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Ramblings

Há bocado peguei na bicicleta e fui ali a baixo ao Bairro comprar algumas coisas para reabastecer ligeiramente a despensa. Nada de especial, apenas 2 sacos cheios. Não tenho alternativa que não estacionar a bicicleta no já magro passeio (longitudinalmente, claro) presa a um sinal de trânsito. Estava ali naquela pequena e atafulhada mercearia a pensar quanto tempo esta e outras mercearias (e cafés, papelarias, talhos, peixaria, etc) naquela rua (chamada mesmo “Rua do Comércio”) sobreviverão depois do Intermarché que estão actualmente a construir aqui em cima à minha beira, abrir.

O trânsito à minha porta ficará muito pior, mais uma machadada na paz e no sossego, após o alcatroamento da estrada que liga a Talaíde (e que deu jeito, sem dúvida). Haverá concerteza mais movimento na zona, principalmente de carros, pois os acessos pedonais são sempre esquecidos (todos os dias dezenas e dezenas de miúdos caminham por esta estrada até à escola, na estrada (recente, alguns anos) sem passeio nem berma. Não prevejo nenhuma súbita mudança de política por parte da Câmara, pelo que assumo que a construção de uma superfície comercial não traga alterações a nível de acessibilidade não-motorizada…

Com um super (hiper?) mercado aqui, concerteza com ampla oferta de estacionamento gratuito para automóveis, presumo que o pequeno comércio ali do centro do Bairro, já literalmente tapado por todos os automóveis que ladeiam as ruas e ocupam os passeios, sofrerá um revés. Há lojas naquela rua que eu só “descobri” que existiam recentemente, pois raramente passo lá a pé, ou passo de carro ou de bicicleta, e os carros estacionados não deixam perceber o que há na rua… Sim, claro que a minha personalidade e o meu estilo de vida também contribuem, but still

Há uns dias que ando a pensar em algo para fazer aqui. À la Streetfilms, uma “reparação urbana“. Mas além de não ter os meios (political skills) tenho a certeza de que mal se mencionasse “tirar daqui os carros e limitar o estacionamento a poucos lugares e de curta duração” comerciantes e moradores linchar-me-iam. Mas era o que esta zona precisava, remover os carros, alargar e reperfilar os passeios, colocar bancos de jardim, estacionamentos para bicicletas, canteiros. Haver espaço para circular livre e facilmente a pé, ter hipótese de ver as montras. Será mais fácil de ver isso quando os últimos resistentes estiverem em risco de fechar portas?…

Mas para onde iriam os carros? Há demasiados. Algumas pessoas têm mais carros do que espaço em garagem ou quintal. A dependência do carro leva muita pessoas a pegar neles para andar 500 metros (not kidding), de casa até ao café ou até ao ginásio.

Estas pessoas não pagam para guardar os seus carros na rua. Pagamos todos nós. E o preço é não termos árvores, canteiros ou jardins nas ruas, e nem sequer passeios. É preferirmos pegar no carro (ou na bicicleta, no meu caso) e ir mais longe para onde é mais fácil estacionar o carro (ou a bicicleta) durante 15 ou 30 minutos.

É um paradigma que tem que ser mudado mas não sei como, sem ser com um preço do combustível proibitivo que leve as pessoas a serem obrigadas a reduzir o número de carros e a frequência com que os usam. E depois caberia às Câmaras Municipais cobrar pelo uso do espaço público, como deveriam, mas nelas trabalham pessoas que vivem no mesmo paradigma, e quem tem tomates para afrontar os habitantes e os comerciantes assim? Era preciso ter um plano integrado e coerente, e coragem política. Era preciso um Peñalosa ou um Lerner.

A propósito, há tempos soube que o Jaime Lerner iria estar cá em Portugal, iria falar nas Jornadas de Energia de Cascais.Para o lado do sentido Lisboa-Cascais, só escadas! Claro que não podia perder tal oportunidade, e inscrevi-me (sou uma papa-freebies!). Levei o Bruno comigo. :-) Fomos de bicicleta até Oeiras (tudo smooth), depois apanhámos e comboio até ao Estoril. Quando lá chegámos tivemos que levar as bicicletas às costas (de notar que a minha, p.e., deve pesar uns 23 kg…) para descer as escadas, quem vem na direcção de Lisboa para Cascais não tem outra maneira de descer (a não ser que nos tenha escapado algo :-) ).

Ah e tal, energia, ambiente, sustentabilidade, mas não há bike racks!Claro que o Congresso do Estoril não tem bike racks (embora numa outra passagem por ali tenha visto pilaretes e postes usados como racks ali em frente, junto ao Casino). Já se sabe que em Portugal isto é tudo blá blá blá, “a sustentabilidade”, e “o ambiente”, e “mudar hábitos”, yadayadayada. Depois de falar com as raparigas da recepção do evento, falei com o segurança (que entretanto já estava cá fora a mirar as Xtracycle, eheheh), e ele foi simpático e deixou que estacionassemos as bicicletas lá dentro, deixámo-las num canto, presas uma à outra, just in case.

Macário CorreiaChegámos a tempo de assistir à apresentação do Macário Correia, que mandou umas bocas certeiras aos atrasos, e, finalmente, à do Jaime Lerner. Jaime LernerThis is the stuff I’m talking about. Carisma, obra feita, bom orador e bons slides. Engaging. Inspiring. Digam-me onde é que temos em Portugal alguém que possa vir apresentar algo remotamente semelhante ao que o Lerner e o Peñalosa fizeram nas suas cidades. Não, nós cá é só politiquices, jogos, esquemas, não se vê boldness acompanhada de competência, criatividade, isso vê-se nestas conferências, os políticos só falam do que se tem que fazer, dos bons exemplos, patatti patatá. Uma pessoa adormece. E depois andam ali às voltas no discurso, nos pseudo-debates desenrolam novelos que às tantas já nem sabemos qual era a pergunta e tentamos a custo descortinar para onde segue aquela linha (tortuosa) de raciocínio.

Porra, pá.

Apanhei em vídeo estes dois momentos reveladores da personagem Jaime Lerner. Enjoy:

Mais fotos aqui.

Quando voltámos (só fui lá mesmo por causa do Jaime Lerner, viémos embora no intervalo para almoço), fotografámos os acessos à estação.

Rampa de acesso à Estação de comboios do Estoril Deste lado temos escadas + rampa, é só escolher

Para o lado Norte da estação de comboios, deste lado da linha, podemos passar ou por cima, usando as passadeiras e os semáforos, ou podemos passar pela passagem subterrânea, há uma rampa e uma escadaria deste lado (do Casino e assim) e outra do outro lado.

O túnel Rampa ou escada para o lado do sentido Cascais-Lisboa

Estranha e incompreensivelmente, o acesso à margem Sul da estação só tem acesso a partir deste túnel por uma escada. Não há rampa, pelo que conseguimos apurar. À ida tivemos, assim, mais sorte, levámos as bicicletas a rolar pela rampa. :-)

Rampa de acesso ao lado Norte da Estação do Estoril Bicicletas estacionadas junto ao quiosque-bar

Cá em cima vimos duas bikes estacionadas presas às grades dos canteiros. :-) Lá apanhámos depois o comboio de volta a Oeiras. Em Carcavelos vimos imensas (tipo cerca de 15) bicicletas estacionadas junto à estação, presas ao que houvesse livre. :-D A CP can’t seem to take a hint, it looks. Sad, sad, sad…

Bicicletas no comboio MONTES de bicicletas estacionadas na rua junto à estação de Carcavelos!

Quando saímos em Oeiras, vimos algumas bikes estacionadas na rack do lado Norte (as do lado Sul são mais concorridas). E reparei numa com uma cadeirinha de criança sui generis. Nunca tinha visto tal modelo/conceito. Era de montar à frente, mas não no quadro, estava montada sobre a roda dianteira. Além disso tinha um mecanismo que transformava a cadeira num cesto para bagagem quando não havia puto nenhum para transportar. Muito fixe mesmo!

Bikes estacionadas na rack do lado Norte Unsusual child carrier

The Walker and the City - O Peão e a Cidade - Colóquio Internacional

Organizado pela ACA-M, o Mestrado em Risco, Trauma e Sociedade - ISCTE, PQN-COST Action 358 e a Fundação Friedrich Ebert

Dia 12 de Novembro das 9.45h às 18.00h.

O encontro fortuito entre cidadãos anónimos é a pedra de toque da vida urbana. Os espaços exteriores de atracção de gente são o garante da interacção entre gerações, classes sociais e comunidades, e de construção da “coisa pública”.

Por toda a Europa, as preocupações ambientais e energéticas, associadas a novas exigências de qualidade na vivência urbana, têm contudo promovido visíveis alterações nos paradigmas ideológicos que balizam o discurso e a prática da gestão urbana.

O presente Colóquio procura reflectir, numa perspectiva comparada e a nível europeu, sobre essa categoria funcional da mobilidade urbana, tão ubíqua e estigmatizada que é o “peão”. Para tal, foram convocados especialistas europeus de reconhecido mérito em áreas tão diversas como a engenharia de transportes, o urbanismo e as ciências sociais.

No contexto deste Colóquio Internacional, é também promovida uma Mesa Redonda juntando investigadores e organizações da sociedade civil portuguesa, onde se procurará fazer uma avaliação da situação da pedonalidade em Portugal.

No final do Colóquio será lançado o livro de Aymeric Bôle-Richard, Pedonalidade no Largo do Rato: Micro-poderes. Uma edição ACA-M.

PROGRAMA

The Walker and the City - O Peão e a Cidade
Dia 12 de Novembro 2008
Goethe-Institut Portugal

Campo dos Mártires da Pátria, 37
1169-016 Lisboa

9:45h - Recepção e registo
10:00h - Abertura: Presidente do ISCTE
10:10h - Apresentação do Programa: Reinhard Nauman (FES), Manuel João Ramos e Mário José Alves, coordenadores da Acção COST em Portugal.
10:20h - Melhor mobilidade com menos automóveis - Heiner Monheim (Universidade de Trier, Alemanha)
10:40h - Andar, tempo e espaço público: percepções, políticas e perspectivas - Daniel Sauter (Urban Mobility Research, Suíça)
11:00h - Debate
11:20h - Intervalo para café
11:40h - Comodidade e segurança dos peões na Europa: passado e futuro - Nicole Muhlrad (INRETS, França)
12:00h - Necessidades de qualidade para peões (Pedestrian Quality Needs) - Rob Methorst (Coordenador da Acção COST-PQN, DVS-CTN, Holanda)
12:20h - Debate
13:00h - Intervalo
14:30h - Mesa RedondaSociedade Civil: Estudos, participação e conflito…
15:40h - Uma abordagem etnográfica à Rambla del Raval: espaço (público?) e peões. - Gerard Horta (Universidade de Barcelona, Espanha)
16:00h - Debate
16:30h - Intervalo para café
16:50h - O sistema de gestão de acesso de Londres (LAMS) e o estado do andar a pé. - Jim Walker (The Access Company, Reino Unido)
17:10h - Peões: cidadãos de segunda? - Ralf Risser (Universidade de Lund, Suécia)
17:10h - Debate
18:00h - Lançamento do novo livro editado pela ACA-M: Pedonalidade no Largo do Rato: micro-poderes, de Aymeric Bôle Richard.

Inscrições (GRATUITAS): Fundação Friedrich Ebert, Tel. 213573375, Fax 213573422, mail: info@feslisbon.org

Com o apoio de: European Cooperation in the field of Scientific and Technical Research, Goethe-Institut Portugal, Instituto da Mobilidade e dos Transportes Terrestres IP, Câmara Municipal de Lisboa, Carris.

Nota: Quando me inscrevi (junto da Feslisbon) perguntei se tinham estacionamento (ou outro local onde se pudesse estacionar) para bicicletas, pois bicicleta+comboio é a minha primeira opção de mobilidade para ir a isto. Reencaminharam-me para o local do colóquio, telefonei, mais tarde enviaram-me um mail a dizer que «por motivo de espaço, não é possível parquear as bicicletas no Goethe-Institut». :-( Entretanto, vi que aqui divulgaram o evento com mais info, nomeadamente acerca das opções de mobilidade. Vamos torcer para que os senhores do parque para carros sejam tão fixes como outros têm sido. :-)

Site oficial do Colóquio aqui.

Barcelona Walk 21

Bolas, pá, esqueci-me disto. A primeira vez em que ouvi falar disto também foi em cima da hora. Ai, é “aqui tão perto” este ano, em Barcelona!… Vi isto há pouco e pensei “bora, estoiro umas centenas de euros no comboio e num hotel, fico tesa mas vou, que se lixe”. Mas esqueci-me de um pormenor, este tipo de congressos paga-se e bem. Ora, 400 € para a inscrição (glup!), mais outros 130 € para o Lusitânia Comboio Hotel até Madrid + uns 220 € para o comboio entre Madrid e Barcelona + sei lá, uns 200 € para 4 noites em hotel (se não houver uma parque de campismo por ali), mais 100 € em 5 dias de alimentação em fast food barata… Uns 1000 €, esta brincadeira. Bolas, pá. Uns 600 € a mais do que eu poderia suportar. Eu sabia que devia ter tentado o Euromilhões da semana passada, pá, agora já sei o porquê do pressentimento que tive. :-P

É uma chatice estas coisas só estarem acessíveis a quem trabalha na área, era fixe que houvesse uma Câmara, uma ONG ou um media qualquer que me patrocinasse a ida também. “Gostar do tema e querer aprender mais” não é um motivo perfeitamente válido? Tanta gente a receber o Rendimento Mínimo, e casas da Câmara a preço de saldo, e não há uns trocos para realizar um sonho a uma bananinha? :-P

Bom, a ver se poupo os meus trocos para não falhar a Velo-City em 2009… :-/ O problema é que mesmo assim, Portugal já é razoavelmente Ciclável. Para mim faz mais sentido lutar antes de tudo por um Portugal Caminhável. Mas isso não está na moda agora. *sigh*

Bom, a ver se me consolo com a próxima conferência do Lisboa E-Nova, no dia 1, com a Cynthia Nikitin, do Project for Public Spaces;-)

Oeiras mais atrás

Na 5ª-feira passei pelo novo Centro de Saúde de Paço de Arcos, ia buscar uns exames (mas só depois de lá entrar me lembrei que tinha sido atendida ali mas as análises tinham sido feitas no CS de Oeiras). A zona de parque de estacionamento ainda estava em obras, mas quase terminada.

Novo Centro de Saúde de Paço de Arcos

Fui de bicicleta e constatei que não havia lugar oficial para ela (nem para motas, diga-se de passagem). Isto não é uma obra feita há 20 anos, foi feita hoje. Não é admissível. Ainda cheguei eu a ir perder tempo para sessões de participação pública da Agenda XXI Local

Oeiras mais atrás Parque de estacionamento p/ carros no novo CS de Paço de Arcos Estes tipos projectam para o passado... Business as usual

No regresso do CS de Oeiras, e a caminho de outro centro de exames, desta vez para levantar um raio-X, passei pela estação de comboios de Oeiras, onde aproveitei para fotografar mais uma vez o novo suporte para estacionamento de bicicletas:

Design & usability how-not-to

E porquê? Porque exemplifica alguns dos defeitos destas estruturas. Não permitem prender o quadro da bicicleta com um U-lock, e se só tivermos 1 cadeado, só podemos prender a roda, o que pode dar nisto:

Exemplo 2 em 1

Esta foto ilustra também outro problema, a incapacidade destas estruturas de acomodarem bicicletas com travões de disco (cada vez mais comuns). Embora nem todos os dobra-rodas tenham este problema em particular (exemplo aqui).

Na presença de um mau design, muitos utilizadores optam por não usar as estruturas, ou usá-las de forma diferente do suposto. Neste caso, o ciclista usou o suporte como se fosse um U invertido:

Dobra-rodas usado como um U invertido

Finalmente, não pude resistir a perder mais uns instantes e experimentar colocar lá a minha bicicleta. Resultado:

Um dobra-rodas que também dobra raios...

Ainda o pneu não tinha chegado ao fundo, ficando apoiado à frente e atrás no suporte em baixo, já os ferros em cima estavam a comprimir os raios… Claro que eu não deixaria ali a minha bicicleta. Será assim tão difícil fazer as coisas como deve de ser? *sigh*…

E será pedir muito esperar estacionamentos cobertos nos interfaces? Se até põem árvores para dar sombra aos carros, alardeando “mais estacionamento para carros (ao preço da chuva) = mais qualidade de vida”, será assim tão descabido pedir um pouco mais de cuidado e consideração para quem requer 10 vezes menos investimento e espaço?…

Oeiras e as suas não-soluções

Ao voltar para casa, em direcção a Porto Salvo, passei pelo Oeiras Parque, para ver se encontrava uma cena no Continente. Não encontrei, mas aproveitei a viagem para re-abastecer ligeiramente a despensa. São as vantagens de andar com uma Xtracycle, a capacidade de carga está lá sempre, sem nos apercebermos sequer. :-)

A X é para os imprevistos

Deixei a bicicleta à entrada do Continente, o meu spot habitual. No entanto, ao voltar à estrada não resisti a parar e subir para uma zona em frente à entrada principal para tirar uma foto:

Entrada principal do Oeiras Parque

Havia 2 bicicletas e 2 motas estacionadas em cima do passeio presas ao gradeamento. À direita vemos os desgraçados que andam de transportes públicos, sem abrigo do sol e da chuva e sem bancos para se sentarem, enquanto que quem vai de carro tem centenas de lugares de estacionamento coberto, iluminado e gratuito. À esquerda vêm-se alguns dos carros estacionados numa zona de proibição de parar e estacionar (percebo o estacionar, mas se não se pode parar não sei para que serve aquela via…).

Antes de chegar ao OP, vim em contramão por uma estrada que ladeia o Parque dos Poetas e tirei esta foto:

A paisagem em mudança...

À esquerda têm o IZI (que, a propósito, não tem estacionamento para bicicletas…). Foi construído num ápice. Devem ter agradado bastante ao sr. 10 %… Neste preciso local estava o único sítio verdejante da zona. Foi arrasado e agora só há betão. À direita vê-se a linha do SATUO, que supostamente terá continuidade. Mas se agora está ali o IZI, fico sem saber por onde é que aquilo irá passar. Duas grandes superfícies que podiam muito bem ser ligadas por uma ponte pedonal/ciclável. Mas não, estamos em Oeiras, onde se espera que para andar 200 metros usemos o carro…

As últimas duas fotos da viagem, junto à rotunda das oliveiras, na saída da A5 em Porto Salvo / Paço de Arcos:

Fuck the pedestrians Oeiras cada vez mais atrás

Neste local, como em dezenas (ou centenas) de outros espalhados pelo concelho de Oeiras, os fluxos, a mobilidade e a acessibilidade pedonal foi esquecida. Quando não é simplesmente esquecida é até dificultada ou impedida. Mas hey!, o munícípio ganhou um prémio de mobilidade/acessibilidade e tudo!!

Isto já diz muito do resto do país...

Não há pachorra para isto, pá, a sério que não…

Se não os podes vencer, ri-te deles

Epá, temos tanto material por cá para fazer uma cena destas:-P

A new world livable city

Why not here too? Why, why, WHY, for fuck’s sake?!?!

Porque será que as pessoas com poder neste país têm tomates para roubar e desperdiçar mas não têm para isto?…

E-Mobility e Flexis

Amanhã, 27 de Março, vai decorrer nos Paços do Concelho de Odivelas, a partir das 9h, o Seminário Final em Portugal de apresentação dos sub-projectos E-Mobility e Flexis, no âmbito da Operação Quadro Regional – MARE, iniciativa comunitária INTERREG IIIC:

Esta operação visa melhorar a eficácia das politicas e dos instrumentos de desenvolvimento regional através de troca de informação e partilha de experiências e boas práticas em torno do termo Mobilidade e Acessibilidade Metropolitana, com vista à criação e desenvolvimento de uma estratégia integrada de mobilidade, que assegure a qualidade de vida e contribua para o desenvolvimento sustentável em cada região participante. Participam os Municípios de Odivelas, Loures e Barreiro, INTELI – Inteligência e Inovação, Centro de Inovação, em parceria com outros participantes de Espanha e Itália.

[Fonte: Nova Odivelas]

Isto está relacionado com o MobQua, são sub-projectos do mesmo projecto europeu.

Carsharing em Portugaaaaaal!

Carris lança primeiro serviço de carsharing em Portugal!Hooray! A Carris vai lançar em Setembro deste ano o primeiro serviço de carsharing no nosso país! :-D Cool! Na fase inicial vai disponibilizar 10 carros, e os parques serão no Cais do Sodré, Gare do Oriente, Campo Pequeno, Marquês de Pombal e Campo de Ourique.

Meus amigos, há esperança neste país! :-P Quem sabe daqui a uns anos já há em Oeiras e posso dar-me facilmente ao “luxo” de não ter carro? Sweet!

Workshop “Livro Verde Para uma Nova Cultura de Mobilidade Urbana”

Fui a este workshop no passado dia 13 de Fevereiro. Decorreu no CCB e foi organizado pelo IMTT (um novo instituto que incorporou as antigas DGV e DGTTF). Na verdade não foi um workshop, foi mais uma conferência…

Aquilo foi dividido em 7 temas:

1 - Vilas e cidades descongestionadas
2 - Vilas e cidades mais verdes
3 - Transportes urbanos mais inteligentes
4 - Transportes urbanos mais acessíveis
5 - Transportes urbanos seguros
6 - Criação de uma nova cultura de mobilidade urbana
7 - Recursos financeiros

De manhã decorreram em paralelo 4 sessões, cada uma dedicada a um dos 4 primeiros temas. Foi-me difícil escolher, queria ir a todas, mas tendo que optar, escolhi o tema 4.

Workshop IMTT: Livro Verde para uma Nova Cultura de Mobilidade

Teoricamente, os temas 5 e 6 seriam tratados transversalmente em todas as sessões. De tarde seria discutido o tema 7, na última sessão do dia.

Workshop IMTT: Livro Verde para uma Nova Cultura de MobilidadeWorkshop IMTT: Livro Verde para uma Nova Cultura de Mobilidade

Na verdade, o tema 5 foi “esquecido”. Pelo menos nas sessões em que participei (4 e 7)… Foi neste tema que vi o parágrafo que me “indignou”:

009/365 || 13 Fevereiro 2008

A propósito do “comportamento mais prudente”:

Para aumentar a consciencialização dos cidadãos sobre o seu comportamento na estrada, há que dar prioridade a campanhas de educação e informação. Sugere-se a organização de campanhas de segurança e de iniciativas especiais de formação dos jovens e a consagração de uma das próximas jornadas europeias de segurança rodoviária às zonas urbanas. As partes interessadas sugeriram também que se fomentasse o comportamento prudente dos ciclistas, promovendo, por exemplo, a utilização de capacetes em toda a Europa ou a investigação sobre desenhos de capacetes mais ergonómicos. A aplicação mais severa do código da estrada é igualmente essencial para todos os motociclistas, condutores de ciclomotores e ciclistas. As partes interessadas sugeriram que a UE apoiasse actividades de vulgarização de dispositivos de controlo activo nas vilas e cidades para todos os utentes da estrada.

A melhor sugestão para um comportamento mais prudente por parte dos ciclistas é que estes usem capacete?!… Eu pensava que o mais importante, relevante e urgente fosse ensiná-los a circular na estrada em segurança, e ensinar os outros utentes da estrada a respeitá-los e a agir de forma a não colocar em risco a sua segurança…

E depois consideram ainda igualmente essencial a aplicação mais severa do código da estrada justamente aos elementos mais fracos da “cadeia alimentar rodoviária” e aos que estão mais vulneráveis aos erros cometidos por eles próprios e por todos os outros utilizadores da estrada… Eu pensava que urgente e essencial era aplicar o CE mais severamente aos condutores de máquinas de várias toneladas, homicidas e fazedores de caos urbano em potência…

Fquei a saber também que «em 2005, morreram nas estradas da UE 41 600 pessoas», estando «ainda muito longe o objectivo comum de 25 000 acidentes mortais por ano até 2010». Há que ser realista, mas estes objectivos são um bocado sinistros. :-P

Esperava deste workshop algo mais como a sessão participativa do campus verde, na FCT, ou a da Agenda XXI Local de Oeiras, mas não, foi muito tradicional e pouco interactiva…

Aprendi algumas coisas, mas foi mais interessante por ter lá encontrado algumas pessoas conhecidas do que outra coisa. Infelizmente, as minhas social skills ainda me inibem muito e sou incapaz de ir e meter conversa facilmente seja com quem for, ainda mais se não as conheço já… :-(

De qualquer modo, o que me chateia nisto é que estou farta de ir a conferências e afins nos últimos anos e nada muda. Falam bem mas não fazem nada. O problema é sempre outro, quem tem poder é sempre outro. E assim vamos, estagnados e atrasados… Estou farta de conversa de chacha, quero fazer alguma coisa, quero encontros e reuniões de realização e não de exposição e desfile de vedetas e bons fatos e currículos.

Provavelmente para inglês ver, mas os contributos para a discussão pública deste Livro Verde Para uma Nova Cultura de Mobilidade Urbana são bem-vindos e podem ser enviados por e-mail ou colocados directamente no site do Livro Verde no IMTT, em cada uma das secções/temas.

Lisboa: esta cidade está a morrer com uma imensidão de pequenos e grandes AVCs - está bloqueada e entupida

Há uns meses fui a Lisboa tratar de um assunto ali perto de Entrecampos. Fui durante a tarde, o que me impossibilitou de fazer: bicicleta + comboio + bicicleta, como me tinha apetecido, porque para ir, tudo bem, mas para voltar já não dava para trazer a bicicleta no comboio… Fui então de carro + bicicleta dobrável. Conduzi até ali na zona do Alto dos Moinhos e estacionei - havia muitos lugares, e gratuitos. Mas depois surgiu a dúvida: como raio passo daqui para ali (junto da Universidade Católica), se não posso passar pela Av. Lusíada? Não me pareceu ter passeio, pelo menos do lado da estrada onde eu estava. Desci, acabei por ir apanhar o Metro nas Laranjeiras e,… enfim, foi uma tarde estúpida em termos de acessos e mobilidade, nem vale a pena recordar… No regresso, saí na estação da Cidade Universitária ou do Campo Grande, não me recordo bem. E vim a pedalar pela estrada entre o Hospital Santa Maria e o campo desportivo da Cidade Universitária. Chego aos semáforos, sigo pela estrada, novos semáforos e aqui ponho-me no passeio e atravesso numa passadeira junto à mesquita. E sigo por ali, há uma estrada paralela à Av. Lusíada para onde se pode entrar para aceder à tal mesquita.

Desvio para os automóveis acederem à Mesquita
(vista de baixo)

Chego ao fim, há um stop, e acaba o passeio. Mas descobri, satisfeita, que o viaduto contempla uma passagem para peões, alcatroada. :-) E sigo por ali a pedalar na minha fiel Mobiky.

Início do passeio sobre o viaduto da Av. Lusíada

Passo em frente à Loja do Cidadão e vejo uma bike estacionada à porta. :-)

Bicicleta à porta da Loja do Cidadão, nas Laranjeiras

É fixe haver o passeio mas a manutenção do mesmo não existe. Comparem a limpeza da estrada dos carros com a das pessoas:

Estado de limpeza da estrada Estado de limpeza (NOT!) do passeio...

A Av. Lusíada é a maneira mais directa de ligar o Campo Grande ao Alto dos Moinhos (zona do Media Markt e assim). Mas só contempla os automóveis, não há vias para peões! Agora digam-me como é isto possível? E Lisboa está cheia de situações destas. E Oeiras! Isto é uma injustiça social. E um erro in so many ways

A meio do viaduto cruzei-me com outra pessoa. Mas quase chegada ao fim, começo a indagar-me se aquilo será mesmo um passeio… Afinal, está a começar a afunilar…

Passeio (?) no viaduto da Av. Lusíada Ho oh...

Reparem na (já escassa) largura da via antes de começar o afunilamento e depois de o mesmo se instalar:

Largura antes de começar a afunilar Já afunilado...

E a coisa começa a ficar mesmo complicada…

É este o respeito que a CML tem pelas pessoas, pelos peões

Mas olho para os lados e para o carros há 3 faixas em cada sentido à minha esquerda, duas à direita, e montes de espaço de estacionamento…

Moooontes de espaço para os carros pararem, estacionarem ou circularem... Agora é suposto o peão teletransportar-se para o outro lado

E depois, a machadada final. E agora? Salto? Teletransporto-me?

E agora, salto ou não salto?São sempre reconfortantes as surpresas que esta cidade nos reserva

Não podiam ter feito isto menos hostil, não? Yup, é um degrau e uma rampa

Mesmo depois de saltar, fico muito vulnerável no meio de um saída de uma estrada muito movimentada, e sem passadeira, nem passagem aérea ou o que seja, para atravessar em segurança para o outro lado… Se no início do viaduto houvesse um aviso, ok, agora andar aquilo tudo a pensar que há continuidade na estrutura viária pedonal e depois deparar-me com esta triste realidade,… *sigh*

Quando o espaço público apresenta este nível de qualidade, conforto, segurança, eficiência, é apenas compreensível que os ricos construam condomínios privados que recriem o que o exterior deixou de oferecer. A mania dos mega-centros comerciais que recriam as zonas de comércio tradicional, com as suas ruazinhas e praças e dos condomínios fechados com jardim, sossego e segurança onde se possam deixar as crianças brincar é uma reacção ao espaço urbano hostil que as cidades oferecem cá fora…

Hospital dos Lusíadas

Tudo para os carros, nada ou muito pouco para os peões e similares…

Espaço em excesso para os carros estacionarem (raros são os que são assim tão longos...) Como querer que as pessoas não levem o carro para chegar a um local a menos de 500 mts de distância?

Como convencer as pessoas a não usarem o carro para chegarem a locais a apenas 500 metros de distância?…

Os carros têm estradas e espaços para estacionamento à larga.

Espaço para os peões circularem vs. espaço para os carros circularem + espaço para os carros estacionarem...

Os peões não têm direito a larguezas.

Espaço reservado aos peõesLargura do passeio = comprimento da Mobiky

E o pouco espaço que lhes é dado ainda é local de eleição para plantar coisas, na maior parte das vezes dedicada aos automobilistas, como sinais de trânsito, semáforos, parquímetros, etc.

Não podiam ter posto o poste ao lado do passeio, tinha mesmo que ser em cima

E são sempre mais uma opção para estacionar o carrinho…

É preciso ter lata...

Os políticos deveriam ser obrigados por lei a deslocar-se de transportes públicos, a pé e de bicicleta, só podendo usar o carro em 20 % do tempo, para que não permitissem que se construíssem cidades assim: absurdas.

Perspectivas díspares do mesmo problema e do mesmo evento

Comparem isto com isto. Alguns remarks breves (os bolds são meus):

Na opinião de Madalena Castro, “a decisão em matérias desta natureza deve depender também do conhecimento directo do terreno, pois só assim as políticas de proximidade, e particularmente a política de transportes, servirão o cidadão”.

Nota-se o conhecimento que os decisores autárquicos têm do “terreno”, uma pessoa percebe logo que eles têm imeeeeeeeensa experiência a circular de transportes públicos, a pé ou de bicicleta por Oeiras…

Recorde-se que o seminário “Melhor Mobilidade, Melhor Oeiras” foi promovido pela Oeinerge – Agência Municipal de Energia e Ambiente de Oeiras em parceria com a Câmara Municipal e visou sensibilizar autarquias, empresas e público em geral para a importância da gestão da mobilidade a nível local, concretamente através de acções que permitam melhorar a qualidade de vida.

Pffff! Viu-se o esforço de sensibilização na divulgação que o evento teve junto das massas, a afluência estrondosa de “público em geral” e “empresas” e no interesse demonstrado em ouvir o “público em geral” que se dignou assistir àquilo e ainda se deu ao trabalho de (tentar) participar activamente na discussão.

Para além de um enquadramento da temática, com a apresentação pública dos resultados do ‘Estudo de Mobilidade e Acessibilidades de Oeiras’, com a divulgação do ‘Serviço Combus’ e com o lançamento do ‘Consultório de Mobilidade, Energia e Ambiente’, o seminário constituiu-se como um espaço de debate e discussão acerca da temática dos transportes e da mobilidade sustentável.

lol Grande debate, sim senhor. A democracia participativa no seu melhor.

Assinale-se que a apresentação pública de projectos e iniciativas que caracterizam as políticas locais ligadas à mobilidade sustentável em Oeiras tem ocorrido, anualmente, no âmbito da Semana Europeia da Mobilidade.

Claro, para apresentar trabalho em dia solene, para europeu ver.

Acho muito bem!

Oportunidade de negócio: serviço de acompanhantes de pessoas em cadeiras-de-rodas que fossem abrindo caminho com métodos destes… :-P

A importância da comunicação

Boa solução, um semáforo para peões, animado e com informação sobre o tempo que falta para mudar:

[Visto n'O Carmo e a Trindade]

Aspectos práticos do uso quotidiano da bicicleta: as calças

O que fazer para que as calças não se sujem na corrente ou na bottom bracket onde os pedais “giram”, ou não se prendam em alguma parte da bicicleta?

Duas opções simples:

O estilo à dread (total ou parcial), prender as calças dentro das meias:

Como prender as calças para pedalar - II

O estilo mais clássico, usar clips:

Como prender as calças para pedalar - I

Há quem opte por esta última alternativa com simples molas da roupa (demasiado para mim) ou com tiras reflectoras (aumenta a segurança por aumentar a visibilidade do ciclista).

A desvantagem da primeira alternativa é que não funciona (bem, pelo menos) com todas as combinações de calças/meias/sapatos, e pode amarrotar a roupa, mas é a mais simples. A desvantagem da segunda é que temos que andar com os clips ou tiras sempre connosco ou na bicicleta, ou então lembramo-nos de as levar quando saímos.

É o mindset

Passeios: lugar para plantar sinais de trânsito para os motoristas, marcos de correio, caixotes do lixo… E, se der, para os peões se encolherem e passarem. À vez.

Passeios: lugar para plantar sinais de trânsito para os motoristas, marcos de correio, caixotes do lixo...

Não ocorre aos CTT nem à CML colocar os marcos do correio na estrada, reduzindo o espaço de menos de 1 lugar de estacionamento. Que sacrilégio seria!