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«Elevemos o concelho de Oeiras ao nível do seu potencial»

O Carlos Filipe Maia, Editor da revista 30Dias, da CMO, teve a amabilidade de me convidar para escrever uma crónica para a rubrica “Marginália”. Isto mesmo conhecendo o meu “estilo”. :-) O resultado foi uma oportunidade que agarrei com todos os dedos, para falar do que falta a Oeiras: walkability…. Quê, pensavam que ia falar de bicicletas, não? :-P Não, o andar a pé e tudo o que isso implica, reflecte e provoca, é MUITO mais importante que a bicicleta. Isso vem, naturalmente, depois.

O PDF está aqui.

Gostam da foto? Implicou tirar várias fotos, em 3 dias seguidos. Ora a luz sucked, os carros não ficaram no sítio certo, o vento era tanto que o cabelo ficava no ar, etc, etc. :-P Escolhi esta foto porque é numa paragem de autocarros emblemática daquilo a que me refiro no texto. E não faltam outras do género por aí. Também tem a vantagem de não ter que se ver muito bem a minha cara, lol! Já me basta o andar de bicicleta para me tirar da minha mui estimada invisibilidade. ;-)

A love great enough to make the grief of loosing it a risk worthwile

I’m a sucker for love stories. I’m easily touched by those sentimental, dramatic, beautiful, suffered love stories. Impossible love affairs. Sweep-you-off-your-feet style things. Soul-mates kind of encounters. I also really like the happy-normal couple’s special love stories, although these are not so great as book, song or movie themes, they are a little treasure that those other novel-like stories make easier to appreciate and value.

In a world of so much randomness, I find comfort in my faith in love, and more importantly in my faith in the ability of people to love.

I think love is something you grow. I think love is something you “think”, and not just something you “feel”. I think love is built, and can be demolished just like a house, slowly through the years, when the little cracks and signs of wear don’t get taken care of, or swiftly and suddenly when something stronger than it can sustain sweeps by it, hurricane or fire like.

Lately, as I’ve been getting older and reaching the end of my 20′s, I’ve been getting more and more conscious of something rather new. The thing with getting older, extending your own history, buiding things, and relationships, is that the more and better you have, and the better and more likely the pospects feel, the more afraid you start to feel of loosing it. If in the past I worried that I would never find love with someone, that I would never get my health back, that I would never find something to feel driven by professionaly (and otherwise), and so on, when I’m at that point, finally, I start to feel anguished at the thought of loosing it, like, you know, “now that I was finally enjoying it, something comes and fucks it up?”.

When you have nothing you feel like shit. You want to have what you see others having (and enjoying). Or you want what you see others are not having, but you hope you can somehow, someday, have. Then you have it and you like it and you want more (intensity or time of it). And as you get what you want you become more and more self-conscious of how fucking lucky you are in this almost 7 billion people world of ours. And then you’ll start dragging around with you this little dark, heavy shadow that constantly reminds you that good things don’t last forever (for the same reason that bad ones don’t do either). But then you think that there are always exceptions to make the rule. What if you are that exception? And if so, will you be it regardless of if or how you try or not?

For a long time I felt something like the “last of the mohicans”, like there’s no one else left (or in sight) from my tribe. It’s such an overwhelming, completely shattering feeling it brings tears to my eyes just remembering those years. A soul consuming feeling of having no future, and of having no one that shares your past. Now I sometimes shudder just thinking of loosing that person. It would feel like watching and feeling having your heart ripped off your chest, beating.

Some people argue that (“true”?) love is a vicious thing, something to avoid because of all the misery it can (or will, definitely, eventually) bring you. So they constantly run away from it, or just settle with the most convenient ersatz at hand (“fake” love?) fooling themselves there will never be anything truly better to look for. I have never supported such views. Pain is very much measured against a kind of moving referential. I never felt willing to settle. If “true” love can really bring down on you so much heartache, grief, pain, it must be because it can also bring you something simply… awsome. Something so extraordinary, so amazingly fulfilling that its withdrawal can leave you feeling at such a profound loss it becomes almost unbearable. Like if what you had was so special, so hard to find, so unique, so lengthy to built that nothing will ever replace it, something that makes experiencing life without it feel like a brutal downgrade, like an ex-cocaine addict trying to enjoy sex or other ehxilarating things of human life and feeling that not even those compare slightly with life on cocaine rushes.

I always wanted, I hoped, to experience something great enough to change me, to take me wonderful places I would not go alone, to lead me to do things I never felt capable of, to fulfill me in a way I would be awakened to a new world of possibilities, of wonder, of dreaming, of peace. Some people find purpose in fairy tales, I found purpose in love.

This is a public re-declaration of my love and commitment to the love of my life, Bruno, today, on our 9th anniversary of togetherness. :-) Despite everything else going on, all the bad stuff, the self-doubt, the weakness, the despair, the hopelessness, the many failures and frustrations, the last 9 years have been the best years of my life. Good enough to completely overshadow the lousy previous 20. Just because you were part of it. You keep pulling me away from the darkness, you make me want to chase and enjoy the sun, with you. And hence you make and keep me happy, you, “the only who’s ever known who I am, who I’m not and who I wanna be”. Sweetheart, I love you.

Um post daqueles que não interessam nem ao menino jesus

Hoje andei de recumbent no Seixal e curti. Vi ciclovias no passeio. Vi parques de estacionamento para bicicletas. Tivemos um furo ao regressar a casa e não deu para resolver hoje. Nem vai dar para o fazer amanhã. Mas vamos precisar do carro. Uma tenda que tínhamos encomendado e de que precisávamos para este fds não veio. Estou cansada. Vou dormir pouco, outra vez. Ia dizer que a minha vida anda um bocado merdosa mas seria falso. Há coisas positivas, algumas coisas correm bem, de vez em quando, e comparando com o resto do mundo não me posso de todo queixar. As outras hão-de resolver-se. Mas às vezes ando tão farta e tão cansada que só queria desaparecer, fazer um reboot, sei lá. Estou a precisar de férias. Férias mesmo férias. Unplugged. Continuo à espera que a minha vida comece. É uma sensação que me persegue, mas sei que a vida acontece quando fazemos com que aconteça, o meu problema é que não consigo desligar e aceitar que a vida são dois dias, já o trabalho nunca acaba e eu tenho um especial jeito para o inventar ou descobrir, mas muito pouco para lhe dar despacho rápido… *sigh*

Apostasia

Há uns anos ouvi falar disto e fiquei logo interessada. Mais pelo aspecto simbólico, mas também pelo aspecto prático:

Apostasia para efeitos Legais

O apóstata pode pedir formalmente para ser retirado dos registros da religião em causa deixando assim de ser contabilizado para todos os efeitos legais, o que acontecia no caso de religiões cristãs em consequência do acto de baptismo sobre o qual ele não teve (na maioria dos casos) qualquer intervenção consciente. Esta vertente “legal” da apostasia é relevante mesmo em países com separação formal entre o estado e a religião, tendo em conta que muitas decisões políticas em relação às religiões são feitas de acordo com as estatísticas de pessoas registadas e não com o número de pessoas que efectivamente a praticam.

Há umas semanas voltei a ouvir falar do processo, e quando tiver espaço mental e temporal vou tratar disto, sem falta.

Nesta área, outra coisa a tratar é fazer-me associada da AAP.

Por outro lado, sou Madrinha de uma cachopa, já tive que representar o papel na 1ª Comunhão, e acho que ainda vou ter que suportar o Crisma. Na altura do convite (uma pessoa próxima) ainda tentei explicar que sou ateia e tal, mas de nada serviu, e só mostrou a fantochada que estas coisas são para a maior parte das pessoas que continuam a seguir vagamente estes rituais (baptismo e afins, casamento, funeral). No entanto, exceptuando os 3 primeiros, cumpro melhor os 10 Mandamentos da Moral Católica do que muitos pretensos católicos que eu conheço. :-P Aliás, a minha categoria favorita de católicos são os chamados “não-praticantes”. É como dizer que são Benfiquistas mas depois nos jogos ora torcem pelo Sporting, ora Pelo Porto, ora pelo Benfica, conforme apetece. :-P

Pessoas surpreendentes

Sim, eu sei que isto já é old news, mas só agora fui ver à net: Susan Boyle – “Les Miserables” no Britains Got Talent 2009.

É mesmo um momento delicioso. :-) Sempre detestei a sensação de ter que live up to the expectations, algo que me perseguiu a nível escolar até ao 12º ano. Depois veio a faculdade e um conjunto de situações em que as coisas se inverteram, ninguém esperava nada de mim, as expectativas eram minhas, o que tornou a passagem pela faculdade uma frustração sem fim porque nada do que fazia satisfazia os meus padrões. O difícil não é necessariamente atingir a “excelência”, o difícil é mantê-la de uma forma consistente. E isso quer se consiga quer não, é uma pressão muito difícil de gerir. Por isso sempre gostei de histórias e situações destas a la Susan Boyle. Quando de alguma forma surpreendemos pela positiva outras pessoas, que até então nem sequer nos “viam”, ou pelo menos que tinham uma imagem nossa de alguém muito “indistinto”. Prefiro 1 momento desses a 10 momentos de “a sua (boa) reputação precede-o”.

Problemas na postagem de comentários

Aqui há tempos algumas pessoas disseram-me que tinham escrito comentários que não tinham aparecido ou que pareciam ter desaparecido logo a seguir. Andei a fazer “limpezas de Primavera” aqui no Dashboard e fui encontrar vários comentários no spam (como os do Miguel e da Lanka neste post). Muitos foram postados há mais de 6 meses! :-( Miguel Lanka, Hugo, Helena, entre outros, desculpem! Não percebo como isto aconteceu, na altura lembro-me que fui procurar ao spam e não encontrei! Agora aparecem aqui?… Raios, não percebo nada disto. :-(

Formação contínua

Vou fazer este Curso sobre Mobilidade e Acessibilidade Sustentáveis da LPN em que o Mário é o formador. Um must! :-) É que sabem que as palestras e afins não dão credenciais, muitas nem certificados de presença, pelo que frequentar umas sessões num formato “educativo” mais académico poderá ser bom em termos de validação e maior desenvolvimento das coisas que tenho vindo a estudar empirica e informalmente. E 15 horas de formação por 120 € dadas por uma pessoa deste nível não é uma oportunidade que me dê ao luxo de não aproveitar! Ainda há vagas, se é um tema que vos interessa, inscrevam-se!

Agora, o plano de mobilidade para isto?…

Era fixe ir de bicicleta (aproximação com o “walking” do GoogleMaps):


View Larger Map

13 km, 2h30 a pé, o que dará praí uns 45 min de bicicleta?…
A lembrar os dias em que fui de bicicleta para a FCUL e para o INETI. :-)

Mas fazê-lo por aquelas zonas em horário tão tardio não me agrada, pelo que na 5ª e 6ª feiras devo ir de carro. Mas talvez no sábado me possa vingar! :-)

Atheists are the new gays?

Há uns tempos fui ao cinema ver este filme: Milk:

Eu não percebo a homossexualidade, tendo a crer que será um distúrbio do desenvolvimento, tal como a transsexualidade, a intersexualidade, etc. Não será uma escolha, tal como não o é a heterossexualidade. Não afecta a vida normal das pessoas (são tão funcionais quanto as outras), nem sequer a sua capacidade reprodutiva. Contudo, um casal homossexual é tão infértil quanto um casal em que a mulher e o homem tenham uma incompatibilidade genética que inviabilize a concepção. Ninguém sugere que este casal se separe por causa disso, e têm apoio do Estado em alternativas de reprodução medicamente assistida (quando ambos são férteis, apenas não um com o outro), mas tal não se verifica no caso de um casal com o mesmo problema devido a serem do mesmo sexo. Acho isto incoerente. Tal como o não poderem casar ou não poderem adoptar crianças.

Ver mais este filme pôs-me a pensar como direitos tão fundamentais levam tanto tempo a reconhecer. E a importância de lutar por isso.

Há dias vi o Religulous:

Eu não percebo a religiosidade, tendo a crer que será um distúrbio neurológico qualquer, era bom que fosse tão discreto e inconsequente para a sociedade quanto a homossexualidade, mas não é.

Há um gráfico onde eles comparam a percentagem da população dos EUA que não tem religião (inclui os ateus, os agnósticos, os “espirituais”, etc), com a percentagem de gays, de pretos, e minorias assim. Nesse momento fiquei a pensar se os ateus não serão os novos gays, a precisar de sair do armário. Vejam o documentário, é divertidíssimo. :-)

Não sei como o Bill Maher tem coragem para fazer aquilo, confrontar as pessoas com as suas ideias malucas, e ainda por cima rindo-se daqueles disparates todos. :-P Estava já no fim do filme e a pensar nisto e ocorreu-me “I’m just like that“. Bom, chamam o meu estilo (de escrita) de “acutilante (“1. que acutila; que fere. 2. agudo; incisivo; penetrante”). É algo que não se verifica fora das interacções escritas, e nestas surgiu e desenvolveu-se já tarde, na faculdade, onde participava activamente no fórum global da mesma (aqui uma pessoa especial não usou “acutilante”, mas «não-demagógico, “articulado” e honesto intelectualmente»). Não sou capaz de transferir a acutilância para as interacções conversacionais presenciais, embora talvez com o crescimento e amadurecimento isso venha a ser uma evolução natural. Por agora, continuo tímida e reservada na maior parte dos contextos.

O estilo “acutilante” não é granjeador de muitos amigos ou grandes negócios. Pessoalmente não tenho problemas com isso, não sou pessoa de muitos amigos e não estou interessada em grandes negócios. Mas à medida em que me envolvo em causas maiores que eu, pergunto-me como gerir isto. Como usar a diplomacia e a estratégia política para conseguir os meus objectivos, sem comprometer a minha liberdade de crítica nem deixar de exercê-la. Sinto-me uma miúda nisto, verde…

As pessoas têm que estar sempre a pensar se podem ou devem criticar determinadas coisas, entidades, pessoas. Talvez sejam suas clientes, talvez possam vir a ser, talvez tenham o poder de lhes tirar o emprego ou afastar clientes. Etc. É uma grande ginástica mental, porque há muita gente em cujas más graças não nos convém cair, e muitas em cujas boas graças nos queremos manter. E assim vamos andando, business as usual, a gerir a clientela. Não me dou bem com este estado de coisas. Não promove a evolução, a inovação, a transparência, a justiça, a liberdade. Como viver e vingar nesta cultura sem passar fome e sem ser um outcast socialmente? Descobrirei ao longo dos anos, desconfio…

Ontem vi o Australia, e realmente «Just because it is, doesn’t mean it should be

OK, chega de divagações filosóficas, sexo dos anjos, etc. Over and out. :-)

Memórias de uma Gueixa

Há uns anos vi num filme uma frase que “resonated“, não me lembro de alguma vez ter lido ou ouvido alguém verbalizar aquela ideia antes, ou pelo menos aquilo que “ficou” para mim e que identifiquei com a minha própria perspectiva do mundo e da vida:

We must not expect happiness, Sayuri. It is not something we deserve. When life goes well, it is a sudden gift; it cannot last forever…

Eu vivo num mundo àparte da imensa maioria dos outros seres humanos (e animais). O fosso é ainda maior se me comparar com outras mulheres.

Inventámos para nós próprios “Direitos Humanos Universais” que só nós podemos fazer valer e respeitar. Um direito básico muito alardeado é o direito à habitação (fui checkar, e não está na Declaração, como faz sentido).

Mas o normal, o natural é nascer sem direitos nenhuns. A esperar quando nascemos é uma luta constante pela sobrevivência. O expectável e normal é sofrer. É não saber o que vamos comer amanhã. É não termos uma casa, um abrigo sólido, acolhedor e seguro. É não irmos à escola, é trabalharmos a terra se tivermos a sorte de a ter e desta ser fértil. É ter doenças e não ter médico, nem medicamentos, nem hospitais. É morrer de subnutrição ou de doenças evitáveis ou tratáveis. É ter a nossa qualidade de vida diminuída por maleitas corriqueiras ou doenças crónicas. É nascer deficiente e ser deixado à nossa sorte. É ficar estropiado em guerras e acidentes. É ter filhos atrás de filhos e vê-los morrer, sofrer e levar a mesma vida que nós. O natural é vivermos para trabalhar e trabalharmos para viver. É não termos “tempos livres”, nem férias. É nunca sair do lugar onde nascemos. É não conhecer o mundo além da nossa aldeia. O normal é ser abusado. É ser violado. Expectável é ter uma doença fodida que nos mate deixando-nos vivos ou que doa e finalmente nos mate. O previsto é vermos quem amamos sofrer, é perder as pessoas de quem gostamos. O normal é estarmos sós, abandonados, não amados, desprotegidos, desesperados. O normal é a violência, a agressão, o desamor, o desrespeito, a discriminação negativa, o desprezo. O natural é o sofrimento, a infelicidade, o trabalho duro e constante. O normal é a destruição.

Por isso é tão importante apercebermo-nos e desfrutarmos de todas as pequenas e grandes coisas que na vida não são o natural, o normal, o expectável. A abundância, o amor, o conforto, a bondade, a sorte, a saúde, a liberdade, a criação, a felicidade. :-) Quanto mais disto beneficiamos mais devemos aos outros.

Grupo dos heterocrómicos

Eu criei, até agora, 10 Grupos no Flickr, e sou admin em mais 1. Os únicos que se destacam em número de membros são o Grupo Heterochromia, com 111 membros, e o Bicicletas Estacionadas (Portugal), com 63.

Criei o Heterochromia há pouco mais de 2 anos após descobrir que o padrão invulgar das minhas íris se devia a uma característica descrita na ciência, and that it runs in the family. :-) Quase todos os dias tenho fotos para aprovar, e fico fascinada com aquilo everytime. Acho engraçado o crescimento que o grupo tem tido, e o facto de ter contribuído para um sentido de identidade/pertença das pessoas com esta pequena “tribo” genética. :-)

15 vidas

Ontem eu e o Bruno comemorámos 8 anos de namoro. :-) Não deu tempo para grandes comemorações especiais, pelo que fomos apenas ao cinema, precedido de um jantar fast-food (crepes!). Continuo a querer ir ver o Austrália, mas o Bruno não está para aí muito virado, e aquilo dura 3 horas, pelo que optámos por ir ver um mais curtinho, de “apenas” 2 horas, o 7 vidas, com o Will Smith. Ainda não tinha lido ou visto nada acerca deste filme, tinha apenas uma pequena sinopse no guia do cinema e a referềncia do Bruno (Alexandre) no post sobre o Benjamin Button. ;-)

[Há cenas nos trailers online que eu não me lembro de ver durante o filme...]

Achei o filme um bocado lento e frustrante até meio, talvez dois terços do mesmo. Não via ali um fio condutor, não conseguia perceber a lógica unificadora de todas aquelas pontas soltas. No fim tudo se revelou e a história “fez-se”. Não me lembro da última vez que chorei com um filme (à parte o Titanic, há vários anos – sim, eu chorei com o Titanic :-P ). Neste chorei. É uma história especial, singular na maneira como alguém decide reagir e agir sobre algo que fez, que aconteceu, e que marca de uma forma insuportável a sua vida.

É diferente do Benjamin Button, não são comparáveis. Vejam os dois. ;-)

Gripe?

I never get sick (when I do is something somewhat much more serious). Por isso chateia-me agora estar. Começou ontem e hoje não estou melhor, ao contrário da última vez que estive assim, no início de “chocar alguma”, em que aterrei na cama e no dia seguinte estava óptima.

Deve ser de andar a comer mal (faltam-me os verdes), apanhar pouco sol e não fazer mais exercício, o meu “super-sistema imunitário” anda mais fracote. :-P

Estar doente é uma treta. Especialmente quando amanhã faço 28 anos. Pior que envelhecer só mesmo fazê-lo doente. :-P

Resoluções de ano novo

Talvez devesse definir resoluções de mês novo, de semana novo, ou mesmo de dia novo. Pequenas metas funcionam sempre melhor, não é? :-)

1 – Give dermatologists a chance. O acne que me persegue há 18 anos tem-me destruído a pele, o rosto e a autoconfiança. Quero um tratamento milagroso como o que eles mostram no Extreme MakeOver! :-P

2 – Be more of a doer and not just a thinker. I like to watch. :-) Sou circunspectiva, gosto de observar e contemplar para aprender. Sou reservada e contida, tímida e pouco auto-confiante, ponho tudo em causa, principalmente a mim própria. É difícil pôr coisas a andar assim. E eu quero fazer mais, contribuir mais, keep whining about all the wrongs but taking more chances at making rights.

3 – Call more. Fight the inter-personal skills’ handicap.

4 – Embrace the rituals and atmosphere of “special occasions”.

5 – Be more assertive selling myself.

6 – Keep a consistent routine of reading a book in bed, right before sleep. It feels good, it works best for the brain. Take the time!

7 – Stop worrying about all the wrongs, mine, my life’s, the world’s, past, present and future, all the time. Disconnect. Un-worry. Free the mind from the clutter running in the background.

8 – Walk more.

9 – Get a hobby or something to learn about completely unrelated to cycling, mobility, transportation, planning, business, web, etc. Gostava de construir maquetes de casas e coisas assim. :-) Gostava de fazer caminhadas “outdoor”, pela natureza. Gostava de aprender a fazer massagens decentes. Gostava de fazer um curso de jornalismo, ou fotografia, ou…

10 – Find a spot in time and space to enjoy my boyfriend away from all things bicycle, all things company, and all things wrong or yet to accomplish in our lives.

Selling yourself

É-me muito difícil entrar numa livraria e não sair de lá com nenhum livro. :-) A minha última compra, mais por impulso, foi um livro pequenino, muito fácil e agradável de ler, com algumas words of wisdom de um tal Paul Arden: “It’s not how good you are, it’s how good you want to be“. Apesar de ser um livro brotado da área da publicidade, usando dela referências e histórias, é realmente uma boa metáfora para o mundo dos negócios, como dizem na contracapa (a primeira metade do livro é mais liberta da associação ao sector da advertising). Gostei e recomendo.

Entre uma série de conselhos, uns já interiorizados e aprendidos (sabe sempre bem some validation!), outros que me fizeram pensar noutras coisas e perspectivas, alguns provocam um reboot mental. :-)

Duas secções que fizeram click comigo foram as das páginas 64 à 67. E percebi que tenho que agir e apresentar-me como aquilo que quero ser, e não necessariamente como aquilo que sou agora. É isso que pushs things forward and gets us there, where we want to be, being what we want to be.

Isto a propósito de cartões de visita, perfis em sites de redes sociais, páginas de about, etc, inscrições em eventos, etc. Para mim é sempre complicado decidir o que escrever. O que sou? O que faço?

Há pessoas que se apresentam referindo a sua formação académica tradicional (ex.: Eng. Bioquímico). Outros que a omitem ou não especificam (ou não têm) e que listam outros tipos de cursos ou formações mais ligeiras, alternativas ou de nicho (ex.: formado em agricultura biológica). Muitas pessoas mencionam aquilo que fazem actualmente, ou que fizeram mais recentemente (ex.: Técnico de Laboratório). Algumas pessoas referem as suas skills, sem menção a certificações ou acreditações “oficiais” (até porque para muitas actividades e conhecimentos, não as há) (ex.: especialista em Ervas Aromáticas). Há quem se apresente como fazendo ou sendo aquilo que, efectivamente, ainda não faz ou é, mas pretende vir a fazer ou ser (ex.: consultor em produção biológica de ervas aromáticas). Outros levam as coisas mais à letra e descrevem a sua condição ou função corrente literal (ex.: estudante de mestrado).

Chateia-me não saber o que escrever quando me inscrevo num evento qualquer. Acabo por escrever “empresária”, à falta de melhor. Mas isso soa-me sempre a alguém tipo “patrão”, que tem uma ou mais empresas, e para enriquecer (não só para “viver delas”), mas não necessariamente a trabalhar nelas. :-P And that is sooo far from truth no meu caso.

Vendo no dicionário:

empresário
aquele que tem ou dirige uma empresa;

empresa

empreendimento;
tarefa que alguém se determina a executar;
cometimento ousado;
associação organizada que, sob a direcção e responsabilidade de uma pessoa ou de uma sociedade, explora uma indústria, um ramo de comércio ou outra actividade de interesse económico;
os que dirigem ou administram essa associação;

Eu sinto-me essencialmente como alguém que tem uma tarefa, que dirige uma investida ousada. :-) Mas o “ter uma empresa” não me define (posso ser sócia em mais que uma e não desempenhar nenhuma tarefa nesse âmbito, ser apenas um investimento). E o “dirigir uma empresa” não esgota aquilo que sou, faço e tenho competências ou capacidade para fazer no contexto dessa empresa ou doutra. Nomeadamente, eu não me limito a dirigir uma empresa, ou sou a empresa, o meu trabalho é a empresa, pelo que a descrição “empresária” falls too short.

“Lic. em Química/Biotecnologia pela FCT-UNL” não me serve de nada, não é nessa área que eu trabalho nem que quero trabalhar, e tal menção servirá apenas para encher o olho a algumas pessoas, porque tal afirmação transporta consigo a credibilidade de que a instituição desfruta, e porque significa que eu tive a oportunidade de beneficiar de formação “superior” (diz, geralmente, algo da minha família e não de mim) e tive capacidade para a concluir com aprovação. But it doesn’t mean a thing, além de atestar a minha perseverança e capacidade de dedicação e empenho (on a good day), e talvez revelar um interesse em ciência e um provável pensamento analítico.

Frequentar e concluir um curso não significa automaticamente que se perceba alguma coisa do assunto, ou que se seja bom a usar aquilo numa profissão subsequente. Formação “superior” não implica necessariamente pessoas melhores ou mais competentes. Simplesmente podem ter reunido mais alguma bagagem, mas nada nos garante que tenham olhado verdadeiramente para ela, que a tenham usado para construir uma bagagem própria, nova.

Quantos melhores-alunos-da-turma vocês conhecem que tenham acabado por tornar-se aquilo que geralmente os outros lhes vaticinam (pessoas muito bem sucedidas na vida, geralmente implicando cargos importantes e ordenados gordos)? E quantos dos outros, e particularmente dos mais baldas ou underachievers se revelaram pessoas bem sucedidas nesse e noutros aspectos?

A menção à formação académica visa validar-nos por algo que fomos capazes de fazer no passado para algo que fazemos ou queremos fazer agora, e que não tem nada a ver, frequentemente, mesmo que seja na mesma “área”. Obter mais formação académica é algo que pondero há alguns anos. Uma ideia recorrente é um MBA, “verde”, de preferência, para procurar corrigir o meu handicap nessa área. Numa fase em que andava mesmo muito interessada na construção sustentável (arquitectura bioclimática, materiais eco-friendly, eficiência energética, etc, etc) ponderei estudar arquitectura (a minha primeira opção para o Ensino Secundário, depois desviada para as ciências exactas) para poder trabalhar naquilo. Entretanto envolvi-me cada vez mais nestas questões do planeamento urbano e da mobilidade e gostava de aprofundar mais esta área, nomeadamente no que concerne aos modos suaves. Frequentar um curso académico serviria para duas coisas: expandir e interligar (hopefully) os meus conhecimentos informais, e validá-los (ter alguém a dizer “sim senhor, fulana tal foi avaliada nestes tópicos e foi aprovada”), algo que não acontece neste momento. Contudo, a oferta pós-graduada nesta área no nosso país parece-me praticamente inexistente… Bom, no fundo o que eu queria era ganhar mais insight das áreas tradicionais de onde vêm as pessoas que decidem as coisas por cá (arquitectura, engenharia,…), naquilo que envolve e joga com a parte que eu conheço (empiricamente, em auto-didactismo, por todas as palestras com especialistas e técnicos a que assisto, por todos os livros, artigos, blogs e afins que leio e analiso).

Na onda do Paul Arden, tenho que me re-inventar. O meu problema, crónico, é que nunca acho que sei o suficiente de nada, nem que sou suficientemente competente e reliable a fazer algo para poder dizer de mim que “sei bastante disto” ou “faço isto bem”. Quanto mais sei, mais sei que há mais para saber e para relacionar com o que já conheço ou sei. :-) Como tenho uma rede de interacções sociais muito limitada, é-me difícil situar-me porque tenho pouca oportunidade de me ver na situação de ser comparada e comparar-me com outros. E depois, as pessoas gostam de construir muralhas e palacetes em torno dos seus galões e achievements, com nomes pomposos, fatos janotas, “protocolos” formais e discursos herméticos. O resultado é que quem está de fora cria grandes expectativas, e tende a olhar “os especialistas” como pessoas muito sábias, muito inteligentes, muito conhecedoras e infalíveis na sua especialidade. Independentemente de isso ser assim ou não (and humans are only humans, even if great humans). Isso é negativo se a pessoa for realmente “um especialista”, and a good one, porque intimida os outros restringindo a interacção e o enriquecimento mútuo em conhecimentos e experiências, mas pode ser ainda pior se não for, mas simplesmente projectar essa imagem nos outros, porque tal imagem conferirá às suas opiniões uma credibilidade que elas podem não ter, e serão aceites como verdades indisputadas independentemente da sua qualidade. Isto para dizer que me é difícil ver-me um dia a apresentar-me como “especialista” (pessoa que se ocupa exclusivamente de um ramo particular de uma ciência, de uma arte, etc. ; perito.), “perita” (experimentado; que tem perícia; hábil; versado; douto; sabedor) em alguma coisa, mesmo que o seja na prática. O problema é que se quero sê-lo trabalhando como tal tenho que me saber vender como tal. Tenho, em suma, que ter lata para projectar uma imagem de mim própria que eu não considero exacta, mesmo que seja precisa (e a Química revela-se… ;-) ).

A experiência da faculdade ensinou-me uma coisa fundamental: o trabalho é parte da vida, e nesta devemos fazer aquilo que nos dá prazer, que nos suscita interesse, construir aquilo que sonhamos, bater-nos por aquilo em que acreditamos, conviver com quem gostamos. Só temos uma vida, e a felicidade (a sua busca e o seu desfrute) deve fazer parte dela. E isso não é coisa para um hobby ou mesmo um part-time. Passamos a maior parte dos nossos dias, da nossa vida, no “trabalho”, convivendo com outras pessoas nesse contexto profissional. Nesse sentido, dividir a nossa vida em “trabalho” e “vida pessoal” não faz sentido, uma ideia que vi pela primeira vez verbalizada no livro “Nunca almoce sozinho” do Keith Ferrazzi (que também recomendo) e que faz todo o sentido para mim. People are people, no matter in what contex you deal with them. The values that rule your life have no reason to be differently applied in “personal” or “professional” context. Para mim o meu trabalho não pode ser só uma maneira de pagar as contas, tem que ser algo que me realize, que me permita crescer e expandir, que me dê gozo fazer, cuja obra me dê orgulho. E se há algo assim to start with, o mais natural é querermos fazê-lo durante mais tempo, pelo que faz todo o sentido integrá-lo no nosso trabalho de todos os dias and get people to pay us to do what we would do for free if somehting or someone took care of our bills. ;-)

I’m into bicycles as transportation (and leisure, and fun!), I’m into urban planning for livable cities. I’m into sustainability. I’m into… :-)

Agora tenho que reflectir um pouco sobre “how I want to be perceived” in order to get payed work doing what people perceived like that get hired to do. While maintaining a realistic light on things (well, on myself) and still only promising what I can deliver, but believing I can deliver. Not an easy nor simple task.

Pois, realmente…

Apercebi-me que os últimos posts são todos sobre bicicletas, estacionamentos de bicicletas, ou qualquer coisa que envolva bicicletas. Ando um bocado enjoativa e dull por estes dias… :-P

Preciso de tempo para pensar e filosofar… e não estar tão podre que só me saem rants das minhas deambulações diárias… :-)