Caso não se apercebam, isto também tem a ver com as bicicletas, com a mobilidade sustentável, com as cidades “vivas”, etc, etc, basta “connect the dots“.
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No Domingo fui de patinete buscar almoço para o pessoal, frango assado, a uma churrascaria a cerca de 1 km, talvez, em plano, praticamente. [Comecei por usar duas patinetes em algumas deslocações para me familiarizar melhor com este novo conceito, e conhecer melhor os modelos, ossos do ofício.
É engraçado porque não estava à espera de achar nenhuma piada especial a isto, mas virei fã, é realmente muito prático, e parece ser mesmo de baixo impacto, o que para alguém como eu, frequentemente com problemas de articulações, músculos e tendões, são boas notícias.]
Tive que aguardar um bocado, e entretanto deixei de esperar sozinha, foram chegando outras pessoas para levantar as suas encomendas também. Duas delas chegaram a pé, outras duas de carro, que estacionaram em frente à porta. A última, um senhor com uns 65 anos, por aí, gabou-me as rodas, mas depois rematou com um “só falta aí um motorzinho“. É um comentário típico. Repliquei que não, que não é preciso, que gosto dela assim, que se faz bem, que me faz bem.
Costumo dizer, e é verdade, que não ando de bicicleta com a frequência que ando, no contexto que ando, “pelo ambiente”. Isto apesar de ser uma pessoa com elevada “consciência ambiental” e comprometida com a mesma na medida do possível (e prático). Ando de bicicleta porque gosto, porque desfruto mais da viagem assim, porque me dá uma oportunidade de incorporar uma actividade física na minha rotina diária em vez de ter que tirar tempo (que não consigo, de qualquer modo) especificamente para actividades onde me exercitar para exercitar. Ando de bicicleta porque às vezes é mais rápido, prático e menos stressante que ir de carro. E é um grande bónus poder libertar o carro para outros usarem (carsharing familiar!), e poupar dinheiro para coisas mais interessantes do que manter o carro a andar (como viagens, mais bicicletas, livros, etc). O “ambiente” é um factor importante, e também está lá nas minhas motivações, mas sinto que se não estivessem lá as outras o ambiente por si só não me faria deixar o carro em casa e ir de bicicleta.
Contudo, há pessoas para quem esta questão da responsabilidade ambiental (e, daí, social) da mobilidade tocou na pele. É o caso do autor de um blog que descobri hoje. A poluição atmosférica e sonora causada pelo excesso de automóveis em circulação afecta a saúde de muita gente, e causa muitas mortes. Mas poucas pessoas têm noção disto, só lhes ocorre a sinistralidade rodoviária “imediata”. Usar um veículo motorizado desproporcionalmente grande/pesado/poluidor face ao que nele transportamos e face ao contexto em que o utilizamos acaba por ser um pecado social, ambiental, económico de que tenho cada vez mais consciência. Não sou anti-carro, os carros são úteis e cómodos em muitas situações, e precisamos deles. Mas precisamos de diversificar as opções disponíveis no mercado (carros – e motas – mais pequenos e leves, carpooling, carsharing,…), e precisamos de políticas que restrinjam o seu uso fora das situações em que ele é realmente a única ferramenta possível, disponível ou prática para determinada função de transporte. Paralelamente há que investir, promover e subsidiar as alternativas pelo menos na mesma medida em que os veículos motorizados têm sido alvo de investimento, promoção e subsídios: os transportes colectivos públicos, as bicicletas, o andar a pé. Mas não se iludam, a promoção não vai lá sem a restrição.
Não tenho grande perfil – nem paciência – para evangelizar as pessoas com o meu latim nestas situações do dia-a-dia (na churrascaria, na farmácia, na mercearia, no comboio,…). Limito-me a sorrir, a responder, e a simplesmente andar por aí, na boa. É a melhor maneira de promover outros estilos de vida, tendo-os. E o meu nem é nada de radical. Nem poderia ser, dado o sítio onde vivo e o tipo de deslocações que faço. Quem me dera viver algures onde não ter carro sequer pudesse realmente ser uma opção prática…
Fantástico!
E há gente a querer repetir a ideia em Portugal! Eu já me alistei no grupo de Oeiras. Não fiquem a olhar, participem!
Bué. Mesmo bué, porque além do que está neste mapa (feito pelo Hernâni), falta contabilizar de casa até à estação de Paço de Arcos (onde apanhámos o comboio), depois desde a estação do Cais do Sodré até ao Arsenal da Marinha, de onde começou a contagem. E depois, no regresso, falta o percurso que fizemos desde Linda-a-Velha até ao Jamor e depois à beira-mar desde a Cruz Quebrada até Paço de Arcos, e daí até Porto Salvo e até casa. O Bruno não controlou rigorosamente, mas pelo conta-quilómetros, estima-se em cerca de 80 km. Pensei que fosse ficar exausta e que não me conseguiria levantar no dia seguinte, mas espantosamente, estava fresca que nem uma alface.
E fizemos aquilo tudo numa cargobike, sendo que o Bruno levava uns 10 kg em ferramentas e bombas de ar. Not bad at all, dado que diariamente pedalamos apenas, e em média uns 5 a 10 km, por aí, sem fugir do alcatrão e sem grandes declives. Nesta volta passámos por alcatrão bom, alcatrão em degradação, terra em lama, terra com calhaus, subidas vertiginosas, etc.
De que falo? Do passeio reivindicativo “Nós pedalamos“, antigo “Belém-Trancão”, em que eu e o Bruno participámos, integrados com o grupo da Ciclo-Via.org, Gonçalo, Miguel, Kátia, Fábio, Enzo e Hernâni, que prestou serviço no âmbito de uma Cicloficina móvel de apoio ao evento, além de termos ajudado com a condução do grupo em dois cruzamentos.
O Gonçalo arranjou um kung-fu para espalhar a palavra:
O Enzo preparou umas folhas com o nome “Ciclo-Via.org” pra pormos nas t-shirts, mas acabaram por cair (excepto a dele, curiosamente, que aguentou até ao fim, penso).
O Hernâni avançou uma estimativa / registo de memória das intervenções da Cicloficina Móvel:
Antes da partida:
1 furo
Encher vários pneus
Ajustes de travões
1 desviador traseiro desmanchado (Caiu o parafuso e espalhou-se em peças)Até ao parque das nações:
mais 2 furos
1 banco desapertado
1 banco mal reguladoAntes da chegada:
1 crank desapertado
1 corrente partida e mal montada
encher pneus
afinação de mudanças
muito apoio moral
A equipa da Ciclo-Via.org foi essencial para o sucesso do evento, pois evitou que os vários participantes que tiveram problemas técnicos nas suas bicicletas, ainda antes da partida ou ao longo do percurso, tivessem que ficar em terra, voltar para trás, ou esperarem para serem “recolhidos” por alguém, permitindo que toda a gente concluisse o passeio.
[Eu cá apenas ajudei a controlar um cruzamento.]
Um vídeo oficial:
Sim, fui entrevistada assim, sem pré-aviso nem nada, de chofre sem dó nem piedade. Mas como puseram a música alta e tal, e nem puseram tudo até passa despercebido.
As fotos que consegui ir tirando ao longo da volta toda (não só do passeio do GEOTA), aqui.
Foi um dia muito bem passado, a pedalar, a conhecer novos sítios, a conversar.
Quanto ao passeio em si, achei que tinha algumas falhas a nível de organização (nada de monta, contudo: posição da equipa de socorristas, assistência técnica [coberta por nós numa base voluntarista, inédita no evento, e preparada pouco antes], dicas de circulação em pelotão inexistentes, fraca recepção a nível de animação e rentabilização do evento e de apoio aos participantes e voluntários em termos de “combustível”), achei a hora e o local de partida desajustados do propósito do passeio, a reivindicação de um corredor verde, pois o nível de exposição pública do mesmo a partir de um local fechado, às 8h de um domingo é mínima. Também não gostei da experiência de andar a li em pelotão, numa massa densa e progressivamente mais dispersa, soube a corrida lenta, obrigação, não teve um feeling de passeio, de desfrute da viagem e da paisagem (raros foram os locais com paisagem agradável, piso a condizer e espaço visual aceitavelmente livre de outros ciclistas por onde espreitar essa paisagem). Isto é algo que não é fácil de “resolver” nem sei se é algo a resolver…
Puta que pariu esta gente, estes empresários, estes políticos, cambada de…
Quem conheceu a praia dos Salgados antes do “desenvolvimento” e agora sabe bem que estamos entregues aos bichos.
Via Lanka (obrigada pela dica!
):
“Há Festa na Horta!” – Dia comunitário na Horta popular da Graça, Domingo 11 de Maio
No próximo Domingo, dia 11 de Maio, no auge da Primavera, vamos convidar os vizinhos dos bairros da Graça, Mouraria e Alfama, os amigos e todos os simpatizantes de hortas urbanas e da ruralidade citadina para participar num dia comunitário na Horta popular da Graça.
Enquadramento:
Mais que nunca as cidades têm que reencontrar o seu equilíbrio e voltar a abraçar a natureza da qual se afastaram nos últimos 50 anos. Os habitantes das cidades nunca foram tão dependentes dos serviços de terceiros para satisfazer as suas necessidades básicas, serviços esses que se estão a tornar cada vez mais proibitivos. 2008 é o ano em que o aumento gradual dos preços das comodidades se vai sentir de maneira dramática, com os cereais a aumentar mais de 50% enquanto o acesso a legumes frescos de qualidade se limita a uma faixa cada vez mais pequena da população.
À falta de autonomia dos munícipes e o seu afastamento da produção da terra, se juntam a perda de espaços comuns e sobretudo de espaços verdes para conviver, para gozar os tempos livres e para fomentar um sentimento de segurança e de pertença.
O conceito da horta urbana insere-se firmemente numa estratégia de recuperação da sustentabilidade urbana, ligando factores sociais, culturais e ambientais. Contribui para a conservação de espaços verdes naturais, um planeamento urbano mais humano, a segurança alimentar, a estabilidade socioeconómica, e ainda para proporcionar lazer ou mesmo terapia.
Horta popular da Graça-Mouraria:
A Horta popular, na intersecção da Rua Damasceno Monteiro com a Calçada do Monte, nasceu como projecto do GAIA – Grupo de Acção e Intervenção ambiental, no âmbito da campanha “Por uma Agricultura mais sustentável” iniciada em 2007, no momento em que o GAIA começou o projecto “Centro Social”, albergando a sua sede nas instalações cedidas pelo Grupo Desportivo da Mouraria. Os objectivos do projecto da Horta são: Promoção da Agricultura Sustentável, Consciencialização para os Benefícios da Agricultura Sustentável, Atrair os Jovens para a dinâmica entre cidade e campo, Convidar os Mais Jovens para o desenvolvimento de actividades comuns ligadas ao Desenvolvimento Sustentável e Preservação da Natureza, Envolver a Comunidade local na manutenção de uma horta urbana, promovendo a sua autonomia.
Todas as segundas-feiras o Grupo da Horta reúne no local para juntos trabalharem a encosta solarenga, cuja terra sofreu sucessivos despejos de entulho e lixo e está ainda pouco fértil, plantando variedades que vão arranjando e partilhando, semeando novos mini-lotes, soltando a terra e regando-a, com o objectivo de ali recriar um ecossistema equilibrado, aplicando as técnicas ancestrais da agricultura biológica. Sempre que passe um morador curioso, é convidado para espreitar os afazeres e receber uma explicação do projecto, impulsionando a participação activa dos residentes dos bairros adjacentes.
A iniciativa está a começar a ganhar alento e os resultados estão à vista, com uma variedade de talhões semeados ou plantados – diversas couves, alfaces, tomate, milho, favas, cebola, acelga, alho francês, abóbora, morangos, hortelã, poejo,.. -, umas jovens árvores e algumas plantas resgatadas das Hortas de Benfica, um talhão preparado para flores, todos rodeados por plantas e ervas espontâneas essenciais para o controlo natural das pragas.
Neste Domingo queremos celebrar a promessa desta iniciativa, incentivar o arranque de muitas mais e partilhar conhecimentos sobre horticultura social e jardinagem com vizinhos, interessados e outros horticultores. Durante todo o dia operará uma oficina de construção de mobiliário urbano reciclado, aberta a todos. À tarde juntar-nos-emos para umas tertúlias sobre hortas urbanas e ruralidade e teremos a oportunidade de uma visita guiada à Horta, enquanto as crianças são entretidas por dois animadores e um artista plástico, tudo isto ao som de música acústica e ao sabor de petiscos com ingredientes da própria Horta. Ao fim do dia a festa continua no Centro Social na Travessa de Nazaré.
Propósitos do dia comunitário:
- Promover o conceito das hortas urbanas.
- Promover em particular a horta urbana da Graça para que ela ganhe massa crítica.
- Fomentar a troca de conhecimentos com vizinhos, interessados e outros horticultores.
- Ajudar a garantir o continuado uso público para fins verdes do terreno em questão.
- Proporcionar um verdadeiro convívio comunitário.
- Servir de exemplo para outras iniciativas semelhantes.
Programa do dia – Concertos e consertos, conversas e passeios na Horta:
9.00 – 19.30:
Oficina de construção de mobiliário urbano reciclado
14.30 – 19.30:
Tertúlias com Arq. Gonçalo Ribeiro Telles, Ângelo Rocha, Fernando Pires e o GAIA
Visitas guiadas à Horta
Bancas informativas do Banco Comum de Conhecimentos e do GAIA-CSM
Espaço para crianças, Pintura livre, Música acústica ao vivo, Petiscos vegetarianos
A partir das 20.00:
Jantar popular e festa no Centro Social da Mouraria
Gostava de espreitar, mas vou estar a trabalhar.
Fiquei contente por saber disto (é do género de tópico que me interessa) e muito contente por saber que há cá quem queira Retomar a Rua também!
Fiquei mesmo revoltada pela cena da CRIL e de arrasarem as hortas. Recebi o mail da Lanka na noite anterior ao dia marcado dos bulldozers (era de manhã), pelo que já ia tarde para ajudar a divulgar e a pedir voluntários. Lendo posts deste caso é de uma pessoa sentir-se mesmo revoltada com a gente que manda neste país. Até dói pensar em tanta natureza, plantas e bichos, destruídos, principalmente num deserto urbano como é Lisboa… E olhem que eu nem sou pessoa de andar a mexer na terra, a cuidar de plantas (nem de animais), a conhecer-lhes os nomes, as aplicações,… (nisso não saí nada à minha mãe e à mãe dela, minha avó…). É um amor platónico. Mas sei reconhecer o valor (e é tanto e tão diverso!) da natureza, do “verde”, e sinto a sua falta quando não a vejo ao meu redor…
Bom, vivam as hortas urbanas!
Tenho isto aberto numa das minhas 500 mil tabs há meses. Acho que foi um link indicado pelo Mário, mas não me recordo. The Story of Stuff:
From its extraction through sale, use and disposal, all the stuff in our lives affects communities at home and abroad, yet most of this is hidden from view. The Story of Stuff is a 20-minute, fast-paced, fact-filled look at the underside of our production and consumption patterns. The Story of Stuff exposes the connections between a huge number of environmental and social issues, and calls us together to create a more sustainable and just world. It’ll teach you something, it’ll make you laugh, and it just may change the way you look at all the stuff in your life forever.
Uns teasers muito elucidativos do que está aqui em questão:
O vídeo foi realizado pelo pessoal da FreeRangeStudios responsáveis por outras cenas fixes como a Meatrix, the Mouth Revolution, as Grocery Wars, e outras).
O João Nunes enviou este vídeo para a lista da MC, um grande achado:
É uma onda em grande expansão no Ocidente e, embora possa ser bem intencionada, os seus seguidores podem incorrer em algumas armadilhas de raciocínio. A sustentabilidade EXIGE um redimensionamento das nossas necessidades. O tamanho das nossas casas (e o número delas que possuímos!), o tamanho e outras características do carro que temos e/ou conduzimos (e o número deles!!), a quantidade de electrodomésticos consumidores de matéria-prima e de energia, as deslocações que fazemos e por que meios as fazemos,…
Um estilo de vida com uma casa principal e sei lá quantas de férias, não sei quantos carros, mesmo que seja uma “eco-casa”, uma moradia de várias centenas de m2 não é “verde”. Um SUV tipo tanque nunca será “verde” mesmo que seja híbrido. Ter a casa cheia de tralha secundária não é verde mesmo que essa tralha seja feita de “eco-materiais”…
A sustentabilidade passa por ter menos e usar menos, e só depois, e aí sim, aquilo que temos e usamos ser feito de materiais reciclados e/ou recicláveis, não tóxicos nem a jusante nem a montante, e sempre que possível fabricados localmente, com materiais locais. O american way of life (tudo em versão XXL) não é sustentável mesmo que seja “eco”.
Beware of marketing greenwash (and its sins), but also of your own conscience’s greenwash…
Na 5ª-feira passada, 22 de Novembro, fomos a Lisboa, ao lançamento do livro “País (In)sustentável“, da Luísa Schmidt, no Teatro S. Luiz (again!).
Não sabia do livro, foi através de um blog or something que soube disto, praí na véspera, e decidi ir. Leio a coluna da autora no Expresso desde que me lembro, gostei de ver aqueles documentários «Portugal – Um Retrato Ambiental», e tenho-a em boa conta, no geral. Bom, àparte de ela no final do último “Um Dia Por Lisboa” ter dado convites para o lançamento do livro a pessoas com quem nós estávamos a conversar mas não a nós, à nossa frente. Na altura não sabia o que era, agora já sei. Enfim, também não tem importância, foi só um pormenor.
Nunca tinha ido ao lançamento de um livro, e fui mais para saber como era. Posso comprar o livro noutro sítio qualquer. Afinal ali era mais barato uns 5 € e aproveitei o desconto.
Não, no final não fui “falar com a autora”, nem pedir um autógrafo. O que iria dizer? “Ah, gosto muito do seu trabalho.” Ou outros clichés do género? Eu não conheço a mulher! E não sei fazer conversa, já sabem.
E também não fomos petiscar depois, afinal, não fomos convidados. lol
Foi uma viagem multimodal: carro + bicicleta para lá, bicicleta + Metro + carro para cá.
Já tenho bastante experiência de utilização da Mobiky com o Metro e há cenas que me lixam o juízo. Porque é que a política de mobilidade e acessibilidade não é uniforme em TODAS as estações? Numas há elevadores, noutras não…
Numas vêem-se placas para esses mesmos elevadores, noutras andamos feitos parvos a tentar vê-las. Numas há escadas rolantes além das escadas normais.
Noutras só há escadas normais. Noutras há escadas rolantes mas só nalguns troços das escadas normais, ou só nalgumas entradas… F***-se! Uma pessoa tem que saber à partida que estações vai usar para se certificar de que consegue entrar e/ou sair de lá (assumindo que já as conhece). Isto admite-se? Para mim isto apenas me rouba tempo e torna a minha viagem mais cansativa, quando não habia nexexidade. Pego na bicicleta e lá subo ou desço as escadas. Claro que ao fim de 4 ou 5 ou 6 vezes em que tive que a carregar (quando ela está preparada para eu a levar a rolar ao meu lado!) já começo a questionar a minha opção de ter optado ou pela bicicleta ou pelo Metro. Geralmente quem perde é o Metro porque ou vou o caminho todo de bicicleta ou substituo o Metro pelo carro… (Hey Metropolitano de Lisboa, take a damn HINT!!). Mas e se for uma pessoa com um miúdo num carrinho? Ou uma pessoa em cadeira-de-rodas? Ou um idoso ou outra pessoa com mobilidade algo limitada/condicionada? Porque é que estas pessoas não se vêem no Metro em grande quantidade? Hein? Talvez porque o Metro não serve as suas necessidades. Por isso ou ficam em casa (muitos dos deficientes) ou compram um carro e usam-no intensivamente quer queiram quer não, quer gostem quer não, quer o consigam sustentar quer não (famílias com filhos)!! A sério, isto revolta-me. E sinto-me impotente e é uma sensação horrível. E gostava de ter energia e combater o conformismo e lutar, fazer alguma coisa mais útil que postar fotos das asneiras deste país e blogá-las. Aaargh!
No site deles: “Aconselhamos as pessoas de mobilidade reduzida a viajarem acompanhadas.” No shit!! Claro, elas precisam de alguém que as ajude a localizar os elevadores, quando existam, ou que vá “chamar alguém” para inventar ou lhes indicar uma maneira de saírem dali. Ora, todos os utentes do Metro (ou de qualquer outro transporte público), se pagam o mesmo que toda a gente pelo bilhete, deveriam ter condições para usar os serviços de uma forma independente e fluida. Se eu não posso chegar e sair dos cais de embarque de forma autónoma e rápida, sem ter que esperar e perder tempo a pedir ajuda e a usar infrastruturas “especiais” ou condicionadas, mais vale comprar um carro, porra!! Como está, seria mais justo colocarem nas entradas das estações sinais e dizer “se traz carrinhos ou cadeiras-de-rodas, esqueça, isto não serve para si. Apanhe um táxi, vá a pé ou desista”. Os transportes públicos não podem ser uma não-escolha dos seus utentes, não podem ser o último recurso, porque assim só vão atrair os que não têm dinheiro para comprar e manter um carro, ou andar de táxi. Os transportes públicos têm que atrair utentes porque são melhores alternativas do que ir de carro, ou a pé ou de bicicleta (e não devido à falta de condições dignas para estes modos!).
*sigh*
Aquilo começou às 18h e já era de noite quando íamos para lá (chegámos uns 15 ou 20 minutos atrasados). Passámos pela ciclovia do Campo Grande para fugir aos carros, mas a ciclovia não tem iluminação absolutamente nenhuma, e está toda cheia de caruma e folhas, além de rachas e outros danos no piso.
Há iluminação nas vias do lado esquerdo e do lado direito, destinadas aos carros (e às bicicletas cujos condutores não temam pela vida a circular num local multi-faixas e onde as latas andam a velocidades MUITO acima dos 50 km/h legais…), que têm luz própria para dar e vender, mas a ciclovia pode ficar às escuras para ser insegura pela infrastrutura e pelo ambiente propício a assaltos… Mas alguém percebe este povo?
Para lá, íamos a descer a Av. Fontes Pereira de Melo e estava fila, hora de ponta. Houve uma gaja que tinha um problema qualquer com bicicletas e então “ultrapassava-nos” para se tentar meter à nossa frente. Atenção, estava tudo parado, muitos carros, semáforos uns atrás dos outros. Qual era a necessidade? Tipo, parece que se pica de estarmos à frente dela, e não pode ser. Ela não nos apitou, simplesmente teve uma atitude imbecil, o que ainda não é crime, infelizmente.
A primeira vez que me fez aquilo, passou-me rente (mesmo que a baixa velocidade), para parar 50 cm à minha frente, dei-lhe uma Airzoundzada logo.
Adoro, o pessoal nunca está à espera de uma buzinadela de um ciclista, muito menos de uma tipo camião vinda de uma mini-bicicleta como a Mobiky. lolol Ao menos sempre me vou divertindo com estas pequenas desgraças inconsequentes do trânsito.
Bom, ela continuou a fazer aquilo a seguir, mas já não passou perto…
No dia seguinte, 6ª-feira, voltei a Lx, e meti-me em novas aventuras.
Logo blogo sobre as minhas peripécias, quando der.
Já não me lembro onde ouvi (ou li) falar do Russ Roca pela primeira vez, já foi há uns tempos atrás. Penso que tinha a ver com o facto de ele usar uma Xtracycle (e, quando necessário, mais um reboque) como veículo de trabalho (ele leva uma vida carfree, tal como a namorada, ou pelo menos, carlight), mas não sei onde vi aquilo. Anyway, Só há dias descobri que ele tinha um blog, além do site profissinal, e do espaço no Flickr.
À medida que ia navegando pelos posts, pensei “que vida fixe”.
Andar de bicicleta para todo o lado, conhecer pessoas, locais e temas diferentes todos os dias, ser pago para tirar fotografias, poder registar no tempo imagens de famílias, casais, pais & bebés…, e depois ainda fazer coisas giras com as imagens.
Gostava de levar uma vida assim. Independente, flexível, criativa, conected.
Também me deu vontade de fazer uma sessão fotográfica profissional do tipo da que ele faz a famílias, casais, retratos, etc. A minha família não é de tirar fotos junta e cenas assim, somos um bocado desligados como grupo. Gostava de conseguir contrariar isso… Mais não seja na nova.
Alguém sabe de um eco-friendly bicycling photographer cá pelas nossas bandas?
A minha família materna é toda natural do Conselho de Silves e por lá vive. A minha tia e o marido vivem em Vale Fuzeiros, um local de rara beleza natural. Nem vos consigo descrever o quão lindo é o céu nocturno naquele lugar…
Nem o da minha avó, perto de Messines, que eu já acho tão overwhelming consegue igualar o do Vale.
É um local habitado essencialmente por pessoas idosas e algumas menos idosas mas de fracos recursos económicos e pouca educação académica. E depois, como um pouco por todo o Algarve mais interior, há os estrangeiros, que são os que descobrem estes pequenos paraísos, e aí instalam diferentes actividades (turismo rural, agricultura biológica, artesanato, etc, etc). São eles que trazem inovação (e dinheiro) a estas povoações e, muitas vezes, são os que mais as defendem de abusos por parte do nosso próprio Governo e por parte de lobbys económicos. Claro que não o fazem exclusivamente por altruísmo, se ali têm os seus refúgios privados ou negócios implementados ou por implementar, mas seja como for, são infinitamente mais activistas e mais informados do que as populações locais que por lá resistem.
Ontem veio um grupo de residentes de Vale Fuzeiros manifestar-se em Lisboa contra o traçado de uma linha de muito alta tensão da REN, que parece que vai passar por lá, colocando em risco a saúde das pessoas e desvalorizando a área, por isso, e por contaminar e afectar a beleza natural daquela zona. Tiveram o apoio dos residentes de Sintra, afectados por uma situação similar (embora mais em questões de saúde, visto não podermos, not in our wildest dreams, comparar o contexto de paisagem de Vale Fuzeiros com o da sobrepopulada Sintra urbana…).
Não sei que interesses este traçado e o modo de implementação (aéreo) servem. Talvez outras alternativas existam, e provavelmente serão mais caras. Azar, gastem-no. Se têm dinheiro a rodos para deixar fugir para os bolsos de políticos e funcionários públicos corruptos ou sem ética, se têm dinheiro para gastar em coisas etéreas e fúteis, também têm para salvaguardar o bem-estar, a vida e os parcos interesses destas pessoas. Não sou de forma alguma contra o “progresso” (autoestradas, rede eléctrica, etc, etc) mas este não pode ser feito com prejuízo para os indivíduos, os pequenos e os insignificantes. E se há maneiras melhores de fazer as coisas, há que optar por elas.
But hey, isto é Portugal. Um país de governo corrupto (brandos costumes, mas a corrupção branda também mói e atrasa) e povo acomodado. Vejam o que têm feito e deixado fazer ao algarve litoral, agora ao alentejo litoral, a tudo o que seja natureza. Destroem os recursos para fazer dinheiro fácil e rápido, e amanhã já não teremos nada para vender nem para atrair turistas e investimento porque as pessoas não vêm cá pelo betão e pelos hotéis luxuosos. Esse podem ser feitos em qualquer lugar. As pessoas vêm cá pelo que a Natureza construiu, não o Homem, vêm pelo mar, pelas praias, pela costa unspoiled and uninhabited (not for long), pelas terras desertas de gente mas povoadas de paz, ar puro, Natureza, beleza.
Não sei se isto é um problema das pessoas no geral, se das do meu país em particular. Mas enoja-me o que as pessoas com mais poder (económico, político) fazem just because they can, quando é delas que se esperaria maior ética, maior sentido de dever, maior inteligência (não em proveito próprio, mas da comunidade). Mas não, parece que quanto mais têm e são, mais querem ter e ser and fuck everyone else. Viver neste mundo é uma desilusão permantente, aliviada apenas por alguns momentos intercalares de esperança ténue…
Enfim, gloomy day, I guess.





























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