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Proibido abancar no passeio

Primeiro criaram os passeios e as passadeiras para deixar livre para os automóveis a maior parte da rua, proibindo as pessoas de estar, circular ou atravessar a estrada fora dos passeios e das passadeiras. Em breve irão proibir as pessoas de estar nos passeios. O cúmulo da extirpação do direito ao espaço público, do direito a não vivenciar a rua apenas dentro de um carro.

Isto é muito mais além, e muito mais grave do que as medidas “anti-sentar”

Hoje há filmes de bicicletas!!

People, começam hoje os filmes no Bicycle Film Festival de Lisboa! Daqui a bocado, às 19h30, no Fórum Lisboa na Av. de Roma.

Ontem foi a Aeolian Ride! Eu participei, era uma “gota” (havia bolhas e “bunnies”). :-) Era de noite (o que dá fotos mázinhas), e eu estava a envergar um fato insuflado, pelo que não deu pra tirar muitas fotos, nomeadamente do essencial, os fatos insuflados!

Fuzzy cute people riding bikes

O ambiente antes da partida, durante o processo de vestir os fatos e pôr as luzes a tiracolo, era fixe, e só foi topped pelo do passeio em si. :-) Muito, muito fixe!

Parecia o Convento das Bicicletas (no pun intended com “vento”, “aeolian”, etc), lol:

Convento das bicicletas

O final foi no Fórum Lisboa, onde serão exibidos os filmes do Festival, e onde muito do pessoal ficou na conversa à volta de uns aperitivos. :-)

Final do passeio

Já para o final do final apareceu uma equipa da TVI, ainda chegaram a entrevistar o Sandro e o Brendt, será que vão aparecer no Jornal Nacional? :-P

Bloqueios mentais

Por que é que as pessoas acham justo taxar um mesmo uso do mesmo espaço público de formas diferentes consoante esse uso seja feito por uma pessoa que mora ali em oposição a uma pessoa que mora mais longe?

Isto é, por que é que é regra achar que se eu morar em determinada rua tenho direito a ocupar parte dessa mesma rua (que é pública, logo, para acesso e usufruto meu e de todos os outros) com o meu carro (mas não com um barco, ou uma roulote, ou uma pequena casa de jardim ou mesmo de bonecas) sem ter que pagar taxas nenhumas, mas se eu morar a 10 km de distância e usar o carro para me deslocar a essa rua para ir a uma loja, a uma empresa, ou visitar alguém, e lá estacionar o carro exactamente da mesma forma, já é justo que pague. Ou seja, o tipo que mora lá num sítio sem garagem (ou lugares suficientes nela) e tem um carro à mesma, pode ocupar gratuitamente o espaço público sem nenhuma contrapartida para os seus vizinhos e demais contribuintes que mantêm a rua, já o tipo que precisa de um sítio para estacionar porque foi de carro até lá e deu negócio (a.k.a. contribuiu com impostos) à freguesia tem que pagar esse mesmo espaço público que para o tipo que vive na rua é de borla.

Será que ninguém percebe que isto não faz sentido e introduz desigualdades e injustiças no sistema?

Entretanto, (mais) um belo exemplo da má gestão pública:

Para evitar que os motoristas estacionassem em cima dos passeios, impedindo ou dificultando a vida dos peões, impedem ou dificultam a vida dos peões tornando-os barreiras arquitectónicas. Bravo!

Enfim…

Guerrilla tactics

Os peões estão no fundo da cadeia alimentar da acessibilidade e da mobilidade em Portugal. E destes, só os mais aptos se safam. Os mais fracos, debilitados, ou limitados na sua mobilidade e agilidade são quase virtualmente excluídos by design dos nossos espaços públicos. E isto é tido como normal, aceitável, or just the way things are. Well, «Just because it is, doesn’t mean it should be.» Ou não viram o Australia? :-)

Não é justo nem ético impedir as outras pessoas de poderem viver uma vida normal, de poderem sair e circular pelas ruas, de acederem aos sítios que precisam ou a que querem aceder. E mesmo que não as impeçamos de o fazer, não é justo nem ético dificultar-lhes a tarefa, torná-la mais morosa, mais perigosa, mais desconfortável ou desnecessariamente mais onerosa.

Não é uma estratégia inteligente por parte da sociedade como um todo excluir elementos da sua população da vida pública, não é inteligente abdicar de uma parte da força de trabalho disponível, de uma parte do mercado, em termos de oferta e de procura de serviços.

É um crime social e económico negar às crianças o direito à rua como espaço de convívio, encontro, descoberta, brincadeira, desenvolvimento, aprendizagem, e negar-lhes a possibilidade de alguma autonomia na mobilidade quotidiana.

Há vários problemas nas nossas cidades, no geral. As redes e vias pedonais são negligenciadas na forma, coerência, consistência, continuidade, eficiência, segurança, conforto, universalidade do desenho, etc. Os acessos dos edifícios de serviços públicos e privados sofrem muitas vezes dos mesmos problemas. E depois há o problema das pessoas inutilizarem o pouco que existe, impedindo ou dificultando o acesso aos ou o uso dos passeios e de outros acessos. Uma mentalidade de desrespeito transversal a toda a sociedade, pois passa pelos comerciantes, pelas Câmaras Municpais, pelo Governo e pelos cidadãos individuais, com mobiliário urbano, publicidade, esplanadas, etc, nos passeios e, claro, os automóveis e motas estacionados…

Claro que numa cidade onde é tão desagradável, desconfortável, perigoso e moroso deslocarmo-nos a pé, a tendência é começar a depender do carro para todas as deslocações, por menores que sejam, e procurar que sejam praticamente porta-a-porta. O que só piora o problema original…

Como mudar isto? Temos aqui um problema essencialmente de vontade política, ancorado numa cultura onde não se questiona isto, as pessoas tendem a ser os infractores ou a identificarem-se com eles.

E é aqui que entram as tácticas de guerrilha nas acções dos cidadãos, uma vez que os políticos e as autoridades são inoperantes e coniventes. São os cidadãos que têm que começar a impôr-se, a chamar a atenção, a fazer “peer pressure“, a queixar-se, a indignar-se, a agir. Em vez de se calarem, de não reagirem, de serem coniventes, e de fazerem o mesmo.

Recentemente tem sido bastante divulgada nos media tradicionais (imprensa, rádio e TV) e na blogosfera uma iniciativa de cidadãos que dá pelo nome de “Passeio Livre“. Isto levou as iniciativas individuais de várias pessoas a título pessoal, de deixar recados no pára-brisas de carros mal-estacionados, a um nível superior.

Passeio Livre

A ideia consiste em colar no vidro lateral dos carros estacionados em cima dos passeios, à esquerda do condutor, um autocolante com uma mensagem de sensibilização. Paralelamente, o autocolante serve como um “selo” de mau comportamento, que “marca” o infractor, e a característica autocolante desse “selo” funciona como uma punição ligeira desse comportamento.

Ainda foi simpático em deixar espaço para uma pessoa sair de casa

Com contribuições pessoais do grupo original foram impressos 15 mil autocolantes, que são agora enviados a quem os solicite (o envio vai à cobrança, mas os autocolantes são distribuídos gratuitamente, embora as doações sejam bem-vindas). Ou seja, o movimento alastrou-se rapidamente, e qualquer pessoa que faça uso de um desses autocolantes passa a ser parte desse movimento.

Parte da “campanha” passa pelo blog Quero andar a pé! Posso?, onde são publicados muitos dos contributos enviados para o e-mail da mesma: peão . exaltado @ gmail . com, as fotos de denúncia, os parabéns, os protestos, as queixas, etc. Depois cria-se algum debate nas caixas de comentários, o que é justamente o que é pretendido: discutir, enfrentar as questões, em vez de a ignorar como se fosse invisível, inevitável ou inócua.

A iniciativa inspirou-se numa de um grupo grego, os Street Panthers (versão traduzida automaticamente pelo Google, aqui).

Uma iniciativa parecida no Brasil é a do site Sou otário, eu paro na faixa.

Por cá havia já antes pelo menos um blog que se focava na parte de denúncia, não aplicava autocolantes, Wheels versus Legs, uma versão específica para passeios do do estilo I park like an idiot, parece.

Outra iniciativa local, sem a vertente de comunicação e debate do Passeio Livre, e com uma tónica óbvia no embaraço social e na “peer pressure” são os papéis do QUE SE FODAM OS PEÕES!. A ideia é legendar as obscenidades que os condutores de automóveis (e não só) dizem (fazem!) aos (outros) peões através das suas acções, nomeadamente nas opções de estacionamento.

Ideias vão aparecendo, pelos vistos, é preciso é pegar nelas e agir! :-)

Subtilezas da inconsciência

Neste tipo de situações, por que é tão raro ver a carrinha estacionar em paralelo, ocupando vários lugares de estacionamento, em vez de simplesmente “comer” os passeios? Por que é que, quase inconscientemente, respeitamos infinitamente mais as pessoas dentro de carros do que as que estão a pé?

É o paradigma cultural...

Lisboa: esta cidade está a morrer com uma imensidão de pequenos e grandes AVCs – está bloqueada e entupida

Há uns meses fui a Lisboa tratar de um assunto ali perto de Entrecampos. Fui durante a tarde, o que me impossibilitou de fazer: bicicleta + comboio + bicicleta, como me tinha apetecido, porque para ir, tudo bem, mas para voltar já não dava para trazer a bicicleta no comboio… Fui então de carro + bicicleta dobrável. Conduzi até ali na zona do Alto dos Moinhos e estacionei – havia muitos lugares, e gratuitos. Mas depois surgiu a dúvida: como raio passo daqui para ali (junto da Universidade Católica), se não posso passar pela Av. Lusíada? Não me pareceu ter passeio, pelo menos do lado da estrada onde eu estava. Desci, acabei por ir apanhar o Metro nas Laranjeiras e,… enfim, foi uma tarde estúpida em termos de acessos e mobilidade, nem vale a pena recordar… No regresso, saí na estação da Cidade Universitária ou do Campo Grande, não me recordo bem. E vim a pedalar pela estrada entre o Hospital Santa Maria e o campo desportivo da Cidade Universitária. Chego aos semáforos, sigo pela estrada, novos semáforos e aqui ponho-me no passeio e atravesso numa passadeira junto à mesquita. E sigo por ali, há uma estrada paralela à Av. Lusíada para onde se pode entrar para aceder à tal mesquita.

Desvio para os automóveis acederem à Mesquita
(vista de baixo)

Chego ao fim, há um stop, e acaba o passeio. Mas descobri, satisfeita, que o viaduto contempla uma passagem para peões, alcatroada. :-) E sigo por ali a pedalar na minha fiel Mobiky.

Início do passeio sobre o viaduto da Av. Lusíada

Passo em frente à Loja do Cidadão e vejo uma bike estacionada à porta. :-)

Bicicleta à porta da Loja do Cidadão, nas Laranjeiras

É fixe haver o passeio mas a manutenção do mesmo não existe. Comparem a limpeza da estrada dos carros com a das pessoas:

Estado de limpeza da estrada Estado de limpeza (NOT!) do passeio...

A Av. Lusíada é a maneira mais directa de ligar o Campo Grande ao Alto dos Moinhos (zona do Media Markt e assim). Mas só contempla os automóveis, não há vias para peões! Agora digam-me como é isto possível? E Lisboa está cheia de situações destas. E Oeiras! Isto é uma injustiça social. E um erro in so many ways

A meio do viaduto cruzei-me com outra pessoa. Mas quase chegada ao fim, começo a indagar-me se aquilo será mesmo um passeio… Afinal, está a começar a afunilar…

Passeio (?) no viaduto da Av. Lusíada Ho oh...

Reparem na (já escassa) largura da via antes de começar o afunilamento e depois de o mesmo se instalar:

Largura antes de começar a afunilar Já afunilado...

E a coisa começa a ficar mesmo complicada…

É este o respeito que a CML tem pelas pessoas, pelos peões

Mas olho para os lados e para o carros há 3 faixas em cada sentido à minha esquerda, duas à direita, e montes de espaço de estacionamento…

Moooontes de espaço para os carros pararem, estacionarem ou circularem... Agora é suposto o peão teletransportar-se para o outro lado

E depois, a machadada final. E agora? Salto? Teletransporto-me?

E agora, salto ou não salto?São sempre reconfortantes as surpresas que esta cidade nos reserva

Não podiam ter feito isto menos hostil, não? Yup, é um degrau e uma rampa

Mesmo depois de saltar, fico muito vulnerável no meio de um saída de uma estrada muito movimentada, e sem passadeira, nem passagem aérea ou o que seja, para atravessar em segurança para o outro lado… Se no início do viaduto houvesse um aviso, ok, agora andar aquilo tudo a pensar que há continuidade na estrutura viária pedonal e depois deparar-me com esta triste realidade,… *sigh*

Quando o espaço público apresenta este nível de qualidade, conforto, segurança, eficiência, é apenas compreensível que os ricos construam condomínios privados que recriem o que o exterior deixou de oferecer. A mania dos mega-centros comerciais que recriam as zonas de comércio tradicional, com as suas ruazinhas e praças e dos condomínios fechados com jardim, sossego e segurança onde se possam deixar as crianças brincar é uma reacção ao espaço urbano hostil que as cidades oferecem cá fora…

Hospital dos Lusíadas

Tudo para os carros, nada ou muito pouco para os peões e similares…

Espaço em excesso para os carros estacionarem (raros são os que são assim tão longos...) Como querer que as pessoas não levem o carro para chegar a um local a menos de 500 mts de distância?

Como convencer as pessoas a não usarem o carro para chegarem a locais a apenas 500 metros de distância?…

Os carros têm estradas e espaços para estacionamento à larga.

Espaço para os peões circularem vs. espaço para os carros circularem + espaço para os carros estacionarem...

Os peões não têm direito a larguezas.

Espaço reservado aos peõesLargura do passeio = comprimento da Mobiky

E o pouco espaço que lhes é dado ainda é local de eleição para plantar coisas, na maior parte das vezes dedicada aos automobilistas, como sinais de trânsito, semáforos, parquímetros, etc.

Não podiam ter posto o poste ao lado do passeio, tinha mesmo que ser em cima

E são sempre mais uma opção para estacionar o carrinho…

É preciso ter lata...

Os políticos deveriam ser obrigados por lei a deslocar-se de transportes públicos, a pé e de bicicleta, só podendo usar o carro em 20 % do tempo, para que não permitissem que se construíssem cidades assim: absurdas.

É o mindset

Passeios: lugar para plantar sinais de trânsito para os motoristas, marcos de correio, caixotes do lixo… E, se der, para os peões se encolherem e passarem. À vez.

Passeios: lugar para plantar sinais de trânsito para os motoristas, marcos de correio, caixotes do lixo...

Não ocorre aos CTT nem à CML colocar os marcos do correio na estrada, reduzindo o espaço de menos de 1 lugar de estacionamento. Que sacrilégio seria!

Right…

Então é suposto passarmos por onde?...

Consequências do paradigma do automóvel

Nesta situação:

Tudo ao contrário
(Chiado, Lisboa)

Não é óbvio que a atribuição de espaço de circulação (e mera ocupação!)está invertida entre peões e automóveis?…

Cenas óbvias

Pelo nosso Código da Estrada, uma pessoa em cadeira-de-rodas é equiparada a um peão. Isto significa que deve circular pelos passeios sempre que estes existam e que não pode circular nas ciclovias. E isso até poderia fazer sentido, mas num país onde quem constrói as infrastruturas tivesse dois dedos de testa e alguma consideração pelos outros. Até lá, é óbvio que uma pessoa com qualquer coisa com rodas vai preferir o piso liso da ciclovia ao piso irregular e rugoso dos passeios em calçada, já para não falar da falta de desnivelamento, rampas, nos acessos aos passeios…

De cadeira-de-rodas na ciclovia da Quinta do Marquês, Oeiras

People, let’s prioritize, ok?

Antes de clamarmos por ciclovias, por favor, vamos simplesmente arranjar as vias que já temos para que TODOS as possam usar com conforto e em segurança… Vamos optar por pavimentos que ofereçam conforto, que não aumentem a poluição sonora da passagem dos carros, que sejam regulares, que não nos façam escorregar, nem tropeçar, em que as rodas de qualquer bicicleta, carrinho-de-bebé, cadeira-de-rodas, trolley de compras, mala de viagem rolem bem e sem esforço adicional desnecessário… Arranjem os passeios e as estradas!!

Antes de pensarem em gastar rios de dinheiro em ciclovias, arranjem a merda das estradas e dos passeios!!Antes de pensarem em gastar rios de dinheiro em ciclovias, arranjem a merda das estradas e dos passeios!!Antes de pensarem em gastar rios de dinheiro em ciclovias, arranjem a merda das estradas e dos passeios!!

Antes de pensarem em gastar rios de dinheiro em ciclovias, arranjem a merda das estradas e dos passeios!!Antes de pensarem em gastar rios de dinheiro em ciclovias, arranjem a merda das estradas e dos passeios!!Antes de pensarem em gastar rios de dinheiro em ciclovias, arranjem a merda das estradas e dos passeios!!

Em casa, os políticos também começam por comprar doces aos filhos antes de terem dinheiro para comprar também batatas, carne, fruta? Teremos que andar sempre a fingir-nos de ricos, querendo comprar um Mercedes mas calçando sapatos rotos?…

Eventos sobre mobilidade em Setembro: o de dia 23

Já ao fim da manhã fomos a correr até ao jardim do Casino Estoril ver a cena dos acessórios para transformar cadeiras-de-rodas em handcycles, anunciada no programa da CMCascais. Não vimos nada. :-( Perguntámos a um senhor que estava lá com um posto de Bicas e ele disse que não viu nada disso ali. Banhada…

Enfim, ainda fomos a tempo de ter um glimpse do que é a Marginal Ciclável:

Marginal CiclávelMarginal CiclávelMarginal Ciclável

A faixa da direita já estava quase a ser reaberta ao trânsito automóvel, mas mesmo assim ainda vimos várias pessoas a passar de bicicleta, pelo que presumo que a iniciativa tenha tido uma adesão siginificativa. Só acho que 30 km/h de limite para os automóveis é excessiva e desnecessariamente baixo, dado que os ciclistas teriam uma faixa inteira só pra si… Claro que quem foi para ali de carro se arrependeu, pois ficou preso no pára-arranca…

Na zona vimos um Hummer a passar… Tinha esperança que aquelas bestas não chegassem a Portugal. Deviam ser proibidos de circular na cidade (ou tudo o que não fosse o deserto ou zona de guerra…).

Um Hummer na cidade

Acho o Marginal Ciclável uma iniciativa interessante e válida, mas acho que há prioridades, e primeiro há que ter “passeios caminháveis”…

Passeio por onde as pessoas mal conseguem passar...

E pelos vistos aqui o estacionamento para bicicletas (e para motas) é inexistente ou insuficiente…

Bicicletas junto ao Casino EstorilBicicletas junto ao Casino Estoril

Reparem que aquele U invertido não é para estacionar bikes, mas sim para evitar que os carros subam o passeio. :-) Curioso, não?

Bikes junto às esplanadas, no Estoril

Eventos sobre mobilidade em Setembro: o de dia 14

Era para ter ido assistir ao colóquio: “Estratégias para a Implementação dos Modos Suaves de Transporte em Lisboa. A Bicicleta e o Peão: Instrumentos de uma Nova Mobilidade”. E tentei ir. Mas não vi com atenção o local e acabei por me perder na Ajuda, junto ao pólo da Universidade Técnica, a pedir direccions a uma prostituta desdentada, e a ficar apeada, de bicicleta (tive um problema num travão) no meio do que parecia ser uma zona de habitação social, e a ter putos ciganos todos andrajosos, com as mãos peganhentas e negras (um tinha a variante vermelha, como se tivesse estado a mexer em gelatina…) a tocarem na bicicleta enquanto perguntavam o que era cada peça em que tocavam (campainha, luzes, etc). E eu já a pensar que me iam fanar o meu meio de transporte e “menina dos meus olhos” e o que mais que apanhassem da minha mala…

Fui de comboio até Belém e depois subi aquela rua toda até lá acima ao jardim Botânico e mais acima… O percurso era assim:

Corrida de obstáculos na Calçada da AjudaCorrida de obstáculos na Calçada da AjudaCorrida de obstáculos na Calçada da Ajuda

Não é ultrajante? Ver idosos a encolherem-se pelo meio dos carros estacionados em cima dos passeios, pelos sinais de trânsito, postes, caixas de electricidade, esplanadas, vasos, publicidade, buracos, passeios não desnivelados,… Uma pessoa pensa mesmo que devia era andar de carro e pronto, que se lixe, que isto não é vida para ninguém… O carro ao menos tem amortecedores e as estradas mais ou menos desimpedidas. Chegando lá acima o piso da estrada e a largura dos passeios melhora, mas os carros estão no caminho à mesma. Engraçado como preferem ocupar o passeio a obstruir uma das duas faixas de rodagem para cada sentido da estrada…

Corrida de obstáculos na Calçada da Ajuda

A experiência deste dia (e de muitos outros dias) só mostra a pertinência das intenções do tal colóquio…

Bom, felizmente o Bruno andava por Lisboa e tinha levado o carro, pelo que enviei um pedido SOS e ele foi-me buscar. :-) Entretanto fui com ele gravar uma maquete para um programa na Rádio Zero do IST. Ele e mais outros convidados. Foi uma experiência gira. :-)

Rádio ZERO, ISTRádio ZERO, IST

Quando a conversa se tornava mais hermética (temas informáticos que eu já não captava) e as pernas exigiam movimento, fui dar uma volta pelo campus.

Vi que tinham 2 locais para estacionamento de bicicletas, um na entrada Norte:

Estacionamento de bicicletas no IST

Engraçado que muitas estavam presas ao gradeamento e não ao suporte (tal como eu faria). Na porta Sul estava outro suporte, mas com menos bicicletas (atenção que isto foi a uma 6ª-feira lá para as 18h-20h…):

Estacionamento de bicicletas no IST

Também havia um estacionamento próprio para motas, bastante concorrido:

Estacionamento para motas no IST

No exterior, em frente à porta a Poente, havia outro, que não dava para as encomendas (muitas motas estavam no passeio):

Estacionamento para motas um bocado esquisito

Uma era uma MP3! :-)

Uma MP3 junto ao IST

Uma coisa que me “impressionou” no campus do Técnico foi a sua dominação pelos carros. Tudo era estacionamento e até “estacionamentalizaram” os passeios. Um campus devia ser uma zona pedonal, as pessoas andam no meio da estrada de qualquer forma.

Instituto Superior Técnico"Estacionamentalização" dos pesseios no IST"Estacionamentalização" dos pesseios no IST

E isto é o Técnico, por isso até há lugares para “viaturas oficiais” (whatever that means):

Por aqui há "viaturas oficiais"...

E até vi um carro topo de gama a passar com um homem lá dentro com pose e pinta de milionário… Ainda bem que fui para a FCT-UNL, lá as pessoas parecem um pouco mais normais. :-P

Também dei um giro pelo edifício principal, achei engraçado os corredores, o ar de escola antiga, os degraus em pedra com sulcos, gastos da quantidade enorme de gente que passou por eles ao longo de décadas. :-)

Instituto Superior TécnicoInstituto Superior Técnico

Há aquele ar imponente das coisas com história.

Ah, e é probido fumar em todo o edifício! :-)

Instituto Superior Técnico

Uma coisa inédita, enquanto fotografava o corredor e o hall, um segurança veio dizer-me que não podia tirar fotografias ali. Eu não me fiquei e, calmamente, fui rebatendo e questionando o que ele dizia. Afinal, não estava a fazer nada de mais e não havia sinal nenhum de proibição de fotografar (como há de fumar, por exemplo). Ele dizia que era do regulamento (que pedi para ver, dado que não estava afixado em lado nenhum visível), e depois que era de ordens superiores e tal. Às tantas desistitu e disse só que se alguém viesse falar comigo que o problema era meu. E eu, “ok!”. :-P

Quando voltei ao estúdio, falei disso com o pessoal. Falámos sobre os direitos de autor, o copyright, os direitos de imagem, etc, histórias mirabolantes, and so on. Perguntei se alguém sabia se havia alguma ONG que lidasse com estes temas porque começam a ser prementes e quero fazer alguma coisa. O fundador da ANSOL (bolas, agora não me lembro do nome dele), disse que esta organização lida um bocado com isso, mas entretanto deu-me uma notícia quente, tinha acabado de ser constituída uma nova ONG para lidar especificamente com estas causas, a LED – Liberdade na Era Digital. Ainda está em desenvolvimento, mas tornar-me-ei sócia logo que seja possível.

Já agora, outra dica interessante dada pela mesma pessoa: a Torre do Tombo e a Biblioteca Nacional têm milhares de obras em domínio público acessíveis online! :-)

Raridades de planeamento (e execução!) urbano

Isto é tão raro que, quando encontro até esfrego os olhos para me certificar de que não estou a alucinar…

Bons exemplos

Esta foto foi tirada em Albufeira.