Neste tipo de situações, por que é tão raro ver a carrinha estacionar em paralelo, ocupando vários lugares de estacionamento, em vez de simplesmente “comer” os passeios? Por que é que, quase inconscientemente, respeitamos infinitamente mais as pessoas dentro de carros do que as que estão a pé?
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Há uns meses fui a Lisboa tratar de um assunto ali perto de Entrecampos. Fui durante a tarde, o que me impossibilitou de fazer: bicicleta + comboio + bicicleta, como me tinha apetecido, porque para ir, tudo bem, mas para voltar já não dava para trazer a bicicleta no comboio… Fui então de carro + bicicleta dobrável. Conduzi até ali na zona do Alto dos Moinhos e estacionei - havia muitos lugares, e gratuitos. Mas depois surgiu a dúvida: como raio passo daqui para ali (junto da Universidade Católica), se não posso passar pela Av. Lusíada? Não me pareceu ter passeio, pelo menos do lado da estrada onde eu estava. Desci, acabei por ir apanhar o Metro nas Laranjeiras e,… enfim, foi uma tarde estúpida em termos de acessos e mobilidade, nem vale a pena recordar… No regresso, saí na estação da Cidade Universitária ou do Campo Grande, não me recordo bem. E vim a pedalar pela estrada entre o Hospital Santa Maria e o campo desportivo da Cidade Universitária. Chego aos semáforos, sigo pela estrada, novos semáforos e aqui ponho-me no passeio e atravesso numa passadeira junto à mesquita. E sigo por ali, há uma estrada paralela à Av. Lusíada para onde se pode entrar para aceder à tal mesquita.
Chego ao fim, há um stop, e acaba o passeio. Mas descobri, satisfeita, que o viaduto contempla uma passagem para peões, alcatroada.
E sigo por ali a pedalar na minha fiel Mobiky.
Passo em frente à Loja do Cidadão e vejo uma bike estacionada à porta.
É fixe haver o passeio mas a manutenção do mesmo não existe. Comparem a limpeza da estrada dos carros com a das pessoas:
A Av. Lusíada é a maneira mais directa de ligar o Campo Grande ao Alto dos Moinhos (zona do Media Markt e assim). Mas só contempla os automóveis, não há vias para peões! Agora digam-me como é isto possível? E Lisboa está cheia de situações destas. E Oeiras! Isto é uma injustiça social. E um erro in so many ways…
A meio do viaduto cruzei-me com outra pessoa. Mas quase chegada ao fim, começo a indagar-me se aquilo será mesmo um passeio… Afinal, está a começar a afunilar…
Reparem na (já escassa) largura da via antes de começar o afunilamento e depois de o mesmo se instalar:
E a coisa começa a ficar mesmo complicada…
Mas olho para os lados e para o carros há 3 faixas em cada sentido à minha esquerda, duas à direita, e montes de espaço de estacionamento…
E depois, a machadada final. E agora? Salto? Teletransporto-me?
Mesmo depois de saltar, fico muito vulnerável no meio de um saída de uma estrada muito movimentada, e sem passadeira, nem passagem aérea ou o que seja, para atravessar em segurança para o outro lado… Se no início do viaduto houvesse um aviso, ok, agora andar aquilo tudo a pensar que há continuidade na estrutura viária pedonal e depois deparar-me com esta triste realidade,… *sigh*
Quando o espaço público apresenta este nível de qualidade, conforto, segurança, eficiência, é apenas compreensível que os ricos construam condomínios privados que recriem o que o exterior deixou de oferecer. A mania dos mega-centros comerciais que recriam as zonas de comércio tradicional, com as suas ruazinhas e praças e dos condomínios fechados com jardim, sossego e segurança onde se possam deixar as crianças brincar é uma reacção ao espaço urbano hostil que as cidades oferecem cá fora…
Tudo para os carros, nada ou muito pouco para os peões e similares…
Como convencer as pessoas a não usarem o carro para chegarem a locais a apenas 500 metros de distância?…
Os carros têm estradas e espaços para estacionamento à larga.
Os peões não têm direito a larguezas.
E o pouco espaço que lhes é dado ainda é local de eleição para plantar coisas, na maior parte das vezes dedicada aos automobilistas, como sinais de trânsito, semáforos, parquímetros, etc.
E são sempre mais uma opção para estacionar o carrinho…
Os políticos deveriam ser obrigados por lei a deslocar-se de transportes públicos, a pé e de bicicleta, só podendo usar o carro em 20 % do tempo, para que não permitissem que se construíssem cidades assim: absurdas.
Passeios: lugar para plantar sinais de trânsito para os motoristas, marcos de correio, caixotes do lixo… E, se der, para os peões se encolherem e passarem. À vez.
Não ocorre aos CTT nem à CML colocar os marcos do correio na estrada, reduzindo o espaço de menos de 1 lugar de estacionamento. Que sacrilégio seria!
Pelo nosso Código da Estrada, uma pessoa em cadeira-de-rodas é equiparada a um peão. Isto significa que deve circular pelos passeios sempre que estes existam e que não pode circular nas ciclovias. E isso até poderia fazer sentido, mas num país onde quem constrói as infrastruturas tivesse dois dedos de testa e alguma consideração pelos outros. Até lá, é óbvio que uma pessoa com qualquer coisa com rodas vai preferir o piso liso da ciclovia ao piso irregular e rugoso dos passeios em calçada, já para não falar da falta de desnivelamento, rampas, nos acessos aos passeios…
Antes de clamarmos por ciclovias, por favor, vamos simplesmente arranjar as vias que já temos para que TODOS as possam usar com conforto e em segurança… Vamos optar por pavimentos que ofereçam conforto, que não aumentem a poluição sonora da passagem dos carros, que sejam regulares, que não nos façam escorregar, nem tropeçar, em que as rodas de qualquer bicicleta, carrinho-de-bebé, cadeira-de-rodas, trolley de compras, mala de viagem rolem bem e sem esforço adicional desnecessário… Arranjem os passeios e as estradas!!
Em casa, os políticos também começam por comprar doces aos filhos antes de terem dinheiro para comprar também batatas, carne, fruta? Teremos que andar sempre a fingir-nos de ricos, querendo comprar um Mercedes mas calçando sapatos rotos?…
Já ao fim da manhã fomos a correr até ao jardim do Casino Estoril ver a cena dos acessórios para transformar cadeiras-de-rodas em handcycles, anunciada no programa da CMCascais. Não vimos nada.
Perguntámos a um senhor que estava lá com um posto de Bicas e ele disse que não viu nada disso ali. Banhada…
Enfim, ainda fomos a tempo de ter um glimpse do que é a Marginal Ciclável:



A faixa da direita já estava quase a ser reaberta ao trânsito automóvel, mas mesmo assim ainda vimos várias pessoas a passar de bicicleta, pelo que presumo que a iniciativa tenha tido uma adesão siginificativa. Só acho que 30 km/h de limite para os automóveis é excessiva e desnecessariamente baixo, dado que os ciclistas teriam uma faixa inteira só pra si… Claro que quem foi para ali de carro se arrependeu, pois ficou preso no pára-arranca…
Na zona vimos um Hummer a passar… Tinha esperança que aquelas bestas não chegassem a Portugal. Deviam ser proibidos de circular na cidade (ou tudo o que não fosse o deserto ou zona de guerra…).
Acho o Marginal Ciclável uma iniciativa interessante e válida, mas acho que há prioridades, e primeiro há que ter “passeios caminháveis”…
E pelos vistos aqui o estacionamento para bicicletas (e para motas) é inexistente ou insuficiente…
Reparem que aquele U invertido não é para estacionar bikes, mas sim para evitar que os carros subam o passeio.
Curioso, não?
Era para ter ido assistir ao colóquio: “Estratégias para a Implementação dos Modos Suaves de Transporte em Lisboa. A Bicicleta e o Peão: Instrumentos de uma Nova Mobilidade”. E tentei ir. Mas não vi com atenção o local e acabei por me perder na Ajuda, junto ao pólo da Universidade Técnica, a pedir direccions a uma prostituta desdentada, e a ficar apeada, de bicicleta (tive um problema num travão) no meio do que parecia ser uma zona de habitação social, e a ter putos ciganos todos andrajosos, com as mãos peganhentas e negras (um tinha a variante vermelha, como se tivesse estado a mexer em gelatina…) a tocarem na bicicleta enquanto perguntavam o que era cada peça em que tocavam (campainha, luzes, etc). E eu já a pensar que me iam fanar o meu meio de transporte e “menina dos meus olhos” e o que mais que apanhassem da minha mala…
Fui de comboio até Belém e depois subi aquela rua toda até lá acima ao jardim Botânico e mais acima… O percurso era assim:
Não é ultrajante? Ver idosos a encolherem-se pelo meio dos carros estacionados em cima dos passeios, pelos sinais de trânsito, postes, caixas de electricidade, esplanadas, vasos, publicidade, buracos, passeios não desnivelados,… Uma pessoa pensa mesmo que devia era andar de carro e pronto, que se lixe, que isto não é vida para ninguém… O carro ao menos tem amortecedores e as estradas mais ou menos desimpedidas. Chegando lá acima o piso da estrada e a largura dos passeios melhora, mas os carros estão no caminho à mesma. Engraçado como preferem ocupar o passeio a obstruir uma das duas faixas de rodagem para cada sentido da estrada…
A experiência deste dia (e de muitos outros dias) só mostra a pertinência das intenções do tal colóquio…
Bom, felizmente o Bruno andava por Lisboa e tinha levado o carro, pelo que enviei um pedido SOS e ele foi-me buscar.
Entretanto fui com ele gravar uma maquete para um programa na Rádio Zero do IST. Ele e mais outros convidados. Foi uma experiência gira.
Quando a conversa se tornava mais hermética (temas informáticos que eu já não captava) e as pernas exigiam movimento, fui dar uma volta pelo campus.
Vi que tinham 2 locais para estacionamento de bicicletas, um na entrada Norte:
Engraçado que muitas estavam presas ao gradeamento e não ao suporte (tal como eu faria). Na porta Sul estava outro suporte, mas com menos bicicletas (atenção que isto foi a uma 6ª-feira lá para as 18h-20h…):
Também havia um estacionamento próprio para motas, bastante concorrido:
No exterior, em frente à porta a Poente, havia outro, que não dava para as encomendas (muitas motas estavam no passeio):
Uma era uma MP3!
Uma coisa que me “impressionou” no campus do Técnico foi a sua dominação pelos carros. Tudo era estacionamento e até “estacionamentalizaram” os passeios. Um campus devia ser uma zona pedonal, as pessoas andam no meio da estrada de qualquer forma.
E isto é o Técnico, por isso até há lugares para “viaturas oficiais” (whatever that means):
E até vi um carro topo de gama a passar com um homem lá dentro com pose e pinta de milionário… Ainda bem que fui para a FCT-UNL, lá as pessoas parecem um pouco mais normais.
Também dei um giro pelo edifício principal, achei engraçado os corredores, o ar de escola antiga, os degraus em pedra com sulcos, gastos da quantidade enorme de gente que passou por eles ao longo de décadas.
Há aquele ar imponente das coisas com história.
Ah, e é probido fumar em todo o edifício!
Uma coisa inédita, enquanto fotografava o corredor e o hall, um segurança veio dizer-me que não podia tirar fotografias ali. Eu não me fiquei e, calmamente, fui rebatendo e questionando o que ele dizia. Afinal, não estava a fazer nada de mais e não havia sinal nenhum de proibição de fotografar (como há de fumar, por exemplo). Ele dizia que era do regulamento (que pedi para ver, dado que não estava afixado em lado nenhum visível), e depois que era de ordens superiores e tal. Às tantas desistitu e disse só que se alguém viesse falar comigo que o problema era meu. E eu, “ok!”.
Quando voltei ao estúdio, falei disso com o pessoal. Falámos sobre os direitos de autor, o copyright, os direitos de imagem, etc, histórias mirabolantes, and so on. Perguntei se alguém sabia se havia alguma ONG que lidasse com estes temas porque começam a ser prementes e quero fazer alguma coisa. O fundador da ANSOL (bolas, agora não me lembro do nome dele), disse que esta organização lida um bocado com isso, mas entretanto deu-me uma notícia quente, tinha acabado de ser constituída uma nova ONG para lidar especificamente com estas causas, a LED - Liberdade na Era Digital. Ainda está em desenvolvimento, mas tornar-me-ei sócia logo que seja possível.
Já agora, outra dica interessante dada pela mesma pessoa: a Torre do Tombo e a Biblioteca Nacional têm milhares de obras em domínio público acessíveis online! ![]()































































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