Não vou dizer “olhem, como basta a força de vontade e blá blá blá, e que um deficiente pode levar uma vida normal e blá blá blá”. Aquele discurso do coitadinho ao contrário. O que distingue o Paulo dos outros não é a sua deficiência. Porque senão todos os deficientes seriam desta “estirpe”. O que o distingue é a sua personalidade, em muito moldada pela sua educação e, claro, pela forma como ele e a família reagiram à deficiência. O Paulo não é um deficiente extraordinário, é uma pessoa extraordinária, quer tenha sido por causa da deficiência com que se confrontou, quer tivesse sido por quaisquer outras dificuldades com que ele pudesse ter sido confrontado ao longo da vida.
A talidomida é uma molécula quiral, é como as nossas mãos, há uma esquerda e outra direita, enantiómeros, são imagens de espelho uma da outra. O problema dos bebés da talidomida ocorreu porque a produção da molécula, usada na altura como um medicamento para os enjoos, originava misturas racémicas (mãos direitas e esquerdas tudo ao molho), e as moléculas não eram separadas para serem comercializadas como medicamentos… O problema surgiu porque a talidomida não foi contra-indicada às grávidas, que a tomavam para combater os enjoos matinais. Ora, a forma “mão esquerda” era um tranquilizante poderoso mas a forma “mão direita” era capaz de perturbar o desenvolvimento fetal, resultando em deficiências graves nos recém-nascidos. Ao não retirar o enantiómero “mau” e não indicar a contra-indicação para a toma do medicamento por grávidas, criou-se uma geração de bebés da talidomida…
A descriminação no emprego é algo que não compreendo, se o trabalho for “de secretária”, que diferença faz se a pessoa anda de cadeira-de-rodas ou não? A falta de acessibilidade e mobilidade destas pessoas é algo que eu não consigo perceber nem aceitar. É ultrajante. E pior ainda é ouvir as pessoas clamar pelo Estado, quando as pessoas, os cidadãos e as empresas têm responsabilidade nisto. Têm o poder de tomar a iniciativa de fazer as coisas bem, independentemente do Estado e das suas leis, Nós podemos fazer melhor do que a lei nos pede. Claro que dava jeito que as “autoridades” não nos cortassem as pernas nem dificultassem estas iniciativas. Tipo as Câmaras Municipais…
Mas quem faz isto a 30 % da população são os outros 70 %, nos seus cargos no Estado, em empresas grandes, pequenas e micro, e no seu dia-a-dia. Não nos iludamos, somos nós, primeiro que tudo, que perpetuamos esta vergonha. Nós, a nossa família, os nossos amigos. E é por aí que a mudança virá, se vier…
Telha Sol: prédio de 6 apartamentos - dois T2 e quatro T3 - em Leceia (Oeiras), com jardim e espaços comuns amplos. Os apartamentos, para venda, têm bons acabamentos, cozinha espaçosa e equipada, terraços e varandas convidativos, divisões amplas e desafogadas, com muita luz natural, e têm garagens individuais. Numa zona calma, com vista para o rio e para o campo.
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