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Activismo de sofá: Optimus Alive

Ontem fiz mais um pouco do meu activismo de sofá:

From: anabananasplit
To: geral @ everythingisnew . pt
Subject: info transportes
Date: 06/03/2010 09:08:03 PM

Olá,

Vi há pouco a sondagem no vosso site, acerca do meio de transporte a usar para ir ao festival. Contudo, reparei que essa sondagem e, paralelamente, a vossa secção “Como chegar”, ignora completamente 3 opções que deveriam ser promovidas, a par dos transportes públicos:

1) ir a pé
2) ir de bicicleta
3) ir de moto

A opção carro deveria ser fortemente desencorajada. 1000 ou 2000 automóveis a querer aceder, passar e estacionar naquela zona é intolerável. Gera poluição, ruído, insegurança, e origina situações de estacionamento selvagem que danifica os passeios e outros equipamentos públicos, e dificulta a circulação dos peões. Não se admite isto num sítio integrado na malha urbana, plano, e onde há um interface de transportes públicos que inclui comboio, eléctrico e autocarros.

A bicicleta e a moto poderiam ser incentivadas oferecendo um local de estacionamento para as mesmas num local apelativo (mesmo à entrada do recinto), vedado, vigiado, e com boas estruturas onde encostar as
bicicletas e onde as prender (tal como as motos). Isto deveria ser publicitado com antecedência.

O mundo muda-se todos os dias, basta querer.

Grata pela atenção.

Cumprimentos,

Mandem a vossa posta também. Os amanhãs fazem-se hoje!

Bicicletas no hiper

O Centro Comercial Alegro, em Alfragide, tem pelo menos 2 locais com suportes para estacionamento de bicicletas, devidamente sinalizados. Este junto a uma entrada no piso térreo, é um dobra-rodas e não está protegido do trânsito:

Spotted: 1 bike!

Este é no Piso -1, também um dobra-rodas, está num antigo lugar de estacionamento para 1 automóvel, bem delimitado e protegido, igualmente perto da entrada para o Centro.

Mota no lugar das bicicletas, no Alegro Mota no lugar das bicicletas, no Alegro

Mas isso não impediu que um motociclista lá deixasse a sua mota, a ocupar uns 3 dos 6 lugares…

Mota no lugar das bicicletas, no Alegro

Bloqueios mentais

Por que é que as pessoas acham justo taxar um mesmo uso do mesmo espaço público de formas diferentes consoante esse uso seja feito por uma pessoa que mora ali em oposição a uma pessoa que mora mais longe?

Isto é, por que é que é regra achar que se eu morar em determinada rua tenho direito a ocupar parte dessa mesma rua (que é pública, logo, para acesso e usufruto meu e de todos os outros) com o meu carro (mas não com um barco, ou uma roulote, ou uma pequena casa de jardim ou mesmo de bonecas) sem ter que pagar taxas nenhumas, mas se eu morar a 10 km de distância e usar o carro para me deslocar a essa rua para ir a uma loja, a uma empresa, ou visitar alguém, e lá estacionar o carro exactamente da mesma forma, já é justo que pague. Ou seja, o tipo que mora lá num sítio sem garagem (ou lugares suficientes nela) e tem um carro à mesma, pode ocupar gratuitamente o espaço público sem nenhuma contrapartida para os seus vizinhos e demais contribuintes que mantêm a rua, já o tipo que precisa de um sítio para estacionar porque foi de carro até lá e deu negócio (a.k.a. contribuiu com impostos) à freguesia tem que pagar esse mesmo espaço público que para o tipo que vive na rua é de borla.

Será que ninguém percebe que isto não faz sentido e introduz desigualdades e injustiças no sistema?

Entretanto, (mais) um belo exemplo da má gestão pública:

Para evitar que os motoristas estacionassem em cima dos passeios, impedindo ou dificultando a vida dos peões, impedem ou dificultam a vida dos peões tornando-os barreiras arquitectónicas. Bravo!

Enfim…

Guerrilla tactics

Os peões estão no fundo da cadeia alimentar da acessibilidade e da mobilidade em Portugal. E destes, só os mais aptos se safam. Os mais fracos, debilitados, ou limitados na sua mobilidade e agilidade são quase virtualmente excluídos by design dos nossos espaços públicos. E isto é tido como normal, aceitável, or just the way things are. Well, «Just because it is, doesn’t mean it should be.» Ou não viram o Australia? :-)

Não é justo nem ético impedir as outras pessoas de poderem viver uma vida normal, de poderem sair e circular pelas ruas, de acederem aos sítios que precisam ou a que querem aceder. E mesmo que não as impeçamos de o fazer, não é justo nem ético dificultar-lhes a tarefa, torná-la mais morosa, mais perigosa, mais desconfortável ou desnecessariamente mais onerosa.

Não é uma estratégia inteligente por parte da sociedade como um todo excluir elementos da sua população da vida pública, não é inteligente abdicar de uma parte da força de trabalho disponível, de uma parte do mercado, em termos de oferta e de procura de serviços.

É um crime social e económico negar às crianças o direito à rua como espaço de convívio, encontro, descoberta, brincadeira, desenvolvimento, aprendizagem, e negar-lhes a possibilidade de alguma autonomia na mobilidade quotidiana.

Há vários problemas nas nossas cidades, no geral. As redes e vias pedonais são negligenciadas na forma, coerência, consistência, continuidade, eficiência, segurança, conforto, universalidade do desenho, etc. Os acessos dos edifícios de serviços públicos e privados sofrem muitas vezes dos mesmos problemas. E depois há o problema das pessoas inutilizarem o pouco que existe, impedindo ou dificultando o acesso aos ou o uso dos passeios e de outros acessos. Uma mentalidade de desrespeito transversal a toda a sociedade, pois passa pelos comerciantes, pelas Câmaras Municpais, pelo Governo e pelos cidadãos individuais, com mobiliário urbano, publicidade, esplanadas, etc, nos passeios e, claro, os automóveis e motas estacionados…

Claro que numa cidade onde é tão desagradável, desconfortável, perigoso e moroso deslocarmo-nos a pé, a tendência é começar a depender do carro para todas as deslocações, por menores que sejam, e procurar que sejam praticamente porta-a-porta. O que só piora o problema original…

Como mudar isto? Temos aqui um problema essencialmente de vontade política, ancorado numa cultura onde não se questiona isto, as pessoas tendem a ser os infractores ou a identificarem-se com eles.

E é aqui que entram as tácticas de guerrilha nas acções dos cidadãos, uma vez que os políticos e as autoridades são inoperantes e coniventes. São os cidadãos que têm que começar a impôr-se, a chamar a atenção, a fazer “peer pressure“, a queixar-se, a indignar-se, a agir. Em vez de se calarem, de não reagirem, de serem coniventes, e de fazerem o mesmo.

Recentemente tem sido bastante divulgada nos media tradicionais (imprensa, rádio e TV) e na blogosfera uma iniciativa de cidadãos que dá pelo nome de “Passeio Livre“. Isto levou as iniciativas individuais de várias pessoas a título pessoal, de deixar recados no pára-brisas de carros mal-estacionados, a um nível superior.

Passeio Livre

A ideia consiste em colar no vidro lateral dos carros estacionados em cima dos passeios, à esquerda do condutor, um autocolante com uma mensagem de sensibilização. Paralelamente, o autocolante serve como um “selo” de mau comportamento, que “marca” o infractor, e a característica autocolante desse “selo” funciona como uma punição ligeira desse comportamento.

Ainda foi simpático em deixar espaço para uma pessoa sair de casa

Com contribuições pessoais do grupo original foram impressos 15 mil autocolantes, que são agora enviados a quem os solicite (o envio vai à cobrança, mas os autocolantes são distribuídos gratuitamente, embora as doações sejam bem-vindas). Ou seja, o movimento alastrou-se rapidamente, e qualquer pessoa que faça uso de um desses autocolantes passa a ser parte desse movimento.

Parte da “campanha” passa pelo blog Quero andar a pé! Posso?, onde são publicados muitos dos contributos enviados para o e-mail da mesma: peão . exaltado @ gmail . com, as fotos de denúncia, os parabéns, os protestos, as queixas, etc. Depois cria-se algum debate nas caixas de comentários, o que é justamente o que é pretendido: discutir, enfrentar as questões, em vez de a ignorar como se fosse invisível, inevitável ou inócua.

A iniciativa inspirou-se numa de um grupo grego, os Street Panthers (versão traduzida automaticamente pelo Google, aqui).

Uma iniciativa parecida no Brasil é a do site Sou otário, eu paro na faixa.

Por cá havia já antes pelo menos um blog que se focava na parte de denúncia, não aplicava autocolantes, Wheels versus Legs, uma versão específica para passeios do do estilo I park like an idiot, parece.

Outra iniciativa local, sem a vertente de comunicação e debate do Passeio Livre, e com uma tónica óbvia no embaraço social e na “peer pressure” são os papéis do QUE SE FODAM OS PEÕES!. A ideia é legendar as obscenidades que os condutores de automóveis (e não só) dizem (fazem!) aos (outros) peões através das suas acções, nomeadamente nas opções de estacionamento.

Ideias vão aparecendo, pelos vistos, é preciso é pegar nelas e agir! :-)

Oeiras a mexer

Já seguiu o tal e-mail:

——– Forwarded Message ——–
From: Ana (…) <(...)@gmail.com>
To: geral @ cm-oeiras . pt
Subject: Suportes para estacionamento de bicicletas no CS Paço de Arcos
Date: Mon, 06 Apr 2009 12:07:05 +0100

Boa tarde,

Gostaria de dar os parabéns à CMO por ter instalado suportes para estacionamento de bicicleta no novo Centro de Saúde de Paço de Arcos. Já me desloquei lá várias vezes de bicicleta e senti-me negligenciada como munícipe, discriminada negativamente pela minha opção de meio de transporte.

Devo alertar para algumas questões a corrigir:

1) instalaram o suporte encostado a um muro, pelo que dos 8 lugares da estrutura só 4 são passíveis de ser utilizados (o investimento não está optimizado).

2) o tipo de estrutura escolhido é para estacionamento de curta duração, o que não será sempre o caso num Centro de Saúde – é necessário oferecer uma estrutura que permita apoiar (e prender com um cadeado em D) o quadro da bicicleta. Tenho receio também que os lugares possam não estar suficientemente espaçados, levando a conflitos ao nível dos guiadores, entre bicicletas estacionadas em lugares consecutivos – algo que não pude chegar a verificar).

3) um sinal de “parque para bicicletas” daria outro estatuto ao espaço. :-)

A localização está óptima!

Grata pela atenção.

Cumprimentos,

O meu último e-mail de activismo de sofá (à CP) ainda não teve direito a resposta…

Pague 8, use 4

Parece ser a ideia de quem escolheu ou instalou este suporte para estacionamento de bicicletas junto ao Centro de Saúde de Paço de Arcos:

Pague 8, use 4 Pague 8, use 4

A estrutura até não é muito má, mas não para este contexto. E não tenho certeza se o espaçamento não é demasiado pequeno a ponto de haver conflito entre bicicletas ao nível dos guiadores.

Nova bike rack no Centro de Saúde de Paço de Arcos

Como este tipo de suporte não permite prender o quadro da bicicleta com um U-lock, optei por continuar a usar o poste…:

E agora como é que prendo o quadro com o U-lock? Mas prefiro o poste...

Ainda falta o sinalzinho de “Parque para bicicletas”, mas vamos dar mais um tempo. :-)

De qualquer modo, a localização não podia ser melhor, mesmo à entrada:

Boa localização

Espero que também tenham instalado racks no Centroa de Saúde de Oeiras (já lá vi outras bicicletas que não a minha):

Bicicleta à porta do Centro de Saúde de Oeiras

Talvez alguém na Câmara ande a ler este blog, de vez em quando? :-P

Ainda há um caminho longo a percorrer, mas estamos a fazê-lo, e isso é que é importante. A ver se lhes envio um e-mail, na senda do activismo de sofá.

Agora, deviam é profissionalizar a coisa, para minimizar os erros mais óbvios. Ainda por cima em Oeiras, não há desculpa, até têm aqui sedeada a Cenas a Pedal, man. :-P

Lugares para bikes nos parques sub dos CC

Há várias questões a ponderar ao implementar uma infraestrutura de estacionamento de bicicletas. É por desconhecimento, negligência ou simples desvalorização dos utentes deste serviço que a oferta disponível (quando a há) é tão má. Aproveito algumas fotos que tirei em alguns grandes centros comerciais privados com lugares de estacionamento para bicicletas no parque subterrâneo/coberto, para apontar algumas questões básicas. Quanto às racks, há várias coisas a considerar, mas vou só abordar as mais imediatas, até porque não tive a oportunidade de as testar convenientemente:

Oeiras Parque

Sinalização do parque de estacionamento do Oeiras Parque Sinalização do parque de estacionamento do Oeiras Parque

Parque de estacionamento para bicicletas no Oeiras Parque Parque de estacionamento para bicicletas no Oeiras Parque

Parque de estacionamento para bicicletas no Oeiras Parque Parque de estacionamento para bicicletas no Oeiras Parque

Parque de estacionamento para bicicletas no Oeiras Parque Parque de estacionamento para bicicletas no Oeiras Parque

Sinalização de acesso: não-específica
Sinalização de identificação: boa
Tarifa: gratuito
Iluminação: insuficiente
Localização: acessibilidade – não avaliada; segurança: videovigilância mas sem luz, longe de zonas de passagem, facilmente visível e acessível da rua
Racks: não permitem prender o quadro com um U-lock, 1 só ponto de apoio, (distância entre slots não avaliada). A substituir, transferindo estas para outro estacionamento (a criar) à superfície, mesmo junto à porta principal e/ou do Continente. É aqui que costumo estacionar, e não sou a única.

Pre-loading snapshotTcharan! E somos dois! :-)

Divulgação: não são discriminados os lugares de estacionamento para bicicletas (nem para motos) no site. Nada fora ou dentro do centro comercial publicita as infraestruturas de estacionamento para bicicletas.

Colombo

Sítio para bicicletas no Parque de Estacionamento do C.C. Colombo

Sinalização de acesso: não-específica
Sinalização de identificação: inexistente
Tarifa: gratuito
Iluminação:boa
Localização: acessibilidade – não avaliada; segurança: não avaliada
Racks: não permitem prender o quadro com um U-lock, 1 só ponto de apoio, tipo dobra-rodas, (distância entre slots não avaliada). A substituir, transferindo estas para outro estacionamento (a criar) à superfície, junto às portas secundárias, para apoio às lojas e serviços virados para a rua (estacionamento de curta-duração e/ou sob vigilância directa do ciclista).
Divulgação: não são mencionados os lugares de estacionamento para bicicletas (nem para motos, nem para carros) no site. Nada fora ou dentro do centro comercial publicita as infraestruturas de estacionamento para bicicletas.

Alegro

imgp5737.jpg imgp5736.jpg

Sinalização de acesso: não-específica
Sinalização de identificação: boa
Tarifa: gratuito
Iluminação:boa
Localização: acessibilidade – boa; segurança: boa (mas melhorável)
Racks: não permitem prender o quadro com um U-lock, 1 só ponto de apoio, tipo dobra-rodas, (distância entre slots não avaliada). A substituir, transferindo estas para outro estacionamento (a criar) à superfície, junto às portas de entrada (? não conheço assim tão bem este CC) (estacionamento de curta-duração e/ou sob vigilância directa do ciclista).
Divulgação: não são mencionados os lugares de estacionamento para bicicletas (nem para motos, nem para carros) no site. Nada fora ou dentro do centro comercial publicita as infraestruturas de estacionamento para bicicletas.

Amoreiras

Ver este post.

Os amanhãs fazem-se hoje

É uma das minhas máximas.

Lembram-se da cena das Amoreiras?

Há tempos fomos para aquelas bandas, de bicicleta, à procura da famigerada Byblos (entretanto falida). Pensava que era mesmo nas Amoreiras, mas afinal era mais abaixo. Aproveitámos a oportunidade para ver os tais novos lugares para bicicletas que a senhora anunciou.

Primeira hesitação: à entrada do parque de estacionamento subterrâneo nada indicava que havia lugares disponíveis para bicicletas, nem qual o acesso aos mesmos. Tinha cancelas, e estava sinalizado proibindo a circulação de peões (que é o que somos com a bicicleta pela mão). O Bruno ficou cá fora e eu desci a pé e fui perguntar. Lá descobri aquilo, voltei, e voltámos a entrar, com as bicicletas.

A localização está óptima, a seguir às motas, mesmo debaixo do nariz do segurança, boa iluminação.

imgp5743.jpg imgp5746.jpg

E a zona está sinalizada.

imgp5748.jpg

Contudo os suportes são maus. Não suportam bem a roda, estão muito próximos uns dos outros (os guiadores entram em conflito em bicicletas arrumadas em slots consecutivas) e não permitem prender o quadro.

imgp5747.jpg

O que fizemos foi estacionar as 2 bicicletas lado a lado e fora das slots (ambas têm apoio de descanso), e prendê-las (com autorização do segurança) com o U lock a uma grade que ali estava mesmo a jeito.

Recomendações a fazer a seguir:

Sinalizar acessos para ciclistas. Indicar lotação e tarifas (neste caso, gratuito). Substituir racks. Referir a oferta de bike racks na secção relevante no site do centro comercial.

Mais algum activista de sofá por aí? É tipo estafetas. :-P

Oeiras mais atrás

Na 5ª-feira passei pelo novo Centro de Saúde de Paço de Arcos, ia buscar uns exames (mas só depois de lá entrar me lembrei que tinha sido atendida ali mas as análises tinham sido feitas no CS de Oeiras). A zona de parque de estacionamento ainda estava em obras, mas quase terminada.

Novo Centro de Saúde de Paço de Arcos

Fui de bicicleta e constatei que não havia lugar oficial para ela (nem para motas, diga-se de passagem). Isto não é uma obra feita há 20 anos, foi feita hoje. Não é admissível. Ainda cheguei eu a ir perder tempo para sessões de participação pública da Agenda XXI Local

Oeiras mais atrás Parque de estacionamento p/ carros no novo CS de Paço de Arcos Estes tipos projectam para o passado... Business as usual

No regresso do CS de Oeiras, e a caminho de outro centro de exames, desta vez para levantar um raio-X, passei pela estação de comboios de Oeiras, onde aproveitei para fotografar mais uma vez o novo suporte para estacionamento de bicicletas:

Design & usability how-not-to

E porquê? Porque exemplifica alguns dos defeitos destas estruturas. Não permitem prender o quadro da bicicleta com um U-lock, e se só tivermos 1 cadeado, só podemos prender a roda, o que pode dar nisto:

Exemplo 2 em 1

Esta foto ilustra também outro problema, a incapacidade destas estruturas de acomodarem bicicletas com travões de disco (cada vez mais comuns). Embora nem todos os dobra-rodas tenham este problema em particular (exemplo aqui).

Na presença de um mau design, muitos utilizadores optam por não usar as estruturas, ou usá-las de forma diferente do suposto. Neste caso, o ciclista usou o suporte como se fosse um U invertido:

Dobra-rodas usado como um U invertido

Finalmente, não pude resistir a perder mais uns instantes e experimentar colocar lá a minha bicicleta. Resultado:

Um dobra-rodas que também dobra raios...

Ainda o pneu não tinha chegado ao fundo, ficando apoiado à frente e atrás no suporte em baixo, já os ferros em cima estavam a comprimir os raios… Claro que eu não deixaria ali a minha bicicleta. Será assim tão difícil fazer as coisas como deve de ser? *sigh*…

E será pedir muito esperar estacionamentos cobertos nos interfaces? Se até põem árvores para dar sombra aos carros, alardeando “mais estacionamento para carros (ao preço da chuva) = mais qualidade de vida”, será assim tão descabido pedir um pouco mais de cuidado e consideração para quem requer 10 vezes menos investimento e espaço?…

Oeiras e as suas não-soluções

Ao voltar para casa, em direcção a Porto Salvo, passei pelo Oeiras Parque, para ver se encontrava uma cena no Continente. Não encontrei, mas aproveitei a viagem para re-abastecer ligeiramente a despensa. São as vantagens de andar com uma Xtracycle, a capacidade de carga está lá sempre, sem nos apercebermos sequer. :-)

A X é para os imprevistos

Deixei a bicicleta à entrada do Continente, o meu spot habitual. No entanto, ao voltar à estrada não resisti a parar e subir para uma zona em frente à entrada principal para tirar uma foto:

Entrada principal do Oeiras Parque

Havia 2 bicicletas e 2 motas estacionadas em cima do passeio presas ao gradeamento. À direita vemos os desgraçados que andam de transportes públicos, sem abrigo do sol e da chuva e sem bancos para se sentarem, enquanto que quem vai de carro tem centenas de lugares de estacionamento coberto, iluminado e gratuito. À esquerda vêm-se alguns dos carros estacionados numa zona de proibição de parar e estacionar (percebo o estacionar, mas se não se pode parar não sei para que serve aquela via…).

Antes de chegar ao OP, vim em contramão por uma estrada que ladeia o Parque dos Poetas e tirei esta foto:

A paisagem em mudança...

À esquerda têm o IZI (que, a propósito, não tem estacionamento para bicicletas…). Foi construído num ápice. Devem ter agradado bastante ao sr. 10 %… Neste preciso local estava o único sítio verdejante da zona. Foi arrasado e agora só há betão. À direita vê-se a linha do SATUO, que supostamente terá continuidade. Mas se agora está ali o IZI, fico sem saber por onde é que aquilo irá passar. Duas grandes superfícies que podiam muito bem ser ligadas por uma ponte pedonal/ciclável. Mas não, estamos em Oeiras, onde se espera que para andar 200 metros usemos o carro…

As últimas duas fotos da viagem, junto à rotunda das oliveiras, na saída da A5 em Porto Salvo / Paço de Arcos:

Fuck the pedestrians Oeiras cada vez mais atrás

Neste local, como em dezenas (ou centenas) de outros espalhados pelo concelho de Oeiras, os fluxos, a mobilidade e a acessibilidade pedonal foi esquecida. Quando não é simplesmente esquecida é até dificultada ou impedida. Mas hey!, o munícípio ganhou um prémio de mobilidade/acessibilidade e tudo!!

Isto já diz muito do resto do país...

Não há pachorra para isto, pá, a sério que não…

Novidades das Amoreiras

No dia 21 de Maio enviei o primeiro e-mail. Foi lido mas não tive resposta. No dia 20 de Junho enviei um segundo e-mail, reencaminhando a mensagem original. Foi novamente lida mas não recebi resposta. No sábado, dia 9 de Agosto enviei um terceiro e-mail, desta vez incluindo todos os endereços que vi na página:

——– Forwarded Message ——–
From: bananalogic
To: amoreiras-shopping@mundicenter.pt
Cc: dgeral.amoreiras@mundicenter.pt,
dcomercial.amoreiras@mundicenter.pt,
dmarketing.amoreiras@mundicenter.pt,
doperacoes.amoreiras@mundicenter.pt
Subject: Marketing sustentável, ou nem por isso?
Date: Sat, 09 Aug 2008 20:11:33 +0100

Boa tarde,

Gostava de dar follow up público a isto: http://azulebanana.com/anabananasplit/2008/05/21/ir-as-compras-ao-amoreiras-de-triciclo/

Seria pedir muito solicitar uma resposta dos vossos serviços, depois de decorridos dois meses e meio e 2 e-mails? Independentemente de qual seja a resposta, a ausência dela diz mais do que a situação que originou a pergunta…

Grata pela atenção.

Cumprimentos,

Ana Pereira

——– Forwarded Message ——–
From: bananalogic
To: amoreiras-shopping@mundicenter.pt
Subject: Feedback
Date: Fri, 20 Jun 2008 19:24:53 +0100

Olá,

Será que já têm informação, nesta altura, para me poderem facultar uma resposta às questões que coloquei neste e-mail de 21 de Maio?

Grata pela atenção.

Cumprimentos,

Ana Pereira

——– Forwarded Message ——–
From: bananalogic
To: amoreiras-shopping@mundicenter.pt
Subject: Estacionamento no shopping Amoreiras
Date: Wed, 21 May 2008 11:46:58 +0100

Bom dia,

Há dias reparei num outdoor do Amoreiras em que aparecia uma mulher de triciclo, a ilustrar o “prazer urbano” de “passear”. Como utilizadora regular de bicicleta como veículo de transporte, fiquei muito contente de retratarem esse comportamento numa luz de sofisticação, glamour e prazer, dando-lhe visibilidade e valorizando-o.

Serve o presente e-mail para procurar saber se os 900 lugares de estacionamento referidos no vosso site contemplam alguns para bicicletas (e triciclos, porque não?). Se contemplam, gostaria de saber se são pagos e se sim, a que tarifa, bem como quais as condições oferecidas (localização, segurança, tipo de estrutura de estacionamento).

Aguardarei com expectativa uma resposta.

Muito obrigada pela vossa atenção.

Cumprimentos,

Ana Pereira

A mesma pessoa que leu os outros dois e-mails apagou este último sem o ler. No entnato, a resposta (dada por outra pessoa) veio hoje, com boas notícias (quão boas só poderei dizer quando vir a localização e o tipo de suportes). Só não gostei da mensagem-standard, em que nem lamentaram o atraso na resposta… Enfim.

——– Forwarded Message ——–
From: Maria João Boaventura
To: bananalogic @ gmail . com
Cc: André Cabral , Sofia Cêpa
Subject: estacionamento para bicicletas
Date: Wed, 13 Aug 2008 18:16:51 +0100

Exma. Senhora,

Acusamos a recepção da vossa sugestão sobre os lugares para bicicletas no parque de estacionamento, a qual mereceu a nossa maior atenção.

Na expectativa de melhorar as condições oferecidas aos seus utilizadores, informamos que passámos a ter à disposição do cliente, 5 lugares de estacionamento para bicicletas.

Estes lugares situam-se no piso -1 junto a central de Apoio a Clientes, não sendo cobrado qualquer valor pela sua utilização.

Certos que continuaremos a contar com a sua preferência, com os melhores cumprimentos,

Cumprimentos,

Maria João Boaventura

Recepção
Av. Engº. Duarte Pacheco
Amoreiras Shopping Center, loja 2037
1070-103 Lisboa
Telf.: + 351 21 381 02 00 Fax: +351 21 383 27 35
Site: www.amoreiras.com

Então, alguém que ande ali para os lados das Amoreiras e que tenha uma máquina digital esteja up for a report? ;-)

Exemplos práticos de nabice

Há tempos reparei que instalaram umas bike racks no Complexo Desportivo do Jamor, embora o tivessem feito num local less than ideal:

Ao sol e à chuva, afastado do "movimento", num canto

Ao sol e à chuva, e afastado da zona de passagem e debaixo de vista dos seguranças (onde as pessoas costumavam colocar as bicicletas, antes das racks):

Tanto espaço livre coberto...

Cheguei a ver lá bicicletas presas, mas nunca testei com a minha.

Já tem utilizadores!

À segunda ou terceira vez que olhei para aquilo apercebi-me que tinha sido colocado ao contrário… Provavelmente para conseguirem aparafusar aquilo ao muro. Comparando com esta foto que tirei ontem em Cascais numa estrutura idêntica, depois de testar com a minha BICA de ocasião, dá para perceber o como e o porquê de ser esta a orientação certa:

The right way to use these racks

O problema com as nossas “infraestruturas para ciclistas”, em Portugal, é que, na maior parte dos casos, são escolhidas, feitas e/ou montadas por pessoas que não percebem um cu disto. E olhem que não basta ser ciclista para saber automaticamente estas coisas…

Entretanto, enviei há pouco um mail para piscinas . jamor @ idesporto . pt. :-)

MobQua

O seminário foi dos mais interessantes em que tenho participado, pelas pessoas que intervieram, pelos projectos e temas apresentados.

Seminário final do MobQua

Gostei. :-) Embora algumas coisas avançadas por alguns dos intervenientes me pusessem um bocado ansiosa na expectativa do que aí vem em termos políticos e mediáticos relativamente à promoção do uso da bicicleta… Algumas fotos disponíveis aqui. E é giro ver muitas das mesmas caras nestas coisas. Chego à conclusão que há pouca gente a trabalhar ou interessada nisto… Devo ser a única que anda ali em turismo, sem trabalhar em nenhuma Câmara ou empresa de consultoria or something like that. Outros no dia de folga vão ao cinema, à praia,… Eu vou a conferências como hobby. I need to get a life. :-P

Na estação de comboios em Oeiras reparei que instalaram outra bike rack, mas a opção foi por um wheel bender:-( No parque antigo duas bicicletas estavam caídas…

Novo estacionamento para bicicletas junto à estação de comboios de Oeiras Fallen bikes

Antes passei por um terreno onde andavam duas vaquinhas a pastar. Foi estranho, porque geralmente vejo estes animais sempre muito quietos e “parados”, e aqui elas estavam a brincar, corriam de um lado para o outro e,… Como cães ou gatos. Senti-me mal por comer carne de vaca. Bom, na verdade é muito raro, mas still

Vaquinhas a brincar

Desta vez não fui de bicicleta, mas vi duas estacionadas nas redondezas, além de motas.

Motas e bicicletas estacionadas no já exíguo passeio Distribuição modal, sort of

Da última vez que fui ao CIUL, a uma conferência das Sessões Ponto de Encontro, fui de bicicleta. Fui a pedalar até Paço de Arcos, levei a bicicleta comigo no comboio, e depois pedalei até Picoas. O problema foi estacionar. Não queria deixá-la na rua e num passeio tão pequeno. Aí lembrei-me da discussão na mailing-list da MC e resolvi tentar o parque de estacionamento subterrâneo quando reparei que havia ali um. O funcionário foi excelente e embora não houvesse um lugar para bicicletas (o das motas não dava por não ter nada onde prender), deixou-me pô-la num canto sob o seu ângulo de visão. Correu tudo bem. :-)

O edifício do CIUL é novo, mas a vista para as traseiras é péssima, edifícios podres, abandonados,…

Lisbon's backyards - some are ugly... Lisbon's backyards - some are ugly...

Ando um bocado sem tempo, ultimamente, e há mails que demoro dias a responder. Aos visados, sorry. ;-)

Subtilezas da inconsciência

Neste tipo de situações, por que é tão raro ver a carrinha estacionar em paralelo, ocupando vários lugares de estacionamento, em vez de simplesmente “comer” os passeios? Por que é que, quase inconscientemente, respeitamos infinitamente mais as pessoas dentro de carros do que as que estão a pé?

É o paradigma cultural...

Bicicletas e outras coisas

Há dias fui à Loja do Cidadão nas Laranjeiras e reparei nisto na porta do Centro Comercial contíguo:

Proibida a entrada a bicicletas Proibida a entrada a bicicletas

Foi a primeira vez que vi um sinal a proibir explicitamente a entrada de bicicletas num edifício. Vou assumir que sejam as bicicletas normais (“grandes”), o que até compreendo. Só gostava que da mesma forma que sentiram necessidade de lá pôr este sinal (devem ter tidos pessoas a querer levar pra lá as bicicletas) e se deram a esse trabalho, tivessem colocado cá fora estacionamento para essas mesmas bicicletas… Ontem voltei lá e presenciei a chegada praticamente em simultâneo de duas pessoas em bicicleta, que foram ao Pingo Doce, um supermercado contíguo ao tal Centro Comercial…

IMGP9413.JPG IMGP9415.JPG

IMGP9414.JPG IMGP9416.JPG

Há procura. Se lá pusessem o tal parque de estacionamento para bicicletas (que serviria o supermercado, o Centro Comercial e a Loja do Cidadão!) incentivariam mais utentes a deslocarem-se para aquela zona de bicicleta e não de carro, aliviando a pressão sobre o espaço para estacionamento…

Há uma semana fui à FCT tratar de umas coisas e vi algumas mudanças. O Metro Sul do Tejo já chega ao campus e há uma estação chamada “Universidade”. :-) Na altura ainda havia obras em curso mas penso que entretanto aquilo já foi inaugurado.

Obras do MST Metro Sul do Tejo

A paragem de autocarros junto à entrada principal da faculdade continua a vergonha que sempre foi. Não é diferente de todas as outras paragens, mas podia ser diferente, a FCT podia oferecer melhor aos seus alunos e utentes, já que a Câmara não o faz.

Afinal, para quem vai de carro há estacionamento livre, ordenado, com bons acessos e bom piso.

Que outra faculdade em Lisboa tem estas condições para os alunos que levam o carro para o campus?...

Tudo gratuito. Quem vai de transportes públicos fica à espera em pé e se se quer. Ao frio, à chuva, ao sol, ao calor, ao vento. Com os livros e os portáteis às costas. Não se admite isto, pá. Não tem que ser assim, porra… [Agora vai haver uma remodelação das regras de estacionamento e acessos ao campus, coisa que tem suscitado debate no fórum da faculdade.]

Há uns anos que a FCT instalou uns racks para bicicletas no campus. Discordo do modelo por que optaram e até mesmo da localização de alguns desses racks. As escolhas dos ciclistas corroboram a minha opinião…

Eu também nem hesitaria. A escolha é óbvia. A escolha óbvia para qualquer ciclista

Alguns spots parecem nunca ter bikes.

Parque vazio. Mau local, havia opções melhores.

E este… bom, espero que este desastre não tenha apanhado ninguém! :-( É preciso ter pontaria, e azar.

Fosga-se!!

A confirmação

Aha! Está a ser utilizado! :-D

Infrastrutura de estacionamento de bikes a ser usada! :-)Infrastrutura de estacionamento de bikes a ser usada! :-)