e o Bruno fomos ao Teatro S. Luiz, em Lisboa, no Chiado, a propósito do “Um Dia por Lisboa: O Tejo e tudo”. Foi muito interessante.

Um dia por Lisboa: "O Tejo e tudo"

Estivémos lá desde as 18h30 até à meia-noite e meia, o pior foi depois das 22h, em que tivémos que ficar em pé porque já não havia cadeiras livres (desocupámos as nossas pra ir jantar um double cheeseburger no caminho).

Independentemente do que se abordou lá, fiquei com uma sensação muito boa de comunidade. Ali estiveram umas 500 pessoas ao longo daquelas 6 horas, e teve a participação de pessoas em cargos políticos e técnicos elevados. Não teve o feeling das conferências convencionais, parecia mais uma conversa de igual para igual numa praça pública. Não houve muito debate / diálogo com o “povo”, primeiro falaram os técnicos, depois os políticos, e umas amostras do público.

Um dia por Lisboa: "O Tejo e tudo"Um dia por Lisboa: "O Tejo e tudo"

Mas comparado com o resto, foi excelente. Senti que talvez o país esteja a mudar, a mentalidade (de alguns, pelo menos), a relação com a política e com quem a faz. Nota-se um esforço de intervenção, de discussão, de intimação a prestar contas do que se pretende fazer, do que se está a fazer, do que se fez. Foi estranho ver pessoas que vemos nos media assim ao perto, como se fossem pessoas “normais”. :-P

Um dia por Lisboa: "O Tejo e tudo"

Talvez o país não esteja realmente a mudar, talvez tudo continue na mesma, mas naquele dia, naquele local, senti-me bem com Lisboa, com esperança.

Vindos do Cais do Sodré, passámos por uma bicicleta holandesa (literalmente, Gazelle), estacionada encostada a uma parede.

Bicicleta holandesa estacionada em Lisboa, durante a noite

Tinha bom aspecto e perguntámo-nos onde estaria o seu dono. No regresso, já depois da meia-noite, a bicicleta continuava lá.

Bicicleta holandesa estacionada em Lisboa, durante a noite

Sim, eu sei, desculpem lá a mania de pôr bicicletas em tudo, mas não consigo evitar fotografá-las e depois tenho que as mostrar, não é? ;-)

Right…

Então é suposto passarmos por onde?...