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Ramblings

Há bocado peguei na bicicleta e fui ali a baixo ao Bairro comprar algumas coisas para reabastecer ligeiramente a despensa. Nada de especial, apenas 2 sacos cheios. Não tenho alternativa que não estacionar a bicicleta no já magro passeio (longitudinalmente, claro) presa a um sinal de trânsito. Estava ali naquela pequena e atafulhada mercearia a pensar quanto tempo esta e outras mercearias (e cafés, papelarias, talhos, peixaria, etc) naquela rua (chamada mesmo “Rua do Comércio”) sobreviverão depois do Intermarché que estão actualmente a construir aqui em cima à minha beira, abrir.

O trânsito à minha porta ficará muito pior, mais uma machadada na paz e no sossego, após o alcatroamento da estrada que liga a Talaíde (e que deu jeito, sem dúvida). Haverá concerteza mais movimento na zona, principalmente de carros, pois os acessos pedonais são sempre esquecidos (todos os dias dezenas e dezenas de miúdos caminham por esta estrada até à escola, na estrada (recente, alguns anos) sem passeio nem berma. Não prevejo nenhuma súbita mudança de política por parte da Câmara, pelo que assumo que a construção de uma superfície comercial não traga alterações a nível de acessibilidade não-motorizada…

Com um super (hiper?) mercado aqui, concerteza com ampla oferta de estacionamento gratuito para automóveis, presumo que o pequeno comércio ali do centro do Bairro, já literalmente tapado por todos os automóveis que ladeiam as ruas e ocupam os passeios, sofrerá um revés. Há lojas naquela rua que eu só “descobri” que existiam recentemente, pois raramente passo lá a pé, ou passo de carro ou de bicicleta, e os carros estacionados não deixam perceber o que há na rua… Sim, claro que a minha personalidade e o meu estilo de vida também contribuem, but still

Há uns dias que ando a pensar em algo para fazer aqui. À la Streetfilms, uma “reparação urbana“. Mas além de não ter os meios (political skills) tenho a certeza de que mal se mencionasse “tirar daqui os carros e limitar o estacionamento a poucos lugares e de curta duração” comerciantes e moradores linchar-me-iam. Mas era o que esta zona precisava, remover os carros, alargar e reperfilar os passeios, colocar bancos de jardim, estacionamentos para bicicletas, canteiros. Haver espaço para circular livre e facilmente a pé, ter hipótese de ver as montras. Será mais fácil de ver isso quando os últimos resistentes estiverem em risco de fechar portas?…

Mas para onde iriam os carros? Há demasiados. Algumas pessoas têm mais carros do que espaço em garagem ou quintal. A dependência do carro leva muita pessoas a pegar neles para andar 500 metros (not kidding), de casa até ao café ou até ao ginásio.

Estas pessoas não pagam para guardar os seus carros na rua. Pagamos todos nós. E o preço é não termos árvores, canteiros ou jardins nas ruas, e nem sequer passeios. É preferirmos pegar no carro (ou na bicicleta, no meu caso) e ir mais longe para onde é mais fácil estacionar o carro (ou a bicicleta) durante 15 ou 30 minutos.

É um paradigma que tem que ser mudado mas não sei como, sem ser com um preço do combustível proibitivo que leve as pessoas a serem obrigadas a reduzir o número de carros e a frequência com que os usam. E depois caberia às Câmaras Municipais cobrar pelo uso do espaço público, como deveriam, mas nelas trabalham pessoas que vivem no mesmo paradigma, e quem tem tomates para afrontar os habitantes e os comerciantes assim? Era preciso ter um plano integrado e coerente, e coragem política. Era preciso um Peñalosa ou um Lerner.

A propósito, há tempos soube que o Jaime Lerner iria estar cá em Portugal, iria falar nas Jornadas de Energia de Cascais.Para o lado do sentido Lisboa-Cascais, só escadas! Claro que não podia perder tal oportunidade, e inscrevi-me (sou uma papa-freebies!). Levei o Bruno comigo. :-) Fomos de bicicleta até Oeiras (tudo smooth), depois apanhámos e comboio até ao Estoril. Quando lá chegámos tivemos que levar as bicicletas às costas (de notar que a minha, p.e., deve pesar uns 23 kg…) para descer as escadas, quem vem na direcção de Lisboa para Cascais não tem outra maneira de descer (a não ser que nos tenha escapado algo :-) ).

Ah e tal, energia, ambiente, sustentabilidade, mas não há bike racks!Claro que o Congresso do Estoril não tem bike racks (embora numa outra passagem por ali tenha visto pilaretes e postes usados como racks ali em frente, junto ao Casino). Já se sabe que em Portugal isto é tudo blá blá blá, “a sustentabilidade”, e “o ambiente”, e “mudar hábitos”, yadayadayada. Depois de falar com as raparigas da recepção do evento, falei com o segurança (que entretanto já estava cá fora a mirar as Xtracycle, eheheh), e ele foi simpático e deixou que estacionassemos as bicicletas lá dentro, deixámo-las num canto, presas uma à outra, just in case.

Macário CorreiaChegámos a tempo de assistir à apresentação do Macário Correia, que mandou umas bocas certeiras aos atrasos, e, finalmente, à do Jaime Lerner. Jaime LernerThis is the stuff I’m talking about. Carisma, obra feita, bom orador e bons slides. Engaging. Inspiring. Digam-me onde é que temos em Portugal alguém que possa vir apresentar algo remotamente semelhante ao que o Lerner e o Peñalosa fizeram nas suas cidades. Não, nós cá é só politiquices, jogos, esquemas, não se vê boldness acompanhada de competência, criatividade, isso vê-se nestas conferências, os políticos só falam do que se tem que fazer, dos bons exemplos, patatti patatá. Uma pessoa adormece. E depois andam ali às voltas no discurso, nos pseudo-debates desenrolam novelos que às tantas já nem sabemos qual era a pergunta e tentamos a custo descortinar para onde segue aquela linha (tortuosa) de raciocínio.

Porra, pá.

Apanhei em vídeo estes dois momentos reveladores da personagem Jaime Lerner. Enjoy:

Mais fotos aqui.

Quando voltámos (só fui lá mesmo por causa do Jaime Lerner, viémos embora no intervalo para almoço), fotografámos os acessos à estação.

Rampa de acesso à Estação de comboios do Estoril Deste lado temos escadas + rampa, é só escolher

Para o lado Norte da estação de comboios, deste lado da linha, podemos passar ou por cima, usando as passadeiras e os semáforos, ou podemos passar pela passagem subterrânea, há uma rampa e uma escadaria deste lado (do Casino e assim) e outra do outro lado.

O túnel Rampa ou escada para o lado do sentido Cascais-Lisboa

Estranha e incompreensivelmente, o acesso à margem Sul da estação só tem acesso a partir deste túnel por uma escada. Não há rampa, pelo que conseguimos apurar. À ida tivemos, assim, mais sorte, levámos as bicicletas a rolar pela rampa. :-)

Rampa de acesso ao lado Norte da Estação do Estoril Bicicletas estacionadas junto ao quiosque-bar

Cá em cima vimos duas bikes estacionadas presas às grades dos canteiros. :-) Lá apanhámos depois o comboio de volta a Oeiras. Em Carcavelos vimos imensas (tipo cerca de 15) bicicletas estacionadas junto à estação, presas ao que houvesse livre. :-D A CP can’t seem to take a hint, it looks. Sad, sad, sad…

Bicicletas no comboio MONTES de bicicletas estacionadas na rua junto à estação de Carcavelos!

Quando saímos em Oeiras, vimos algumas bikes estacionadas na rack do lado Norte (as do lado Sul são mais concorridas). E reparei numa com uma cadeirinha de criança sui generis. Nunca tinha visto tal modelo/conceito. Era de montar à frente, mas não no quadro, estava montada sobre a roda dianteira. Além disso tinha um mecanismo que transformava a cadeira num cesto para bagagem quando não havia puto nenhum para transportar. Muito fixe mesmo!

Bikes estacionadas na rack do lado Norte Unsusual child carrier

Pelos iluminados ou por todos?

Que tal pelo próprio, único e principal interessado?…

Citação (aos 60 minutos) do Presidente da Sociedade Portuguesa de Bioética, Rui Nunes, no Sociedade Civil de hoje (great show, by the way, verdadeiro serviço público):

Não podemos continuar a entender que os portugueses são crianças, que são irresponsáveis, que não conseguem apreender um conceito complexo como este. Claro que conseguem, claro que conseguem, todos os estudos de opinião o dizem. Nós fizémos um estudo alargado com pessoas internadas em lares de terceira idade e residências. Algumas pessoas mal sabiam escrever, mas todas percebiam o que estava em causa, portanto não vamos passar um atestado de menoridade aos portugueses e dizer que isto é só para as elites, para os iluminados, porque o comum dos cidadãos não percebe nada disto, não tem que perceber, e os iluminados é que vão decidir por todos nós.

Ora, não vamos pôr os “iluminados” a decidir por todos nós, vamos pôr os iluminados bem como todos os obscurecidos. A minha vida e os meus direitos fundamentais não devem ser decididos por um grupo de especialistas, isso era passar-me um atestado de menoridade. Não, justo e democrático é pôr os meus pares a mandar bitaites acerca disso e a decidir se eu posso dispôr de mim própria ou não… Especialistas, fundamentalistas religiosos, imbecis e génios, toda a gente a decidir reconhecer ou não um direito fundamental dos outros, mas sem direito a exercê-lo em si próprio, em sentido oposto, após o referendo. I see…


Promover uma reflexão e um debate nacional sobre a eutanásia é um dos propósitos do presidente da Associação Portuguesa de Bioética. Rui Nunes entende que um referendo nacional poderia ser uma forma de conseguir essa “reflexão crítica sobre a morte medicamente assistida na perspectiva ética, jurídica e social” e diz mesmo que pretende contribuir para um “debate plural na sociedade portuguesa”.

O especialista esclareceu que o parecer para o referendo trata, apenas, da eutanásia voluntária que consiste em “abreviar o momento da morte de alguém a seu pedido, firme e consciente, através da intervenção directa de um profissional de saúde” e que seria “eticamente inaceitável se o tema não fosse de consulta popular”.

Concordo que a sociedade precisa de discutir estas questões, as pessoas precisam de ser educadas e precisam de esgrimir os seus argumentos para formarem as suas opiniões. Mas não posso aceitar que se faça um referendo para obrigar a essa discussão.

Será que o fim da escravatura também foi referendado? Será que o sufrágio das mulheres foi sujeito a voto (lol)? Que direitos fundamentais foram reconhecidos por referendo?…

Quanto ao programa, que é “pluralista” (ver min 65), achei mal convidarem católicos, islâmicos, budistas e hindus a expressarem a sua filosofia de vida e as suas crenças religiosas e deixarem de parte os nossos amigos da IURD, os mórmons, os evangélicos, etc, etc, todas as seitas com filiais em solo português.

Eu pensava que quando alguém dá algo a outro alguém, essa “prenda” passa a pertencer ao presenteado. Mas isso não se aplica ao deus católico, que dá algo mas tecnicamente continua a controlar essa oferta. Ou seja, não dá nada. É como eu oferecer um livro à minha irmã agora pelo aniversário dela mas dizer-lhe que ela não pode dispôr do livro, só eu é que decido quando é que ela pode emprestar ou dar o livro a alguém. Segundo o padre Jerónimo Trigo (min 66) a vida é um dom que nos é dado por deus, e não é nosso para dele dispôrmos. Ora é dado mas não é nosso. I see… Os católicos gostam de se sentir umas marionetas, é o que sou levada a concluir…

Olhem, nem vou continuar a comentar as ideias do islão, do budismo,… epá, aquela cena do karma é lixada… Coitados se aquilo for tudo uma tanga e não houver karma nem reencarnação nem nada, terão sofrido para nada…

Pro-life and the sanctity of life, by George Carlin

A propósito disto, que descobri por aqui, dou a palavra ao George:

[Claro que o homem não podia ser perfeito. :-P ]

*sigh*

Às vezes é difícil evitar umas breves recaídas

Ousar

Ah, the story of my life… Aquela vontade de recuar, desistir, fugir… I get it all the time, with big things and “little” things. Mas há que vencer os medos, as inseguranças, as fraquezas e avançar! Nesse aspecto, eu “oiço vozes”, há outra Ana que me diz a toda a hora, “não sejas parva, go for it, rise above!”. I do have to be a bit crazy to be able to keep living in this world. ;-) Mas isto de estar sempre a “contrariar-me”, a forçar-me a ir na direcção oposta, a fazer aquilo que não me sinto capaz ou confortável a fazer, é cansativo. Mas aprendi que é algo que tenho que fazer se quero levar uma vida com sentido, ao longo da qual possa ir crescendo e enriquecendo-me de experiências fulfilling, com significado, que me transformem e me tornem em alguém que eu goste de ser e que se sinta confortável e minimamente segura na sua pele, e na sua vida.

Obrigada ao Mário por me enviar este vídeo. Gostei. :-)

Ecocentro IPEC

Enviaram-me o link por mail (obrigada solarq!):

Mais info aqui.

Cool! :-)

Free Range Kids - o vídeo

A propósito desta questão, vejam a entrevista ao miúdo e à mãe aqui. Os americanos andam mesmo um bocado paranóicos. E a paranóia já começa a chegar cá…

It’s all in your mind, for real

Epá isto é tão creepy… Percebo a cena como um brinquedo masturbatório altamente sofisticado. I get that. I’d probably digg it if I was a guy. Agora a ligação emocional, a fantasia além sexo… It blows my mind.

Será que este “fenómeno não ocorre com mulheres? Não há mercado para “bonecos reais”? O sexo nos homens está como a maternidade para as mulheres?…

Isto é fascinante…

Agora chega cá ao cinema o “Lars and the Real Girl“. Eu gostei. As coisas que as pessoas aceitam e fazem quando gostam de outras. :-)

For some people finding a partner in life can be difficult.. 10 years ago, a small factory in California began making alternative partners.

[Via]

The world is just awesome

[Via]

Tab clearing

O José Rodrigues dos Santos poupa água mas não recicla. Nada. É “muito complicado” e é o que as pessoas normais (não) fazem.

Reciclagem? Pois, isso não. Nem vidro, nem plástico, nem papel? Nada? «Não, não faço. Sou uma pessoa normal». Muitas pessoas normais reciclam. «A média do cidadão não recicla o lixo. É muito complicado. Um saco é azul, outro é não sei o quê, aquilo é uma confusão»

[Via]

É por ‘role models‘ destes que o mundo (e nós que nele vivemos!) anda a ficar exaurido e envenenado.

Este artista (mas este é mesmo um artista, o JRS é mais um ‘artista‘) incorpora a sensibilização/educação/advocay nas suas performances:

[Via]

Quem não gosta de ser uma “pessoa normal” (a.k.a. irresponsável, porca, negligente) aqui no concelho de Oeiras tem a vida dificultada. O município começou por ser pioneiro, exemplar até, neste campo; tínhamos ecopontos e recolha porta-a-porta (o sistema mais eficiente, mesmo economicamente). Em Julho de 2007 o princípio do fim foi decretado. Assumi que fosse em todo o concelho, mas havia sinais que indicavam outra realidade.

Estamos em 2008 e em Porto Salvo não há recolha porta-a-porta de reciclagem (nem do lixo normal, como há muitos outros locais, com contentores individuais para cada moradia ou prédio). Em Leceia aqui a 3 km continua a haver. Pelo menos teoricamente, pois umas semanas aparecem, noutras não, é conforme lhes apetece. Mas noutros locais do concelho o sistema porta-a-porta mantém-se. Ora, se eu pago os mesmo impostos que os outros, não deverei ter direito aos mesmos serviços e infrastruturas?… Será que só Barcarena e Porto Salvo foram negativamente discriminadas para este downgrade? Para quem não sabe, estas duas freguesias são os filhos bastardos do Isaltino Morais que faz questão de não fazer cá nada. Quando faz é servindo outros interesses externos…

Entretanto o governo está a estudar a hipótese de implementar a recolha porta-a-porta de fraldas descartáveis para as reciclar e impedir de se acumularem no ambiente (degradação leva 500 anos… e cada bebé implica várias toneladas de fraldas).

Nunca percebi a displicência com que as pessoas admitem, orgulhosas até, por vezes, que não reciclam. Para mim é como dizer que não se dão ao trabalho de usar a casa-de-banho e mijam e cagam onde calhar, porque o WC é muito complicado ou dá muito trabalho. Epá, desculpem lá, mas é mesmo assim. Eu sou péssima na questão da poupança de água. Bom, péssima não, para o padrão das “pessoas normais”, mas péssima para o meu padrão, pelo menos. Se confontada com isso eu tenho é que admitir e ficar envergonhada, e não ostentar orgulhosamente a minha própria estupidez, má educação e falta de sentido cívico.

As pessoas não se preocupam com o tipo e quantidade de embalagens que adquirem e como se desfazem delas, com os seus gastos de energia eléctrica em casa, no trabalho, nos transportes…

Tenho a sensação que para a imensa maioria de “pessoas normais” em Portugal todos os dias são “Energy Wasting Day“2…

[Via]

Entretanto encontrei algo que ajuda a perceber por que é que para, uma viagem, optar pela solução mais respeitadora do ambiente e mais agradável, o comboio, em vez do avião, sai mais caro ao consumidor… *sigh*

A propósito of all the fuss acerca da indisciplina e violência nas escolas despoletada pelo último incidente mediatizado, da miúda a medir forças com a professora por causa de um telemóvel, recomendo a leitura deste artigo. Não é o mesmo tema, mas tem subjacente as mesmas causas: crianças mal educadas, mal formadas, que se tornam adultos egocêntricos, tiranos, mimados, prepotentes, etc, etc.

este outro artigo é sobre a educação/ensino e trata de tentar responder à questão “porque é que os miúdos filandeses são tão espertos?”.

Entretanto estou muito lixada da vida porque perdi todas as minhas tabs do firefox depois de um upgrade menos suave. :-( Eram dezenas de cenas em stand-by. Damn it! Só não perdi estes links porque já os tinha num draft de post. Enfim, uma limpeza geral forçada. Mas já acumulei umas 10 tabs entretanto. Há hábitos difíceis de largar, ou pelo menos domar. :-P

Um bebé da talidomida

É brutal, não é?

Não vou dizer “olhem, como basta a força de vontade e blá blá blá, e que um deficiente pode levar uma vida normal e blá blá blá”. Aquele discurso do coitadinho ao contrário. O que distingue o Paulo dos outros não é a sua deficiência. Porque senão todos os deficientes seriam desta “estirpe”. O que o distingue é a sua personalidade, em muito moldada pela sua educação e, claro, pela forma como ele e a família reagiram à deficiência. O Paulo não é um deficiente extraordinário, é uma pessoa extraordinária, quer tenha sido por causa da deficiência com que se confrontou, quer tivesse sido por quaisquer outras dificuldades com que ele pudesse ter sido confrontado ao longo da vida.

A talidomida é uma molécula quiral, é como as nossas mãos, há uma esquerda e outra direita, enantiómeros, são imagens de espelho uma da outra. O problema dos bebés da talidomida ocorreu porque a produção da molécula, usada na altura como um medicamento para os enjoos, originava misturas racémicas (mãos direitas e esquerdas tudo ao molho), e as moléculas não eram separadas para serem comercializadas como medicamentos… O problema surgiu porque a talidomida não foi contra-indicada às grávidas, que a tomavam para combater os enjoos matinais. Ora, a forma “mão esquerda” era um tranquilizante poderoso mas a forma “mão direita” era capaz de perturbar o desenvolvimento fetal, resultando em deficiências graves nos recém-nascidos. Ao não retirar o enantiómero “mau” e não indicar a contra-indicação para a toma do medicamento por grávidas, criou-se uma geração de bebés da talidomida…

Cheating-offsetting

Brilliant!

Acho que a moda do carbono zero é uma coisa válida e interessante para coisas “inevitáveis”. Mas usar esse sistema para simplesmente continuarmos a levar o mesmo estilo de vida de overcomsumption do costume mas com a consciência tranquila, em vez de fazermos mudanças e melhorias nas nossas opções e consumos quotidianos, é uma hipocrisia. É realmente continuarmos a portar-nos mal pagando a outros para se portarem bem por nós. Ora, é difícil alguém se portar bem por si próprio e por outros. Se consegue, talvez não se esteja a portar assim tão bem só por si…

Cada vez gosto menos da nova trend verde e bio. Está a tornar-se politicamente correcta mas numa versão que é mais fantochada que outra coisa. Detesto gente que só passa a agir da forma correcta quando vê que aquilo lhe pode dar mais dinheiro, quando tinha informação e condições antes para o fazer e não fez. E o pior é que muitas vezes esse novo shift é mais aparência do que substância… :-(

Mas adiante, não acham a iniciativa destes gajos, excelente? :-D Eheheh, eu adorei! :-P

[Via]

Testemunha

Sabem que eu sou uma huge fan da TED. :-) Agora resolvi começar a ver os vídeos que tenho em atraso, começando por ordem cronológica, para não falhar nenhum. Acabei de ver este, que fala da Witness e do seu fundador, o músico Peter Gabriel. Como a justiça é um valor e um tema que me é caro, não posso deixar de divulgar:

The world now eats (and dies) like Americans

3 minutos bastam to make the point

A história das coisas

Tenho isto aberto numa das minhas 500 mil tabs há meses. Acho que foi um link indicado pelo Mário, mas não me recordo. The Story of Stuff:

From its extraction through sale, use and disposal, all the stuff in our lives affects communities at home and abroad, yet most of this is hidden from view. The Story of Stuff is a 20-minute, fast-paced, fact-filled look at the underside of our production and consumption patterns. The Story of Stuff exposes the connections between a huge number of environmental and social issues, and calls us together to create a more sustainable and just world. It’ll teach you something, it’ll make you laugh, and it just may change the way you look at all the stuff in your life forever.

Uns teasers muito elucidativos do que está aqui em questão:

O vídeo foi realizado pelo pessoal da FreeRangeStudios responsáveis por outras cenas fixes como a Meatrix, the Mouth Revolution, as Grocery Wars, e outras).