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The Walker and the City - O Peão e a Cidade - Colóquio Internacional

Organizado pela ACA-M, o Mestrado em Risco, Trauma e Sociedade - ISCTE, PQN-COST Action 358 e a Fundação Friedrich Ebert

Dia 12 de Novembro das 9.45h às 18.00h.

O encontro fortuito entre cidadãos anónimos é a pedra de toque da vida urbana. Os espaços exteriores de atracção de gente são o garante da interacção entre gerações, classes sociais e comunidades, e de construção da “coisa pública”.

Por toda a Europa, as preocupações ambientais e energéticas, associadas a novas exigências de qualidade na vivência urbana, têm contudo promovido visíveis alterações nos paradigmas ideológicos que balizam o discurso e a prática da gestão urbana.

O presente Colóquio procura reflectir, numa perspectiva comparada e a nível europeu, sobre essa categoria funcional da mobilidade urbana, tão ubíqua e estigmatizada que é o “peão”. Para tal, foram convocados especialistas europeus de reconhecido mérito em áreas tão diversas como a engenharia de transportes, o urbanismo e as ciências sociais.

No contexto deste Colóquio Internacional, é também promovida uma Mesa Redonda juntando investigadores e organizações da sociedade civil portuguesa, onde se procurará fazer uma avaliação da situação da pedonalidade em Portugal.

No final do Colóquio será lançado o livro de Aymeric Bôle-Richard, Pedonalidade no Largo do Rato: Micro-poderes. Uma edição ACA-M.

PROGRAMA

The Walker and the City - O Peão e a Cidade
Dia 12 de Novembro 2008
Goethe-Institut Portugal

Campo dos Mártires da Pátria, 37
1169-016 Lisboa

9:45h - Recepção e registo
10:00h - Abertura: Presidente do ISCTE
10:10h - Apresentação do Programa: Reinhard Nauman (FES), Manuel João Ramos e Mário José Alves, coordenadores da Acção COST em Portugal.
10:20h - Melhor mobilidade com menos automóveis - Heiner Monheim (Universidade de Trier, Alemanha)
10:40h - Andar, tempo e espaço público: percepções, políticas e perspectivas - Daniel Sauter (Urban Mobility Research, Suíça)
11:00h - Debate
11:20h - Intervalo para café
11:40h - Comodidade e segurança dos peões na Europa: passado e futuro - Nicole Muhlrad (INRETS, França)
12:00h - Necessidades de qualidade para peões (Pedestrian Quality Needs) - Rob Methorst (Coordenador da Acção COST-PQN, DVS-CTN, Holanda)
12:20h - Debate
13:00h - Intervalo
14:30h - Mesa RedondaSociedade Civil: Estudos, participação e conflito…
15:40h - Uma abordagem etnográfica à Rambla del Raval: espaço (público?) e peões. - Gerard Horta (Universidade de Barcelona, Espanha)
16:00h - Debate
16:30h - Intervalo para café
16:50h - O sistema de gestão de acesso de Londres (LAMS) e o estado do andar a pé. - Jim Walker (The Access Company, Reino Unido)
17:10h - Peões: cidadãos de segunda? - Ralf Risser (Universidade de Lund, Suécia)
17:10h - Debate
18:00h - Lançamento do novo livro editado pela ACA-M: Pedonalidade no Largo do Rato: micro-poderes, de Aymeric Bôle Richard.

Inscrições (GRATUITAS): Fundação Friedrich Ebert, Tel. 213573375, Fax 213573422, mail: info@feslisbon.org

Com o apoio de: European Cooperation in the field of Scientific and Technical Research, Goethe-Institut Portugal, Instituto da Mobilidade e dos Transportes Terrestres IP, Câmara Municipal de Lisboa, Carris.

Nota: Quando me inscrevi (junto da Feslisbon) perguntei se tinham estacionamento (ou outro local onde se pudesse estacionar) para bicicletas, pois bicicleta+comboio é a minha primeira opção de mobilidade para ir a isto. Reencaminharam-me para o local do colóquio, telefonei, mais tarde enviaram-me um mail a dizer que «por motivo de espaço, não é possível parquear as bicicletas no Goethe-Institut». :-( Entretanto, vi que aqui divulgaram o evento com mais info, nomeadamente acerca das opções de mobilidade. Vamos torcer para que os senhores do parque para carros sejam tão fixes como outros têm sido. :-)

Site oficial do Colóquio aqui.

Oeiras mais atrás

Na 5ª-feira passei pelo novo Centro de Saúde de Paço de Arcos, ia buscar uns exames (mas só depois de lá entrar me lembrei que tinha sido atendida ali mas as análises tinham sido feitas no CS de Oeiras). A zona de parque de estacionamento ainda estava em obras, mas quase terminada.

Novo Centro de Saúde de Paço de Arcos

Fui de bicicleta e constatei que não havia lugar oficial para ela (nem para motas, diga-se de passagem). Isto não é uma obra feita há 20 anos, foi feita hoje. Não é admissível. Ainda cheguei eu a ir perder tempo para sessões de participação pública da Agenda XXI Local

Oeiras mais atrás Parque de estacionamento p/ carros no novo CS de Paço de Arcos Estes tipos projectam para o passado... Business as usual

No regresso do CS de Oeiras, e a caminho de outro centro de exames, desta vez para levantar um raio-X, passei pela estação de comboios de Oeiras, onde aproveitei para fotografar mais uma vez o novo suporte para estacionamento de bicicletas:

Design & usability how-not-to

E porquê? Porque exemplifica alguns dos defeitos destas estruturas. Não permitem prender o quadro da bicicleta com um U-lock, e se só tivermos 1 cadeado, só podemos prender a roda, o que pode dar nisto:

Exemplo 2 em 1

Esta foto ilustra também outro problema, a incapacidade destas estruturas de acomodarem bicicletas com travões de disco (cada vez mais comuns). Embora nem todos os dobra-rodas tenham este problema em particular (exemplo aqui).

Na presença de um mau design, muitos utilizadores optam por não usar as estruturas, ou usá-las de forma diferente do suposto. Neste caso, o ciclista usou o suporte como se fosse um U invertido:

Dobra-rodas usado como um U invertido

Finalmente, não pude resistir a perder mais uns instantes e experimentar colocar lá a minha bicicleta. Resultado:

Um dobra-rodas que também dobra raios...

Ainda o pneu não tinha chegado ao fundo, ficando apoiado à frente e atrás no suporte em baixo, já os ferros em cima estavam a comprimir os raios… Claro que eu não deixaria ali a minha bicicleta. Será assim tão difícil fazer as coisas como deve de ser? *sigh*…

E será pedir muito esperar estacionamentos cobertos nos interfaces? Se até põem árvores para dar sombra aos carros, alardeando “mais estacionamento para carros (ao preço da chuva) = mais qualidade de vida”, será assim tão descabido pedir um pouco mais de cuidado e consideração para quem requer 10 vezes menos investimento e espaço?…

Oeiras e as suas não-soluções

Ao voltar para casa, em direcção a Porto Salvo, passei pelo Oeiras Parque, para ver se encontrava uma cena no Continente. Não encontrei, mas aproveitei a viagem para re-abastecer ligeiramente a despensa. São as vantagens de andar com uma Xtracycle, a capacidade de carga está lá sempre, sem nos apercebermos sequer. :-)

A X é para os imprevistos

Deixei a bicicleta à entrada do Continente, o meu spot habitual. No entanto, ao voltar à estrada não resisti a parar e subir para uma zona em frente à entrada principal para tirar uma foto:

Entrada principal do Oeiras Parque

Havia 2 bicicletas e 2 motas estacionadas em cima do passeio presas ao gradeamento. À direita vemos os desgraçados que andam de transportes públicos, sem abrigo do sol e da chuva e sem bancos para se sentarem, enquanto que quem vai de carro tem centenas de lugares de estacionamento coberto, iluminado e gratuito. À esquerda vêm-se alguns dos carros estacionados numa zona de proibição de parar e estacionar (percebo o estacionar, mas se não se pode parar não sei para que serve aquela via…).

Antes de chegar ao OP, vim em contramão por uma estrada que ladeia o Parque dos Poetas e tirei esta foto:

A paisagem em mudança...

À esquerda têm o IZI (que, a propósito, não tem estacionamento para bicicletas…). Foi construído num ápice. Devem ter agradado bastante ao sr. 10 %… Neste preciso local estava o único sítio verdejante da zona. Foi arrasado e agora só há betão. À direita vê-se a linha do SATUO, que supostamente terá continuidade. Mas se agora está ali o IZI, fico sem saber por onde é que aquilo irá passar. Duas grandes superfícies que podiam muito bem ser ligadas por uma ponte pedonal/ciclável. Mas não, estamos em Oeiras, onde se espera que para andar 200 metros usemos o carro…

As últimas duas fotos da viagem, junto à rotunda das oliveiras, na saída da A5 em Porto Salvo / Paço de Arcos:

Fuck the pedestrians Oeiras cada vez mais atrás

Neste local, como em dezenas (ou centenas) de outros espalhados pelo concelho de Oeiras, os fluxos, a mobilidade e a acessibilidade pedonal foi esquecida. Quando não é simplesmente esquecida é até dificultada ou impedida. Mas hey!, o munícípio ganhou um prémio de mobilidade/acessibilidade e tudo!!

Isto já diz muito do resto do país...

Não há pachorra para isto, pá, a sério que não…

Subtilezas da inconsciência

Neste tipo de situações, por que é tão raro ver a carrinha estacionar em paralelo, ocupando vários lugares de estacionamento, em vez de simplesmente “comer” os passeios? Por que é que, quase inconscientemente, respeitamos infinitamente mais as pessoas dentro de carros do que as que estão a pé?

É o paradigma cultural...

Mensagens subliminares

O paradigma da supremacia do automóvel revela-se nos mais inesperados (or not) detalhes:

Maldito mindset, bolas!

O passeio já é pequeno, adivinhem onde colocaram os aparelhos de controlo de passagem de automóveis no Bairro Alto?…

Lisboa: esta cidade está a morrer com uma imensidão de pequenos e grandes AVCs - está bloqueada e entupida

Há uns meses fui a Lisboa tratar de um assunto ali perto de Entrecampos. Fui durante a tarde, o que me impossibilitou de fazer: bicicleta + comboio + bicicleta, como me tinha apetecido, porque para ir, tudo bem, mas para voltar já não dava para trazer a bicicleta no comboio… Fui então de carro + bicicleta dobrável. Conduzi até ali na zona do Alto dos Moinhos e estacionei - havia muitos lugares, e gratuitos. Mas depois surgiu a dúvida: como raio passo daqui para ali (junto da Universidade Católica), se não posso passar pela Av. Lusíada? Não me pareceu ter passeio, pelo menos do lado da estrada onde eu estava. Desci, acabei por ir apanhar o Metro nas Laranjeiras e,… enfim, foi uma tarde estúpida em termos de acessos e mobilidade, nem vale a pena recordar… No regresso, saí na estação da Cidade Universitária ou do Campo Grande, não me recordo bem. E vim a pedalar pela estrada entre o Hospital Santa Maria e o campo desportivo da Cidade Universitária. Chego aos semáforos, sigo pela estrada, novos semáforos e aqui ponho-me no passeio e atravesso numa passadeira junto à mesquita. E sigo por ali, há uma estrada paralela à Av. Lusíada para onde se pode entrar para aceder à tal mesquita.

Desvio para os automóveis acederem à Mesquita
(vista de baixo)

Chego ao fim, há um stop, e acaba o passeio. Mas descobri, satisfeita, que o viaduto contempla uma passagem para peões, alcatroada. :-) E sigo por ali a pedalar na minha fiel Mobiky.

Início do passeio sobre o viaduto da Av. Lusíada

Passo em frente à Loja do Cidadão e vejo uma bike estacionada à porta. :-)

Bicicleta à porta da Loja do Cidadão, nas Laranjeiras

É fixe haver o passeio mas a manutenção do mesmo não existe. Comparem a limpeza da estrada dos carros com a das pessoas:

Estado de limpeza da estrada Estado de limpeza (NOT!) do passeio...

A Av. Lusíada é a maneira mais directa de ligar o Campo Grande ao Alto dos Moinhos (zona do Media Markt e assim). Mas só contempla os automóveis, não há vias para peões! Agora digam-me como é isto possível? E Lisboa está cheia de situações destas. E Oeiras! Isto é uma injustiça social. E um erro in so many ways

A meio do viaduto cruzei-me com outra pessoa. Mas quase chegada ao fim, começo a indagar-me se aquilo será mesmo um passeio… Afinal, está a começar a afunilar…

Passeio (?) no viaduto da Av. Lusíada Ho oh...

Reparem na (já escassa) largura da via antes de começar o afunilamento e depois de o mesmo se instalar:

Largura antes de começar a afunilar Já afunilado...

E a coisa começa a ficar mesmo complicada…

É este o respeito que a CML tem pelas pessoas, pelos peões

Mas olho para os lados e para o carros há 3 faixas em cada sentido à minha esquerda, duas à direita, e montes de espaço de estacionamento…

Moooontes de espaço para os carros pararem, estacionarem ou circularem... Agora é suposto o peão teletransportar-se para o outro lado

E depois, a machadada final. E agora? Salto? Teletransporto-me?

E agora, salto ou não salto?São sempre reconfortantes as surpresas que esta cidade nos reserva

Não podiam ter feito isto menos hostil, não? Yup, é um degrau e uma rampa

Mesmo depois de saltar, fico muito vulnerável no meio de um saída de uma estrada muito movimentada, e sem passadeira, nem passagem aérea ou o que seja, para atravessar em segurança para o outro lado… Se no início do viaduto houvesse um aviso, ok, agora andar aquilo tudo a pensar que há continuidade na estrutura viária pedonal e depois deparar-me com esta triste realidade,… *sigh*

Quando o espaço público apresenta este nível de qualidade, conforto, segurança, eficiência, é apenas compreensível que os ricos construam condomínios privados que recriem o que o exterior deixou de oferecer. A mania dos mega-centros comerciais que recriam as zonas de comércio tradicional, com as suas ruazinhas e praças e dos condomínios fechados com jardim, sossego e segurança onde se possam deixar as crianças brincar é uma reacção ao espaço urbano hostil que as cidades oferecem cá fora…

Hospital dos Lusíadas

Tudo para os carros, nada ou muito pouco para os peões e similares…

Espaço em excesso para os carros estacionarem (raros são os que são assim tão longos...) Como querer que as pessoas não levem o carro para chegar a um local a menos de 500 mts de distância?

Como convencer as pessoas a não usarem o carro para chegarem a locais a apenas 500 metros de distância?…

Os carros têm estradas e espaços para estacionamento à larga.

Espaço para os peões circularem vs. espaço para os carros circularem + espaço para os carros estacionarem...

Os peões não têm direito a larguezas.

Espaço reservado aos peõesLargura do passeio = comprimento da Mobiky

E o pouco espaço que lhes é dado ainda é local de eleição para plantar coisas, na maior parte das vezes dedicada aos automobilistas, como sinais de trânsito, semáforos, parquímetros, etc.

Não podiam ter posto o poste ao lado do passeio, tinha mesmo que ser em cima

E são sempre mais uma opção para estacionar o carrinho…

É preciso ter lata...

Os políticos deveriam ser obrigados por lei a deslocar-se de transportes públicos, a pé e de bicicleta, só podendo usar o carro em 20 % do tempo, para que não permitissem que se construíssem cidades assim: absurdas.

A look into our future?

É na Inglaterra, mas já se vêem algumas destas questões por cá, mesmo que em menor escala. Se fôssemos uns tipos inteligentes aprendíamos com os outros e evitávamos trilhar os mesmos caminhos, why not jump throught some of the mistakes?

É um documentário da BBC:

A Grâ-Bretanha está à beira de uma escalada na crise de road rage. Filmando em algumas das ruas do Reino Unido mais congestionadas pelo trânsito, esta investigação especial expõe o quão má a situação se tornou, à medida que a violência e abusos na guerra entre motoristas, ciclistas, políticos e polícia entra em escalada sem nenhuma solução à vista.

Durante décadas, o sempre crescente número de motoristas no Reino Unido têm sido reis da estrada; pagando impostos e taxas de combustível, eles acreditam que as ruas lhes pertencem. Mas agora o equilíbrio de poder está a mudar. Números crescentes de ciclistas e peões estão a exigir, e a exercer, direitos iguais à estrada e a raiva em cada facção está a aumentar.

Encontrado via o fantástico Streetsblog.

Sinalização criativa

Então é suposto passarmos por onde?...Em Sintra vi há tempos a situação da foto do lado direito. Obstáculo no passeio significa que os peões ficam impedidos de passar…

Já os responsáveis por esta obra na foto à esquerda resolveram de outra maneira uma situação similar. Plantaram um sinal que significa “pista especial WTF?para peões” (que penso que não é sinónimo de “passeio”) num local obstruído. Mas não há pista nenhuma, nem passeio, as pessoas terão que circular pela estrada, neste caso um corredor BUS (!). Dois erros: 1) utilização indevida de um sinal de trânsito, e 2) falha em providenciar alternativas seguras para os peões circularem.

A importância da comunicação

Boa solução, um semáforo para peões, animado e com informação sobre o tempo que falta para mudar:

[Visto n'O Carmo e a Trindade]

Right…

Então é suposto passarmos por onde?...

Concentração em Lx pelo fim da guerra civil nas estradas


«CONVITE

A Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados vem convidar-vos para participar, na próxima segunda-feira, dia 5 de Novembro, pelas 16.30, numa concentração de homenagem às vítimas do triplo atropelamento ocorrido ontem pelas 5.30h, no local da tragédia, a passagem de peões fronteira à Estação Fluvial do Terreiro do Paço.

Pretendemos fazer uma passadeira com pessoas deitadas no chão, cobertas com um lençol.

Para garantir o sucesso desta iniciativa, vimos solicitar a vossa colaboração, participando na concentração e levando, se possível, um lençol branco.

O Governo Civil foi já notificado desta iniciativa.

Pedimos também a divulgação desta mensagem.

Pela direcção da ACA-M
Manuel João Ramos»

Li no SOL o relato de uma pessoa que socorreu as vítimas, dizendo que viu um braço decepado algures, metade do corpo de uma vítima dentro do carro, e coisas assim. Tétrico. E que o carro só parou 200 metros depois. Vi noutro sítio que a condutora foi levada sob prisão ao hospital, mas no SOL dizia que saiu em liberdade… Como é possível? Porque é que a negligência e os homicídios perpetrados atrás de um volante de um automóvel são aceites pela sociedade como “acidentes” e não por aquilo que são, homicídios por negligência, inépcia, e… sei lá, irresponsabilidade, maldade,…?

Consequências do paradigma do automóvel

Nesta situação:

Tudo ao contrário
(Chiado, Lisboa)

Não é óbvio que a atribuição de espaço de circulação (e mera ocupação!)está invertida entre peões e automóveis?…

Passeio na ciclovia do Guincho

No domingo passado fomos dar uma voltinha ao Guincho, apanhar sol e o ar do mar. :-)

O passeio pedonal do lado do mar, pintado de amarelo, ainda não está terminado a toda a extensão. Não sei se é por isso, mas continua-se a ver muita gente a circular na ciclovia que não pode e não deve estar ali. Pessoas a caminhar, a correr, a correr com o cão, a andar de patins (embora estes até não seja muito descabido, embora seja ilegal na mesma):

Caminhar na cicloviaCorrer com o cão na ciclovia

A dada altura passámos para o outro lado e encontrámos um pequeno troço de estrada alcatroada cujo propósito nos escapa completamente. Será uma pista de aterragem? :-P

Pista de aterragem junto à ciclovia? :-P

Encontrámos algumas pessoas em família, com os filhos em cadeirinhas ou atrelados:

Pais e filhos de bicicletaCom os filhos no reboque

Mas isto já começa a ser bastante comum, a grande novidade foi cruzarmo-nos com uma pessoa numa bicicleta dobrável, penso que uma B’fold, e outra num triciclo reclinado!! :-) Muito encorajador!

Two small-wheelers!Outro triciclo reclinado na ciclovia de Cascais!!!

Uma coisa estranha, a dada altura encontrámos estas marcas no chão:

Passagem de ciclistas?!

Esta sinalização consta do Código da Estrada, mas não se enquadra nesta situação, visto ser uma passadeira na estrada a ligar ciclovias, tal como as passadeiras de peões ligam passeios. Ora, aqui aquilo actua como uma passadeira normal, visto que do outro lado não é sequer ciclovia, é passeio pedonal… E nenhum dos lados está desnivelado. Não percebo isto…

Eventos sobre mobilidade em Setembro: o de dia 14

Era para ter ido assistir ao colóquio: “Estratégias para a Implementação dos Modos Suaves de Transporte em Lisboa. A Bicicleta e o Peão: Instrumentos de uma Nova Mobilidade”. E tentei ir. Mas não vi com atenção o local e acabei por me perder na Ajuda, junto ao pólo da Universidade Técnica, a pedir direccions a uma prostituta desdentada, e a ficar apeada, de bicicleta (tive um problema num travão) no meio do que parecia ser uma zona de habitação social, e a ter putos ciganos todos andrajosos, com as mãos peganhentas e negras (um tinha a variante vermelha, como se tivesse estado a mexer em gelatina…) a tocarem na bicicleta enquanto perguntavam o que era cada peça em que tocavam (campainha, luzes, etc). E eu já a pensar que me iam fanar o meu meio de transporte e “menina dos meus olhos” e o que mais que apanhassem da minha mala…

Fui de comboio até Belém e depois subi aquela rua toda até lá acima ao jardim Botânico e mais acima… O percurso era assim:

Corrida de obstáculos na Calçada da AjudaCorrida de obstáculos na Calçada da AjudaCorrida de obstáculos na Calçada da Ajuda

Não é ultrajante? Ver idosos a encolherem-se pelo meio dos carros estacionados em cima dos passeios, pelos sinais de trânsito, postes, caixas de electricidade, esplanadas, vasos, publicidade, buracos, passeios não desnivelados,… Uma pessoa pensa mesmo que devia era andar de carro e pronto, que se lixe, que isto não é vida para ninguém… O carro ao menos tem amortecedores e as estradas mais ou menos desimpedidas. Chegando lá acima o piso da estrada e a largura dos passeios melhora, mas os carros estão no caminho à mesma. Engraçado como preferem ocupar o passeio a obstruir uma das duas faixas de rodagem para cada sentido da estrada…

Corrida de obstáculos na Calçada da Ajuda

A experiência deste dia (e de muitos outros dias) só mostra a pertinência das intenções do tal colóquio…

Bom, felizmente o Bruno andava por Lisboa e tinha levado o carro, pelo que enviei um pedido SOS e ele foi-me buscar. :-) Entretanto fui com ele gravar uma maquete para um programa na Rádio Zero do IST. Ele e mais outros convidados. Foi uma experiência gira. :-)

Rádio ZERO, ISTRádio ZERO, IST

Quando a conversa se tornava mais hermética (temas informáticos que eu já não captava) e as pernas exigiam movimento, fui dar uma volta pelo campus.

Vi que tinham 2 locais para estacionamento de bicicletas, um na entrada Norte:

Estacionamento de bicicletas no IST

Engraçado que muitas estavam presas ao gradeamento e não ao suporte (tal como eu faria). Na porta Sul estava outro suporte, mas com menos bicicletas (atenção que isto foi a uma 6ª-feira lá para as 18h-20h…):

Estacionamento de bicicletas no IST

Também havia um estacionamento próprio para motas, bastante concorrido:

Estacionamento para motas no IST

No exterior, em frente à porta a Poente, havia outro, que não dava para as encomendas (muitas motas estavam no passeio):

Estacionamento para motas um bocado esquisito

Uma era uma MP3! :-)

Uma MP3 junto ao IST

Uma coisa que me “impressionou” no campus do Técnico foi a sua dominação pelos carros. Tudo era estacionamento e até “estacionamentalizaram” os passeios. Um campus devia ser uma zona pedonal, as pessoas andam no meio da estrada de qualquer forma.

Instituto Superior Técnico"Estacionamentalização" dos pesseios no IST"Estacionamentalização" dos pesseios no IST

E isto é o Técnico, por isso até há lugares para “viaturas oficiais” (whatever that means):

Por aqui há "viaturas oficiais"...

E até vi um carro topo de gama a passar com um homem lá dentro com pose e pinta de milionário… Ainda bem que fui para a FCT-UNL, lá as pessoas parecem um pouco mais normais. :-P

Também dei um giro pelo edifício principal, achei engraçado os corredores, o ar de escola antiga, os degraus em pedra com sulcos, gastos da quantidade enorme de gente que passou por eles ao longo de décadas. :-)

Instituto Superior TécnicoInstituto Superior Técnico

Há aquele ar imponente das coisas com história.

Ah, e é probido fumar em todo o edifício! :-)

Instituto Superior Técnico

Uma coisa inédita, enquanto fotografava o corredor e o hall, um segurança veio dizer-me que não podia tirar fotografias ali. Eu não me fiquei e, calmamente, fui rebatendo e questionando o que ele dizia. Afinal, não estava a fazer nada de mais e não havia sinal nenhum de proibição de fotografar (como há de fumar, por exemplo). Ele dizia que era do regulamento (que pedi para ver, dado que não estava afixado em lado nenhum visível), e depois que era de ordens superiores e tal. Às tantas desistitu e disse só que se alguém viesse falar comigo que o problema era meu. E eu, “ok!”. :-P

Quando voltei ao estúdio, falei disso com o pessoal. Falámos sobre os direitos de autor, o copyright, os direitos de imagem, etc, histórias mirabolantes, and so on. Perguntei se alguém sabia se havia alguma ONG que lidasse com estes temas porque começam a ser prementes e quero fazer alguma coisa. O fundador da ANSOL (bolas, agora não me lembro do nome dele), disse que esta organização lida um bocado com isso, mas entretanto deu-me uma notícia quente, tinha acabado de ser constituída uma nova ONG para lidar especificamente com estas causas, a LED - Liberdade na Era Digital. Ainda está em desenvolvimento, mas tornar-me-ei sócia logo que seja possível.

Já agora, outra dica interessante dada pela mesma pessoa: a Torre do Tombo e a Biblioteca Nacional têm milhares de obras em domínio público acessíveis online! :-)

Walk21

We were made to walk and for 99% of human existence, that’s how we moved, by walking. Walking is healthy for the heart, the mind and the soul.
– David Suzuki

Em Toronto, irá decorrer entre 1 e 4 de Outubro um congresso sobre como tornar as cidades mais “caminháveis”: “Walk21 - Putting pedestrians first”. Design urbano, campanhas, Pedibuses, segurança,… Como eu adoraria ir a isto… :-P

Festival do Táxi - Colóquio Científico e Técnico
(foto tirada durante o Festival do Táxi, de um slide sobre o conceito de Pedibus)