Archive for the 'mulheres' Category

“Irão vai fabricar «bicicletas islâmicas» para as mulheres”

É mais fácil construir bicicletas diferentes do que aceitar as mulheres como elas são…

«O Irão fabricará «bicicletas islâmicas» para as mulheres, desenhadas para disfarçar as suas formas utilizando uma cabine para cobrir metade do corpo.

Este projecto permite estimular o desporto entre as mulheres“, afirmou Elaheh Sofali, uma das responsáveis pelo projecto, segundo o jornal oficial.

Faezeh Hashemi, filha do ex-presidente iraniano Akbar Hashemi Rafsanjani, e ex-responsável pelo desporto olímpico feminino no país, tentou estimular o ciclismo entre as mulheres na década de 1990, mas não teve sucesso devido à oposição dos religiosos conservadores.»

[Fonte]

Uau, vão dar velomobiles às iranianas para não as verem. Realmente, aqueles gajos têm um autêntico terror do corpo das mulheres, fogo!…

Deformações. Antes de tudo, psicológicas.

Porque é que será que estas merdas são sempre com mulheres? Os pés das japonesas, os pescoços das Kayan,…? Que imbecilidade. Ah, já sei, é o relativismo moral, cultural, eu sei lá…

Sim, os homens também têm cenas deste tipo, mas geralmente são mais “soft”, uns piercings exagerados e buracos nos lábios e assim. Mas não vão ao nível de alterar o esqueleto e cenas do género, acho eu.

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Corrida na praia

Sempre detestei correr, mas esta corrida é por uma boa causa, por isso aqui fica a publicidade. :-)

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No dia 6 de Maio, Dia da Mãe, faça um pouco de exercício a correr ou a andar e ajude a angariar fundos para a Associação Portuguesa de Apoio à Mulher com Cancro da Mama (a inscrição tem o valor de 10€ que reverte integralmente para a APAMCM). A Corrida Sempre Mulher decorrerá no area da praia de Carcavelos, iniciar-se-á às 10h, e poderão participar 2500 pessoas.

“Magnetic resonance imaging of male and female genitals during coitus and female sexual arousal”

O Bruno stumblou-me isto há uns tempos. Ficou nas 500 tabs do Firefox que vou acumulando “para digerir” quando tiver tempo (geralmente nunca o venho a ter).

Não sei se já explicitei isto alguma vez, mas o sexo é dos meus temas preferidos. Não estou a falar de uma perspectiva de conversa de café, tipicamente masculina e brejeira. Estou a falar do ponto de vista científico, social/sociológico, emocional, etc. Acho todo o tema da sexualidade e afectividade fascinante. E também as diferenças entre os géneros. Devoro todos os documentários que apanho sobre o tema e tenho vários livros sobre isso. Alguns ainda estão há espera de tempo, só cheguei a folheá-los de vez em quando, um bocado “na diagonal”. Mas gosto imenso de livros e tenho dificuldade em me controlar e não comprar algo que me apaixona mesmo que saiba que não tenho tempo para ler aquilo. :-P Mas ando melhor ultimamente (também tenho ido menos vezes a feiras e livrarias…).

Bom, anyway, fiquei muito surpresa ao descobrir que o genial Leonardo da Vinci pensava que o sémen descia do cérebro, através de um canal na coluna vertebral do homem, e que na mulher, havia um tubo “lácteo” que originava no seio direito e terminava na área genital…

What is already known on this topic:

It has been extremely difficult to investigate anatomical changes during the act of coitus and the female sexual response.

Modern magnetic resonance imaging allows exploration of aspects of living anatomy.

What this paper adds:

Taking MR images of the male and female genitals during coitus is feasible.

During `missionary position’ intercourse the penis has the shape of a boomerang.

During female sexual arousal without intercourse the uterus rises and the anterior vaginal wall lengthens.

The size of the uterus does not increase during sexual arousal.

Dildo factory

Não deve haver nada que não tenha já sido publicado online… ;-P

Fotos de uma fábrica de dildos, brinquedos sexuais, “consoladores”.

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Hardly (no pun intended) an erotic place nor process… :-P

E os brinquedos, bom, não têm ar de brinquedos. Nesse campo, nada bate a Fun Factory. Oh yeah. ;-)

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O segredo do sucesso desta marca é o seu design e a ideia base de colmatar a lacuna que havia no mercado para brinquedos sexuais que apelassem às mulheres. Estes são “fofos”.

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E além disso, se uma criança os apanhar, inadvertidamente, o mais certo é nem se aperceber do que aquilo realmente é. ;-) A história da empresa, segundo a própria:

«Fun Factory GmbH was created in the year 1995 and founded officially in 1996. The reason for the creativity of the company founders Dirk Bauer and Michael Pahl was the knowledge gained from a befriended erotic specialist dealer, that there were only few demanding and high-quality erotic toys available which would appeal to women.

Inspired and motivated by this knowledge, the idea was born to close this market gap through the development and manufacture of their own products. Products, which unite aesthetics, quality and functionality in themselves. Products which must not be hidden.

At the kitchen table, with child’s Plasticine, the presentation for the first Fun Factory dildo was created: the Penguin.

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All dildos which arose following this enjoyed the attention of a fan club which became ever larger and, with that, also the demand.Meanwhile, a small empire with numerous employees and customers throughout the whole world was created from the tiny 2-man and one-kitchen-table company, which was involved only in the occasional manufacture of individual parts.»

Acho que a primeira vez que vi os produtos desta marca foi na Loja das Camisinhas, na zona do Bairro Alto, há uns anos. Era uma loja gira, com bom aspecto. Mas acho que já não existe (pelo menos naquele local). Depois vi novamente no I Salão Erótico de Lisboa, em 2005. A propósito, o deste ano, o III, é no final de Junho, novamente na FIL.

Na altura achei o evento demasiado focado no homem como o consumidor, a mulher era a consumida. :-P Achei pobre, mais do mesmo. Não houve inovação. Acho que tornar a indústria mais focada na mulher como consumidora, alguém que desfruta do sexo, que tem fantasias, que aprecia o erotismo, que também é visualmente estimulada, é importante para a igualdade de género dentro da indústria e no seu público e mercado. Para isso as preferências femininas têm que ser “catered to”, e o modo como a mulher é tratada e retratada na indústria tem que ser alterada (ou pelo menos haver também opções alternativas às actuais…). A Fun Factory contribui com os brinquedos. Penso que também na área dos filmes para adultos há um nicho de mercado por explorar…

Não fui ao Salão do ano passado, ainda não sei se vou ao deste ano. Ando demasiado ocupada para pensar em sexo, lol! Bom, then again, maybe that’s a good reason to go, actually. :-P

P.S.: Ideia para o Carnaval:

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[Fonte: desconhecida]

:-P

Gang rape not enough, she deserves to be whipped for letting herself be raped…

«A 19-year-old Saudi woman who was kidnapped, beaten and gang raped by seven men who then took photos of their victim and threatened to kill her, was sentenced under the country’s Islamic-based law to 90 lashes for the “crime” of being alone with a man not related to her.» [Fonte] [Via]

És uma mulher, tens 19 anos, és chantageada por um estranho que te força a encontrares-te com ele, ele leva-te de carro para um sítio desconhecido, surgem mais dois carros com mais homens, és violada 14 vezes, por um total de 7 homens, tiram-te fotos nua para te poderem chantagear e ameaçar para que não vás contar a ninguém.

Segundo a lei islâmica, mereces 90 chicotadas pelo crime de teres estado sozinha com um homem com quem não tens parentesco.

Mas que gente mais fucked up da cabeça, sinceramente!…

Por detrás das máscaras de maquilhagem, iluminação e laca

Para uma injecção de sensação de normalidade, clicar nestas fotos. ;-)

Violência doméstica

Ontem cerca das 01h30 da manhã ouvi um carro a passar aqui pela rua, travar e dar meia-volta. Depois comeceu a ouvir pessoas. Alguns minutos depois apercebi-me que era uma discussão. Fui espreitar à janela o que se passava. Um carro tinha estacionado mesmo aqui ao pé, e vi um rapaz a tentar puxar alguém à força para fora do carro. Pensei que era uma rixa qualquer entre amigos, conhecidos, dealers, sei lá. Já estava a pensar chamar a polícia. Já estou habituada. Tenho-o feito imensas vezes (para a polícia e para os bombeiros) para reportar incêndios (muitos de fogo-posto) aqui por trás em terrenos com barracas e nos campos (alguns bastante grandes!), acidentes rodoviários e rixas decorrentes, carros roubados e abandonados aqui mesmo à nossa porta (putos que os roubam para vir pra casa e depois os deixam um bocado mais longe e vão o resto a pé aqui para o Bairro Social ao pé). Houve uma vez um gajo bêbedo que quase ia entrando com o carro dentro do nosso quintal em manobras e mais manobras. Durante uns tempos havia bandos de miúdos do Bairro que nos azucrinavam o juízo cada vez que passavam por aqui, roubando fruta (mesmo verde, estragando-a), atirando essa mesma fruta e caroços às janelas, atirando pedras, etc, etc. Felizmente essa fase já passou e tudo está mais calmo, civilizado, normal. :-) Mas foram tempos angustiantes…

Adiante, apercebi-me que era um casal, o rapaz puxou a rapariga pra fora do carro e começaram à porrada, ela partia pra cima dele aos socos e estaladas mas ele também não se limitava apenas a defender-se. Estava mesmo pra ir chamar a polícia. Depois pararam, ele abraçava-a tipo para a segurar e acalmar. Andaram ali a rebolar um pouco pelo carro e chão, mas lá amainaram. Acabei por não chamar a polícia. Depois fiquei a pensar se não o deveria ter feito de qualquer forma…

Foi a segunda vez a que assisti a uma cena destas. A primeira foi mais violenta, uma rapariga histérica e fora-de-controlo a gritar e a chorar e a bater num rapaz, até atirava pedras da calçada ao gajo! À segunda ou terceira vez ele deixou a pose de ouvir e calar e simplesmente aparar os golpes e deu-lhe uns sopapos. A rapariga estava acompanhada por uma ou duas amigas. O rapaz não me lembro. Fiquei chocada com aquilo e a pensar o que terá o rapaz feito para ela reagir assim… O mesmo com o casal de ontem. Este era um rapaz branco e uma rapariga preta, no outro casal eram ambos pretos. Pré-conceitos à parte, pelos locais onde isto aconteceu e dada a sócio-geografia desta zona, e uma vez que foram os únicos casos que testemunhei, será uma questão cultural, será uma questão sócio-económica? Há violência doméstica em todos os estratos sociais, a diferença é que quanto mais altos mais discretos.

Fiquei novamente a pensar, como é que há pessoas que se relacionam assim?!
Como é que casais que supostamente se amam andam à porrada? Pior, como é que algo acontece que despolete uma reacção e uma discussão/briga deste calibre e depois acabam abraçando-se?! Será esta a cultura conjugal destas pessoas? Será que estas relações continuam assim? Será que as crianças destes casais presenciarão e sentirão estas agressões entre pai e mãe?

Não consigo conceber um relacionamento em que haja espaço para cenas e atitudes destas. Só posso sentir pena destas pessoas por nunca saberem se o próximo gesto do(a) companheiro(a) será de carinho ou de agressão… :-(

The majority of those who actually give a fuck said YES.

Estou feliz. Sinto-me mais segura como mulher no meu país. Sinto-me mais respeitada, sinto maior reconhecimento pela minha dignidade, autodeterminação, inteligência, capacidade de discernimento e ética. E sinto maior responsabilidade colectiva pelas crianças e pela infância. Uma lei que respeita e protege as mulheres é uma lei que respeita e protege as crianças. Vale a pena relembrar o post no blog Bitch PhD do qual citei um trecho há tempos.

Por mim só posso agradecer a todos aqueles que tiveram coragem de assumir e defender publicamente a sua opção política e ética pelo SIM, e a todos quantos puderam e quiseram fazer a opção de suspender temporariamente outras prioridades e projectos das suas vidas para poder trabalhar e dar a cara por uma causa tão importante. MUITO OBRIGADA! Portugal será um país um pouco mais livre, justo e digno depois de hoje (pelo menos desde que o carácter não-vinculativo do resultado não dê azo a “golpes” posteriores…).

Eu fiz apenas o mínimo dos mínimos: levantei-me e fui votar.

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Ao olhar para os resultados não posso deixar de me sentir um bocado decepcionada ao ver que dos cerca de 8.83 milhões de eleitores inscritos só 3.85 milhões (43.6 %) foram votar. Por isso, na verdade havia uma terceira opção no Referendo além do SIM, com 2.24 milhões de votos (59.25 %) e do NÃO, com 1.54 milhões de votos (40.75 %), a do QUERO-LÁ-SABER! Excepção àqueles que quiseram mas não puderam ir votar por circunstancialismos vários “significativos” (other than “oh, looks like it’s raining”).

Assim, fico triste de constatar mais uma vez que a maioria da população não tem nada pra dizer, abdica do seu direito a participar nos destinos do seu país e da sua própria vida, e subtrai-se do seu dever cívico nessa mesma participação. Por outro lado, fico satisfeita por saber que aqueles ~44 % de portugueses (3.85 dos ~10 milhões “registados”) que até se dão ao trabalho de cumprir os seus deveres e usufruir dos seus direitos o fazem assim, em direcção a um mundo mais “claro” e afastando-se das trevas da Idade Média e da Igreja.

Fiquei contente com os resultados de Lisboa, dos seus Concelhos e particularmente de Porto Salvo, com ~76 % de votos pelo SIM. :-)

Mapa dos Direitos dos Humanos do Sexo Feminino

As leis que regem a opção aborto.

Na Europa:

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No mundo:

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[Via Fórum David Aragão]

Pelo SIM ao direito à escolha e à saúde

«Uma entrevista ficcionada com o dr. NÃO. Apesar de o personagem ser de ficção, as respostas são todas reais e os seus autores devidamente identificados. Com os actores Cláudia Andrade e Gonçalo Amorim.»

Artigo publicado na Visão sobre mulheres mortas em consequência de abortos.

Um blog pelo SIM no referendo.

Um video via Renas:

Já vi muitos videos e fotos acerca da temática do aborto. Focam-se sempre na célula, embrião, feto, bebé, etc. O palco é a barriga da mulher mas esta fica nos bastidores, como se o útero não fosse o dela e não fosse ela. Este foi o primeiro que vi que aponta a câmara para a mulher e para o que a mulher passa e sofre. Arrepiante… Quem é que pode achar que um aborto “simplesmente por opção da mulher” é feito de ânimo leve? Alguém que faz coisas destas a si própria só pode estar totalmente desesperada, os motivos TÊM forçosamente que ser válidos, justificados, racionais. Ninguém se submete a tal sofrimento e risco, às sequelas físicas e psicológicas, e vai contra um instinto e reflexo tão primário como o da reprodução se o que estiver em jogo não for de suprema importância. Recear deixar a capacidade de decisão sobre a gravidez nas mãos da mulher é pôr em causa a sua inteligência, discernimento, juízo, integridade, e ética. É dizer que ela só serve para servir de incubadora acéfala, e as decisões da sua reprodução têm que ser tomadas por terceiros. É uma indignidade. A capacidade da mulher de gerar vida é uma responsabilidade imensa, o seu papel na reprodução humana é essencial (pelo menos por enquanto). A “Natureza” atribuiu-lhe este dom, e simultaneamente um fardo, com a responsabilidade que tal implica, e negar-lhe a liberdade de gerir essa responsabilidade, esse dom e esse fardo, de acordo com o seu melhor juízo é extirpar-lhe da sua balança o prato dos direitos, deixando apenas os deveres. Esquecendo, no entanto, que os deveres não se limitam ao gerar e deitar cá pra fora crianças. Os deveres implicam cuidar delas, amá-las, protegê-las, alimentá-las, educá-las, cuidar do seu desenvolvimento físico, emocional, intelectual, psíquico. Ao negar à mulher o direito a avaliar a sua capacidade de prover todos estes deveres à criança que começa a gerar, bem como às eventuais outras já a seu cargo, e agir em conformidade com a sua avaliação, os seus deveres como progenitora também são atacados e debilitados. E na respectiva avaliação, os direitos e deveres da mulher relativamente a si própria e à sua vida também têm que ter o seu lugar, para que haja sempre uma mulher-mãe e não apenas uma mãe.

O referendo ao direito à opção de abortar uma gravidez incipiente

Holy fucking shit!

Esta mulher é doida!

Violação? Temos pena. Se continuar a gravidez vai morrer ou ter graves problemas de saúde? É a vida. Não tem trabalho, já tem 6 filhos e não tem o que comer? Onde não comem 6 não comem 7. Gravidez ectópica? Azar o seu. Tem uma doença hereditária grave que não quer passar a um filho seu? Paciência, aguentem-se. Morreu-lhe um filho recentemente e não é capaz de ter outro agora? Não seja lamechas! Fetus in fetus? Esqueça! (A não ser que seja num homem, claro.) É uma criança de 10 anos que foi violada/abusada? Temos pena. Os 99 % de eficácia da pílula não foram suficientes? Azar, tivesse pensado nisso antes, quem a mandou fazer sexo?

Eu acho que só se deve praticar sexo quando se está preparado para lidar com as suas consequências (pelo que não acho aconselhável miúdos com menos de 15/16 anos se iniciarem tão cedo, até por razões de saúde). Consequências emocionais, de saúde (DSTs, “cistites de lua-de-mel” e todos esses percalços de iniciantes), gravidezes, implicações no futuro profissional e pessoal… Isso não quer dizer que, se uma mulher engravidar porque teve sexo consentâneo e o método contraceptivo falhou (ou mesmo que o casal tenha sido pouco cuidadoso com o mesmo) tenha que prosseguir com uma gravidez indesejada e indesejável “para aprender”, porque “devia ter pensado nisso antes”, porque “ninguém a mandou fazer sexo”. As pessoas devem ser responsabilizadas pelos seus actos, mas punir alguém com a obrigação de levar a termo uma gravidez e gerar um filho é aviltante.

Esta mulher obviamente terá uma perspectiva completamente alienada do sexo, da liberdade, e da maternidade e paternidade. Os seres humanos não fazem sexo para procriar. Fazem-no porque é bom. Faz-nos sentir fisicamente bem. E além disso tem um imenso poder de estabelecer laços de cumplicidade, intimidade e proximidade entre um casal. Oxitocina, anyone? Claro que é um truque biológico para nos levar a querer ou pelo menos não nos importarmos tanto com fazer sexo, e estar naquelas posições ridículas, e sujeitarmo-nos a doenças, lesões, etc, e assim poder perpetuar a espécie com maior sucesso (reprodução sexuada aumenta a diversidade genética, logo a capacidade de adaptação e sobrevivência de uma espécie). Os católicos hoje em dia nem deviam fazer sexo. Se ele só deve ser praticado com fins reprodutivos, para uma vida mais “santa” deviam todos fazer inseminação artificial, qual Virgem Maria. A ciência ao serviço da castidade. :-P

Não consigo perceber as pessoas que defendem o Não neste referendo e que depois vêm dizer que as mulheres não deviam ir prá prisão. Mas que lei hipócrita seria essa? Se é crime, deve haver pena, não? Pior, se estas pessoas pensam mesmo que abortar uma gravidez no início é matar uma pessoa, como é que podem não defender uma pena similar à dos outros homicídios?! 25 anos. E uma pessoa que aborta espontaneamente? Já li e vi/ouvi sobre diversos estudos que indicam que há muitas gravidezes que se iniciam mas são abortadas muito precocemente sem a mulher sequer se aperceber que esteve grávida. De alguma forma o corpo feminino identifica e elimina fecundações inviáveis. Não serão então os abortos espontâneos mas involuntários homicídios por negligência ou homicídios involuntários? Prós defensores do Não talvez sejam. Também devia dar pena de prisão.

Sou contra o aborto.
Toda a gente é. Sou pela vida. Toda a gente é. Mas acima de tudo sou pela liberdade de cada um ser pelo que quiser e viver a sua vida como entende e sente melhor. Até uma criança nascer ela e a mãe são a mesma pessoa. Ela é tão “vida” como qualquer órgão ou célula da mãe. Só existe porque faz parte de algo maior. Só quando o processo de gerar uma nova pessoa tiver terminado é que a criança nascerá, com uma capacidade de vida auto-sustentada. Só depois de nascer passa a ser uma pessoa (e uma “vida”) individualizada e independente da mãe. Ser independente da mãe é totalmente diferente de ser independente per se. A partir do nascimento ela pode ser cuidada por qualquer outra pessoa a tal disposta. É óbvio que só posso ser contra um aborto aos 6 meses ou depois. Já é possível um feto viável a partir das 24-26 semanas. Com sequelas, mas já tem alguma hipótese. Agora dizer que uma pessoa já era pessoa quando era uma conjunto de 2, 4, 16 células e que por isso não se pode abortar essa gravidez porque se está a matar essa pessoa… Epá, tenham dó. Daqui a pouco está tudo como aquela mulher no telejornal da RTP à hora de almoço há dias que disse que todos os óvulos e espermatozóides devem ter o direito de seguir a sua caminhada para a vida. Já não me lembro as palavras que ela usou mas foi algo que implicaria que a cada menstruação a mulher estaria a matar alguém, e que o homem idem idem aquando de cada ejaculação…

Alguém defender o Não-direito a optar por um aborto quando já há um coração a bater é apelar ao sentimentalismo ignorante das pessoas, que associam a emoção ao coração. Eu posso viver sem coração, com uma máquina a fazer o trabalho dele, e continuo a ser humana. O meu coração pode estar a trabalhar e eu ser declarada morta. Há pessoas a viver sem membros e sem alguns órgãos, só não há ninguém a viver sem cérebro funcional (embora apareçam na TV e na imprensa alguns casos que merecem uma investigação).

Quando oiço na rádio aqueles spots da campanha, pessoal a queixar-se e a indignar-se com a possibilidade de uma mulher poder fazer um aborto sem motivo, razão, ou qualquer justificação, dá-me vómitos. Nenhuma mulher fará um aborto “sem motivos”, “sem razões”, “sem justificação”. Ela lá as terá, podem é não agradar a terceiros. Mas estes não têm nada com isso! O que lixa esta gente é que as mulheres possam tomar decisões relacionadas com a sua reprodução sem o aval de médicos ou juízes. Já não bastava a revolução sexual e a pílula agora mais isto! Sabe-se lá, qualquer dia as mulheres até passam a ser seres humanos de pleno direito e reconhecimento!…

Obrigar a mulher a seguir com uma gravidez com o argumento de que no fim ela pode dar a criança para adopção também não é legítimo. Uma gravidez não é um processo fácil nem isento de risco e complicações, e o parto não é “a walk in the park”. Além disso não posso concordar que obrigar alguém a levar a termo uma gravidez indesejada, passar pelo parto, e depois abandonar um filho seu sabe-se lá aos cuidados de quem, seja menos imoral do que permitir um aborto, que é o que os do Não defendem. Como é que alguém abandona um filho?! Como é que alguém gera um filho que sabe que vai ter que abandonar? Ou que se o gerar não vai ser capaz de o abandonar e vai ter que se sujeitar às implicações dessa decisão? Como é que alguém abandona um filho no sistema de adopções e cuidado de crianças do nosso país?!

Uma criança com deficiência tem tanta dignidade e direitos como outra “normal”. Isso não implica que se pudermos evitar que alguém nasça com uma deficiência significativa conhecida à partida, não o devamos fazer. Abortar uma gravidez devido a uma deficiência não é o mesmo que dizer que alguém que existe hoje e nasceu com essa mesma deficiência não tenha direito à vida ou que não seja tão válido como “the next guy”. Parece haver muita gente que não percebe isto e traz míudos deficientes prá TV a dizer obrigado às mães por os terem tido. Duh! Não é como se eles andassem por ali noutra dimensão e de repente achassem uma mãe para os “ter”. Ela não os teve, ela fê-los. Se não os tivesse feito não havia ninguém para se sentir mal por isso, duh!

Acho que não concordo com a possibilidade de o Estado pagar integralmente o custo de um aborto legal que não seja por motivos de saúde, violação ou deficiência grave do feto. Mas o argumento do “pagar abortos com os impostos de todos” e “desviar dinheiro de outras coisas para pagar abortos” é imbecil. Ninguém anda a espalhar cartazes contra o financiamento de tratamentos a diabéticos que não têm cuidado com a sua saúde, ou a estropiados vítimas da sua própria irresponsabilidade com a bebida e/ou com o automóvel, ou a seropositivos que abusaram da sorte, ou a doentes de cancro causado pelo fumo do tabaco que alegremente foram consumindo (e obrigando outros a fazê-lo também), ou a doentes de cancro da pele que sempre curtiram torrar ao sol, etc, etc.

Depois há os que dizem que o Estado vai facilitar os abortos quando nós temos falta de natalidade e precisamos é de mais crianças. São duas coisas e dois problemas sem relação. Ou a solução para a falta de crianças desejadas é obrigar as indesejadas a existirem? Então as mulheres são simplesmente fábricas parideiras. Baixa demográfica, tudo a deitar cá pra fora putos, desejados ou não, convenientes ou não, sustentáveis ou não. O que interessa é renovar a população, mesmo que isso implique uma população mais pobre, menos instruída, mais frustrada e com menos perspectivas de emprego, carreira, futuro, vida. Claro que o Estado deve trabalhar para que a natalidade aumente. Para isso o país tem que melhorar: a economia, a educação, a saúde, o emprego, a assistência à família e os direitos laborais para a conciliar com o trabalho. Não é no meio do desespero social ainda obrigar a literalmente gerar mais problemas.

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Este é outro excelente outdoor do Não. “Nenhuma vida é demais”. Sentido figurado: mentira. Se calhar o Hitler era dispensável. Pronto, ok, isso poderia implicar uma História ainda pior. Mas o Ted Bundy, por exemplo, não afecta muito a História mundial mas para as suas vítimas seria altamente dispensável. Sentido literal: há muitos locais e muitas situações em que qualquer “vida” é demais. Em zonas arrasadas pela fome, por exemplo.

Há muita gente que aborda a questão do direito a optar por um aborto pela óptica do “o que é que isto vai resolver”. A resolução do problema tem que ser tentada, mas tal é independente do que está aqui em causa: o direito da mulher a decidir sobre o seu corpo e sobre a sua reprodução. Mesmo que só houvesse 1 única mulher a precisar ou a simplesmente querer abortar uma gravidez incipiente, essa mulher não deveria poder ser punida por isso. Todas as medidas sociais e económicas que puderem ser tomadas com vista a diminuir o número de gravidezes indesejadas, aumentar a taxa de aceitação e sustentação dessas gravidezes indesejadas de modo a diminuir o número de abortos, e aumentar o número de gravidezes e crianças desejadas, de modo a aumentar a natalidade e a felicidade das famílias, são bem-vindas e aplaudidas. Mas os direitos fundamentais não devem ser legislados consoante as suas consequências sociais ou económicas. Esse pessoal do Não que regra geral também é contra o direito a uma pessoa morrer quando o entender, não iria concerteza basear uma defesa da eutanásia e do suicídio assistido num excesso de idosos e doentes face ao tamanho da população… Então porque o faz no caso oposto: “há poucas crianças por isso vamos obrigar estas pessoas a gerarem filhos”?

É muito fácil obrigar os outros a terem filhos em condições indesejáveis. Mas quando são eles, as mulheres, as filhas, ou as irmãs, há sempre Espanha ou alguma clínica jeitosa em Lisboa. E assim podem continuar a ser gente “decente” pelo Não e “pela vida” e a ir à Missa e estar de bem com o clero. Pertencer a clubes poderosos dá sempre jeito.

Sou pela vida. Pela vida que eu quero viver, como e quando a quero viver. Nenhuma mulher devia poder ser obrigada a sujeitar-se a exames ginecológicos forçados nem a devassas da sua vida íntima, afectiva e sexual, com exposição e julgamento públicos das suas opções individuais que a mais ninguém dizem respeito. No dia 11 de Fevereiro de 2007 vou votar SIM.

As mulheres fazem os filhos sozinhas, sim. Levam mais ou menos 9 meses. Os homens estão envolvidos durante alguns minutos no início. Sem eles não havia filhos, mas o papel principal é, para o melhor e para o pior, das mulheres. Como tal, se levadas a abortar contrariamente aos seus desejos o homem deverá ser chamado ao caso. E se a mulher não quiser abortar uma gravidez indesejada pelo parceiro, após o nascmento da criança ele vai ter que acartar com as implicações da paternidade, tal como a mulher as da maternidade. Mas se o homem desejar um filho mas a mulher não? Por mais injusto que isso possa ser para o homem, a mulher tem que ter a última palavra, porque ela é que faz o filho. O homem poder impôr à mulher o prosseguimento da gravidez seria ainda mais injusto. Life’s a bitch. Biology can be a bitch too, sometimes.

No próximo domingo, vota no referendo! A abstenção só diz “eu estou-me lixando para mim próprio e para os outros”…

Reality check

Incentivos à natalidade:

Localizado, freguesias de Arroios e Provezende, no distrito de Vila Real, Portugal: 250 € / nascimento.
A nível nacional, Alemanha: 25 000 € / nascimento.

Sem comentários.

Pink Ladies

Via Popgadget soube de dois serviços pensados especificamente para mulheres. No Dubai, um serviço de táxis exclusivamente para mulheres (e mulheres com crianças pequenas), em que o condutor é igualmente uma mulher, e o veículo é diferenciado por ter o topo bem como os bancos no interior em cor-de-rosa. Aparentemente, esta ideia terá sido inspirada nas Pink Ladies em Londres, um serviço parecido mas que funciona por membership, é um clube e não um serviço de táxi (que se pode mandar parar na rua e solicitar o serviço).

pink_ladies_1.jpg Imagem via Gizmodiva

Os veículos são sempre conduzidos por mulheres, de uniforme, treinadas em Primeiros Socorros, Auto-defesa e Atenção ao Cliente! Não há dinheiro nos carros (paga-se previamente pela internet ou pelo telefone com os dados do cartão de crédito), e estes estão equipados com GPRS, para maior segurança. As clientes passam a ser membros de um clube exclusivo. Só são transportados passageiros do sexo feminino e crianças. Os carros são cor-de-rosa com um interior em cabedal da mesma cor. Dão 2 toques para o telemóvel ou telefone quando estiverem no local combinado, para não termos que ficar na rua à espera. Depois de chegadas ao destino a condutora só arranca e vai embora após nos ter visto entrar em segurança (em casa, por exemplo). Os carros têm menos de 3 anos de idade para assegurar o seu bom estado e a segurança das passageiras.

Eu achei gira a ideia, e útil. :-) Os preços são similares aos de um serviço de táxi/aluguer normal. Só levanta a questão: será isto discriminação dos homens? Se houvesse um serviço similar na versão masculina não nos sentiríamos prejudicadas? Será comparável aos Men’s only Clubs? A este último acho que não, porque não se trata de negar a entrada ou a participação num convívio, numa discussão, num evento, trata-se apenas de um serviço com características muito específicas para um grupo da população (poderia ser só para crianças, ou só para idosos, ou só para deficientes, sei lá…). E também não será uma discriminação negativa dos homens, mas sim uma discriminação positiva das mulheres, para as servir melhor, até porque têm necessidades e particularidades que as tornam receptivas a este serviço que os homens não terão tanto, suponho. Claro que qualquer homem gostaria de usufruir nos outros serviços similares a este do mesmo grau de qualidade e cuidado, mas é para isso que serve o mercado. Basta algum empresário dedicar-se a isso. ;-)

Será que não há ninguém em Portugal a querer ser um franchisado das Pink Ladies? Elas estão prontas para franchising!

Antes e depois

Eu acho que até os próprios modelos se devem sentir mal ao verem-se nos posters, revistas, etc…. They can’t even live up to “themselves“!