Para que serve a utopia

Se não nos deixarem sonhar, nos os deixaremos dormir.

A utopia está no horizonte, e eu sei muito bem que nunca a alcançarei, que se eu caminho 10 passos, ela se afastará 10 passos, quanto mais a procure menos a encontrarei, porque ela se vai afastando à medida que eu me aproximo. Boa pergunta, não? Para que serve? Pois, a utopia serve para isso, para caminhar.

Fernando Birri, citado por Eduardo Galeano

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O que mais me dói neste contexto de crise é que enche as pessoas de medo, e quem tem medo não sonha, quem tem medo não realiza sonhos. O medo paralisa-nos, deixamos de tentar alcançar a utopia, e deixamos de caminhar.

A realidade de hoje foi a utopia de ontem. A utopia é simplesmente um lugar aonde ainda não chegámos. Continuemos a caminhar!

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CML: um empecilho ao progresso

Lisboa, na parte mais antiga, estreita e curvilínea, só não é assim (desafogada de carros, ar limpo, convidativa para andar a pé e de bicicleta, boa para o comércio, e para viver, etc) porque a Câmara Municipal e as pessoas que a constituem, não quer. A CML só tem que introduzir e fiscalizar efectivamente restrições à circulação e estacionamento automóvel, e depois colaborar com os privados a viabilizar alternativas de logística. Mas controlar a selvajaria automóvel é areia a mais para a camioneta da Câmara. É muito mais interessante perpetuar a subjugação dos seus cidadãos pelo automóvel e deixar os grandes feitos para alguém mais interessado em fazer a diferença do que em fazer a cama.

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Feira de Bicicletas Maduras

Malta! Têm bicicletas (de criança ou de adulto) e quiçá acessórios (alforges, cadeirinhas, reboques, etc) ou peças, em casa a que não estão a dar uso? Levem-nas para a Feira de Bicicletas Maduras para vender, trocar ou doar! Não deixem as cenas estragarem-se, esquecidas num canto da garagem, do sotão ou da varanda, reciclem e façam algum dinheiro para investir em biclas novas! ;-) Inscrevam-se até dia 26, é grátis!

A FBM trata-se de um encontro muito informal, tipo feira da ladra, mas
só de bicicletas (e usadas!). :-) Não há tendas nem espaços delimitados,
é chegar e encostar as bicicletas à parede (ou se tiverem acessórios,
pendurá-los nas bicicletas ou colocá-los numa manta no chão, por
exemplo). :-) São só 2 horas (ou até as coisas se venderem!), e depois
podem ir desfrutar do resto da tarde no Jardim da Estrela, com o OutJazz,
se vos apetecer. :-) A Cenas a Pedal não interfere em nada, as pessoas expõem e
negoceiam como quiserem, a CaP só cede o espaço e promove o evento.

A procura para comprar parece interessante!

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Park(ing) Day em Lisboa

Aconteceu ontem um, na Rua Garrett. :-D

Foto: Tiago Carvalho

Para relembrar às pessoas que o espaço público nas cidades é demasiado valioso para ser ocupado por automóveis, que tapam as montras e as pessoas, degradam a experiência de andar na rua ao encher as ruas de ruído e fumo, e usam espaço que poderia estar a ser usado para esplanadas, canteiros, jardins, parques infantis, quiosques, e zonas de estadia como a da imagem. Uma cidade com mais Park(ing) Days é mais próspera porque é mais segura, confortável, agradável, eficiente, e saudável.

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Corrida ao armamento

A questão da mobilidade está intimamente (tipo, “na cama com”), a questão da habitação e dos edifícios comerciais.

Embora seja fácil justificarmos o nosso estilo de vida baseado no e dependente do automóvel com um “não tenho escolha”, e realmente haver condicionantes reais às nossas opções de investimento (compramos ou arrendamos uma casa?, usamos os transportes públicos ou o automóvel?, andamos de mota ou de Smart ou de SUV?, compramos 1 ou 2 ou 3 carros?, para onde vamos viver?, em que escola pomos os nossos filhos?, etc), temos sempre escolhas. Podem não ser sempre fáceis, nem confortáveis, nem baratas, mas temos escolhas. E as alternativas que escolhemos traduzem a diferente valoração que fazemos de diferentes aspectos da nossa vida.

É legítimo podermos fazer as nossas opções, mas já não é legítimo estas serem feitas à custa das dos outros. Não é matemática e fisicamente possível ter cidades funcionais, competitivas, saudáveis, em que as pessoas se deslocam geralmente sozinhas em veículos preparados para transportar 5 pessoas mais bagagem.

Não é justo permitir que pessoas dentro de fatos especiais sobredimensionados, de uma tonelada de peso, que lhes permitem acelerar rapidamente e deslocar-se a alta velocidade, que as protegem em caso de impacto, e que as isolam do mundo exterior e as anonimizam, exerçam violência física e psicológica sobre quem não está com esse fato vestido (mas também sobre quem usa fatos iguais, e outros com fatos mais frágeis). E aquilo que se vê diariamente nas estradas e ruas urbanas é isso mesmo: violência física e psicológica, através de acções deliberadas ou de simples negligência. Que é depois enfatizada quando essas mesmas pessoas abandonam temporariamente os seus fatos armados no espaço público teoricamente adstrito às vítimas da sua violência. É uma corrida ao armamento, e quem não pode competir morre ou não sai de casa (o que é morrer também, mas mais devagar).

E de nada nos vale o Estado, a polícia ou a Justiça. A prevenção deste comportamento é um objectivo seguido só de boca, porque a acção é, no mínimo, frouxa. E a punição é inexistente, porque a Justiça não vê estigma em quem exerce violência deste modo, pelo que, passando por cima do direito das vítimas à justiça, e do direito do resto da sociedade a não ser vítima, tudo é perdoado. Negligência grosseira, com mortos, feridos e traumatizados, o bem-estar do utilizador do fato é sagrado. E o seu direito a continuar a usá-lo também. Esqueçam a violência doméstica, o bullying na escola e no emprego, isso ainda pode trazer consequências, usem o fato e tudo vos será desculpado.

Não sei como deputados, ministros, autarcas, polícias e afins conseguem dormir à noite com tanta desgraça às costas.

Andem devagar, mais sóbrios, e mais despertos, qualquer erro vosso ou de terceiros será muito mais facilmente tolerado pelo sistema. Não matem, nem firam, nem o façam a vocês próprios.

Andem mais vezes de chauffer (transportes públicos colectivos), andem mais vezes de bicicleta, andem mais vezes a pé (e manifestem-se!).

Está nas nossas mãos fazer a nossa parte para acabarmos com esta guerra civil camuflada de mobilidade & seus “acidentes”.

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