How to be alone

Vi agora este vídeo sobre como estar sozinho, e quero partilhá-lo:

Sempre gostei de estar sozinha. Entretida com os meus pensamentos, com os meus livros e leituras, com os meus filmes, com a minha música, com a minha escrita. Para mim estar sozinha nunca foi sinónimo de solidão, aliás, nos meus maiores momentos de solidão estava rodeada de gente.

Society is afraid of alonedom, like lonely hearts are wasting away in basements, like people must have problems if, after a while, nobody is dating them. but lonely is a freedom that breaths easy and weightless and lonely is healing if you make it.
(…)
Cuz if you’re happy in your head than solitude is blessed and alone is okay.

Mas a sociedade promove uma ideia negativa do estar sozinho. Como se fosse sempre resultado de um falhanço social, ou no extremo oposto, um acto antissocial. Há sempre a pressão de “estar com pessoas”, nem que tenhamos que criá-las de propósito (filhos). De partilhar experiências, de ver e ser visto. Quem não quer pagar o preço de todas essas coisas é mal visto.

Estar sozinha para mim é como dormir, é o que nos permite manter o equilíbrio. Há pessoas que só precisam de dormir 5 horas por dia, outras 8, algumas 12h. Eu sou a das 12h.

As interacções sociais são difíceis, principalmente quando nos propomos a desenvolvê-las sóbrios e sendo nós próprios. Ler as pessoas, conhecer e conseguir cumprir os diferentes protocolos sociais, gerir interesses e expectativas, etc, é stressante e cansativo, e é difícil passar desse ponto da relação se não passamos assim tanto tempo e não partilhamos assim tanta coisa com determinada pessoa. Por isso é tão difícil fazer amigos depois de sairmos da escola.

Estarmos sozinhos é estarmos connosco próprios e isso é um luxo hoje em dia para a maior parte das pessoas, esmagadas entre as solicitações diárias profissionais, familiares e sociais.

Estar sozinho pode ser uma fase passageira ou uma escolha de longo-prazo, mas não tem que ser encarado como uma coisa má, é uma oportunidade de contemplação e de crescimento.

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7 respostas a How to be alone

  1. Google Chrome 8.0.552.231 Mac OS X 10.6.5

    Adorei ler.
    E quando quiseres ficar sozinha, eu faço-te companhia.

  2. andre diz:
    Google Chrome 5.0.375.70 Windows Vista

    Wow! Esse video e este post fizeram como que uma explosão na minha mente.

    Nunca tinha visto isto desta maneira.

    Sempre tive um medo de morte de estar sozinho e, agora que vejo, muito por causa dessa pressão da sociedade para se estar com alguém e daquela sensação de que não se está a aproveitar a vida e que, por isso, deveríamos de estar a fazer algo mais com alguém mais, ou então somos uns falhados sociais.

    E estar sozinho realmente é um luxo. Das poucas vezes que estou sozinho, nenhuma vez aproveito.

    Parabéns pelo post!

  3. Mozilla 2.0b8pre Linux

    @André: fico contente, e agradavelmente surpreendida, por esta perspectiva ter feito eco em alguém. 🙂 Também sinto constantemente essa pressão de ter que estar não sei bem onde, mas lá fora, com “alguém”, a “aproveitar a vida”. Mas nunca sei bem o que é suposto estar a fazer para “aproveitar a vida”. Porque muitas das vezes em que estava numa situação que pensaria encaixar-se nisso, estava aborrecida, e a sentir que estava a desperdiçar o meu tempo com coisas ou pessoas desinteressantes ou simplesmente inconsequentes. Acho que saber escolher aquilo com que ocupamos o nosso tempo sem ter complexos de culpa é um marco do nosso próprio crescimento e auto-conhecimento.

  4. Internet Explorer 8.0 Windows XP

    Uma pessoa completa tem muitas componentes, incluindo a solitária. Saber viver consigo próprio é fundamental para saber viver com os outros. Devemos ouvir todos, mas sobretudo o nosso interior. Para isso é preciso conversar com o pensamento, ausente fisicamente dos outros.

    Mas cara Ana, nunca está sózinha, porque está no coração daqueles que a querem bem. Com um abraço, e Votos de Bom Ano, MBrito.

  5. Mozilla 2.0b9pre Linux

    @Miguel: 🙂 Obrigada, bom 2011 para si também!

  6. Mozilla Firefox 3.6.13 Windows 7

    Belo post, belo vídeo!
    À mais de um ano e meio que vivo sozinho e realmente tanto o que dizes como o que é dito no vídeo é verdade.
    Boas pedaladas, na vida e na bicicleta!

    JM

  7. Carlos diz:
    Mozilla Firefox 3.6.13 Windows XP

    Por vias mais ou menos travessas vim ter a este blog e comecei a ler na diagonal quase sempre concordando com o que ia lendo. Mas estas palavras acerca e se estar sozinho chamaram-me a atenção, e achei muito interessante o tema e o video também está muito bom.
    Quantas vezes, em diversos momentos, as pessoas dizem “preciso de um tempo só para mim e para as minhas coisas”?.
    Estamos em crise, mas mesmo sendo pobres, há luxos que não há dinheiro que se possa pagar e que não custam um cêntimo.
    Quando ando a podar as minhas escaloneas, a remexer na terra com as mãos, a cortar a relva, ou simplesmente a olhar deslumbrado para os novos rebentos vermelho vivo da Persephone, a minha romãzeira, não há problemas não há nada, só tranquilidade e paz de espírito. Ou então quando ando feito puto a jogar à bola sozinho, qual foca a dar toques, algo que imagino que seja muito censurado pelos meus vizinhos, porque afinal há idades para tudo, e eu, segundo o b.i. já devia ter juízo à muito!
    A sociedade pressiona as pessoas para os padrões ditos normais, e quem se deixa pressionar não gosta de se sentir sozinho, ou melhor, não gosta de ser visto sozinho, diferente, ou como um encalhado.
    Só não concordei tanto quando diz que é muito difícil fazer amigos quando saímos da escola. Amigos são aqueles que escolhemos ao contrário por exemplo dos familiares – ok para quem acredita somos nós que antes de nascermos escolhemos os nossos pais mas isso é conversa de outro rosário! Mas família, colegas de escola ou depois colegas de trabalho não são aqueles que escolhemos, mas sim aqueles com quem somos obrigados a estar. Os amigos não, esses podemos escolher. Acontece é que a amizade dá muito trabalho e hoje em dia, como dizia o Júlio Machado Vaz na publicidade “as pessoas hoje em dia só querem saber em que botões mexer”. É tudo muito imediato, e por vezes as pessoas aproximam-se de nós com alguns interesses escondidos. Mas por mais más experiências que vamos tendo, e por mais anti-corpos que vamos criando devemos sempre manter a ilusão que haverá sempre por aí uma amizade à nossa espera só pelo simples facto de gostarem de nós pelo que somos e por mais nenhum motivo.

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