Outro exemplo de comparação entre “ciclovia” e estrada normal, desta vez no Reino Unido, este não da minha autoria:
[Via]
“Life is not about finding yourself, life is about creating yourself”.
Outro exemplo de comparação entre “ciclovia” e estrada normal, desta vez no Reino Unido, este não da minha autoria:
[Via]
Em Maio eu e o Bruno fizémo-nos à estrada, em bicicleta, daqui de Porto Salvo até Lisboa, para irmos conhecer algumas ciclovias que estavam a ser finalizadas ou estavam já concluídas. E gravámos vários troços da viagem, incluindo um comparativo ciclovia vs. estrada no troço Monsanto-Campolide. Claro que, para não variar, esses vídeos ficaram em águas de bacalhau porque não temos tempo para os editar e transformar em algo útil. Ou mesmo que simplesmente giro.
Há cerca de uma semana fui repescá-lo, o Bruno editou-o e publicou-o no YouTube, para servir de case study numa discussão sobre ciclovias na mailing-list da MUBi. Como a conversa morreu após o meu último (e mais gráfico) e-mail, resolvi não o deixar enterrado, talvez assim encontre terrenos mais férteis de discussão e debate…
Experiência tosca (única e não-científica) de avaliação comparativa da ciclovia Monsanto-Campolide:
De todo o percurso patente no vídeo, foquemo-nos na rotunda:

Um ponto de conflito é um ponto onde diferentes fluxos de tráfego se cruzam, logo, que introduzem obstáculos no percurso, diminuindo a velocidade média da viagem, e são um foco potencial de acidentes.
Os pontos vermelhos e azuis escuros são pontos de conflito muito óbvios e localizados, e onde o ciclista é que tem que ceder passagem. De notar que o 4º ponto azul, dentro da rotunda, é um potencial ponto de conflito um pouco mais difuso (quem entra na rotunda tem que ceder passagem ao ciclista, mas uma vez dentro da rotunda o ciclista tem que ceder passagem ao mudar da via da esquerda para a da direita, para sair da rotunda).
Os pontos rosa são pontos de conflito envolvendo peões, e onde o ciclista deve ceder passagem aos peões (passadeira e passeio).
Quanto à escolha do traçado na rotunda, acho esta imagem interessante, mas claro que discutir isto sem a participação de quem desenhou e de quem implementou as coisas é sempre pobre. Há condicionantes e opções que tiveram que ser tomadas e que ajudarão a explicar e/ou justificar algumas coisas e que nós desconhecemos.
Voltando ao percurso completo, façamos a comparação para a ligação dos mesmos 2 pontos. Volto a enfatizar que não, isto não pretendeu ser uma experiência científica, é apenas um teste tosco. Mas acho que dá para ilustrar pontos importantes.
CICLOVIA vs. ESTRADA:
Ou seja, imaginem que querem usar a bicicleta para ir para o trabalho, ou outro sítio num contexto em que a velocidade é mais importante do que a fruição da experiência da viagem em si. Usando estes valores poderíamos ter algo como 30 minutos pela ciclovia e 20 minutos pela estrada. O que significa que, optando pela ciclovia, a pessoa gasta MAIS tempo na viagem para supostamente circular em maior segurança mas na realidade está MAIS exposta ao risco de acidentes do que se fosse na estrada. De notar que uma ciclovia no passeio aumenta ainda o risco a que os peões estão expostos ao circular no mesmo.
Contudo o que muita gente defende é que não interessa se estamos a colocar as pessoas numa situação efectivamente MAIS perigosa desde que elas se sintam mais seguras. Ou seja, acham bem criar uma espécie de ratoeiras para ciclistas (aumentando a segurança subjectiva enquanto diminuem a segurança objectiva).
Não se esqueçam que as ciclovias são (ou poderão ser) criadas com (entre outras) a intenção de atrair ciclistas de qualquer nível de aptidão. A ideia é baixar o nível de exigência nas competências do ciclista para ele poder navegar na cidade e assim usar a bicicleta quando antes não o faria porque se sentiria mal preparado ou vulnerável para navegar na rede viária normal. O problema, grave, é que a navegação nas ciclovias exige MAIS aptidão, e não menos, porque estas tornam o sistema viário mais complexo, e multiplicam os pontos a que os condutores (de bicicletas e de automóveis) e os peões têm que prestar atenção, o que multiplica as oportunidades para as coisas correrem mal.
E a pergunta que interessa aqui é: “o que é que eu faria diferente?“. Pelo menos para que fosse possível continuar a incentivar pessoas sem formação e/ou sem capacidade para usarem a rede viária normal a optarem pela bicicleta.
Há pelo menos duas coisas fundamentais que me ocorrem agora:
O exemplo dado na foto do “Detesto a minha burra” faz justamente isso na rotunda.
2) aumentar a segurança do ciclista ao passar por cada um desses pontos.
Isto implica tratar esses cruzamentos de modo a obrigar quem circula na rede viária a ceder SEMPRE a passagem a quem circula na ciclovia (no caso português isso implica sinalização vertical dado que nem quando se apresentam pela direita os ciclistas têm prioridade na passagem pois são discriminados negativamente no Art. 32 do CE). E faria a ciclovia nivelada com a estrada, para vincar que se trata de um cruzamento de 2 vias e não um atravessamento de 1). Se calhar, para reforçar essa sinalização e proteger ainda mais o ciclista, até faria com que a ciclovia fosse sobreelevada ao longo dos cruzamentos. Isto tornaria a deslocação do ciclista confortável, facilitar-lhe ia a tarefa de ver e ser visto, e funcionaria como uma lomba de acalmia de tráfego para obrigar os condutores de automóveis a abrandar dando-lhes tempo para ver os ciclistas a aproximarem-se e para parar.
Mas este tipo de ciclovia se calhar não interessa a muita gente, porque diminuiria efectivamente a competitividade do automóvel na mesma medida em que aumentaria a da bicicleta (a sinalização só prejudicaria o fluxo automóvel quando houvesse ciclistas, pelo que se houver poucos não afecta muito, e se houver muitos, bom, também têm direito a passar a a chegar depressa onde querem; já as ciclovias sobreelevadas em lomba já prejudicam o fluxo automóvel mesmo quando não há ciclista a passar…). E esta ciclovia conseguiria fazer isto oferecendo benefícios reais ao ciclistas em termos de segurança, conforto e eficiência e não o contrário.
Será que isto não aumentaria a massa crítica de ciclistas?
Será que isto não aumentaria o shift modal do automóvel para a bicicleta (em vez de ser essencialmente dos TP e do andar a pé)?
E os custos de construir uma ciclovia assim não serão muito superiores ao de construir uma ciclovia como as que temos, presumo. Nem demoraria muito mais tempo.
Claro que os novos ciclistas atraídos para a bicicleta continuariam a não saber conduzir fora das ciclovias nas estradas e ruas não “traffic calmed“, o que numa cidade sem muito espaço nas ruas para ciclovias e sem dinheiro para luxos é um ponto relevante, parece-me.
É nossa responsabilidade enquanto ciclistas ter um olhar crítico e uma voz audível e construtiva na avaliação das infraestruturas construídas em nosso nome e supostamente para nos servir. Para isso temos que estudar, pensar, conversar, debater. Até o cérebro doer.
Agora vejam outros vídeos comentados, mas da Holanda.
Este post não é sobre as ciclovias de Lisboa, é sobre as ciclovias de Portugal, apenas escolhi este exemplo porque era aquele para o qual até tinha um vídeo. Mas os resultados não seriam muito diferentes se isto fosse replicado a outras ciclovias por aí.
Por cá gostamos muito de copiar os holandeses e as suas ciclovias, mas esquecemo-nos de tudo o que está à volta.
Aqui um “antes & depois” que poderíamos e deveríamos ver por cá:
Caso não se apercebam, isto também tem a ver com as bicicletas, com a mobilidade sustentável, com as cidades “vivas”, etc, etc, basta “connect the dots“.
A liberdade de religião parece ser uma liberdade de pensamento, crença e expressão específica. No entanto é perniciosa, mesmo que não na letra da lei, ao subentender que este pensamento/crença/expressão não pode ser criticada ou ridicularizada como qualquer outra (astrologia, vegeterianismo, poligamia, whatever). E pior, parece subentender que essa liberdade de religião anula os direitos associados à liberdade de não-religião.
Bom, esta pequena intro só para assinalar esta marcha dos ateus e agnósticos na Polónia, terra do Papa João Paulo II.
Com as devidas diferenças de escala, isto faz-me lembrar o Chiado à hora de ponta:
Aqui fica um relato do Park(ing) Day, uma iniciativa de que tive conhecimento há alguns anos e que sempre sonhei fazer acontecer aqui em Portugal. Ver muitas daquelas fotos e daqueles parques tão lindos dá-me uma esperança renovada num futuro diferente, mais verde, mais human-friendly, e adoraria vê-la infiltrar-se e crescer aqui por terras lusas (que bem precisam!).
Essa oportunidade ainda não se proporcionou, mas já houve pelo menos umas 3 iniciativas do género, de que eu tenha conhecimento. Uma relacionada com bicicletas, no Porto, na prática foi usar um lugar de estacionamento automóvel para o ocupar com bicicletas. Uma associada a uma campanha da Ben & Jerry’s, e uma Park(ing) Day em 2009, pelos Cidadãos por Lisboa. Foto cortesia do Miguel:

Também gosto do efeito de plantar árvores no alcatrão:
Sempre dá um efeito de acalmia de tráfego mais interessante: dos carros, em vez dos peões, como acontece actualmente com as árvores que temos nos passeios.
Abriu hoje oficialmente um novo hipermercado em Oeiras, mais concretamente numa zona em Porto Salvo, entre o Casal da Choca, o Bairro dos Navegantes e Talaíde.
Estes 150 novos empregos talvez cubram os que serão extintos no comércio de rua. Não culpo só os Mosqueteiros por isto, contudo. A culpa é dos próprios comerciantes, que muitas vezes param no tempo, não inovam, não se unem para melhorar as suas ruas e comunidades (e, logo, os seus negócios). A Rua do Comércio está tão atravancada de carros que há lojas que eu nem sabia que estavam ali porque estão tapadas pelos carros.
E a culpa é das Juntas de Freguesia e das Câmaras Municipais, que deixam o espaço público degradar-se, tornando o comércio de rua, local, pouco apelativo, ao mesmo tempo que permitem coisas como este novo hiper-hipermercado.
Talvez não haja 650 automóveis no Casal da Choca, ou em Talaíde, ou no Bairro dos Navegantes. Estas ruas locais, residenciais, já são usadas às horas de ponta como atalhos para fugir às artérias principais (Estrada de Talaíde/Estrada de Leião e Variante à Estrada Nacional 249), aumentando o ruído, a poluição e a insegurança de quem cá vive e de quem cá circula. Os miúdos que vivem no Bairro dos Navegantes vão a pé para a escola de Talaíde (onde eu também andei). Hoje em dia é uma estrada oficial, alcatroada. No meu tempo era uma cena tortuosa em terra batida, lama no Inverno. Continua sem ter um passeio, ou sequer berma alcatroada (fizeram um passeio arborizado a ligar o Bairro dos Navegantes à Rua Lopo Soares de Albergaria, a estrada cá em cima, para as pessoas chegarem à paragem dos autocarros, mas ficou por aí). Afinal, que se fodam os peões, que se fodam as crianças que não são levadas à escola de carro pelos pais que depois estacionam em cima dos passeios e passadeiras (debaixo do nariz da “Escola Segura”…) para que os seus filhos (flores de estufa que não sabem e não podem andar na rua) não corram riscos, afinal, a estrada, a rua, é perigosa, está cheia de pais das outras crianças.
Será que a Câmara Municipal de Oeiras também vai pagar um autocarro para servir este hiper, como faz com o Oeiras Parque?
Por onde circularão os 5000 ou mais automóveis (650 lugares, umas 14 horas diárias de funcionamento, uma estadia média de 2 horas…) que este hiper atrairá? Por onde circularão as carrinhas e camiões que alimentarão este centro comercial? Só há 2 vias: Casal da Choca e Porto Salvo, e Talaíde -> Cascais ou Talaíde -> Porto Salvo, Cacém ou Barcarena.
Ah, pois é, que se fodam as pessoas.
A zona do Casal da Choca e do Bairro Auto-Construção tem génese ilegal (depois regulamentada), e muitas das ruas não têm lugares de estacionamento definidos, e os passeios são estreitos.
A qualidade do piso é geralmente boa. Toda esta zona precisa de ser reordenada. Os passeios precisam de ser alargados, arranjados, arborizados/ajardinados (uns bancos aqui e ali, e uns bebedouros seriam úteis) e protegidos. Actualmente as pessoas estacionam total ou parcialmente em cima dos passeios existentes.
As paragens de autocarros precisam de ser tornadas mais people-friendly. Há que estudar as necessidades de estacionamento e acautelar as essenciais (cargas e descargas, estacionamento de curta duração junto ao comércio e afins, etc). A maior parte das casas – moradias – tem garagem. Pode é haver mais carros do que lugares na garagem… A CMO pode criar zonas de estacionamento nos espaços vagos para os carros excedentes, a um determinado preço. Depois há que ver o espaço que sobra e redefinir os sentidos de trânsito, dada a largura das ruas, para acautelar espaço de circulação pedonal decente muitas ruas teriam que ser tornadas de sentido único. Isto, a par da implementação de zonas 30 poderia servir também para tornar pouco apelativa a fuga ao trânsito por estas ruas interiores.
A Câmara ou a Junta podia financiar autocarros escolares para as crianças que vêm de mais longe, e promover os pedibus dentro da Freguesia (acabam por existir intrinsecamente no caso dos miúdos do Bairro dos Navegantes, dado o número dos mesmos e a proximidade do Bairro). Se têm dinheiro para financiar autocarros para levar as pessoas para o hipermercado, quando elas têm alternativa local, também têm dinheiro para financiar autocarros para levar as crianças para a escola – estas não têm alternativa “local”.
Claro que isto sou eu a sonhar.
No programa eleitoral do Isaltino Morais, que ganhou novamente a Câmara de Oeiras, na secção “mobilidade” há 11 tópicos relacionados com vias rodoviárias (1 dos quais ciclovias), e 3 relacionados com transportes públicos colectivos.
Na secção “estacionamento”, pretendem criar mais 7800 lugares de estacionamento automóvel para residentes. Não dizem se é pago ou não, e se pretendem servir as necessidades de estacionamento do 1º, 2º, 3º ou 4º automóveis de cada agregado familiar… Nem uma palavra sobre estacionamento de motos e bicicletas.
Ora vejam se também detectam aqui alguma esquizofrenia (os bolds são meus)
O congestionamento progressivo das vias que estabelecem as ligações regionais e que integram a Rede Supra Concelhia (vias de elevada capacidade de transporte), a Auto-Estrada A5, a Marginal, a E.N.117, o I.C.17–CRIL e pelo I.C. 19, empurra os utilizadores do transporte individual para procurarem soluções alternativas de fluidez, através da Rede Viária Municipal, que atenuem esses estrangulamentos.
As soluções para a melhoria da mobilidade devem, pois, centrar-se em dois domínios estratégicos: a melhoria das acessibilidades no sistema viário e a criação de uma rede eficaz de transportes colectivos.
Oeiras apresenta-se hoje como um território de características eminentemente urbanas, podendo verificar-se a existência dos denominados períodos de ponta da manhã e da tarde, devidamente confinados, que se traduzem numa maior afluência de tráfego rodoviário e em alguns casos atrasos no atravessamento das intersecções.
Estas deslocações, centradas no transporte individual, têm custos sociais e ambientais significativos e, para além de se transformarem numa fonte de ineficiência na afectação de recursos e perdas de tempo, são uma fonte de degradação ambiental.
Esta redução de eficiência tem por base não só os volumes de tráfego nos períodos de ponta, na rede interna dos aglomerados e na rede regional, mas também o desempenho das próprias intersecções em alguns casos desajustadas.
A eliminação ou a atenuação dos estrangulamentos viários favorece a afectação de recursos mas não é, por si só, uma medida que faça diminuir os impactos ambientais.
Os objectivos que a este nível se alcançarão procuram uma opção combinada que terá necessariamente que se traduzir em novas soluções de reordenamento, de modo a capacitarem a rede viária para a absorção do tráfego gerado e, sobretudo, a aposta mais forte, centrar-se-á na construção de uma rede de transportes colectivos em sítio próprio, devidamente hierarquizada e que abranja todo o Concelho, de forma a garantir um melhor serviço, sobretudo ao nível das velocidades de circulação, tornando o Transporte Colectivo mais competitivo relativamente ao Transporte Individual.
Engraçado, reconhecem o impacto ambiental e a ineficiência associados ao transporte em automóvel, e a necessidade de apostar no transporte público colectivo. Mas depois afirmam que a solução está em ajustar a rede viária ao tráfego gerado, isto é, à procura (muita gente a andar de carro), pelo que há que alargar estradas e nós, e construir mais estradas, ignorando totalmente o paradoxo de Jevons, algo que podemos ver todos os dias: a Estrada de Leião, que atravessa Porto Salvo, está quase ao mesmo nível de congestionamento à hora de ponta que estava antes da construção da variante, pelo que agora continuamos sem poder sair de casa, mas temos menos dinheiro público (gasto na variante), mais barulho, mais poluição, etc, etc.
Por outro lado, defendem a melhoria dos transportes públicos colectivos, e pretendem apostar em modos com canais próprios (ex.: comboios, eléctricos, etc) para melhorar a velocidade comercial dos mesmos e, assim, torná-los competitivos com o automóvel. O mesmo automóvel cuja expansão em número de utilizadores e velocidade de circulação eles pretendem promover com tanta obra rodoviária. Parecem achar que melhorar a eficiência do sistema NÃO vai induzir mais utilizadores na rede rodoviária, mas que no caso dos transportes públicos um aumento de eficiência já tem esse poder de atrair mais utilizadores. Esquecem-se que se aumentam a eficiência dos dois concorrentes, fica tudo na mesma. É caso para pensar, então se mais estradas não vão aumentar o número de carros e até vão melhorar a experiência dos que já lá andam, quem irá utilizar os novos transportes públicos? Pela lógica, os novos aderentes aos TP seriam pessoas que antes andariam de carro e que se viraram para os TP porque estes oferecem melhor serviço, o curso natural das coisas se não se tentasse melhorar a eficiência da rede rodoviária e deixasse o caos seguir o seu caminho, quem sabe até dar alguma ajuda (e observando depois o efeito da Evaporação de Tráfego). Mas dado que não é o caso, como é que o TP em canal próprio, que implica investimentos avultados e pouca ou nenhuma flexibilidade no ajuste das rotas, numa zona suburbana (pouco densa), será competitivo com o automóvel, em que o condutor tem toda a liberdade e flexibilidade de ajustar os seus percursos e horários, e a rede viária é continuamente expandida para tentar oferecer-lhe velocidades de circulação inalteradas pelo crescente congestionamento/utilização automóvel?… Como é que as pessoas chegam ao TP em canal próprio? A pé? De bicicleta? De autocarro? Ou de carro?…
Há uns tempos que ando a resmungar que devia fazer alguma coisa, tinha umas ideias para pôr Porto Salvo (and beyond) no mapa do activismo e participação cívica, para mostrar alternativas, apontar problemas e sugerir soluções. Queria tornar Porto Salvo um sítio mais vivo, mais verde, mais amigo das pessoas, mais próspero e interessante. Depois lembro-me que não tenho tempo. Já tenho outros projectos adormecidos e como é que quero meter-me em mais um? E depois ponho-me a fazer estas coisas quando devia estar a trabalhar para ganhar a vida, ou então a descansar e a vivê-la, em vez de estar feita parva a tentar salvar um mundo que parece que não quer ser salvo.
*sigh*
Queria ganhar o Euromilhões, assim já podia trabalhar nestas coisas que ninguém paga, sem ter que me preocupar com de onde virá o dinheiro para viver. Mas não, geralmente isso sai a pessoas que querem essencialmente comprar casas, carros, e passar a vida de férias.
Engraçado que, muitas vezes queixo-me de viver aqui no meio do nada, nem dá vontade de sair para ir à mercearia, etc, é tudo “longe”. E agora plantam-me um mega-hipermercado ao lado. Posso ir de bicicleta que nem há quase subidas (hell, I could walk there, com um trolley de compras e tal), mas não sei porquê duvido que haja estacionamento para bicicletas…
Well, let the hell begin…
Foi hoje lançado o site www.lisboa09.pt.to, um trabalho desenvolvido pelo Bernardino Aranda e pela Rosa Félix.
Este site pretende comparar os programas das 4 principais forças candidatas à CML, compilando-os numa Grelha Comparativa dos Programas Eleitorais, que não só permite uma leitura rápida, sectorial e sintética das propostas concretas de cada candidatura, como permite, tema a tema, uma comparação entre as várias propostas.
Este PDF – um documento de 21 páginas – está disponível para consulta e download em www.lisboa09.pt.to
Nesse site, queremos também dinamizar o debate sectorial dos programas. Esperamos que na caixa dos comentários apareçam análises críticas e é também por isso que te convido a visitares o site, para conheceres o trabalho que desenvolvemos e para deixares lá um contributo, principalmente no tema da mobilidade!
Esperamos que tudo isto contribua para que os lisboetas conheçam melhor as propostas de cada candidatura, e também para um debate de qualidade e aprofundado sobre as políticas para Lisboa.
No passado dia 30 de Setembro teve lugar em Lisboa um debate com as 4 listas candidatas à Câmara Municipal de Lisboa nestas próximas eleições autárquicas, com o tema “Que lugar para o peão em Lisboa?”, organizado por elementos do Passeio Livre.
Mais meia-dúzia de fotos aqui. Estavam presentes à volta de 50 pessoas.
Podem ouvir o registo áudio integral do debate aqui:
A TSF deu eco do debate, mas não captou o propósito do mesmo, mas aquilo em que ele efectivamente se transformou, como se pode concluir pelo título da notícia: “Movimento de Cidadãos organizou debate sobre problema do estacionamento em Lisboa“.
Pessoalmente, fiquei um bocado desmotivada, que lugar haverá para o peão em Lisboa, se quase não há lugar para o peão num debate sobre “o lugar do peão em Lisboa”?… O carro e as pessoas que andam de carro continuam a moldar a cidade, o peão vem em último lugar, e só se houver espaço… E ninguém tem coragem de dar um murro na mesa e fazer o que precisa de ser feito, sem medo de desagradar a todos os que se habituaram a mamar à pala e aos “direitos adquiridos” dos automobilistas. *sigh*
O debate podia ter corrido melhor, sim, podia ter sido melhor organizado, sim. Mas fez-se o que se pôde com os recursos que havia. Era mesmo importante que este debate tivesse lugar, para enfatizar que HÁ PESSOAS QUE SE INTERESSAM POR ISTO, e cada vez serão mais e mais barulhentas e mais exigentes, pelo que é melhor que os políticos, técnicos, empresários, comerciantes, e afins, se mentalizem que as coisas têm que começar a mudar.
Todas as ruas deveriam acomodar o espaço necessário à circulação fluida e confortável dos peões. Onde seja possível 2 cadeiras de rodas cruzarem-se sem problemas, tipo mínimo 2 metros de largura livre, com árvores e canteiros, iluminação, papeleiras e bancos regularmente espaçados. Este espaço de circulação livre deveria ser efectivamente livre, nada de sinais de trânsito, paragens de autocarro no meio do caminho, caixotes do lixo, carros estacionados, etc. O piso deveria ser confortável para os pés e para as rodas e anti-derrapante. Estes passeios deveriam ainda incluir sinalização de rotas, tal como há para quem se desloca de carro, uma pessoa a deslocar-se a pé deve poder saber para onde se deve dirigir para chegar (a pé) a determinado destino (estação, centro comercial, parque de estacionamento, rua A, B ou C, bairro Y ou Z, etc), e deve saber onde há a próxima casa-de-banho pública, por exemplo. Os passeios deveriam estar apenas ligeiramente desnivelados face à faixa de rodagem, para os degraus não constituírem barreiras difíceis de ultrapassar, e totalmente nivelados em todos os atravessamentos e afins. Só depois de implementadas estas vias pedonais com estas condições se veria o espaço que sobra em cada rua. E depois haveria que acautelar a passagem de transportes públicos, se possível e aplicável, depois algum estacionamento de curta duração (cargas e descargas, tomada e largada de passageiros, essencial, e vital que seja bem fiscalizado), depois vias de circulação normais, no número que fosse possível, estudado no plano geral da cidade. Actualmente é ao contrário. O peão fica com as migalhas do que sobrar do banquete dos automóveis e de quem os conduz e estaciona. Enquanto assim for, não há incentivo ao uso dos transportes públicos, bicicletas, andar a pé, que nos valha.
Dentro da cidade, as passadeiras e a semaforização deveriam servir primeiro os interesses dos peões, os atravessamentos têm que ser na menor distância possível e no período de tempo mais curto possível, os peões não devem esperar para passar, carrega no botão e fica logo verde.
Mas não, entretemo-nos a falar da EMEL, de túneis, de “incentivos”, blá blá blá. E a questão essencial, a posição dos peões e da associada liveability da cidade na hierarquia das prioridades eleitorais, continua quase na mesma, o peão é o mexilhão da cidade. Depois admirem-se que ela colapse.
Convidados:
* Nunes da Silva, professor catedrático do IST, especialista em mobilidade e que ocupa o 8º lugar à Câmara na candidatura “Unir Lisboa / PS”
* António Carlos Monteiro, Deputado à AR pelo CDS-PP no distrito de Lisboa, foi Presidente da EMEL entre 2002 e 2005 e foi ainda Vereador da CML com o pelouro do Transito e do Espaço Público. Ocupa o 4º lugar na candidatura à Câmara pela lista “Lisboa com Sentido”
* Carlos Moura, Engenheiro do Ambiente, Ex-Dirigente da Quercus e 4º candidato à Câmara pelas listas da CDU
* Heitor de Sousa, Economista na Carris, Deputado Municipal em Lisboa e recém eleito Deputado à AR pelo BE no distrito de Leiria. É o nº2 à lista da Assembleia Municipal pelo BE
Moderador: o jornalista José Vitor Malheiros.
QUEM DEVE APARECER?
Toda a gente, salvo talvez os acamados.
Quem anda a pé, basicamente, quem sai à rua.
Isso inclui quem também anda de carro, de bicicleta, ou de transportes públicos. Inclui os pais com filhos pequenos a transportar em carrinhos, inclui todas as pessoas com mobilidade condicionada (idosos, doentes, deficientes, etc), inclui os viajantes com as suas malas com rodinhas, e inclui os “compradores” com os seus trolleys, e inclui quem se preocupa com eles, os seus familiares, amigos e colegas.
Devem ainda aparecer os comerciantes e os operadores de transportes públicos, pois são dois grupos fortemente afectados pelas condições de acessibilidade pedonal que, a existirem e a serem boas, potenciam fortemente as suas actividades e o seu sucesso comercial e social.
Apareçam, convidem amigos, e ajudem a DIVULGAR!
O Passeio Livre está na rede!
Postem, retweetem, e-mailem, facebookem, whatever!
Aqui fica a papinha toda feita, é só copiar este código em html e publicar:
<p>É já<a href="http://passeiolivre.blogspot.com/2009/09/passeio-livre-em-debate.html"> esta 4ª-feira, dia <strong>30 de Setembro</strong>, às <strong>18h</strong> no <strong>Cinema S. Jorge</strong>, que se vai discutir com os principais candidatos à Câmara Municipal as condições dos peões em Lisboa</a>.</p>
<p><strong>Convidados:</strong></p>
<p>* <strong>Nunes da Silva</strong>, professor catedrático do IST, especialista em mobilidade e que ocupa o 8º lugar à Câmara na candidatura “<strong>Unir Lisboa / PS</strong>”</p>
<p>* <strong>António Carlos Monteiro</strong>, Deputado à AR pelo CDS-PP no distrito de Lisboa, foi Presidente da EMEL entre 2002 e 2005 e foi ainda Vereador da CML com o pelouro do Transito e do Espaço Público. Ocupa o 4º lugar na candidatura à Câmara pela lista “<strong>Lisboa com Sentido</strong>”</p>
<p>* <strong>Carlos Moura</strong>, Engenheiro do Ambiente, Ex-Dirigente da Quercus e 4º candidato à Câmara pelas listas da <strong>CDU</strong></p>
<p>* <strong>Heitor de Sousa</strong>, Economista na Carris, Deputado Municipal em Lisboa e recém eleito Deputado à AR pelo BE no distrito de Leiria. É o nº2 à lista da Assembleia Municipal pelo <strong>BE</p>
<p><strong>Moderador</strong>: o jornalista José Vitor Malheiros.</p>
<p><strong>QUEM DEVE APARECER?</strong></p>
<p>Toda a gente, salvo talvez os acamados.
Quem anda a pé, basicamente, quem sai à rua.
<p>Isso inclui quem também anda de carro, de bicicleta, ou de transportes públicos. Inclui os pais com filhos pequenos a transportar em carrinhos, inclui todas as pessoas com mobilidade condicionada (idosos, doentes, deficientes, etc), inclui os viajantes com as suas malas com rodinhas, e inclui os "compradores" com os seus <em>trolleys</em>, e inclui quem se preocupa com eles, os seus familiares, amigos e colegas.</p>
<p>Devem ainda aparecer os <strong>comerciantes</strong> e os <strong>operadores de transportes públicos</strong>, pois são dois grupos fortemente afectados pelas condições de acessibilidade pedonal que, a existirem e a serem boas, potenciam fortemente as suas actividades e o seu sucesso comercial e social.</p>
<p><strong>Apareçam, convidem amigos, e ajudem a DIVULGAR!</strong></p>
<p>O <strong>Passeio Livre</strong> está na rede!</p>
<ul> <li><a href="http://passeiolivre.blogspot.com">Blog</a> (o anúncio do Debate está <a href="http://passeiolivre.blogspot.com/2009/09/passeio-livre-em-debate.html">aqui</a>)</li>
<li><a href="http://www.facebook.com/passeiolivre?ref=ss">Facebook</a> (e este evento está <a href="http://www.facebook.com/event.php?eid=135713988405">aqui</a>)</li>
<li><a href="http://twitter.com/passeiolivre">Twitter</a></li></ul>
<p><em>Postem</em>, <em>retweetem</em>, <em>e-mailem</em>, <em>facebookem</em>, whatever!
</p>
A propósito deste assunto, enviei um e-mail ao IGAI a 20 de Janeiro de 2009:
Enviada: terça-feira, 20 de Janeiro de 2009 17:27
Para: geral@igai.pt
Cc: com1cacdlg@ar.parlamento.pt
Assunto: Informação acerca de inquérito a episódio irregular de acção policialBoa tarde,
Gostaria de saber o que está a ser feito em termos de inquéritos, investigações, acções disciplinares e outras, relativamente à actuação desproporcionalmente agressiva, violenta e, nomeadamente, irregular, de alguns agentes da PSP contra um conjunto de cidadãos, no passado dia 16 de Janeiro, na chamada Zona Pedonal de Almada.
Gostaria de ter acesso a informação acerca das razões alegadas pelos agentes para estarem no local, e para, a dada altura, agirem como agiram.
Gostaria ainda de ser informada acerca das contra-ordenações e/ou crimes de que aquelas pessoas (algumas delas detidas e/ou agredidas e/ou ameaçadas e/ou vítimas de danos materiais – aparelhos de gravação de som e imagem propositadamente danificados ou com conteúdo media apagado) eram suspeitas ou acusadas de estar a praticar ou terem praticado, e que motivos são alegados para justificar o modo como foram detidas, e tratadas.
Seria importante saber também que justificações apresentam para determinadas irregularidades tais como a ausência de identificação dos agentes e recusa em fornecê-la a pedido dos cidadãos com quem estavam a lidar, a intimidação daqueles que se encontravam na altura a proceder à gravação de imagens e vídeo, e a destruição deliberada de propriedade privada (câmaras fotográficas e/ou de vídeo e gravações).
Aguardarei resposta a estas questões.
Grata pela atenção.
Cumprimentos,
Recebi ontem a resposta:
From: Geral – IGAI
Subject: RE: Informação acerca de inquérito a episódio irregular de acção policial
Date: Thu, 16 Jul 2009 12:19:58 +0100Assunto: -2/2009 – Arquivamento do PND 32/2009
Encarrega-me o Sr. Subinspector-Geral de informar, que relativamente aos factos ocorridos na Zona Pedonal de Almada, em 16 de Janeiro p.p. e transmitido por V.Exa, que por despacho de 8 de Julho, de Sua Excelência o Ministro da Administração Interna, foi determinado o seu arquivamento, em virtude de não existir matéria indiciária, no âmbito do objecto dos autos.
Com os melhores cumprimentos
A Coordenadora Técnica
Olhem-me bem para isto.
Será possível que ninguém comente este tipo de asneiras? «O presidente da autarquia chamou os jornalistas ao local das obras, no parque, para explicar que a construção de ciclovias é uma “área em que o know-how técnico é muito pouco”.» Ha! No shit?! Pelos vistos, e dada a frequência com que encontro exemplos deste género (e piores) o know-how básico do bom-senso também é escasso…
Ora, fantástico, os primeiros 500 metros de ciclovia estão prontos, e são dentro de um PARQUE URBANO. Um “espaço verde” em S. João da Madeira.
A jornalista lembra que «As ciclovias são faixas destinadas a bicicletas, que se estendem num dos lados da estrada, com 1,20 metros de largura, pintadas de vermelho e balizadas por linhas brancas.» Bolas, espero que não sejam bi-direccionais, com 1,20 m de largura e só de um lado da faixa de rodagem…
No orçamento camarário para 2009 estão descritos sete quilómetros de ciclovia, um investimento de 232.700 euros. Para 2010 estão previstos mais oito quilómetros de ciclovias, um investimento de 120.882 euros.
Ora, 353.582 € para pintar 15 km da berma da estrada de vermelho (dá 23.572 € / km). Os cofres públicos ficam mais pobres em 350 mil euros, os ciclistas perdem o seu direito legal a uns 60 % daquelas vias (se forem assinaladas com aquele sinalzinho azul…) e não obtêm absolutamente nenhum benefício a nível de segurança (pelo contrário*!), conforto, whatever, os políticos podem cortar umas fitas e motoristas e políticos vão para casa descansados porque acham que estão a ser bonzinhos para os ciclistas.
Ora, quantas paragens de autocarros decentes, redes pedonais decentes, parques de estacionamento para bicicletas, programas de formação escolar em condução de bicicleta, ciclovias “atalhos” ou ou ciclovias recreativas/turísticas/interurbanas não sobrepostas com a rede viária normal, etc, etc, é que estes 350 mil euros atirados para o lixo não poderiam assegurar?…
E ainda dizem que somos um país pobre. Somos, mas não é de dinheiro.
* É só tinta. O desconforto associado à proximidade com veículos automóveis continua, pode até ser piorado porque agora não temos espaço por onde gerir a nossa posição na via, e os carros passarão mais perto e mais depressa por nós, o que só torna aquela via mais perigosa para os ciclistas… *sigh*
Chateia-me solenemente não poder viajar de bicicleta pelo país em regime de co-modalidade com o comboio. Parece-me uma combinação perfeita mas a CP parece viver na Idade das Trevas e não consegue ver o potencial da coisa. Por isso há que fazer lobby para que esse potencial seja percebido e explorado, servindo assim os ciclistas, um grupo actualmente desprezado nas ligações de longo curso, e apenas tolerado nas urbanas.
Ora, para fazer lobby temos que saber do que raio estamos a falar, pelo que a compilação do estado actual de coisas deverá ser, a meu ver o primeiro passo. Como tal, perdi umas horas valentes a dar o pontapé de saída disto:
Velocípedes e a Multimodalidade em Portugal
Não respeita apenas às bicicletas & comboios, mas tem a ambição de incluir todos os meios e operadores de transporte (epá, se é pra fazer, aim for great!
). Comecei com a CP.
Convido quem tenha experiência com outros meios de transporte e operadores, nomeadamente de outras zonas do país que não Lisboa, a contribuir para o projecto. Funciona num wiki, aberto, não requer sequer
registo. É só editar.
Penso que esta compilação poderá constituir-se um recurso em si mesma (muitas vezes as pessoas não sabem quais as condições que se aplicam ou onde procurar essa info), mas poderá ser uma óptima base de trabalho de actuais e futuras campanhas de advocacy na área, permitindo detectar os inconsistências e descontinuidades nas redes, as boas práticas, etc, etc, e definir melhor as prioridades e o modo de acção.
Há uns anos ouvi falar disto e fiquei logo interessada. Mais pelo aspecto simbólico, mas também pelo aspecto prático:
Apostasia para efeitos Legais
O apóstata pode pedir formalmente para ser retirado dos registros da religião em causa deixando assim de ser contabilizado para todos os efeitos legais, o que acontecia no caso de religiões cristãs em consequência do acto de baptismo sobre o qual ele não teve (na maioria dos casos) qualquer intervenção consciente. Esta vertente “legal” da apostasia é relevante mesmo em países com separação formal entre o estado e a religião, tendo em conta que muitas decisões políticas em relação às religiões são feitas de acordo com as estatísticas de pessoas registadas e não com o número de pessoas que efectivamente a praticam.
Há umas semanas voltei a ouvir falar do processo, e quando tiver espaço mental e temporal vou tratar disto, sem falta.
Nesta área, outra coisa a tratar é fazer-me associada da AAP.
Por outro lado, sou Madrinha de uma cachopa, já tive que representar o papel na 1ª Comunhão, e acho que ainda vou ter que suportar o Crisma. Na altura do convite (uma pessoa próxima) ainda tentei explicar que sou ateia e tal, mas de nada serviu, e só mostrou a fantochada que estas coisas são para a maior parte das pessoas que continuam a seguir vagamente estes rituais (baptismo e afins, casamento, funeral). No entanto, exceptuando os 3 primeiros, cumpro melhor os 10 Mandamentos da Moral Católica do que muitos pretensos católicos que eu conheço.
Aliás, a minha categoria favorita de católicos são os chamados “não-praticantes”. É como dizer que são Benfiquistas mas depois nos jogos ora torcem pelo Sporting, ora Pelo Porto, ora pelo Benfica, conforme apetece.
Já enjoa esta psicose das pessoas com os perigos da internet para as crianças, dos predadores sexuais que, segundo a crença popular, usam este meio para conseguir abusar e violar mais criancinhas.
Segundo as estatísticas oficiais, em 2008 houve cerca de 1000 denúncias de abusos sexuais de menores investigadas pela PJ. No ano anterior tinha-se revelado que cerca de 50 % das queixas não configuravam nenhum crime (foram arquivadas). Assumindo o mesmo para 2008, temos praí 500 casos de abusos sexuais de menores efectivos. Destes, sabe-se que em 90 % dos casos o agressor é um homem da família da vítima, o que implica que não precisa de aliciá-la pela net, tem contacto directo (e confiança). Restam 50 casos de abuso sexual de menores em que o agressor pode ser um amigo da família, um professor, um padre, um amigo mais velho, ou um desconhecido que aborda a vítima pessoalmente ou que simplesmente a assalta, ou alguém que a aborda inicialmente pela net – como se distribuirão estes 50 casos por estas várias hipóteses?
O stranger danger está a atrofiar as crianças de hoje em dia, que vivem emprisionadas dentro de 4 paredes, muros e automóveis, sem desenvolver autonomia e curiosidade, e desconectadas da sua comunidade e do meio em que estão (des)inseridas. E esse mesmo medo irracional e empolado está a servir de pretexto para restringir as nossas liberdades civis a nível de privacidade e acesso a conteúdos online. Isto não é admissível. Isto não é inteligente.
Quem ganha com isso? Quem perde? Daquelas 500 crianças e adolescentes, Entre 450 e 500 continuarão a ser vítimas de abusos sexuais num mundo em que os pais não os deixam explorar o mundo online da mesma maneira como já não os deixam explorar o mundo offline. Os abusos sexuais continuarão e os abusos morais serão aceites como uma necessidade, uma inevitabilidade.
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