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“Substance dualism” e religião

O Bruno encontrou estes vídeos. São interessantes:

Pela liberdade de não-religião

A liberdade de religião parece ser uma liberdade de pensamento, crença e expressão específica. No entanto é perniciosa, mesmo que não na letra da lei, ao subentender que este pensamento/crença/expressão não pode ser criticada ou ridicularizada como qualquer outra (astrologia, vegeterianismo, poligamia, whatever). E pior, parece subentender que essa liberdade de religião anula os direitos associados à liberdade de não-religião.

Bom, esta pequena intro só para assinalar esta marcha dos ateus e agnósticos na Polónia, terra do Papa João Paulo II.

Apostasia

Há uns anos ouvi falar disto e fiquei logo interessada. Mais pelo aspecto simbólico, mas também pelo aspecto prático:

Apostasia para efeitos Legais

O apóstata pode pedir formalmente para ser retirado dos registros da religião em causa deixando assim de ser contabilizado para todos os efeitos legais, o que acontecia no caso de religiões cristãs em consequência do acto de baptismo sobre o qual ele não teve (na maioria dos casos) qualquer intervenção consciente. Esta vertente “legal” da apostasia é relevante mesmo em países com separação formal entre o estado e a religião, tendo em conta que muitas decisões políticas em relação às religiões são feitas de acordo com as estatísticas de pessoas registadas e não com o número de pessoas que efectivamente a praticam.

Há umas semanas voltei a ouvir falar do processo, e quando tiver espaço mental e temporal vou tratar disto, sem falta.

Nesta área, outra coisa a tratar é fazer-me associada da AAP.

Por outro lado, sou Madrinha de uma cachopa, já tive que representar o papel na 1ª Comunhão, e acho que ainda vou ter que suportar o Crisma. Na altura do convite (uma pessoa próxima) ainda tentei explicar que sou ateia e tal, mas de nada serviu, e só mostrou a fantochada que estas coisas são para a maior parte das pessoas que continuam a seguir vagamente estes rituais (baptismo e afins, casamento, funeral). No entanto, exceptuando os 3 primeiros, cumpro melhor os 10 Mandamentos da Moral Católica do que muitos pretensos católicos que eu conheço. :-P Aliás, a minha categoria favorita de católicos são os chamados “não-praticantes”. É como dizer que são Benfiquistas mas depois nos jogos ora torcem pelo Sporting, ora Pelo Porto, ora pelo Benfica, conforme apetece. :-P

Atheists are the new gays?

Há uns tempos fui ao cinema ver este filme: Milk:

Eu não percebo a homossexualidade, tendo a crer que será um distúrbio do desenvolvimento, tal como a transsexualidade, a intersexualidade, etc. Não será uma escolha, tal como não o é a heterossexualidade. Não afecta a vida normal das pessoas (são tão funcionais quanto as outras), nem sequer a sua capacidade reprodutiva. Contudo, um casal homossexual é tão infértil quanto um casal em que a mulher e o homem tenham uma incompatibilidade genética que inviabilize a concepção. Ninguém sugere que este casal se separe por causa disso, e têm apoio do Estado em alternativas de reprodução medicamente assistida (quando ambos são férteis, apenas não um com o outro), mas tal não se verifica no caso de um casal com o mesmo problema devido a serem do mesmo sexo. Acho isto incoerente. Tal como o não poderem casar ou não poderem adoptar crianças.

Ver mais este filme pôs-me a pensar como direitos tão fundamentais levam tanto tempo a reconhecer. E a importância de lutar por isso.

Há dias vi o Religulous:

Eu não percebo a religiosidade, tendo a crer que será um distúrbio neurológico qualquer, era bom que fosse tão discreto e inconsequente para a sociedade quanto a homossexualidade, mas não é.

Há um gráfico onde eles comparam a percentagem da população dos EUA que não tem religião (inclui os ateus, os agnósticos, os “espirituais”, etc), com a percentagem de gays, de pretos, e minorias assim. Nesse momento fiquei a pensar se os ateus não serão os novos gays, a precisar de sair do armário. Vejam o documentário, é divertidíssimo. :-)

Não sei como o Bill Maher tem coragem para fazer aquilo, confrontar as pessoas com as suas ideias malucas, e ainda por cima rindo-se daqueles disparates todos. :-P Estava já no fim do filme e a pensar nisto e ocorreu-me “I’m just like that“. Bom, chamam o meu estilo (de escrita) de “acutilante (“1. que acutila; que fere. 2. agudo; incisivo; penetrante”). É algo que não se verifica fora das interacções escritas, e nestas surgiu e desenvolveu-se já tarde, na faculdade, onde participava activamente no fórum global da mesma (aqui uma pessoa especial não usou “acutilante”, mas «não-demagógico, “articulado” e honesto intelectualmente»). Não sou capaz de transferir a acutilância para as interacções conversacionais presenciais, embora talvez com o crescimento e amadurecimento isso venha a ser uma evolução natural. Por agora, continuo tímida e reservada na maior parte dos contextos.

O estilo “acutilante” não é granjeador de muitos amigos ou grandes negócios. Pessoalmente não tenho problemas com isso, não sou pessoa de muitos amigos e não estou interessada em grandes negócios. Mas à medida em que me envolvo em causas maiores que eu, pergunto-me como gerir isto. Como usar a diplomacia e a estratégia política para conseguir os meus objectivos, sem comprometer a minha liberdade de crítica nem deixar de exercê-la. Sinto-me uma miúda nisto, verde…

As pessoas têm que estar sempre a pensar se podem ou devem criticar determinadas coisas, entidades, pessoas. Talvez sejam suas clientes, talvez possam vir a ser, talvez tenham o poder de lhes tirar o emprego ou afastar clientes. Etc. É uma grande ginástica mental, porque há muita gente em cujas más graças não nos convém cair, e muitas em cujas boas graças nos queremos manter. E assim vamos andando, business as usual, a gerir a clientela. Não me dou bem com este estado de coisas. Não promove a evolução, a inovação, a transparência, a justiça, a liberdade. Como viver e vingar nesta cultura sem passar fome e sem ser um outcast socialmente? Descobrirei ao longo dos anos, desconfio…

Ontem vi o Australia, e realmente «Just because it is, doesn’t mean it should be

OK, chega de divagações filosóficas, sexo dos anjos, etc. Over and out. :-)

Instruction Manual for Life

Sweet!

Richard Dawkins: An atheist’s call to arms

Enquanto dou uma volta ao escritório, uncluttering, sorting, “taskfying”, prioritizing, etc, vou ouvindo mais uma TEDTalk. Aqui está uma essencial:

Atheists against bullshit

Achei isto uma óptima ideia. Felizmente que este nível de marketing religioso ainda não chegou a Portugal. Bom, fora talvez a IURD e outras seitas menores do género…

O Richard Dawkins é um dos meus “heróis”. :-)

Note to self: ver como me fazer sócia da Associação Ateísta Portuguesa (uma cena recente, já conhecem?).

A desilusão com os delírios dos tradutores…

Já estou habituada a constatar verdadeiros atentados em legendas de filmes, séries, talk shows, etc. Mas ver uma coisa destas na capa de um livro deste calibre é sempre inesperado…

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Realmente, fica tão parecido que é tentador, mas “The God Delusion” não significa “A Desilusão de Deus”. Estive mesmo, mesmo quase a comprar este livro no outro dia, na FNAC, mas queria a versão original, acho até que era uma versão “de bolso”. Queria a original porque não confio nas traduções e não queria perder o sentido do que o autor diz. Com uma capa destas nem dei hipótese à versão portuguesa. Só não comprei porque compro livros por impulso, adoro ler, adoro livros, mas a velocidade a que os acumulo ultrapassa em muito a velocidade a que os leio. :-P Daquela vez consegui conter-me. ;-) Mas hei-de lê-lo, um dia… :-P