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«Elevemos o concelho de Oeiras ao nível do seu potencial»

O Carlos Filipe Maia, Editor da revista 30Dias, da CMO, teve a amabilidade de me convidar para escrever uma crónica para a rubrica “Marginália”. Isto mesmo conhecendo o meu “estilo”. :-) O resultado foi uma oportunidade que agarrei com todos os dedos, para falar do que falta a Oeiras: walkability…. Quê, pensavam que ia falar de bicicletas, não? :-P Não, o andar a pé e tudo o que isso implica, reflecte e provoca, é MUITO mais importante que a bicicleta. Isso vem, naturalmente, depois.

O PDF está aqui.

Gostam da foto? Implicou tirar várias fotos, em 3 dias seguidos. Ora a luz sucked, os carros não ficaram no sítio certo, o vento era tanto que o cabelo ficava no ar, etc, etc. :-P Escolhi esta foto porque é numa paragem de autocarros emblemática daquilo a que me refiro no texto. E não faltam outras do género por aí. Também tem a vantagem de não ter que se ver muito bem a minha cara, lol! Já me basta o andar de bicicleta para me tirar da minha mui estimada invisibilidade. ;-)

Porto Salvo a precisar de ser salvo

Abriu hoje oficialmente um novo hipermercado em Oeiras, mais concretamente numa zona em Porto Salvo, entre o Casal da Choca, o Bairro dos Navegantes e Talaíde.

Isto devia ser proibido por lei

É a maior loja / posto de venda do Grupo retalhista “Os Mosqueteiros” em Portugal. Numa área bruta de 12.3 mil m2, há uma galeria comercial com 3 hipermercados: Intermarché, Bricomarché e Roady, e mais 10 outras lojas. Inclui ainda um parque de estacionamento para 650 automóveis. O investimento total foi de 20 milhões de euros, e diz-se criar 150 postos de trabalho.

Estes 150 novos empregos talvez cubram os que serão extintos no comércio de rua. Não culpo só os Mosqueteiros por isto, contudo. A culpa é dos próprios comerciantes, que muitas vezes param no tempo, não inovam, não se unem para melhorar as suas ruas e comunidades (e, logo, os seus negócios). A Rua do Comércio está tão atravancada de carros que há lojas que eu nem sabia que estavam ali porque estão tapadas pelos carros.

IMGP9872.JPG

E a culpa é das Juntas de Freguesia e das Câmaras Municipais, que deixam o espaço público degradar-se, tornando o comércio de rua, local, pouco apelativo, ao mesmo tempo que permitem coisas como este novo hiper-hipermercado.

Talvez não haja 650 automóveis no Casal da Choca, ou em Talaíde, ou no Bairro dos Navegantes. Estas ruas locais, residenciais, já são usadas às horas de ponta como atalhos para fugir às artérias principais (Estrada de Talaíde/Estrada de Leião e Variante à Estrada Nacional 249), aumentando o ruído, a poluição e a insegurança de quem cá vive e de quem cá circula. Os miúdos que vivem no Bairro dos Navegantes vão a pé para a escola de Talaíde (onde eu também andei). Hoje em dia é uma estrada oficial, alcatroada. No meu tempo era uma cena tortuosa em terra batida, lama no Inverno. Continua sem ter um passeio, ou sequer berma alcatroada (fizeram um passeio arborizado a ligar o Bairro dos Navegantes à Rua Lopo Soares de Albergaria, a estrada cá em cima, para as pessoas chegarem à paragem dos autocarros, mas ficou por aí). Afinal, que se fodam os peões, que se fodam as crianças que não são levadas à escola de carro pelos pais que depois estacionam em cima dos passeios e passadeiras (debaixo do nariz da “Escola Segura”…) para que os seus filhos (flores de estufa que não sabem e não podem andar na rua) não corram riscos, afinal, a estrada, a rua, é perigosa, está cheia de pais das outras crianças.

Será que a Câmara Municipal de Oeiras também vai pagar um autocarro para servir este hiper, como faz com o Oeiras Parque?

Por onde circularão os 5000 ou mais automóveis (650 lugares, umas 14 horas diárias de funcionamento, uma estadia média de 2 horas…) que este hiper atrairá? Por onde circularão as carrinhas e camiões que alimentarão este centro comercial? Só há 2 vias: Casal da Choca e Porto Salvo, e Talaíde -> Cascais ou Talaíde -> Porto Salvo, Cacém ou Barcarena.

What the fuck?!...

Ah, pois é, que se fodam as pessoas.

A zona do Casal da Choca e do Bairro Auto-Construção tem génese ilegal (depois regulamentada), e muitas das ruas não têm lugares de estacionamento definidos, e os passeios são estreitos.

Pai & filha

A qualidade do piso é geralmente boa. Toda esta zona precisa de ser reordenada. Os passeios precisam de ser alargados, arranjados, arborizados/ajardinados (uns bancos aqui e ali, e uns bebedouros seriam úteis) e protegidos. Actualmente as pessoas estacionam total ou parcialmente em cima dos passeios existentes.

Que se lixem os peões

As paragens de autocarros precisam de ser tornadas mais people-friendly. Há que estudar as necessidades de estacionamento e acautelar as essenciais (cargas e descargas, estacionamento de curta duração junto ao comércio e afins, etc). A maior parte das casas – moradias – tem garagem. Pode é haver mais carros do que lugares na garagem… A CMO pode criar zonas de estacionamento nos espaços vagos para os carros excedentes, a um determinado preço. Depois há que ver o espaço que sobra e redefinir os sentidos de trânsito, dada a largura das ruas, para acautelar espaço de circulação pedonal decente muitas ruas teriam que ser tornadas de sentido único. Isto, a par da implementação de zonas 30 poderia servir também para tornar pouco apelativa a fuga ao trânsito por estas ruas interiores.

A Câmara ou a Junta podia financiar autocarros escolares para as crianças que vêm de mais longe, e promover os pedibus dentro da Freguesia (acabam por existir intrinsecamente no caso dos miúdos do Bairro dos Navegantes, dado o número dos mesmos e a proximidade do Bairro). Se têm dinheiro para financiar autocarros para levar as pessoas para o hipermercado, quando elas têm alternativa local, também têm dinheiro para financiar autocarros para levar as crianças para a escola – estas não têm alternativa “local”.

Claro que isto sou eu a sonhar.

No programa eleitoral do Isaltino Morais, que ganhou novamente a Câmara de Oeiras, na secção “mobilidade” há 11 tópicos relacionados com vias rodoviárias (1 dos quais ciclovias), e 3 relacionados com transportes públicos colectivos.

Na secção “estacionamento”, pretendem criar mais 7800 lugares de estacionamento automóvel para residentes. Não dizem se é pago ou não, e se pretendem servir as necessidades de estacionamento do 1º, 2º, 3º ou 4º automóveis de cada agregado familiar… Nem uma palavra sobre estacionamento de motos e bicicletas.

Ora vejam se também detectam aqui alguma esquizofrenia (os bolds são meus)

O congestionamento progressivo das vias que estabelecem as ligações regionais e que integram a Rede Supra Concelhia (vias de elevada capacidade de transporte), a Auto-Estrada A5, a Marginal, a E.N.117, o I.C.17–CRIL e pelo I.C. 19, empurra os utilizadores do transporte individual para procurarem soluções alternativas de fluidez, através da Rede Viária Municipal, que atenuem esses estrangulamentos.

As soluções para a melhoria da mobilidade devem, pois, centrar-se em dois domínios estratégicos: a melhoria das acessibilidades no sistema viário e a criação de uma rede eficaz de transportes colectivos.

Oeiras apresenta-se hoje como um território de características eminentemente urbanas, podendo verificar-se a existência dos denominados períodos de ponta da manhã e da tarde, devidamente confinados, que se traduzem numa maior afluência de tráfego rodoviário e em alguns casos atrasos no atravessamento das intersecções.

Estas deslocações, centradas no transporte individual, têm custos sociais e ambientais significativos e, para além de se transformarem numa fonte de ineficiência na afectação de recursos e perdas de tempo, são uma fonte de degradação ambiental.

Esta redução de eficiência tem por base não só os volumes de tráfego nos períodos de ponta, na rede interna dos aglomerados e na rede regional, mas também o desempenho das próprias intersecções em alguns casos desajustadas.

A eliminação ou a atenuação dos estrangulamentos viários favorece a afectação de recursos mas não é, por si só, uma medida que faça diminuir os impactos ambientais.

Os objectivos que a este nível se alcançarão procuram uma opção combinada que terá necessariamente que se traduzir em novas soluções de reordenamento, de modo a capacitarem a rede viária para a absorção do tráfego gerado e, sobretudo, a aposta mais forte, centrar-se-á na construção de uma rede de transportes colectivos em sítio próprio, devidamente hierarquizada e que abranja todo o Concelho, de forma a garantir um melhor serviço, sobretudo ao nível das velocidades de circulação, tornando o Transporte Colectivo mais competitivo relativamente ao Transporte Individual.

Engraçado, reconhecem o impacto ambiental e a ineficiência associados ao transporte em automóvel, e a necessidade de apostar no transporte público colectivo. Mas depois afirmam que a solução está em ajustar a rede viária ao tráfego gerado, isto é, à procura (muita gente a andar de carro), pelo que há que alargar estradas e nós, e construir mais estradas, ignorando totalmente o paradoxo de Jevons, algo que podemos ver todos os dias: a Estrada de Leião, que atravessa Porto Salvo, está quase ao mesmo nível de congestionamento à hora de ponta que estava antes da construção da variante, pelo que agora continuamos sem poder sair de casa, mas temos menos dinheiro público (gasto na variante), mais barulho, mais poluição, etc, etc.

Por outro lado, defendem a melhoria dos transportes públicos colectivos, e pretendem apostar em modos com canais próprios (ex.: comboios, eléctricos, etc) para melhorar a velocidade comercial dos mesmos e, assim, torná-los competitivos com o automóvel. O mesmo automóvel cuja expansão em número de utilizadores e velocidade de circulação eles pretendem promover com tanta obra rodoviária. Parecem achar que melhorar a eficiência do sistema NÃO vai induzir mais utilizadores na rede rodoviária, mas que no caso dos transportes públicos um aumento de eficiência já tem esse poder de atrair mais utilizadores. Esquecem-se que se aumentam a eficiência dos dois concorrentes, fica tudo na mesma. É caso para pensar, então se mais estradas não vão aumentar o número de carros e até vão melhorar a experiência dos que já lá andam, quem irá utilizar os novos transportes públicos? Pela lógica, os novos aderentes aos TP seriam pessoas que antes andariam de carro e que se viraram para os TP porque estes oferecem melhor serviço, o curso natural das coisas se não se tentasse melhorar a eficiência da rede rodoviária e deixasse o caos seguir o seu caminho, quem sabe até dar alguma ajuda (e observando depois o efeito da Evaporação de Tráfego). Mas dado que não é o caso, como é que o TP em canal próprio, que implica investimentos avultados e pouca ou nenhuma flexibilidade no ajuste das rotas, numa zona suburbana (pouco densa), será competitivo com o automóvel, em que o condutor tem toda a liberdade e flexibilidade de ajustar os seus percursos e horários, e a rede viária é continuamente expandida para tentar oferecer-lhe velocidades de circulação inalteradas pelo crescente congestionamento/utilização automóvel?… Como é que as pessoas chegam ao TP em canal próprio? A pé? De bicicleta? De autocarro? Ou de carro?…

Há uns tempos que ando a resmungar que devia fazer alguma coisa, tinha umas ideias para pôr Porto Salvo (and beyond) no mapa do activismo e participação cívica, para mostrar alternativas, apontar problemas e sugerir soluções. Queria tornar Porto Salvo um sítio mais vivo, mais verde, mais amigo das pessoas, mais próspero e interessante. Depois lembro-me que não tenho tempo. Já tenho outros projectos adormecidos e como é que quero meter-me em mais um? E depois ponho-me a fazer estas coisas quando devia estar a trabalhar para ganhar a vida, ou então a descansar e a vivê-la, em vez de estar feita parva a tentar salvar um mundo que parece que não quer ser salvo.

*sigh*

Queria ganhar o Euromilhões, assim já podia trabalhar nestas coisas que ninguém paga, sem ter que me preocupar com de onde virá o dinheiro para viver. Mas não, geralmente isso sai a pessoas que querem essencialmente comprar casas, carros, e passar a vida de férias. :-P

Engraçado que, muitas vezes queixo-me de viver aqui no meio do nada, nem dá vontade de sair para ir à mercearia, etc, é tudo “longe”. E agora plantam-me um mega-hipermercado ao lado. Posso ir de bicicleta que nem há quase subidas (hell, I could walk there, com um trolley de compras e tal), mas não sei porquê duvido que haja estacionamento para bicicletas…

Well, let the hell begin…

Autárquicas em Lx – Debate: “Que Lugar para o Peão em Lisboa?”

Debate: Que Lugar para o Peão em Lisboa

É já esta 4ª-feira, dia 30 de Setembro, às 18h no Cinema S. Jorge, que se vai discutir com 4 dos principais candidatos à Câmara Municipal as condições dos peões em Lisboa.

Convidados:

* Nunes da Silva, professor catedrático do IST, especialista em mobilidade e que ocupa o 8º lugar à Câmara na candidatura “Unir Lisboa / PS

* António Carlos Monteiro, Deputado à AR pelo CDS-PP no distrito de Lisboa, foi Presidente da EMEL entre 2002 e 2005 e foi ainda Vereador da CML com o pelouro do Transito e do Espaço Público. Ocupa o 4º lugar na candidatura à Câmara pela lista “Lisboa com Sentido

* Carlos Moura, Engenheiro do Ambiente, Ex-Dirigente da Quercus e 4º candidato à Câmara pelas listas da CDU

* Heitor de Sousa, Economista na Carris, Deputado Municipal em Lisboa e recém eleito Deputado à AR pelo BE no distrito de Leiria. É o nº2 à lista da Assembleia Municipal pelo BE

Moderador: o jornalista José Vitor Malheiros.

QUEM DEVE APARECER?

Toda a gente, salvo talvez os acamados. :-) Quem anda a pé, basicamente, quem sai à rua.

Isso inclui quem também anda de carro, de bicicleta, ou de transportes públicos. Inclui os pais com filhos pequenos a transportar em carrinhos, inclui todas as pessoas com mobilidade condicionada (idosos, doentes, deficientes, etc), inclui os viajantes com as suas malas com rodinhas, e inclui os “compradores” com os seus trolleys, e inclui quem se preocupa com eles, os seus familiares, amigos e colegas.

Devem ainda aparecer os comerciantes e os operadores de transportes públicos, pois são dois grupos fortemente afectados pelas condições de acessibilidade pedonal que, a existirem e a serem boas, potenciam fortemente as suas actividades e o seu sucesso comercial e social.

Apareçam, convidem amigos, e ajudem a DIVULGAR!

O Passeio Livre está na rede!

Postem, retweetem, e-mailem, facebookem, whatever! :-)

Aqui fica a papinha toda feita, é só copiar este código em html e publicar:

<p><a href="http://passeiolivre.blogspot.com/2009/09/passeio-livre-em-debate.html"><img src="http://profile.ak.fbcdn.net/object3/578/1/n135713988405_6703.jpg" align="left" alt="Debate: Que Lugar para o Peão em Lisboa" /></a></p>

<p>É já<a href="http://passeiolivre.blogspot.com/2009/09/passeio-livre-em-debate.html"> esta 4ª-feira, dia <strong>30 de Setembro</strong>, às <strong>18h</strong> no <strong>Cinema S. Jorge</strong>, que se vai discutir com os principais candidatos à Câmara Municipal as condições dos peões em Lisboa</a>.</p>

<p><strong>Convidados:</strong></p>

<p>* <strong>Nunes da Silva</strong>, professor catedrático do IST, especialista em mobilidade e que ocupa o 8º lugar à Câmara na candidatura “<strong>Unir Lisboa / PS</strong>”</p>
<p>* <strong>António Carlos Monteiro</strong>, Deputado à AR pelo CDS-PP no distrito de Lisboa, foi Presidente da EMEL entre 2002 e 2005 e foi ainda Vereador da CML com o pelouro do Transito e do Espaço Público. Ocupa o 4º lugar na candidatura à Câmara pela lista “<strong>Lisboa com Sentido</strong>”</p>
<p>* <strong>Carlos Moura</strong>, Engenheiro do Ambiente, Ex-Dirigente da Quercus e 4º candidato à Câmara pelas listas da <strong>CDU</strong></p>
<p>* <strong>Heitor de Sousa</strong>, Economista na Carris, Deputado Municipal em Lisboa e recém eleito Deputado à AR pelo BE no distrito de Leiria. É o nº2 à lista da Assembleia Municipal pelo <strong>BE</p>

<p><strong>Moderador</strong>: o jornalista José Vitor Malheiros.</p>

<p><strong>QUEM DEVE APARECER?</strong></p>

<p>Toda a gente, salvo talvez os acamados. :-) Quem anda a pé, basicamente, quem sai à rua.

<p>Isso inclui quem também anda de carro, de bicicleta, ou de transportes públicos. Inclui os pais com filhos pequenos a transportar em carrinhos, inclui todas as pessoas com mobilidade condicionada (idosos, doentes, deficientes, etc), inclui os viajantes com as suas malas com rodinhas, e inclui os "compradores" com os seus <em>trolleys</em>, e inclui quem se preocupa com eles, os seus familiares, amigos e colegas.</p>

<p>Devem ainda aparecer os <strong>comerciantes</strong> e os <strong>operadores de transportes públicos</strong>, pois são dois grupos fortemente afectados pelas condições de acessibilidade pedonal que, a existirem e a serem boas, potenciam fortemente as suas actividades e o seu sucesso comercial e social.</p>

<p><strong>Apareçam, convidem amigos, e ajudem a DIVULGAR!</strong></p>

<p>O <strong>Passeio Livre</strong> está na rede!</p>

<ul> <li><a href="http://passeiolivre.blogspot.com">Blog</a> (o anúncio do Debate está <a href="http://passeiolivre.blogspot.com/2009/09/passeio-livre-em-debate.html">aqui</a>)</li>
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<li><a href="http://twitter.com/passeiolivre">Twitter</a></li></ul>

<p><em>Postem</em>, <em>retweetem</em>, <em>e-mailem</em>, <em>facebookem</em>, whatever! :-) </p>

«Problems facing disabled in Holland»

Estamos a anos-luz.

Bloqueios mentais

Por que é que as pessoas acham justo taxar um mesmo uso do mesmo espaço público de formas diferentes consoante esse uso seja feito por uma pessoa que mora ali em oposição a uma pessoa que mora mais longe?

Isto é, por que é que é regra achar que se eu morar em determinada rua tenho direito a ocupar parte dessa mesma rua (que é pública, logo, para acesso e usufruto meu e de todos os outros) com o meu carro (mas não com um barco, ou uma roulote, ou uma pequena casa de jardim ou mesmo de bonecas) sem ter que pagar taxas nenhumas, mas se eu morar a 10 km de distância e usar o carro para me deslocar a essa rua para ir a uma loja, a uma empresa, ou visitar alguém, e lá estacionar o carro exactamente da mesma forma, já é justo que pague. Ou seja, o tipo que mora lá num sítio sem garagem (ou lugares suficientes nela) e tem um carro à mesma, pode ocupar gratuitamente o espaço público sem nenhuma contrapartida para os seus vizinhos e demais contribuintes que mantêm a rua, já o tipo que precisa de um sítio para estacionar porque foi de carro até lá e deu negócio (a.k.a. contribuiu com impostos) à freguesia tem que pagar esse mesmo espaço público que para o tipo que vive na rua é de borla.

Será que ninguém percebe que isto não faz sentido e introduz desigualdades e injustiças no sistema?

Entretanto, (mais) um belo exemplo da má gestão pública:

Para evitar que os motoristas estacionassem em cima dos passeios, impedindo ou dificultando a vida dos peões, impedem ou dificultam a vida dos peões tornando-os barreiras arquitectónicas. Bravo!

Enfim…

Formação contínua

Vou fazer este Curso sobre Mobilidade e Acessibilidade Sustentáveis da LPN em que o Mário é o formador. Um must! :-) É que sabem que as palestras e afins não dão credenciais, muitas nem certificados de presença, pelo que frequentar umas sessões num formato “educativo” mais académico poderá ser bom em termos de validação e maior desenvolvimento das coisas que tenho vindo a estudar empirica e informalmente. E 15 horas de formação por 120 € dadas por uma pessoa deste nível não é uma oportunidade que me dê ao luxo de não aproveitar! Ainda há vagas, se é um tema que vos interessa, inscrevam-se!

Agora, o plano de mobilidade para isto?…

Era fixe ir de bicicleta (aproximação com o “walking” do GoogleMaps):


View Larger Map

13 km, 2h30 a pé, o que dará praí uns 45 min de bicicleta?…
A lembrar os dias em que fui de bicicleta para a FCUL e para o INETI. :-)

Mas fazê-lo por aquelas zonas em horário tão tardio não me agrada, pelo que na 5ª e 6ª feiras devo ir de carro. Mas talvez no sábado me possa vingar! :-)

E vai mais um mailzinho

A propósito disto (e disto) e, a par das minhas experiências e observações como utilizadora dos serviços da CP, resolvi fazer mais um pouco de activismo de sofá, e enviei há pouco o seguinte e-mail pelo formulário online deles (espero que tenha funcionado, deu um ecrã branco quando carreguei em “enviar”…):

Bom dia,

Escrevo para procurar saber se as 36 novas unidades anunciadas para a linha de Cascais (http://www.cenasapedal.com/blog/2009/02/23/1341) serão aproveitadas como uma oportunidade de disponibilizar 1 carruagem por composição preparada para passageiros com necessidades especiais, de mobilidade/acessibilidade ao nível da locomoção e/ou do transporte de bens. Ex.: pessoas em cadeiras de rodas, famílias com carrinhos de bebé, velocípedes, pranchas de surf, etc. Refiro-me a carruagens preparadas para os acomodar (estruturas de suporte e retenção de bicicletas), bancos rebatíveis, espaço de manobra para entrar, circular e sair das carruagens, etc.

Gostaria ainda de saber para quando está prevista a acessibilidade “universal” em toda a rede da CP, urbana e regional. Penso que esta lacuna no serviço da CP deixa de fora vários segmentos da população que poderiam ser seus clientes, com benefícios próprios para estes, para a CP, bem como para a sociedade em geral, caso pudessem depender do comboio para as deslocações quotidianas utilitárias (trabalho, outros afazeres e compromissos) e lúdicas (passeios ao fim-de-semana, férias, etc).

De notar que, no que concerne especificamente ao transporte de bicicletas e outros volumes do género, não me refiro a um serviço forçosamente gratuito, embora em situações favoráveis (horas ou trajectos de baixa ocupação) tal possa constituir-se como uma estratégia comercial inteligente.

Aguardarei uma resposta da vossa parte.

Grata pela atenção.

Cumprimentos,

Ramblings

Há bocado peguei na bicicleta e fui ali a baixo ao Bairro comprar algumas coisas para reabastecer ligeiramente a despensa. Nada de especial, apenas 2 sacos cheios. Não tenho alternativa que não estacionar a bicicleta no já magro passeio (longitudinalmente, claro) presa a um sinal de trânsito. Estava ali naquela pequena e atafulhada mercearia a pensar quanto tempo esta e outras mercearias (e cafés, papelarias, talhos, peixaria, etc) naquela rua (chamada mesmo “Rua do Comércio”) sobreviverão depois do Intermarché que estão actualmente a construir aqui em cima à minha beira, abrir.

O trânsito à minha porta ficará muito pior, mais uma machadada na paz e no sossego, após o alcatroamento da estrada que liga a Talaíde (e que deu jeito, sem dúvida). Haverá concerteza mais movimento na zona, principalmente de carros, pois os acessos pedonais são sempre esquecidos (todos os dias dezenas e dezenas de miúdos caminham por esta estrada até à escola, na estrada (recente, alguns anos) sem passeio nem berma. Não prevejo nenhuma súbita mudança de política por parte da Câmara, pelo que assumo que a construção de uma superfície comercial não traga alterações a nível de acessibilidade não-motorizada…

Com um super (hiper?) mercado aqui, concerteza com ampla oferta de estacionamento gratuito para automóveis, presumo que o pequeno comércio ali do centro do Bairro, já literalmente tapado por todos os automóveis que ladeiam as ruas e ocupam os passeios, sofrerá um revés. Há lojas naquela rua que eu só “descobri” que existiam recentemente, pois raramente passo lá a pé, ou passo de carro ou de bicicleta, e os carros estacionados não deixam perceber o que há na rua… Sim, claro que a minha personalidade e o meu estilo de vida também contribuem, but still

Há uns dias que ando a pensar em algo para fazer aqui. À la Streetfilms, uma “reparação urbana“. Mas além de não ter os meios (political skills) tenho a certeza de que mal se mencionasse “tirar daqui os carros e limitar o estacionamento a poucos lugares e de curta duração” comerciantes e moradores linchar-me-iam. Mas era o que esta zona precisava, remover os carros, alargar e reperfilar os passeios, colocar bancos de jardim, estacionamentos para bicicletas, canteiros. Haver espaço para circular livre e facilmente a pé, ter hipótese de ver as montras. Será mais fácil de ver isso quando os últimos resistentes estiverem em risco de fechar portas?…

Mas para onde iriam os carros? Há demasiados. Algumas pessoas têm mais carros do que espaço em garagem ou quintal. A dependência do carro leva muita pessoas a pegar neles para andar 500 metros (not kidding), de casa até ao café ou até ao ginásio.

Estas pessoas não pagam para guardar os seus carros na rua. Pagamos todos nós. E o preço é não termos árvores, canteiros ou jardins nas ruas, e nem sequer passeios. É preferirmos pegar no carro (ou na bicicleta, no meu caso) e ir mais longe para onde é mais fácil estacionar o carro (ou a bicicleta) durante 15 ou 30 minutos.

É um paradigma que tem que ser mudado mas não sei como, sem ser com um preço do combustível proibitivo que leve as pessoas a serem obrigadas a reduzir o número de carros e a frequência com que os usam. E depois caberia às Câmaras Municipais cobrar pelo uso do espaço público, como deveriam, mas nelas trabalham pessoas que vivem no mesmo paradigma, e quem tem tomates para afrontar os habitantes e os comerciantes assim? Era preciso ter um plano integrado e coerente, e coragem política. Era preciso um Peñalosa ou um Lerner.

A propósito, há tempos soube que o Jaime Lerner iria estar cá em Portugal, iria falar nas Jornadas de Energia de Cascais.Para o lado do sentido Lisboa-Cascais, só escadas! Claro que não podia perder tal oportunidade, e inscrevi-me (sou uma papa-freebies!). Levei o Bruno comigo. :-) Fomos de bicicleta até Oeiras (tudo smooth), depois apanhámos e comboio até ao Estoril. Quando lá chegámos tivemos que levar as bicicletas às costas (de notar que a minha, p.e., deve pesar uns 23 kg…) para descer as escadas, quem vem na direcção de Lisboa para Cascais não tem outra maneira de descer (a não ser que nos tenha escapado algo :-) ).

Ah e tal, energia, ambiente, sustentabilidade, mas não há bike racks!Claro que o Congresso do Estoril não tem bike racks (embora numa outra passagem por ali tenha visto pilaretes e postes usados como racks ali em frente, junto ao Casino). Já se sabe que em Portugal isto é tudo blá blá blá, “a sustentabilidade”, e “o ambiente”, e “mudar hábitos”, yadayadayada. Depois de falar com as raparigas da recepção do evento, falei com o segurança (que entretanto já estava cá fora a mirar as Xtracycle, eheheh), e ele foi simpático e deixou que estacionassemos as bicicletas lá dentro, deixámo-las num canto, presas uma à outra, just in case.

Macário CorreiaChegámos a tempo de assistir à apresentação do Macário Correia, que mandou umas bocas certeiras aos atrasos, e, finalmente, à do Jaime Lerner. Jaime LernerThis is the stuff I’m talking about. Carisma, obra feita, bom orador e bons slides. Engaging. Inspiring. Digam-me onde é que temos em Portugal alguém que possa vir apresentar algo remotamente semelhante ao que o Lerner e o Peñalosa fizeram nas suas cidades. Não, nós cá é só politiquices, jogos, esquemas, não se vê boldness acompanhada de competência, criatividade, isso vê-se nestas conferências, os políticos só falam do que se tem que fazer, dos bons exemplos, patatti patatá. Uma pessoa adormece. E depois andam ali às voltas no discurso, nos pseudo-debates desenrolam novelos que às tantas já nem sabemos qual era a pergunta e tentamos a custo descortinar para onde segue aquela linha (tortuosa) de raciocínio.

Porra, pá.

Apanhei em vídeo estes dois momentos reveladores da personagem Jaime Lerner. Enjoy:

Mais fotos aqui.

Quando voltámos (só fui lá mesmo por causa do Jaime Lerner, viémos embora no intervalo para almoço), fotografámos os acessos à estação.

Rampa de acesso à Estação de comboios do Estoril Deste lado temos escadas + rampa, é só escolher

Para o lado Norte da estação de comboios, deste lado da linha, podemos passar ou por cima, usando as passadeiras e os semáforos, ou podemos passar pela passagem subterrânea, há uma rampa e uma escadaria deste lado (do Casino e assim) e outra do outro lado.

O túnel Rampa ou escada para o lado do sentido Cascais-Lisboa

Estranha e incompreensivelmente, o acesso à margem Sul da estação só tem acesso a partir deste túnel por uma escada. Não há rampa, pelo que conseguimos apurar. À ida tivemos, assim, mais sorte, levámos as bicicletas a rolar pela rampa. :-)

Rampa de acesso ao lado Norte da Estação do Estoril Bicicletas estacionadas junto ao quiosque-bar

Cá em cima vimos duas bikes estacionadas presas às grades dos canteiros. :-) Lá apanhámos depois o comboio de volta a Oeiras. Em Carcavelos vimos imensas (tipo cerca de 15) bicicletas estacionadas junto à estação, presas ao que houvesse livre. :-D A CP can’t seem to take a hint, it looks. Sad, sad, sad…

Bicicletas no comboio MONTES de bicicletas estacionadas na rua junto à estação de Carcavelos!

Quando saímos em Oeiras, vimos algumas bikes estacionadas na rack do lado Norte (as do lado Sul são mais concorridas). E reparei numa com uma cadeirinha de criança sui generis. Nunca tinha visto tal modelo/conceito. Era de montar à frente, mas não no quadro, estava montada sobre a roda dianteira. Além disso tinha um mecanismo que transformava a cadeira num cesto para bagagem quando não havia puto nenhum para transportar. Muito fixe mesmo!

Bikes estacionadas na rack do lado Norte Unsusual child carrier

The Walker and the City – O Peão e a Cidade – Colóquio Internacional

Organizado pela ACA-M, o Mestrado em Risco, Trauma e Sociedade - ISCTE, PQN-COST Action 358 e a Fundação Friedrich Ebert

Dia 12 de Novembro das 9.45h às 18.00h.

O encontro fortuito entre cidadãos anónimos é a pedra de toque da vida urbana. Os espaços exteriores de atracção de gente são o garante da interacção entre gerações, classes sociais e comunidades, e de construção da “coisa pública”.

Por toda a Europa, as preocupações ambientais e energéticas, associadas a novas exigências de qualidade na vivência urbana, têm contudo promovido visíveis alterações nos paradigmas ideológicos que balizam o discurso e a prática da gestão urbana.

O presente Colóquio procura reflectir, numa perspectiva comparada e a nível europeu, sobre essa categoria funcional da mobilidade urbana, tão ubíqua e estigmatizada que é o “peão”. Para tal, foram convocados especialistas europeus de reconhecido mérito em áreas tão diversas como a engenharia de transportes, o urbanismo e as ciências sociais.

No contexto deste Colóquio Internacional, é também promovida uma Mesa Redonda juntando investigadores e organizações da sociedade civil portuguesa, onde se procurará fazer uma avaliação da situação da pedonalidade em Portugal.

No final do Colóquio será lançado o livro de Aymeric Bôle-Richard, Pedonalidade no Largo do Rato: Micro-poderes. Uma edição ACA-M.

PROGRAMA

The Walker and the City – O Peão e a Cidade
Dia 12 de Novembro 2008
Goethe-Institut Portugal

Campo dos Mártires da Pátria, 37
1169-016 Lisboa

9:45h – Recepção e registo
10:00h – Abertura: Presidente do ISCTE
10:10h – Apresentação do Programa: Reinhard Nauman (FES), Manuel João Ramos e Mário José Alves, coordenadores da Acção COST em Portugal.
10:20h – Melhor mobilidade com menos automóveisHeiner Monheim (Universidade de Trier, Alemanha)
10:40h – Andar, tempo e espaço público: percepções, políticas e perspectivasDaniel Sauter (Urban Mobility Research, Suíça)
11:00h – Debate
11:20h – Intervalo para café
11:40h – Comodidade e segurança dos peões na Europa: passado e futuroNicole Muhlrad (INRETS, França)
12:00h – Necessidades de qualidade para peões (Pedestrian Quality Needs)Rob Methorst (Coordenador da Acção COST-PQN, DVS-CTN, Holanda)
12:20h – Debate
13:00h – Intervalo
14:30h – Mesa RedondaSociedade Civil: Estudos, participação e conflito…
15:40h – Uma abordagem etnográfica à Rambla del Raval: espaço (público?) e peões.Gerard Horta (Universidade de Barcelona, Espanha)
16:00h – Debate
16:30h – Intervalo para café
16:50h – O sistema de gestão de acesso de Londres (LAMS) e o estado do andar a pé.Jim Walker (The Access Company, Reino Unido)
17:10h – Peões: cidadãos de segunda?Ralf Risser (Universidade de Lund, Suécia)
17:10h – Debate
18:00h – Lançamento do novo livro editado pela ACA-M: Pedonalidade no Largo do Rato: micro-poderes, de Aymeric Bôle Richard.

Inscrições (GRATUITAS): Fundação Friedrich Ebert, Tel. 213573375, Fax 213573422, mail: info@feslisbon.org

Com o apoio de: European Cooperation in the field of Scientific and Technical Research, Goethe-Institut Portugal, Instituto da Mobilidade e dos Transportes Terrestres IP, Câmara Municipal de Lisboa, Carris.

Nota: Quando me inscrevi (junto da Feslisbon) perguntei se tinham estacionamento (ou outro local onde se pudesse estacionar) para bicicletas, pois bicicleta+comboio é a minha primeira opção de mobilidade para ir a isto. Reencaminharam-me para o local do colóquio, telefonei, mais tarde enviaram-me um mail a dizer que «por motivo de espaço, não é possível parquear as bicicletas no Goethe-Institut». :-( Entretanto, vi que aqui divulgaram o evento com mais info, nomeadamente acerca das opções de mobilidade. Vamos torcer para que os senhores do parque para carros sejam tão fixes como outros têm sido. :-)

Site oficial do Colóquio aqui.

Oeiras mais atrás

Na 5ª-feira passei pelo novo Centro de Saúde de Paço de Arcos, ia buscar uns exames (mas só depois de lá entrar me lembrei que tinha sido atendida ali mas as análises tinham sido feitas no CS de Oeiras). A zona de parque de estacionamento ainda estava em obras, mas quase terminada.

Novo Centro de Saúde de Paço de Arcos

Fui de bicicleta e constatei que não havia lugar oficial para ela (nem para motas, diga-se de passagem). Isto não é uma obra feita há 20 anos, foi feita hoje. Não é admissível. Ainda cheguei eu a ir perder tempo para sessões de participação pública da Agenda XXI Local

Oeiras mais atrás Parque de estacionamento p/ carros no novo CS de Paço de Arcos Estes tipos projectam para o passado... Business as usual

No regresso do CS de Oeiras, e a caminho de outro centro de exames, desta vez para levantar um raio-X, passei pela estação de comboios de Oeiras, onde aproveitei para fotografar mais uma vez o novo suporte para estacionamento de bicicletas:

Design & usability how-not-to

E porquê? Porque exemplifica alguns dos defeitos destas estruturas. Não permitem prender o quadro da bicicleta com um U-lock, e se só tivermos 1 cadeado, só podemos prender a roda, o que pode dar nisto:

Exemplo 2 em 1

Esta foto ilustra também outro problema, a incapacidade destas estruturas de acomodarem bicicletas com travões de disco (cada vez mais comuns). Embora nem todos os dobra-rodas tenham este problema em particular (exemplo aqui).

Na presença de um mau design, muitos utilizadores optam por não usar as estruturas, ou usá-las de forma diferente do suposto. Neste caso, o ciclista usou o suporte como se fosse um U invertido:

Dobra-rodas usado como um U invertido

Finalmente, não pude resistir a perder mais uns instantes e experimentar colocar lá a minha bicicleta. Resultado:

Um dobra-rodas que também dobra raios...

Ainda o pneu não tinha chegado ao fundo, ficando apoiado à frente e atrás no suporte em baixo, já os ferros em cima estavam a comprimir os raios… Claro que eu não deixaria ali a minha bicicleta. Será assim tão difícil fazer as coisas como deve de ser? *sigh*…

E será pedir muito esperar estacionamentos cobertos nos interfaces? Se até põem árvores para dar sombra aos carros, alardeando “mais estacionamento para carros (ao preço da chuva) = mais qualidade de vida”, será assim tão descabido pedir um pouco mais de cuidado e consideração para quem requer 10 vezes menos investimento e espaço?…

Oeiras e as suas não-soluções

Ao voltar para casa, em direcção a Porto Salvo, passei pelo Oeiras Parque, para ver se encontrava uma cena no Continente. Não encontrei, mas aproveitei a viagem para re-abastecer ligeiramente a despensa. São as vantagens de andar com uma Xtracycle, a capacidade de carga está lá sempre, sem nos apercebermos sequer. :-)

A X é para os imprevistos

Deixei a bicicleta à entrada do Continente, o meu spot habitual. No entanto, ao voltar à estrada não resisti a parar e subir para uma zona em frente à entrada principal para tirar uma foto:

Entrada principal do Oeiras Parque

Havia 2 bicicletas e 2 motas estacionadas em cima do passeio presas ao gradeamento. À direita vemos os desgraçados que andam de transportes públicos, sem abrigo do sol e da chuva e sem bancos para se sentarem, enquanto que quem vai de carro tem centenas de lugares de estacionamento coberto, iluminado e gratuito. À esquerda vêm-se alguns dos carros estacionados numa zona de proibição de parar e estacionar (percebo o estacionar, mas se não se pode parar não sei para que serve aquela via…).

Antes de chegar ao OP, vim em contramão por uma estrada que ladeia o Parque dos Poetas e tirei esta foto:

A paisagem em mudança...

À esquerda têm o IZI (que, a propósito, não tem estacionamento para bicicletas…). Foi construído num ápice. Devem ter agradado bastante ao sr. 10 %… Neste preciso local estava o único sítio verdejante da zona. Foi arrasado e agora só há betão. À direita vê-se a linha do SATUO, que supostamente terá continuidade. Mas se agora está ali o IZI, fico sem saber por onde é que aquilo irá passar. Duas grandes superfícies que podiam muito bem ser ligadas por uma ponte pedonal/ciclável. Mas não, estamos em Oeiras, onde se espera que para andar 200 metros usemos o carro…

As últimas duas fotos da viagem, junto à rotunda das oliveiras, na saída da A5 em Porto Salvo / Paço de Arcos:

Fuck the pedestrians Oeiras cada vez mais atrás

Neste local, como em dezenas (ou centenas) de outros espalhados pelo concelho de Oeiras, os fluxos, a mobilidade e a acessibilidade pedonal foi esquecida. Quando não é simplesmente esquecida é até dificultada ou impedida. Mas hey!, o munícípio ganhou um prémio de mobilidade/acessibilidade e tudo!!

Isto já diz muito do resto do país...

Não há pachorra para isto, pá, a sério que não…

Lisboa: esta cidade está a morrer com uma imensidão de pequenos e grandes AVCs – está bloqueada e entupida

Há uns meses fui a Lisboa tratar de um assunto ali perto de Entrecampos. Fui durante a tarde, o que me impossibilitou de fazer: bicicleta + comboio + bicicleta, como me tinha apetecido, porque para ir, tudo bem, mas para voltar já não dava para trazer a bicicleta no comboio… Fui então de carro + bicicleta dobrável. Conduzi até ali na zona do Alto dos Moinhos e estacionei – havia muitos lugares, e gratuitos. Mas depois surgiu a dúvida: como raio passo daqui para ali (junto da Universidade Católica), se não posso passar pela Av. Lusíada? Não me pareceu ter passeio, pelo menos do lado da estrada onde eu estava. Desci, acabei por ir apanhar o Metro nas Laranjeiras e,… enfim, foi uma tarde estúpida em termos de acessos e mobilidade, nem vale a pena recordar… No regresso, saí na estação da Cidade Universitária ou do Campo Grande, não me recordo bem. E vim a pedalar pela estrada entre o Hospital Santa Maria e o campo desportivo da Cidade Universitária. Chego aos semáforos, sigo pela estrada, novos semáforos e aqui ponho-me no passeio e atravesso numa passadeira junto à mesquita. E sigo por ali, há uma estrada paralela à Av. Lusíada para onde se pode entrar para aceder à tal mesquita.

Desvio para os automóveis acederem à Mesquita
(vista de baixo)

Chego ao fim, há um stop, e acaba o passeio. Mas descobri, satisfeita, que o viaduto contempla uma passagem para peões, alcatroada. :-) E sigo por ali a pedalar na minha fiel Mobiky.

Início do passeio sobre o viaduto da Av. Lusíada

Passo em frente à Loja do Cidadão e vejo uma bike estacionada à porta. :-)

Bicicleta à porta da Loja do Cidadão, nas Laranjeiras

É fixe haver o passeio mas a manutenção do mesmo não existe. Comparem a limpeza da estrada dos carros com a das pessoas:

Estado de limpeza da estrada Estado de limpeza (NOT!) do passeio...

A Av. Lusíada é a maneira mais directa de ligar o Campo Grande ao Alto dos Moinhos (zona do Media Markt e assim). Mas só contempla os automóveis, não há vias para peões! Agora digam-me como é isto possível? E Lisboa está cheia de situações destas. E Oeiras! Isto é uma injustiça social. E um erro in so many ways

A meio do viaduto cruzei-me com outra pessoa. Mas quase chegada ao fim, começo a indagar-me se aquilo será mesmo um passeio… Afinal, está a começar a afunilar…

Passeio (?) no viaduto da Av. Lusíada Ho oh...

Reparem na (já escassa) largura da via antes de começar o afunilamento e depois de o mesmo se instalar:

Largura antes de começar a afunilar Já afunilado...

E a coisa começa a ficar mesmo complicada…

É este o respeito que a CML tem pelas pessoas, pelos peões

Mas olho para os lados e para o carros há 3 faixas em cada sentido à minha esquerda, duas à direita, e montes de espaço de estacionamento…

Moooontes de espaço para os carros pararem, estacionarem ou circularem... Agora é suposto o peão teletransportar-se para o outro lado

E depois, a machadada final. E agora? Salto? Teletransporto-me?

E agora, salto ou não salto?São sempre reconfortantes as surpresas que esta cidade nos reserva

Não podiam ter feito isto menos hostil, não? Yup, é um degrau e uma rampa

Mesmo depois de saltar, fico muito vulnerável no meio de um saída de uma estrada muito movimentada, e sem passadeira, nem passagem aérea ou o que seja, para atravessar em segurança para o outro lado… Se no início do viaduto houvesse um aviso, ok, agora andar aquilo tudo a pensar que há continuidade na estrutura viária pedonal e depois deparar-me com esta triste realidade,… *sigh*

Quando o espaço público apresenta este nível de qualidade, conforto, segurança, eficiência, é apenas compreensível que os ricos construam condomínios privados que recriem o que o exterior deixou de oferecer. A mania dos mega-centros comerciais que recriam as zonas de comércio tradicional, com as suas ruazinhas e praças e dos condomínios fechados com jardim, sossego e segurança onde se possam deixar as crianças brincar é uma reacção ao espaço urbano hostil que as cidades oferecem cá fora…

Hospital dos Lusíadas

Tudo para os carros, nada ou muito pouco para os peões e similares…

Espaço em excesso para os carros estacionarem (raros são os que são assim tão longos...) Como querer que as pessoas não levem o carro para chegar a um local a menos de 500 mts de distância?

Como convencer as pessoas a não usarem o carro para chegarem a locais a apenas 500 metros de distância?…

Os carros têm estradas e espaços para estacionamento à larga.

Espaço para os peões circularem vs. espaço para os carros circularem + espaço para os carros estacionarem...

Os peões não têm direito a larguezas.

Espaço reservado aos peõesLargura do passeio = comprimento da Mobiky

E o pouco espaço que lhes é dado ainda é local de eleição para plantar coisas, na maior parte das vezes dedicada aos automobilistas, como sinais de trânsito, semáforos, parquímetros, etc.

Não podiam ter posto o poste ao lado do passeio, tinha mesmo que ser em cima

E são sempre mais uma opção para estacionar o carrinho…

É preciso ter lata...

Os políticos deveriam ser obrigados por lei a deslocar-se de transportes públicos, a pé e de bicicleta, só podendo usar o carro em 20 % do tempo, para que não permitissem que se construíssem cidades assim: absurdas.

Acho muito bem!

Oportunidade de negócio: serviço de acompanhantes de pessoas em cadeiras-de-rodas que fossem abrindo caminho com métodos destes… :-P

Activismo d-eficiente

O José Lima, um Eng. Electrónico que trabalhava no sector dos elevadores e que ficou paraplégico há 10 anos devido a um acidente de trabalho, iniciou em Agosto deste ano uma viagem de 788 km pelas estradas nacionais, numa cadeira de rodas transformada em handcycle, para chamar a atenção para os problemas de falta de acessibilidade dos espaços e serviços públicos e de descriminação no mercado de trabalho (está desempregado há 3 anos).


[Reportagem emitida na RTP, no dia 28/11/2007.]

A descriminação no emprego é algo que não compreendo, se o trabalho for “de secretária”, que diferença faz se a pessoa anda de cadeira-de-rodas ou não? A falta de acessibilidade e mobilidade destas pessoas é algo que eu não consigo perceber nem aceitar. É ultrajante. E pior ainda é ouvir as pessoas clamar pelo Estado, quando as pessoas, os cidadãos e as empresas têm responsabilidade nisto. Têm o poder de tomar a iniciativa de fazer as coisas bem, independentemente do Estado e das suas leis, Nós podemos fazer melhor do que a lei nos pede. Claro que dava jeito que as “autoridades” não nos cortassem as pernas nem dificultassem estas iniciativas. Tipo as Câmaras Municipais…

Mas quem faz isto a 30 % da população são os outros 70 %, nos seus cargos no Estado, em empresas grandes, pequenas e micro, e no seu dia-a-dia. Não nos iludamos, somos nós, primeiro que tudo, que perpetuamos esta vergonha. Nós, a nossa família, os nossos amigos. E é por aí que a mudança virá, se vier…

País insustentável, intolerável

Na 5ª-feira passada, 22 de Novembro, fomos a Lisboa, ao lançamento do livro “País (In)sustentável“, da Luísa Schmidt, no Teatro S. Luiz (again!).

Não sabia do livro, foi através de um blog or something que soube disto, praí na véspera, e decidi ir. Leio a coluna da autora no Expresso desde que me lembro, gostei de ver aqueles documentários «Portugal – Um Retrato Ambiental», e tenho-a em boa conta, no geral. Bom, àparte de ela no final do último “Um Dia Por Lisboa” ter dado convites para o lançamento do livro a pessoas com quem nós estávamos a conversar mas não a nós, à nossa frente. Na altura não sabia o que era, agora já sei. Enfim, também não tem importância, foi só um pormenor. :-P

Nunca tinha ido ao lançamento de um livro, e fui mais para saber como era. Posso comprar o livro noutro sítio qualquer. Afinal ali era mais barato uns 5 € e aproveitei o desconto. ;-)

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Não, no final não fui “falar com a autora”, nem pedir um autógrafo. O que iria dizer? “Ah, gosto muito do seu trabalho.” Ou outros clichés do género? Eu não conheço a mulher! E não sei fazer conversa, já sabem. :-P E também não fomos petiscar depois, afinal, não fomos convidados. lol

Foi uma viagem multimodal: carro + bicicleta para lá, bicicleta + Metro + carro para cá.

No Metro

Já tenho bastante experiência de utilização da Mobiky com o Metro e há cenas que me lixam o juízo. Porque é que a política de mobilidade e acessibilidade não é uniforme em TODAS as estações? Numas há elevadores, noutras não…

No elevador do Metro de Lisboa

Numas vêem-se placas para esses mesmos elevadores, noutras andamos feitos parvos a tentar vê-las. Numas há escadas rolantes além das escadas normais.

Nas escadas rolantes do Metro de Lisboa

Noutras só há escadas normais. Noutras há escadas rolantes mas só nalguns troços das escadas normais, ou só nalgumas entradas… F***-se! Uma pessoa tem que saber à partida que estações vai usar para se certificar de que consegue entrar e/ou sair de lá (assumindo que já as conhece). Isto admite-se? Para mim isto apenas me rouba tempo e torna a minha viagem mais cansativa, quando não habia nexexidade. Pego na bicicleta e lá subo ou desço as escadas. Claro que ao fim de 4 ou 5 ou 6 vezes em que tive que a carregar (quando ela está preparada para eu a levar a rolar ao meu lado!) já começo a questionar a minha opção de ter optado ou pela bicicleta ou pelo Metro. Geralmente quem perde é o Metro porque ou vou o caminho todo de bicicleta ou substituo o Metro pelo carro… (Hey Metropolitano de Lisboa, take a damn HINT!!). Mas e se for uma pessoa com um miúdo num carrinho? Ou uma pessoa em cadeira-de-rodas? Ou um idoso ou outra pessoa com mobilidade algo limitada/condicionada? Porque é que estas pessoas não se vêem no Metro em grande quantidade? Hein? Talvez porque o Metro não serve as suas necessidades. Por isso ou ficam em casa (muitos dos deficientes) ou compram um carro e usam-no intensivamente quer queiram quer não, quer gostem quer não, quer o consigam sustentar quer não (famílias com filhos)!! A sério, isto revolta-me. E sinto-me impotente e é uma sensação horrível. E gostava de ter energia e combater o conformismo e lutar, fazer alguma coisa mais útil que postar fotos das asneiras deste país e blogá-las. Aaargh! :-(

No site deles: “Aconselhamos as pessoas de mobilidade reduzida a viajarem acompanhadas.” No shit!! Claro, elas precisam de alguém que as ajude a localizar os elevadores, quando existam, ou que vá “chamar alguém” para inventar ou lhes indicar uma maneira de saírem dali. Ora, todos os utentes do Metro (ou de qualquer outro transporte público), se pagam o mesmo que toda a gente pelo bilhete, deveriam ter condições para usar os serviços de uma forma independente e fluida. Se eu não posso chegar e sair dos cais de embarque de forma autónoma e rápida, sem ter que esperar e perder tempo a pedir ajuda e a usar infrastruturas “especiais” ou condicionadas, mais vale comprar um carro, porra!! Como está, seria mais justo colocarem nas entradas das estações sinais e dizer “se traz carrinhos ou cadeiras-de-rodas, esqueça, isto não serve para si. Apanhe um táxi, vá a pé ou desista”. Os transportes públicos não podem ser uma não-escolha dos seus utentes, não podem ser o último recurso, porque assim só vão atrair os que não têm dinheiro para comprar e manter um carro, ou andar de táxi. Os transportes públicos têm que atrair utentes porque são melhores alternativas do que ir de carro, ou a pé ou de bicicleta (e não devido à falta de condições dignas para estes modos!).

*sigh*

Aquilo começou às 18h e já era de noite quando íamos para lá (chegámos uns 15 ou 20 minutos atrasados). Passámos pela ciclovia do Campo Grande para fugir aos carros, mas a ciclovia não tem iluminação absolutamente nenhuma, e está toda cheia de caruma e folhas, além de rachas e outros danos no piso.

Na ciclovia ÀS ESCURAS do Campo Grande

Há iluminação nas vias do lado esquerdo e do lado direito, destinadas aos carros (e às bicicletas cujos condutores não temam pela vida a circular num local multi-faixas e onde as latas andam a velocidades MUITO acima dos 50 km/h legais…), que têm luz própria para dar e vender, mas a ciclovia pode ficar às escuras para ser insegura pela infrastrutura e pelo ambiente propício a assaltos… Mas alguém percebe este povo?

Para lá, íamos a descer a Av. Fontes Pereira de Melo e estava fila, hora de ponta. Houve uma gaja que tinha um problema qualquer com bicicletas e então “ultrapassava-nos” para se tentar meter à nossa frente. Atenção, estava tudo parado, muitos carros, semáforos uns atrás dos outros. Qual era a necessidade? Tipo, parece que se pica de estarmos à frente dela, e não pode ser. Ela não nos apitou, simplesmente teve uma atitude imbecil, o que ainda não é crime, infelizmente. :-P A primeira vez que me fez aquilo, passou-me rente (mesmo que a baixa velocidade), para parar 50 cm à minha frente, dei-lhe uma Airzoundzada logo. :-P Adoro, o pessoal nunca está à espera de uma buzinadela de um ciclista, muito menos de uma tipo camião vinda de uma mini-bicicleta como a Mobiky. lolol Ao menos sempre me vou divertindo com estas pequenas desgraças inconsequentes do trânsito. :-D Bom, ela continuou a fazer aquilo a seguir, mas já não passou perto… ;-)

No dia seguinte, 6ª-feira, voltei a Lx, e meti-me em novas aventuras. :-P Logo blogo sobre as minhas peripécias, quando der. ;-)

Eventos sobre mobilidade em Setembro: o de dia 23

Já ao fim da manhã fomos a correr até ao jardim do Casino Estoril ver a cena dos acessórios para transformar cadeiras-de-rodas em handcycles, anunciada no programa da CMCascais. Não vimos nada. :-( Perguntámos a um senhor que estava lá com um posto de Bicas e ele disse que não viu nada disso ali. Banhada…

Enfim, ainda fomos a tempo de ter um glimpse do que é a Marginal Ciclável:

Marginal CiclávelMarginal CiclávelMarginal Ciclável

A faixa da direita já estava quase a ser reaberta ao trânsito automóvel, mas mesmo assim ainda vimos várias pessoas a passar de bicicleta, pelo que presumo que a iniciativa tenha tido uma adesão siginificativa. Só acho que 30 km/h de limite para os automóveis é excessiva e desnecessariamente baixo, dado que os ciclistas teriam uma faixa inteira só pra si… Claro que quem foi para ali de carro se arrependeu, pois ficou preso no pára-arranca…

Na zona vimos um Hummer a passar… Tinha esperança que aquelas bestas não chegassem a Portugal. Deviam ser proibidos de circular na cidade (ou tudo o que não fosse o deserto ou zona de guerra…).

Um Hummer na cidade

Acho o Marginal Ciclável uma iniciativa interessante e válida, mas acho que há prioridades, e primeiro há que ter “passeios caminháveis”…

Passeio por onde as pessoas mal conseguem passar...

E pelos vistos aqui o estacionamento para bicicletas (e para motas) é inexistente ou insuficiente…

Bicicletas junto ao Casino EstorilBicicletas junto ao Casino Estoril

Reparem que aquele U invertido não é para estacionar bikes, mas sim para evitar que os carros subam o passeio. :-) Curioso, não?

Bikes junto às esplanadas, no Estoril