Archive for the 'mulheres' Category

Erm…

Publicado ontem no DN, crónica dos Jogos Olímpicos, escrita por Rui Hortelão:

Tinham acabado de nadar, pedalar e correr durante quase duas horas. Conquistado medalhas olímpicas, dado entrevistas para o mundo inteiro e até autógrafos. Mas na hora de voltarem ao hotel, Vanessa Fernandes, Emma Snowsill e Emma Moffat continuaram iguais a elas próprias. Montaram-se nas respectivas bicicletas e partiram rampa acima. Sim, a pedalar. É talvez o único aspecto em que o triatlo remete para o passado. Em tudo o resto, a modalidade transpira juventude, inovação, organização e profissionalismo. (…) O resultado da rigorosa organização interna, do contacto profissional com o exterior e da ambição de fazer melhor está à vista: uma medalha de prata e uma atleta com a garra de Vanessa Fernandes. Quando se entusiasma, a vice-campeã olímpica até fala de si no masculino. Ontem, aconteceu várias vezes: “um gajo” isto, “um gajo” aquilo e “quando um gajo”…

Daqui se depreende que o jornalista é um homem atrás do seu tempo: usar a bicicleta como meio de transporte (além de desporto e ganha-pão) é uma cena do passado, e garra é coisa de homem.

Nem sei o que diga, sem comentários…

Pro-life and the sanctity of life, by George Carlin

A propósito disto, que descobri por aqui, dou a palavra ao George:

[Claro que o homem não podia ser perfeito. :-P ]

Ir às compras ao Amoreiras de triciclo

Há dias reparei nuns outdoors do centro comercial Amoreiras em que aparecia uma mulher num triciclo numa aura de glamour, transportando umas compras, a ilustrar o “prazer urbano” de “passear”. Como imaginam fiquei contentíssima! :-)

De triciclo às compras no Amoreiras, and looking good doing it?

É disto que precisamos mais, o uso da bicicleta retratado nos media e na publicidade numa luz positiva, associado a prazer, estilos de vida valorizados, pessoas normais, etc.

Como não sou frequentadora habitual deste centro (só lá fui umas 2 ou 3 vezes), lembrei-me de procurar saber se aquela publicidade era “inteligente”, i.e., se aquele comportamento que era usado no outdoor e no site para atrair clientes e “vender” o conceito do Amoreiras era suportado por políticas internas do mesmo ou se era mais uma hipocrisia da moda do “verde” (geralmente oco).

Assim, resolvi tornar-me uma activista, e perder 10 minutos nisto. Fui ao site procurar info dos serviços do centro e vi que referem a existência de 900 lugares de estacionamento (pago) à disposição dos seus clientes. Não é discriminado quantos são para automóveis, motas e, eventualmente, bicicletas. Assim, resolvi enviar-lhes um e-mail a procurar saber:

From: bananalogic
To: amoreiras - shopping @ mundicenter . pt
Subject: Estacionamento no shopping Amoreiras
Date: Wed, 21 May 2008 11:46:58 +0100

Bom dia,

Há dias reparei num outdoor do Amoreiras em que aparecia uma mulher de triciclo, a ilustrar o “prazer urbano” de “passear”. Como utilizadora regular de bicicleta como veículo de transporte, fiquei muito contente de retratarem esse comportamento numa luz de sofisticação, glamour e prazer, dando-lhe visibilidade e valorizando-o.

Serve o presente e-mail para procurar saber se os 900 lugares de estacionamento referidos no vosso site contemplam alguns para bicicletas (e triciclos, porque não?). Se contemplam, gostaria de saber se são pagos e se sim, a que tarifa, bem como quais as condições oferecidas (localização, segurança, tipo de estrutura de estacionamento).

Aguardarei com expectativa uma resposta.

Muito obrigada pela vossa atenção.

Cumprimentos,

Agora resta aguardar.

Tenho que fazer isto mais frequentemente, porque as pessoas destas empresas não vêm ler as minhas rants sobre mobilidade neste blog. :-P Tenho que me queixar e tenho que dar sugestões, uma vez que o interesse e a proactividade não parece partir deles, espontaneamente… :-(

Deve haver aqui algum engano

Os cuidados da pele feminina, segundo a Avene:

Alguém avise a minha pele, sff

Ora, tenho 27 anos e uso produtos para a faixa dos 12 aos 20. Daqui a pouco já devia estar a mudar para a gama dos 30 e ainda nem passei para a dos 20!! Alguém avise a minha pele que o acne já passou de validade, sff. Acne e rugas é que não dá, man! Não posso usar dois tipos de cremes em simultâneo. Ou bem que trato do acne ou bem que trato das rugas. Se fizer um mix a pele ainda apodrece e cai, ou seca e quebra, ou… :-P

Talvez a minha pele reflicta a minha idade mental, lol!

Cenas para ir

5ª-feira, dia 21 há um seminário sobre mobilidade sustentável em Santa Maria da Feira. É um bocado longe e o programa é muito vago para me interessar. Estou é a pensar ir às “Jornadas Quercus de Arquitectura Sustentável”, o primeiro dia é já neste sábado. É uma chatice ser tão longe, no Porto. Se acabar mesmo por ir serão 6 horas de viagem ida-e-volta, de comboio. Não é problema, eu gosto de andar de comboio, sempre posso ler, navegar na web (se levar o portátil), mas ainda fica caro. :-( Já estive a ver os horários, para lá tinha que apanhar um Alfa Pendular, que são 27,5 €, e para cá um Intercidades, por 19,5 €. 47 € do comboio, mais 40 € da inscrição no evento, mais almoço e snacks fora… Uns 100 €. Em 2006 foram em Fátima, aqui mais perto, e gratuitas.

Espero que valha a pena. Gostava de ir aos 4 dias (espaçados entre Fevereiro até Maio), mas já sei que pelo menos ao de dia 29 de Março não vou poder ir, porque a CaP vai participar num evento nesse dia. Damn it! Durante uns meses está tudo morto e de repente surgem montes de eventos e cenas, pá. O que eu não dava pelo dom da ubiquidade (bom, bastava o de estar em 2 ou 3 lugares ao mesmo tempo, estar simultaneamente em TODO o lado dificultava o blogging posterior, lol). Bom, é uma pena não poder ir ao das casas de madeira e dos green roofs, mas o da água já me parece interessante (e fundamental), e até agora nunca participei em nada que abordasse o tema.

Entretanto, soube também de outro evento interessante para este sábado, um dos Cursos Livres sobre Feminismos da UMAR: “Prostituição/Serviços Sexuais”: estudos e experiências + perspectivas feministas ao fenómeno da prostituição/serviços sexuais (abolicionismo vs regulamentarismo). Sim, eu sei, nada a ver, mas já sabem que eu curto estes temas assim. :-P Mas acho que vou optar pelo do Porto. A não ser que me dê muita preguiiiiiiiçaaaaa. ;-)

Reborns

Se as bonecas são sinistras, que pensar de bebés falsos

Infelizmente os vídeos já foram retirados do YouTube, devia ter blogado logo, assim ainda viam. :-P

Acho estas cenas fascinantes. Desconcertantes…

“Nunca pensei nisso”

Eu tentei, eu tentei escrever um comentário a isto… Mas, epá, é tão mau e tão típico e tão revelador das incoerências e contradições destes gajos que,… desisti.

Faz lembrar o Marcelo, durante a campanha do referendo à lei do aborto.

I’m just here because God called me“. Será que lhe ligou pró telemóvel?

Mulheres das obras

Também as há, e devem ter equipamento próprio desenhado para elas, sem ter que se sujeitar aos produtos feitos para os homens (dominantes no ramo). Pois aqui está: TomBoy Trades, uma linha de equipamento (botas, cintos de ferramentas, óculos de protecção, T-shirts e capacetes) para mulheres. :-) É uma excelente ideia de negócio! A ideia partiu da fundadora que, depois de deixar o emprego na IBM, se inscreveu num curso de formação nas áreas da construção civil, planeando criar a sua própria empresa no ramo. Foi quando se deparou com a falta de equipamento para mulheres que teve esta ideia de negócio “paralela”. :-)

Mas há mais, uma linha de ferramentas especialmente desenhadas para mulheres (não só para construção civil, mas para o bricolage caseiro, porque não?), da Barbara K. Mais ferramentas (e formação) da Tomboy Tools. E finalmente, um empresa de construção civil “com um toque feminino”, “A Woman’s Touch“, para quem não curte contratar serviços em que os trabalhadores dizem palavrões como se fossem pontuação, cospem para o chão, bebem álcool em serviço e deixam as garrafas por todo o lado, etc, etc.

Muito fixe, não é? :-)

Mas isto é mesmo real?

Porra. Não sei se hei-de me sentir mal por, aos quase 27, estar em muito pior forma que esta senhora de 71 (!), ou se me devo sentir bem porque é possível que daqui a uns anos eu também possa ser assim, uma velhota toda práfrentex and with her groove on. :-)

Incapazes de amar

Este homem de 45 anos, “simplesmente não consegue amar mulheres verdadeiras“. Em vez disso, compra bonecas realistas (sex dolls) que acumula em casa, um harém de silicone, nas quais já gastou mais de 172.000 USD (algo como 117.000 €). É a elas que recorre para “amor, afecto e sexo“. “Uma rapariga humana pode ser-te infiel ou trair-te às vezes, mas estas bonecas nunca fazem essas coisas. Elas pertencem-me a 100 %.” What a fucked up guy… E parece que esta incapacidade de relacionamento humano, de estabelecer uma relação afectiva/amorosa/sexual com outro ser humano, afecta cada vez mais homens no Japão…

Haverá algo mais triste que a incapacidade de amar (e ser amado)?…

Lembram-se do filme “Boneca Mecânica”, com a Melanie Griffith (Cherry 2000)? Eu gosto bué deste género de filmes que exploram a fronteira homem-máquina (Terminator, Bicentennial Man, I Robot, Artificial Inteligence, etc), o tema fascina-me. Claro que a Cherry realmente parecia uma mulher verdadeira, era um robot hiper-realista. Estas são apenas bonecas imóveis.

Espero que um dia estas bonecas-robot sejam mesmo muito realistas e hiper-baratas, talvez o tráfico, violação e escravização, abuso e violência dos homens (e algumas mulheres!) sobre as mulheres (reais) acabe, se as bonecas servirem a procura de sexo e violência por parte de homens perturbados e/ou sem escrúpulos. Vi há umas semanas na televisão um filme sobre esta questão e fiquei horrorizada. Uma coisa é ler sobre isso e ver uma coisa aqui e outra ali, outra é espreitar a vida de alguém concreto enredado nesse pesadelo do tráfico e exploração sexual de mulheres… Não compreendo como pode haver gente tão cruel…

I’m a ‘city cycling’ banana!

Não sei se já vos disse, mas eu adoro a internet. É uma coisa verdadeiramente fantástica! :-) A distância passa a ser quase irrelevante, podemos contactar rapida e facilmente com pessoas em qualquer canto do mundo, espreitar o mundo delas e deixá-las espreitar o nosso, tudo sem ter que sair da cadeira. Não digo que seja melhor do que viajar e estar com as pessoas e nos lugares ao vivo, porque não é, mas é um excelente sucedâneo.

Bom, isto para introduzir a notícia de que esta banana foi featured num artigo da revista online CityCycling, edição de Novembro: «pedal power from portugal - citycycling talks to Ana Pereira, Portuguese “bikepreneur” and “cenas a pedal” co-founder».

artigo_ana_citycycling.jpg

Muito fixe! :-)

O Anthony, editor da revista (e com quem ‘partilhei’ a página na coluna “I love riding in the city“, da Urban Velo de Setembro!), convidou-me a responder a uma série de perguntas e deu-me liberdade para redigir o texto de resposta. O resultado foram 5 páginas com a minha história com as bicicletas. Foi engraçado lembrar-me de tudo aquilo e passá-lo para o papel (em inglês, claro está). A primeira página do artigo é esta, depois é só clicar em “next”. :-)

Também curto bué escrever, já vos tinha dito? :-P

Morreu a Anita Roddick

Soube hoje. Morreu aos 64 anos, com uma hemorragia cerebral, no dia 10 de Setembro.

Lamento esta perda. Conhecia a Anita Roddick de nome, sabia que era a fundadora da Body Shop. Um dia (há alguns anos, já) no zapping do costume parei num documentário. Uma mulher andava na rua disfarçada de “velha”, para ver (e sentir) como é ser velho nesta sociedade. Também fez outra cena em que se disfarçou de obesa. O tipo de cenas que eu adoro ver na TV. :-) Bom, a dada altura percebo que aquela mulher é a Anita da Body Shop. Continuei a ver. Gostei dela. Há uns meses (talvez já mais de 1 ano), descobri o site/blog dela. Andei por lá a deambular. Li algumas coisas. Lembro-me de ter gostado de alguns textos sobre empreendedorismo, nomeadamente os de uma entrevista que ela deu (parte 1, parte 2). Identifiquei-me com o que ela dizia, gostei do estilo, das ideias. Foi reconfortante ver que alguém assim conseguiu levar as suas ideias avante, sem ter que fazer as coisas como os outros fazem.

Tomara que estejam outras Anitas a nascer por esta altura, precisamos desesperadamente de gente assim.

Success is going from failure to failure without a loss of enthusiam” – Winston Churchill

Desigualdades de género

Via Renas, vi isto numa apresentação:

«Women work 2/3 of the world’s working hours, yet receive only about ten percent of the world’s income. This is because women are responsible for most of the world’s unpaid labour, which often goes unrecognized – like childcare, cooking and cleaning.»

É brutal, não é?

Mulheres não podem andar de bicicleta no Irão

Fónix, que viver sob o Islão é mesmo do piorio!… Agora nem andar de bicicleta (nem patins ou scooters) é permitido às mulheres no Irão, pelo menos “em público”. É uma boa capa para o lobby do petróleo e do automóvel…

Bikes, bikes, BIKES!

Hoje fui a Cascais de manhã e num espaço de 5 min e “meia dúzia” de metros, entre a estação de comboios, o Cascais Villa e o Jumbo, vi 14 bicicletas estacionadas ou a serem utilizadas. 14! Mais a minha (a única mini, única dobrável) são 15. :-) E 3 eram BICAS.

Há bocado fui a Oeiras e levei a bicicleta grande. 5,5 Km até ao meu destino, feitos em 20 min (em que quase 5 foram para a estacionar e prender com os cadeados). O mesmo para cá. Se tivesse levado o carro teria levado o mesmo, ou talvez menos 10 min se encontrasse logo lugar e próximo. Se fosse de autocarro teria levado mais tempo, e ainda tinha que andar um bocado porque nenhum passa lá. E, claro, ficaria sujeita aos horários, e ao trânsito, porque a estrada é a mesma dos carros. :-P

My bike

Poupei dinheiro, fiz um bom exercício e deu-me um gozo imenso passear um bocado, apanhar sol na pele e sentir o vento fresquinho! :-D Sei que estou sempre a reptir a mesma coisa, mas que posso fazer, tenho que partilhar a satisfação! :-P lol A minha mãe e a minha irmã viram-me de novo em casa e perguntaram estupefactas “mas já foste a Oeiras e já voltaste? Foste muito rápida!”. lol Eu bem lhes digo que a bicicleta é o meio de transporte mais eficiente para pequenas distâncias, mas elas ainda não encaixaram bem isso. ;-)

Às vezes sinto que estou a desempenhar um trabalho social, ao andar por aí de bicicleta. Porque penso e sinto que é importante dar o exemplo e mostrar aos outros que é possível e agradável deslocarmo-nos de bicicleta. Porque sei que ver outras pessoas a fazer algo nos motiva, ou pelo menos desinibe e dá confiança, a fazermos também. Quantos mais malucos houver a fazer isto mais hão-de haver a seguir, até já não ser uma coisa de malucos, ser normal, como andar a pé, de carro ou de autocarro. :-) Sendo mulher esta carga de “exemplo” é ainda maior porque, embora se observe um grande aumento no número de pessoas a usar a bicicleta diariamente, raramente esses bike commuters são mulheres, ou mesmo miúdas (já era assim quando eu era uma também). Dou um exemplo bom por isso (”as gajas também podem e conseguem”), mas muitas vezes dou um mau por não usar capacete. Faço-o geralmente por duas razões: 1) por causa do calor (o capacete não me permite arejar a cabeça!) e 2) porque tenho a impressão que quando não levo capacete (e o meu vestuário e/ou acessórios me identificam rapida e facilmente como mulher) sofro menos razias. Penso que isto é porque os motoristas passam imediatamente a associar-me com duas características que os estereótipos ligam a fraqueza: sou inexperiente na estrada e com a bicicleta (porque não visto licra nem uso capacete) e sou naturalmente naba a guiar seja o que for (porque sou mulher). Nenhum deles é verdade, mas na prática funcionam a meu favor, porque me tratam com um bocadinho mais (só mesmo um bocadinho) de condescendência e atitude defensiva.

Hoje tem estado um dia mesmo lindo, não vos parece? Muito sol, mas o vento é fresco por isso conseguimos manter sempre uma temperatura corporal agradável. :-) Ah, a Primavera!… Oops, acaba mesmo hoje! :-P