Chegou a minha versão 3.0

Today I turn 30.

Para mim, o período do pré-Natal até meio, final de Janeiro, é a altura mais deprimente do ano. Junta uma série de coisas que me fazem sentir mal comigo própria. Muitas datas festivas juntas – Natal, fim de ano, ano novo, aniversário, muitas obrigações e pressões sociais, muitos balanços, “ano em revista”, etc, etc. Sinto-me sempre particularmente falhada e helpless nestes dias.

Este 2010 foi um ano de mudança para mim. Fiz das tripas coração e atirei-me para a frente, pedi um empurrão e saí de casa dos meus pais (sempre disse que seria o cúmulo da deprimência ainda viver com os pais aos 30…) e arrendei a casa mais barata que encontrei no centro de Lisboa. Isto também de forma a poder – e passar a – dedicar-me apenas às actividades da minha empresa, uma oportunidade mas também uma responsabilidade imensa (tenho que fazer isto funcionar!). É angustiante este início, a incerteza, a precariedade, o contar os tostões, etc, mas as coisas hão-de se compôr e tudo há-de ter valido a pena e os cabelos brancos prematuros. Espero. 🙂

É bom ter a ‘nossa’ casa. 🙂 Sair do ninho até melhorou as relações familiares, estão menos asfixiadas pelo peso da convivência diária e da inter-dependência directa. Só lamento o fim das conversas espontâneas com a minha irmã, o bónus de se partilhar o mesmo tecto. Também é muito bom partilhar a casa com a cara-metade.  🙂 Somos uma autêntica cooperativa, uma unidade mesmo, partilhamos tudo, trabalho, espaço, casa, tempo. Ainda bem que nos damos mesmo bem. 😛

Gosto de viver em Lisboa. Posso ir a pé para qualquer lado. Tenho transportes públicos ao pé, metro a 10-15 min a pé, vou ao mercado municipal e ao supermercado a pé. Vou aos correios a pé. Vou à natação a pé (vou retomar amanhã, depois de mais de 6 meses de interregno, em nome da minha coluna escoliótica e de não deixar enferrujar demasiado a máquina). Vou ao jardim a pé. Vou à Baixa a pé. Tenho o centro de saúde também a uns 10 minutos a pé. Enfim. Nada a ver com viver em Porto Salvo, Oeiras. Chateia-me principalmente o trânsito (muito ruído e poluição), e o excesso de carros de um modo geral, nomeadamente no estacionamento abusivo. Chateia-me também as casas desabitadas e as lojas vazias – é um autêntico crime social e económico. E a má qualidade do espaço público de uma forma geral (fachadas sujas ou podres, passeios exíguos por desenho ou por ocupação irracional, passeios degradados, sujos e perigosos, etc).

Em 2010 comecei, finalmente, um tratamento hardcore para o acne. Acho que 20 anos desta merda já é suficiente, e se a droga pode ter efeitos secundários sérios, well, fuck, so does feeling ashamed of your own face. O médico diz que isto é coisa para durar mais de um ano, prefere assim, usando uma dosagem baixa. Também é fixe para ele, dá para mamar mais consultas de 15 ou 20 minutos a 80 € para, basicamente, constatar que está tudo bem e passar mais uma receita… A isotretinoína seca a pele e as mucosas, notei isso, embora não a um nível preocupante. Notei melhoras no acne, mas nada de transcendente e estou longe de estar satisfeita. Espero poder estar daqui a uns meses…

Estas duas coisas foram “os” marcos do ano. Bom, ter ido a dois congressos no estrangeiro, e sozinha, também foram coisas importantes a nível profissional e pessoal, mas não tão ‘brutais’. Habituei-me a não estabelecer metas nem a criar expectativas, para não me sentir pior quando não as consigo atingir, mas tenho sonhos, coisas mais difusas no espaço e no tempo, mas que me dão alento sem me pressionar. Para 2011 espero apenas conseguir consolidar um pouco a minha actividade profissional e, consequentemente, aumentar um pouco a minha estabilidade e desafogo pessoais. Claro que, para acreditar nisto não posso ver telejornais nem ler jornais, pois fico a sentir-me na merda, com tanto “doom’s day scenario“. :-/ Anyway, there’s no other way than ahead, so… here I go.

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2 respostas a Chegou a minha versão 3.0

  1. Mozilla Firefox 3.6.13 Mac OS X 10

    Desde já, parabéns 🙂 que daqui a mais 30 olhes para “agora” e te rias com as coisas 🙂

    Muita saúde pois sem ela nao fazemos nada (é o que toda a gente diz), quanto ao Acne, é um problema mas de certeza que resolves com este teu empenho… pior são os comilões dos médicos (80 Euros custa a dar!), aqui… é tudo gratuito.

    Em relação à força de saires de casas dos país, fizeste muito bem como já anteriormente te tinha dado as minhas felitações, é sempre bom partilhar o que é nosso com quem gostamos e não com a familia (digo por mim), mesmo que as coisas, por dias, não são também maravilhosas, há sempre opiniões contrárias 🙂

    Enquanto tiveste tu a força de sair de casa dos pais, eu saí mesmo do país, pois já andava triste (isto à 5 anos) e vim para aqui, sem nada nem ninguem, nem tão pouco falar a lingua, 8 meses depois, tinha mais aqui que os 28 anos que passei em Portugal, é fantástico e se fores de vez em quando ao meu blog, podes ver que as coisas cada vez andam melhores.

    isto para te dizer, que o primeiro passo é que é o mais assustador, mas depois, tudo vem por acréscimo, e com a nossa cara metade sempre ao nosso lado para o que der e vier, menos pensamos no que está para trás.

    Espero, apesar de não ter cara disso em relação à crise, que tenhas (e o B. tambem) um excelente 2011 e, não desistas das pequenas guerras e tem sempre os sonhos como objectivo… sem sonhos por concretizar, que andamos nós cá a fazer?

    🙂

  2. Mozilla 2.0b9pre Linux

    Obrigada pelos votos e pelo apoio, Bruno. 🙂

    A tua história é realmente inspiradora, mas roça o demasiado boa para ser verdade para toda a gente. Podes ser uma anomalia estatística positiva. 😉

    Já pensei em emigrar, sim, mas nunca mesmo a sério. Era mais uma ideia vaga, saída reforçada sempre que viajava para o estrangeiro (Alemanha. Suíça e Dinamarca, e até Espanha).

    Mas eu não quero ir viver para outro país.

    Sim, adoro viajar e gostaria de poder fazê-lo mais frequentemente e ter a oportunidade de passar mais tempo em cada sítio (tipo viver lá por 2 ou 3 meses), embora ache uma bênção poder simplesmente desfrutar de outras paragens em férias ou em “turismo profissional”.

    Mas aqui é a minha casa e eu não quero desistir dela, quero melhorá-la. Quero fazer uma diferença aqui. Quero ajudar a equilibrar as tantas coisas boas que nós temos contribuindo para minorar as outras tantas más. O meu alcance é muito diminuto mas não é insignificante, tem o significado do meu empenho total, da minha fé – que só não contagia quem estiver demasiado doente ou ainda não doente o suficiente – de que várias pequenas mudanças individuais “acessíveis” são capazes de mudar o mundo para muito melhor, quando adoptadas sistematicamente por muitas pessoas – e basta uma de cada vez.

    É difícil não acompanhar a tua história e não sentir uma inveja (saudável). 🙂 Parece um conto de fadas. Tiveste muita sorte – e também acredito que muita da nossa sorte somos nós que a fazemos, mas não toda – mas isso não acontecerá com todos os emigrantes. Além disso, do ponto de vista profissional, a tua escolha foi lógica. No meu caso, contudo, eu escolhi a minha actividade profissional como um meio de fazer a diferença, numa área que me dá um prazer pessoal e que acredito, e sei, que é necessário intervir. Mas é contextualizada, se tivesse continuado e seguido a área da química & biotecnologia teria feito todo o sentido pegar nas malas e partir, e talvez tivesse tentado fazê-lo.

    Enquanto acreditar que aquilo que faço aqui, e como o faço, importa, e conseguir viver dignamente disso (working hard on it…), ficarei por cá. 🙂

    Votos de continuação de sucesso pelas terras da Dinamarca!

    Cheers,

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