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“Nunca pensei nisso”

Eu tentei, eu tentei escrever um comentário a isto… Mas, epá, é tão mau e tão típico e tão revelador das incoerências e contradições destes gajos que,… desisti.

Faz lembrar o Marcelo, durante a campanha do referendo à lei do aborto.

I’m just here because God called me“. Será que lhe ligou pró telemóvel?

Mais sobre as “ruas nuas”

Um vídeo britânico interessante sobre esta temática das “ruas nuas” (naked streets) disponível aqui.

Interessante, como os semáforos provocam congestionamentos, em vez de fazer o trânsito fluir melhor, como se pensaria à partida… Também aumentam a poluição (pára-arranca, acelerações rápidas seguidas de travagens nos semáforos logo a seguir).

A look into our future?

É na Inglaterra, mas já se vêem algumas destas questões por cá, mesmo que em menor escala. Se fôssemos uns tipos inteligentes aprendíamos com os outros e evitávamos trilhar os mesmos caminhos, why not jump throught some of the mistakes?

É um documentário da BBC:

A Grâ-Bretanha está à beira de uma escalada na crise de road rage. Filmando em algumas das ruas do Reino Unido mais congestionadas pelo trânsito, esta investigação especial expõe o quão má a situação se tornou, à medida que a violência e abusos na guerra entre motoristas, ciclistas, políticos e polícia entra em escalada sem nenhuma solução à vista.

Durante décadas, o sempre crescente número de motoristas no Reino Unido têm sido reis da estrada; pagando impostos e taxas de combustível, eles acreditam que as ruas lhes pertencem. Mas agora o equilíbrio de poder está a mudar. Números crescentes de ciclistas e peões estão a exigir, e a exercer, direitos iguais à estrada e a raiva em cada facção está a aumentar.

Encontrado via o fantástico Streetsblog.

Conversas sobre bici cultura & política

Hoje, a partir das 16h, em Lisboa. A manter-se, a chuva deve cancelar os bike smoothies planeados, mas o resto está confirmado. :-(

Remember, remember, the 5th of November…

[Via]

Um dia por Lisboa

No passado dia 12 de Novembro eu e o Bruno fomos ao Teatro S. Luiz, em Lisboa, no Chiado, a propósito do “Um Dia por Lisboa: O Tejo e tudo”. Foi muito interessante.

Um dia por Lisboa: "O Tejo e tudo"

Estivémos lá desde as 18h30 até à meia-noite e meia, o pior foi depois das 22h, em que tivémos que ficar em pé porque já não havia cadeiras livres (desocupámos as nossas pra ir jantar um double cheeseburger no caminho).

Independentemente do que se abordou lá, fiquei com uma sensação muito boa de comunidade. Ali estiveram umas 500 pessoas ao longo daquelas 6 horas, e teve a participação de pessoas em cargos políticos e técnicos elevados. Não teve o feeling das conferências convencionais, parecia mais uma conversa de igual para igual numa praça pública. Não houve muito debate / diálogo com o “povo”, primeiro falaram os técnicos, depois os políticos, e umas amostras do público.

Um dia por Lisboa: "O Tejo e tudo"Um dia por Lisboa: "O Tejo e tudo"

Mas comparado com o resto, foi excelente. Senti que talvez o país esteja a mudar, a mentalidade (de alguns, pelo menos), a relação com a política e com quem a faz. Nota-se um esforço de intervenção, de discussão, de intimação a prestar contas do que se pretende fazer, do que se está a fazer, do que se fez. Foi estranho ver pessoas que vemos nos media assim ao perto, como se fossem pessoas “normais”. :-P

Um dia por Lisboa: "O Tejo e tudo"

Talvez o país não esteja realmente a mudar, talvez tudo continue na mesma, mas naquele dia, naquele local, senti-me bem com Lisboa, com esperança.

Vindos do Cais do Sodré, passámos por uma bicicleta holandesa (literalmente, Gazelle), estacionada encostada a uma parede.

Bicicleta holandesa estacionada em Lisboa, durante a noite

Tinha bom aspecto e perguntámo-nos onde estaria o seu dono. No regresso, já depois da meia-noite, a bicicleta continuava lá.

Bicicleta holandesa estacionada em Lisboa, durante a noite

Sim, eu sei, desculpem lá a mania de pôr bicicletas em tudo, mas não consigo evitar fotografá-las e depois tenho que as mostrar, não é? ;-)

Diários da bicicleta

No dia 4 de Novembro, um domingo, fizémos, bom, fez o Bruno, a viagem inaugural “a sério” da Xtracycle dele (Xtracycle é o fabricante do kit FreeRadical e define também qualquer bicicleta equipada com esse kit). Uma Xtracycle tem (no mínimo) 4 vezes maior capacidade de transporte de carga que uma bicicleta normal:

À espera do comboioXtracycle

Esta cena é outro dos nossos produtos-paixão e há quase 2 anos que sonhávamos com isto. :-) Bom, mais tarde, quando instalar o kit na minha bike também, voltarei a falar dela. ;-)

Ele ia gravar outra maquete (a primeira a solo e a ser emitida) do programa Sociedade Livre na Rádio Zero, no Técnico e aproveitámos para fazer a viagem by bike. Bom, pelo menos a maior parte dela. Ao domingo pode-se levar as bicicletas no comboio da linha de Cascais, gratuitamente e a qualquer hora. Por isso aproveitámos e fomos apanhar um em Paço de Arcos. Até lá é smooth. :-)

A caminho da estação de Paço de Arcos

Ora, dado que as carruagens da CP nesta linha não contemplam as necessidades dos utentes com bagagem mais volumosa (bicicletas, pranchas de surf, carrinhos de bebé,…) o segredo para uma viagem tranquila é posicionarmo-nos na zona da primeira ou da última carruagem (ou qualquer uma com uma ponta sem passagem inter-carruagens).

À espera do comboio

Ora, pela minha experiência, o mais seguro é, na estação, ficarmos no fim, para entrarmos na última carruagem (a primeira costuma ter mais gente e mais fluxo de pessoas). Depois é só entrar com as bicicletas (2 no máximo, para não obstruir a passagem nessas portas).

Como cabem 2 bicicletas nas carruagens dos comboios da linha de CascaisComo cabem 2 bicicletas nas carruagens dos comboios da linha de Cascais

Assim, as pessoas nas estações seguintes conseguem entrar ali (não sabem à partida que lá estão bicicletas) e as que quiserem sair também o podem fazer (embora geralmente optem pelas restantes portas da carruagem). Como é a última carruagem, as bicicletas encostadas à parede (e à eventual porta) não estão no caminho nem obstruem a porta nem a passagem de pessoas.

Sempre que temos levado as bicicletas no comboio ao fim-de-semana, as carruagens andam tão vazias que nunca houve sequer o perigo de as bicicletas se constituírem num incómodo para alguém. Em contrapartida, é ver os automóveis a fazer fila na estrada ao lado da linha…

Chegados ao Cais do Sodré, passámos pelo Terreiro do Paço (cada vez mais morto, infelizmente), e por momentos pensámos ver uma revolução, estavam árvores no meio do alcatrão. Afinal era tudo para uma filmagem para um filme de época… :-( Seguimos em direcção à R. dos Bacalhoeiros, para participar na Cicloficina, embora tivéssemos quase certeza de que não iria ocorrer, o que se verificou. Bom, a não ser que o Bruno ter afinado as mudanças da minha bici conte. :-P

Cicloficina a dois

Deu pra ver que a interdição ao trânsito automóvel naquela zona não tem sido respeitada nem fiscalizada…

Bom, depois seguimos em direcção à Alameda, para a tal gravação na Rádio Zero no IST. Fomos pela Baixa (estranhíssimo estar ali de bike, e sem trânsito automóvel, o sossego, a calma…), Restauradores, Av. da Liberdade (uma das ruas laterais), jardim do Parque Eduardo VII e depois mais umas ruas ali pelo meio até ao Técnico.

Estamos quase na Alameda!

As pessoas clamam por ciclovias para andar de bicicleta na cidade, mas não percebem que deviam estar a clamar por 2 coisas imensamente mais importantes e que, a realizarem-se, tornariam as ciclovias desnecessárias: o arranjo e manutenção das estradas (e passeios e demais vias públicas) e a acalmia de tráfego (incluindo regularização do estacionamento automóvel)…

Exemplos da degradação do pisoExemplos da degradação do piso

Os ilhéus pedonais são estupidamente pequenos dado o tempo que dão aos peões para atravessarem as estradas… (acumulando-se as pessoas em passeios minúsculos em vias de tráfego intenso e rápido, muitas das vezes).

Ilhéus de dimensão insuficiente

Bom, lá chegámos à Alameda (fiquei a conhecer um pouco melhor a cidade, nada como viajar de bicicleta) e fomos para o estúdio. Aquilo levou horas, foi só conversa. :-P Eu tinha levado o Expresso e entretive-me a ler. :-) Quando saí do estúdio para ir comprar um lanche, num café cá fora, vi o Jardim Arco do Cego. Tinha bastantes pessoas, sentadas nos bancos, a andar de bicicleta, etc, e tinha bom aspecto. :-) Um pequeno parque verde dentro da cidade, muito bom! :-)

Jardim do Arco do CegoJardim do Arco do CegoJardim do Arco do Cego

Quando voltei, pude ver uma rapariga a sair de bicicleta (que tinha visto antes presa a um poste - a bicicleta, não a rapariga). De bicicleta! Uma rapariga! Weeeee! :-)

Uma estudante do Técnico, utilizadora de bicicleta! :-)

Saímos do estúdio já de noite. Voltámos à estrada de bicicleta. :-)

De bike nos Restauradores

Decidimos ir pela Marginal, ou chegaríamos bué tarde a casa. Correu bem. Temos luzes e reflectores and we “take the lane” sempre que é o necessário para nos mantermos em segurança no meio dos carros. Foi uma viagem pacífica, sempre a pedalar em bom ritmo, o que estranhei pois estou habituada às intermitências dos percursos urbanos.

Na Marginal, de volta a casa

No dia seguinte, segunda-feira, dia 5, houve uma concentração / encenação / manifestação da ACA-M no Terreiro do Paço, no local onde houve aquele acidente homicídio por negligência com contornos macabros. Eu e o Bruno resolvemos ir, tínhamos recebido um e-mail a apelar à participação, que precisavam de gente para fazer um “passadeira humana”. Levámos uns lençóis velhos e lá fomos, de bicicleta, como no dia anterior. Nota: na estação de Paço de Arcos vimos uma bike presa a um gradeamento. :-)

Bike estacionada junto à estação de Paço de Arcos

Para lá fomos de comboio (no sentido Cascais -> Lisboa só deixava de ser permitido levar as bicicletas a partir das 17h). Chegámos lá e vimos um grupo de pessoas mas ficámos à espera pois não conhecíamos ninguém e ainda não era suficientemente claro o que se estava a passar.

Manifestação da ACA-M no Terreiro do PaçoManifestação da ACA-M no Terreiro do Paço

Acabou por não se fazer aquilo das pessoas enroladas nos lençóis, deitas na passadeira, puseram só os lençóis. Entretanto ficámos depois lá a falar um bocado com o Marcos, o Miguel, o Mário e outro rapaz de cujo nome agora não me recordo. Sobre bicicletas, segurança rodoviária, etc. Entretanto ficou de noite e tivemos que nos pôr a caminho. Ainda tinha que passar por Algés a buscar uma roupa que tinha deixado a arranjar, essa loja fechava às 20h, mas não podíamos levar as bicicletas no comboio no sentido Lisboa -> Cascais antes dessas mesmas 20h. Não tivemos escolha e fomos pela Marginal. Que, desde o Terreiro do Paço, estava entupida. Mas lá fomos andando, indo pelo meio dos carros quando tal era fisicamente possível e minimamente seguro. Foi uma experiência útil e desmistificou a Marginal como sítio improprio para ciclistas, pelo menos à hora de ponta (mais carros -> menor velocidade).

A caminho de casa, na Av. 24 de JulhoNo meio do trânsito, rumo a casa, pela MarginalCruzamento da Av. 24 de Julho, em AlcântaraÀ porta da loja Cort&Cose

A questão da sinistralidade rodoviária é um drama tão grande e as pessoas nem se apercebem de quão grande… É uma guerra, um homicídio em massa, uma guerra civil levada a cabo, maioritariamente, por cidadãos normais: integrados, law abiding,… Mas negligentes ou simplesmente inaptos para a condução de um veículo de 1 ou 2 toneladas passível de ser usado (deliberada e conscientemente ou não) como uma arma de arremesso letal… E depois há a questão mais abrangente da mobilidade e dos transportes, porque a poluição também mata, o aquecimento global também, o estrangulamento económico das cidades pelo congestionamento e perda de produtividade e de qualidade de vida também mata (mesmo que suave e lentamente…).

Vale Fuzeiros nos media

A minha família materna é toda natural do Conselho de Silves e por lá vive. A minha tia e o marido vivem em Vale Fuzeiros, um local de rara beleza natural. Nem vos consigo descrever o quão lindo é o céu nocturno naquele lugar… :-) Nem o da minha avó, perto de Messines, que eu já acho tão overwhelming consegue igualar o do Vale.

É um local habitado essencialmente por pessoas idosas e algumas menos idosas mas de fracos recursos económicos e pouca educação académica. E depois, como um pouco por todo o Algarve mais interior, há os estrangeiros, que são os que descobrem estes pequenos paraísos, e aí instalam diferentes actividades (turismo rural, agricultura biológica, artesanato, etc, etc). São eles que trazem inovação (e dinheiro) a estas povoações e, muitas vezes, são os que mais as defendem de abusos por parte do nosso próprio Governo e por parte de lobbys económicos. Claro que não o fazem exclusivamente por altruísmo, se ali têm os seus refúgios privados ou negócios implementados ou por implementar, mas seja como for, são infinitamente mais activistas e mais informados do que as populações locais que por lá resistem.

Ontem veio um grupo de residentes de Vale Fuzeiros manifestar-se em Lisboa contra o traçado de uma linha de muito alta tensão da REN, que parece que vai passar por lá, colocando em risco a saúde das pessoas e desvalorizando a área, por isso, e por contaminar e afectar a beleza natural daquela zona. Tiveram o apoio dos residentes de Sintra, afectados por uma situação similar (embora mais em questões de saúde, visto não podermos, not in our wildest dreams, comparar o contexto de paisagem de Vale Fuzeiros com o da sobrepopulada Sintra urbana…).

Não sei que interesses este traçado e o modo de implementação (aéreo) servem. Talvez outras alternativas existam, e provavelmente serão mais caras. Azar, gastem-no. Se têm dinheiro a rodos para deixar fugir para os bolsos de políticos e funcionários públicos corruptos ou sem ética, se têm dinheiro para gastar em coisas etéreas e fúteis, também têm para salvaguardar o bem-estar, a vida e os parcos interesses destas pessoas. Não sou de forma alguma contra o “progresso” (autoestradas, rede eléctrica, etc, etc) mas este não pode ser feito com prejuízo para os indivíduos, os pequenos e os insignificantes. E se há maneiras melhores de fazer as coisas, há que optar por elas.

But hey, isto é Portugal. Um país de governo corrupto (brandos costumes, mas a corrupção branda também mói e atrasa) e povo acomodado. Vejam o que têm feito e deixado fazer ao algarve litoral, agora ao alentejo litoral, a tudo o que seja natureza. Destroem os recursos para fazer dinheiro fácil e rápido, e amanhã já não teremos nada para vender nem para atrair turistas e investimento porque as pessoas não vêm cá pelo betão e pelos hotéis luxuosos. Esse podem ser feitos em qualquer lugar. As pessoas vêm cá pelo que a Natureza construiu, não o Homem, vêm pelo mar, pelas praias, pela costa unspoiled and uninhabited (not for long), pelas terras desertas de gente mas povoadas de paz, ar puro, Natureza, beleza.

Não sei se isto é um problema das pessoas no geral, se das do meu país em particular. Mas enoja-me o que as pessoas com mais poder (económico, político) fazem just because they can, quando é delas que se esperaria maior ética, maior sentido de dever, maior inteligência (não em proveito próprio, mas da comunidade). Mas não, parece que quanto mais têm e são, mais querem ter e ser and fuck everyone else. Viver neste mundo é uma desilusão permantente, aliviada apenas por alguns momentos intercalares de esperança ténue…

Enfim, gloomy day, I guess.

Rede anti-4×4’s urbanos

A propósito da crescente invasão das cidades portuguesas pelos SUV, uma grande febre nos EUA que pelos vistos também está a pegar cá, descobri uma rede online de organizações contra os veículos 4×4 em meio urbano. França, Bélgica, Finlândia, Espanha, Suiça, Suécia, Reino Unido e EUA são os países representados.

A rede 4×4 procura educar as pessoas acerca dos danos ambientais e sociais causados pelo crescente número de 4×4 urbanos e promover formas sustentáveis de transporte. A rede também faz campanhas por carros no geral mais eficientes do ponto de vista energético, aos níveis europeu e internacional.

Farão lobby por legislação forte para desencorajar 4×4’s e outros veículos poluentes, devoradores de combustível e socialmente inaceitáveis.

Tertúlia sobre o uso da bicicleta em Lisboa

Em 2006 decorreu a primeira tertúlia deste género, agora, um ano depois, nova edição, desta vez com um foco nas eleições para a Câmara Municipal de Lisboa.

Programa:

* Exibição de um pequeno video sobre uma cidade grande que tenha sido sujeita a intervenções a favor da bicicleta (Paris);
* Pequena resenha sobre as propostas dos vários candidatos à CML;
* Apresentação de propostas: Trajecto Farol, Acalmia em bairros residenciais;
* Discussão aberta.

Local: Crew Hassan (Rua das Portas de Santo Antão, 159. 1, 1150-267 Lisboa - junto ao Coliseu; Metro: Restauradores ou Avenida)
Data: 28 de Junho de 2007
Hora: 18.30
Duração: 1h30min

B-Society

Tinha isto aqui perdido numa das minhas 500 tabs abertas. :-P

«The agricultural society was for A-people. The innovation society needs B-people!

Why do we still get up at cockcrow and when the cows moo, when only 5% of the population work within agriculture or fishing?

Why does everything have to take place in the same rhythm and pace, resulting in a huge problem with our infrastructure?

Why has the societal framework primarily been arranged to suit people working from 8 am to 4 pm?

- Let the tyranny of A-time end, let us create a B-society
- Let us create B-patterns in our work and in our families.
- Let us have quiet mornings and active evenings.
- Life is too short for traffic jams. Let us have more all-night shops!
(…)»

Esta ideia da B-Society é interessante, e estes conceitos já me passaram pela cabeça antes. Que sentido faz que toda a gente seja sujeita aos mesmo horários? Porque é que só há 1 turno de horário de expediente? Por que não ter horários alargados de trabalho nas empresas e nos serviços públicos, de modo a que se possa servir melhor os consumidores e os próprios trabalhadores? Imaginem irem a uma grande empresa ou serviço do Estado e poderem ser atendidos a qualquer hora desde as 8h até às 20h ou 22h? Imaginem não haver horas de ponta nas estradas, nos transportes públicos, nas repartições públicas, nos restaurantes e bares à “hora de almoço”, etc. Imaginem poder escolher um horário/turno de trabalho mais compatível com o nosso próprio ritmo circadiano, que permitisse tirar o máximo proveito dos diferentes períodos de criatividade e produtividade ao longo do dia, que permitisse flexibilidade para gerir o nosso tempo e os nossos ritmos e afazeres com aqueles da nossa família.

É hora da biodiversidade se reflectir na cronodiversidade urbana, não? ;-)

A nossa segunda Massa Crítica

Depois da estreia em Junho de 2006, este mês participámos pela segunda vez numa Bicicletada. A primeira vez foi no Verão, com a B’Twin 7, de dia. Desta vez foi no Inverno (mas com bom tempo), de noite e com a Mobiky (sim, é perfeitamente possível “fazer” a Massa Crítica de Mobiky, aliás, foi um excelente teste e ela ficou aprovadíssima). Correu muito smoothly. :-)

Massa Crítica de Fevereiro em LisboaMassa Crítica de Fevereiro em LisboaMassa Crítica de Fevereiro em LisboaMassa Crítica de Fevereiro em Lisboa

Desta vez o passeio acabou num largo na Graça, com vista sobre Lisboa:

Massa Crítica de Fevereiro em Lisboa

[Onde paguei 1 € por uma garrafa de água de 33 cl num quiosque chupista, glup!]

The majority of those who actually give a fuck said YES.

Estou feliz. Sinto-me mais segura como mulher no meu país. Sinto-me mais respeitada, sinto maior reconhecimento pela minha dignidade, autodeterminação, inteligência, capacidade de discernimento e ética. E sinto maior responsabilidade colectiva pelas crianças e pela infância. Uma lei que respeita e protege as mulheres é uma lei que respeita e protege as crianças. Vale a pena relembrar o post no blog Bitch PhD do qual citei um trecho há tempos.

Por mim só posso agradecer a todos aqueles que tiveram coragem de assumir e defender publicamente a sua opção política e ética pelo SIM, e a todos quantos puderam e quiseram fazer a opção de suspender temporariamente outras prioridades e projectos das suas vidas para poder trabalhar e dar a cara por uma causa tão importante. MUITO OBRIGADA! Portugal será um país um pouco mais livre, justo e digno depois de hoje (pelo menos desde que o carácter não-vinculativo do resultado não dê azo a “golpes” posteriores…).

Eu fiz apenas o mínimo dos mínimos: levantei-me e fui votar.

ref2007_bvoto_specimen_v0.jpg

Ao olhar para os resultados não posso deixar de me sentir um bocado decepcionada ao ver que dos cerca de 8.83 milhões de eleitores inscritos só 3.85 milhões (43.6 %) foram votar. Por isso, na verdade havia uma terceira opção no Referendo além do SIM, com 2.24 milhões de votos (59.25 %) e do NÃO, com 1.54 milhões de votos (40.75 %), a do QUERO-LÁ-SABER! Excepção àqueles que quiseram mas não puderam ir votar por circunstancialismos vários “significativos” (other than “oh, looks like it’s raining”).

Assim, fico triste de constatar mais uma vez que a maioria da população não tem nada pra dizer, abdica do seu direito a participar nos destinos do seu país e da sua própria vida, e subtrai-se do seu dever cívico nessa mesma participação. Por outro lado, fico satisfeita por saber que aqueles ~44 % de portugueses (3.85 dos ~10 milhões “registados”) que até se dão ao trabalho de cumprir os seus deveres e usufruir dos seus direitos o fazem assim, em direcção a um mundo mais “claro” e afastando-se das trevas da Idade Média e da Igreja.

Fiquei contente com os resultados de Lisboa, dos seus Concelhos e particularmente de Porto Salvo, com ~76 % de votos pelo SIM. :-)

Prova de procriação necessária para validar um casamento

Tradução:

A “Aliança de Defesa do Casamento de Washington” (Washington Defense of Marriage Alliance procura defender o casamento entre pessoas do mesmo sexo naquele estado dos EUA desafiando a decisão do Supremo Tribunal no caso Andersen v. King. Esta decisão, tomada em Julho de 2006, declarou que um “interesse estadual legítimo” permite à Legislatura limitar o casamento aos casais capazes de ter e criar filhos juntos. Por causa deste “interesse estadual legítimo”, é admissível negar o direito ao casamento legal aos casais do mesmo sexo.

A forma como estamos a desafiar a decisão daquele caso é invulgar: usando a iniciativa, estamos a trabalhar para pôr a decisão do Tribunal na Lei. Faremos isto através de 3 iniciativas: 1) fazer da procriação um requisito para o casamento legal, 2) proibir o divórcio ou separação legal quando há crianças, 3) tornar o acto de ter filhos juntos o equivalente legal a uma cerimónia de casamento.

Absurdo? Muito. Mas há uma base racional para este absurdo. Através destas iniciativas esperamos incitar a discussão sobre as muitas assunções equívocas que formam a decisão do caso Andersen. Fazendo aprovar as iniciativas, esperamos que o Supremo Tribunal as ataque como inconstitucionais e assim enfraqueça a decisão de Andersen. E no mínimo, será muito divertido ver os sociais conservadores que sempre berraram que o casamento existe para o único propósito da procriação serem forçados a engasgarem-se na sua própria retórica.

Iniciativa 957

Se aprovada pelos eleitores de Washington, a Iniciativa da Defesa do Casamento iria:

* acrescentar a frase “que são capazes de ter filhos um com o outro” à definição legal de casamento;

* requerer que os casais casados em Washington apresentem prova de procriação dentro de 3 anos após a data de casamento sob pena de ter este automaticamente anulado;

* requerer que os casais casados fora do Estado apresentem prova de procriação até 3 anos após a data de casamento sob pena de ter este classificado como “não-reconhecido”;

* estabelecer um processo para apresentação de prova de procriação; e

* tornar crime pessoas num casamento não-reconhecido receberem regalias de casadas.

Lindo! :-D

[Via BoingBoing]

A Revolução das Bocas!

Lembram-se da Meatrix? Uma iniciativa que visava (e visa!) informar o público de como são criados os animais que consumimos na nossa alimentação, nas grandes “quintas”-fábrica, e mostrar-nos alternativas. Os videos merecem ser vistos:

The Official Meatrix I:


[Aqui com legendas em português.]

The Meatrix 2: Revolting:


[Aqui com legendas em português.]

The Meatrix II ½:

Via Treehugger soube agora desta grande produção: The Mouth Revolution (ou “A Revolução das Bocas”). Espreitem o video principal, é hilariante! :-D

Mouth Revolution (Official):

No site há ainda um mouthifesto (ou “manifesto”), um blog e uma galeria de fotos de bocas de todo o mundo.

Depois temos os bloopers, que deixam perceber um pouco como foi realizada esta “brincadeira” (a melhor maneira de pôr as pessoas a pensar num tema muito sério!):

Mouth Revolution - Outtakes Only:

A propósito, o GAIA tem alertado e feito campanha contra o relatório pró-OGM do Parlamento Europeu que foi votado ontem.