Archive for the 'mulheres' Category

And now, for something completely different…

Vamos falar de sexo. Yah, isso. E questões de género associadas. Um dos meus temas (se não ‘o’ tema) preferido de sempre, embora nos últimos tempos tenha andado mais entretida com questões de mobilidade. ;-)

Bem dizia Baz Lurham “Do NOT read beauty magazines, they will only make you feel ugly.

Quando era adolescente, desde os 10 aos 18 anos, era muito “self-conscious”. Bom, muitíssimo mais do que sou hoje, quero dizer. Preocupava-me muito com o facto de, aparentemente, cair sempre mais prós extremos da curva de Gauss sempre que me comparava com os outros. Quando nesse grupo de outros há muitas imagens de mulheres cujas imagens são pré-processadas (maquilhagem, cirurgias, fotografia e iluminação profissionais, Photoshop, etc), é difícil não nos sentirmos on the bad slope of Gauss’ curve

Que os media nos enganam já nós estamos fartos de saber. As representações das mulheres (mas também dos homens) são cada vez mais irreais. Isso há-de ter consequências na psique colectiva, e individual.

O que me leva a falar disto agora é que fiquei há dias a saber que não são só as pernas, as mamas, as barrigas, os rostos das mulheres que estão a ser alterados digitalmente e vendidos sob o pretexto de as pessoas procurarem imagens “aspiracionais” e não “reais”, também os genitais são assim processados para aparecerem em revistas eróticas…

Atenção, ver estes vídeos e links no trabalho, em público, ou perto de crianças pode suscitar situações constrangedoras. ;-P

Se querem saber o que é “normal”, ver corpos e genitais de mulheres normais, visitem este site. E certifiquem-se de que as vossas filhas adolescentes (e até as vossas mulheres!) têm acesso a um recurso deste género. É difícil cuidarmos do nosso corpo e desfrutarmos dele se não o conhecermos, e aceitarmos. ;-)

Pessoas surpreendentes

Sim, eu sei que isto já é old news, mas só agora fui ver à net: Susan Boyle – “Les Miserables” no Britains Got Talent 2009.

É mesmo um momento delicioso. :-) Sempre detestei a sensação de ter que live up to the expectations, algo que me perseguiu a nível escolar até ao 12º ano. Depois veio a faculdade e um conjunto de situações em que as coisas se inverteram, ninguém esperava nada de mim, as expectativas eram minhas, o que tornou a passagem pela faculdade uma frustração sem fim porque nada do que fazia satisfazia os meus padrões. O difícil não é necessariamente atingir a “excelência”, o difícil é mantê-la de uma forma consistente. E isso quer se consiga quer não, é uma pressão muito difícil de gerir. Por isso sempre gostei de histórias e situações destas a la Susan Boyle. Quando de alguma forma surpreendemos pela positiva outras pessoas, que até então nem sequer nos “viam”, ou pelo menos que tinham uma imagem nossa de alguém muito “indistinto”. Prefiro 1 momento desses a 10 momentos de “a sua (boa) reputação precede-o”.

Apelo às mulheres das bicicletas

Pá, a caderneta das Binas tem neste momento 10 cromos, dos quais apenas 2 são mulheres (uma delas sou eu), os outros 8 são homens e jovens. O retrato típico. Não pode ser! Onde estão as mulheres e os mais velhos?… Ponham lá o vosso cromo também. ;-)

Erm…

Publicado ontem no DN, crónica dos Jogos Olímpicos, escrita por Rui Hortelão:

Tinham acabado de nadar, pedalar e correr durante quase duas horas. Conquistado medalhas olímpicas, dado entrevistas para o mundo inteiro e até autógrafos. Mas na hora de voltarem ao hotel, Vanessa Fernandes, Emma Snowsill e Emma Moffat continuaram iguais a elas próprias. Montaram-se nas respectivas bicicletas e partiram rampa acima. Sim, a pedalar. É talvez o único aspecto em que o triatlo remete para o passado. Em tudo o resto, a modalidade transpira juventude, inovação, organização e profissionalismo. (…) O resultado da rigorosa organização interna, do contacto profissional com o exterior e da ambição de fazer melhor está à vista: uma medalha de prata e uma atleta com a garra de Vanessa Fernandes. Quando se entusiasma, a vice-campeã olímpica até fala de si no masculino. Ontem, aconteceu várias vezes: “um gajo” isto, “um gajo” aquilo e “quando um gajo”…

Daqui se depreende que o jornalista é um homem atrás do seu tempo: usar a bicicleta como meio de transporte (além de desporto e ganha-pão) é uma cena do passado, e garra é coisa de homem.

Nem sei o que diga, sem comentários…

Pro-life and the sanctity of life, by George Carlin

A propósito disto, que descobri por aqui, dou a palavra ao George:

[Claro que o homem não podia ser perfeito. :-P ]

Ir às compras ao Amoreiras de triciclo

Há dias reparei nuns outdoors do centro comercial Amoreiras em que aparecia uma mulher num triciclo numa aura de glamour, transportando umas compras, a ilustrar o “prazer urbano” de “passear”. Como imaginam fiquei contentíssima! :-)

De triciclo às compras no Amoreiras, and looking good doing it?

É disto que precisamos mais, o uso da bicicleta retratado nos media e na publicidade numa luz positiva, associado a prazer, estilos de vida valorizados, pessoas normais, etc.

Como não sou frequentadora habitual deste centro (só lá fui umas 2 ou 3 vezes), lembrei-me de procurar saber se aquela publicidade era “inteligente”, i.e., se aquele comportamento que era usado no outdoor e no site para atrair clientes e “vender” o conceito do Amoreiras era suportado por políticas internas do mesmo ou se era mais uma hipocrisia da moda do “verde” (geralmente oco).

Assim, resolvi tornar-me uma activista, e perder 10 minutos nisto. Fui ao site procurar info dos serviços do centro e vi que referem a existência de 900 lugares de estacionamento (pago) à disposição dos seus clientes. Não é discriminado quantos são para automóveis, motas e, eventualmente, bicicletas. Assim, resolvi enviar-lhes um e-mail a procurar saber:

From: bananalogic
To: amoreiras – shopping @ mundicenter . pt
Subject: Estacionamento no shopping Amoreiras
Date: Wed, 21 May 2008 11:46:58 +0100

Bom dia,

Há dias reparei num outdoor do Amoreiras em que aparecia uma mulher de triciclo, a ilustrar o “prazer urbano” de “passear”. Como utilizadora regular de bicicleta como veículo de transporte, fiquei muito contente de retratarem esse comportamento numa luz de sofisticação, glamour e prazer, dando-lhe visibilidade e valorizando-o.

Serve o presente e-mail para procurar saber se os 900 lugares de estacionamento referidos no vosso site contemplam alguns para bicicletas (e triciclos, porque não?). Se contemplam, gostaria de saber se são pagos e se sim, a que tarifa, bem como quais as condições oferecidas (localização, segurança, tipo de estrutura de estacionamento).

Aguardarei com expectativa uma resposta.

Muito obrigada pela vossa atenção.

Cumprimentos,

Agora resta aguardar.

Tenho que fazer isto mais frequentemente, porque as pessoas destas empresas não vêm ler as minhas rants sobre mobilidade neste blog. :-P Tenho que me queixar e tenho que dar sugestões, uma vez que o interesse e a proactividade não parece partir deles, espontaneamente… :-(

Deve haver aqui algum engano

Os cuidados da pele feminina, segundo a Avene:

Alguém avise a minha pele, sff

Ora, tenho 27 anos e uso produtos para a faixa dos 12 aos 20. Daqui a pouco já devia estar a mudar para a gama dos 30 e ainda nem passei para a dos 20!! Alguém avise a minha pele que o acne já passou de validade, sff. Acne e rugas é que não dá, man! Não posso usar dois tipos de cremes em simultâneo. Ou bem que trato do acne ou bem que trato das rugas. Se fizer um mix a pele ainda apodrece e cai, ou seca e quebra, ou… :-P

Talvez a minha pele reflicta a minha idade mental, lol!

Cenas para ir

5ª-feira, dia 21 há um seminário sobre mobilidade sustentável em Santa Maria da Feira. É um bocado longe e o programa é muito vago para me interessar. Estou é a pensar ir às “Jornadas Quercus de Arquitectura Sustentável”, o primeiro dia é já neste sábado. É uma chatice ser tão longe, no Porto. Se acabar mesmo por ir serão 6 horas de viagem ida-e-volta, de comboio. Não é problema, eu gosto de andar de comboio, sempre posso ler, navegar na web (se levar o portátil), mas ainda fica caro. :-( Já estive a ver os horários, para lá tinha que apanhar um Alfa Pendular, que são 27,5 €, e para cá um Intercidades, por 19,5 €. 47 € do comboio, mais 40 € da inscrição no evento, mais almoço e snacks fora… Uns 100 €. Em 2006 foram em Fátima, aqui mais perto, e gratuitas.

Espero que valha a pena. Gostava de ir aos 4 dias (espaçados entre Fevereiro até Maio), mas já sei que pelo menos ao de dia 29 de Março não vou poder ir, porque a CaP vai participar num evento nesse dia. Damn it! Durante uns meses está tudo morto e de repente surgem montes de eventos e cenas, pá. O que eu não dava pelo dom da ubiquidade (bom, bastava o de estar em 2 ou 3 lugares ao mesmo tempo, estar simultaneamente em TODO o lado dificultava o blogging posterior, lol). Bom, é uma pena não poder ir ao das casas de madeira e dos green roofs, mas o da água já me parece interessante (e fundamental), e até agora nunca participei em nada que abordasse o tema.

Entretanto, soube também de outro evento interessante para este sábado, um dos Cursos Livres sobre Feminismos da UMAR: “Prostituição/Serviços Sexuais”: estudos e experiências + perspectivas feministas ao fenómeno da prostituição/serviços sexuais (abolicionismo vs regulamentarismo). Sim, eu sei, nada a ver, mas já sabem que eu curto estes temas assim. :-P Mas acho que vou optar pelo do Porto. A não ser que me dê muita preguiiiiiiiçaaaaa. ;-)

Reborns

Se as bonecas são sinistras, que pensar de bebés falsos

Infelizmente os vídeos já foram retirados do YouTube, devia ter blogado logo, assim ainda viam. :-P

Acho estas cenas fascinantes. Desconcertantes…

“Nunca pensei nisso”

Eu tentei, eu tentei escrever um comentário a isto… Mas, epá, é tão mau e tão típico e tão revelador das incoerências e contradições destes gajos que,… desisti.

Faz lembrar o Marcelo, durante a campanha do referendo à lei do aborto.

I’m just here because God called me“. Será que lhe ligou pró telemóvel?

Mulheres das obras

Também as há, e devem ter equipamento próprio desenhado para elas, sem ter que se sujeitar aos produtos feitos para os homens (dominantes no ramo). Pois aqui está: TomBoy Trades, uma linha de equipamento (botas, cintos de ferramentas, óculos de protecção, T-shirts e capacetes) para mulheres. :-) É uma excelente ideia de negócio! A ideia partiu da fundadora que, depois de deixar o emprego na IBM, se inscreveu num curso de formação nas áreas da construção civil, planeando criar a sua própria empresa no ramo. Foi quando se deparou com a falta de equipamento para mulheres que teve esta ideia de negócio “paralela”. :-)

Mas há mais, uma linha de ferramentas especialmente desenhadas para mulheres (não só para construção civil, mas para o bricolage caseiro, porque não?), da Barbara K. Mais ferramentas (e formação) da Tomboy Tools. E finalmente, um empresa de construção civil “com um toque feminino”, “A Woman’s Touch“, para quem não curte contratar serviços em que os trabalhadores dizem palavrões como se fossem pontuação, cospem para o chão, bebem álcool em serviço e deixam as garrafas por todo o lado, etc, etc.

Muito fixe, não é? :-)

Mas isto é mesmo real?

Porra. Não sei se hei-de me sentir mal por, aos quase 27, estar em muito pior forma que esta senhora de 71 (!), ou se me devo sentir bem porque é possível que daqui a uns anos eu também possa ser assim, uma velhota toda práfrentex and with her groove on. :-)

Incapazes de amar

Este homem de 45 anos, “simplesmente não consegue amar mulheres verdadeiras“. Em vez disso, compra bonecas realistas (sex dolls) que acumula em casa, um harém de silicone, nas quais já gastou mais de 172.000 USD (algo como 117.000 €). É a elas que recorre para “amor, afecto e sexo“. “Uma rapariga humana pode ser-te infiel ou trair-te às vezes, mas estas bonecas nunca fazem essas coisas. Elas pertencem-me a 100 %.” What a fucked up guy… E parece que esta incapacidade de relacionamento humano, de estabelecer uma relação afectiva/amorosa/sexual com outro ser humano, afecta cada vez mais homens no Japão…

Haverá algo mais triste que a incapacidade de amar (e ser amado)?…

Lembram-se do filme “Boneca Mecânica”, com a Melanie Griffith (Cherry 2000)? Eu gosto bué deste género de filmes que exploram a fronteira homem-máquina (Terminator, Bicentennial Man, I Robot, Artificial Inteligence, etc), o tema fascina-me. Claro que a Cherry realmente parecia uma mulher verdadeira, era um robot hiper-realista. Estas são apenas bonecas imóveis.

Espero que um dia estas bonecas-robot sejam mesmo muito realistas e hiper-baratas, talvez o tráfico, violação e escravização, abuso e violência dos homens (e algumas mulheres!) sobre as mulheres (reais) acabe, se as bonecas servirem a procura de sexo e violência por parte de homens perturbados e/ou sem escrúpulos. Vi há umas semanas na televisão um filme sobre esta questão e fiquei horrorizada. Uma coisa é ler sobre isso e ver uma coisa aqui e outra ali, outra é espreitar a vida de alguém concreto enredado nesse pesadelo do tráfico e exploração sexual de mulheres… Não compreendo como pode haver gente tão cruel…

I’m a ‘city cycling’ banana!

Não sei se já vos disse, mas eu adoro a internet. É uma coisa verdadeiramente fantástica! :-) A distância passa a ser quase irrelevante, podemos contactar rapida e facilmente com pessoas em qualquer canto do mundo, espreitar o mundo delas e deixá-las espreitar o nosso, tudo sem ter que sair da cadeira. Não digo que seja melhor do que viajar e estar com as pessoas e nos lugares ao vivo, porque não é, mas é um excelente sucedâneo.

Bom, isto para introduzir a notícia de que esta banana foi featured num artigo da revista online CityCycling, edição de Novembro: «pedal power from portugal – citycycling talks to Ana Pereira, Portuguese “bikepreneur” and “cenas a pedal” co-founder».

artigo_ana_citycycling.jpg

Muito fixe! :-)

O Anthony, editor da revista (e com quem ‘partilhei’ a página na coluna “I love riding in the city“, da Urban Velo de Setembro!), convidou-me a responder a uma série de perguntas e deu-me liberdade para redigir o texto de resposta. O resultado foram 5 páginas com a minha história com as bicicletas. Foi engraçado lembrar-me de tudo aquilo e passá-lo para o papel (em inglês, claro está). A primeira página do artigo é esta, depois é só clicar em “next”. :-)

Também curto bué escrever, já vos tinha dito? :-P

Morreu a Anita Roddick

Soube hoje. Morreu aos 64 anos, com uma hemorragia cerebral, no dia 10 de Setembro.

Lamento esta perda. Conhecia a Anita Roddick de nome, sabia que era a fundadora da Body Shop. Um dia (há alguns anos, já) no zapping do costume parei num documentário. Uma mulher andava na rua disfarçada de “velha”, para ver (e sentir) como é ser velho nesta sociedade. Também fez outra cena em que se disfarçou de obesa. O tipo de cenas que eu adoro ver na TV. :-) Bom, a dada altura percebo que aquela mulher é a Anita da Body Shop. Continuei a ver. Gostei dela. Há uns meses (talvez já mais de 1 ano), descobri o site/blog dela. Andei por lá a deambular. Li algumas coisas. Lembro-me de ter gostado de alguns textos sobre empreendedorismo, nomeadamente os de uma entrevista que ela deu (parte 1, parte 2). Identifiquei-me com o que ela dizia, gostei do estilo, das ideias. Foi reconfortante ver que alguém assim conseguiu levar as suas ideias avante, sem ter que fazer as coisas como os outros fazem.

Tomara que estejam outras Anitas a nascer por esta altura, precisamos desesperadamente de gente assim.

Success is going from failure to failure without a loss of enthusiam” – Winston Churchill