Archive for December, 2008

Bicicultura

Nada como a slow season para pôr coisas a andar. :-)

Já está a funcionar o bicicultura.org. É um domínio que criei com o Bruno para “fazer coisas” no âmbito da mobilidade em bicicleta, a título pessoal.

A primeira cena a rolar foi o Planeta Bicicultura, um agregador de blogs. A ideia é reunir num só local posts relacionados com bicicletas (coisas do dia-a-dia, rants, novidades, whatever), na vertente não-desportiva. Tipo, imaginem que curtem acompanhar as minhas deambulações ciclísticas, mas que não estão para aturar as minhas rants políticas e pessoais além desse tema. Podem optar por seguir apenas o Planeta (visitando o site ou subscrevendo a feed), onde estou agregada, pois os posts que lá aparecem são seleccionados com a tag “bicicultura” aplicada no blog original. Assim, mesmo que alguém tenha um blog que não aborde exclusivamente o tópico da mobilidade em bicicleta, pode contribuir apenas com os posts que escreve nesse âmbito. O agregador visa criar uma fonte mais regular de conteúdo nesta área, visto que ainda somos poucos nesta “scene” a blogar, e muitas vezes com pouca regularidade. Assim, há um site que está sempre a mexer. :-)

Entretanto surgiu a cena da desconferência, que chamámos de BiciCamp, inspirado no BarCamp. E alojámos o wiki do evento no Bicicultura.

Outra ideia entretanto implementada é uma lista de e-mail, Conversas da Bicicultura. A ideia é ter um espaço onde possamos partilhar experiências, opiniões, novidades, com espaço para discussões políticas e filosóficas sobre o tema da mobilidade em bicicleta e tópicos associados. Os off-topics não são encarados como pecados capitais desde que de algum modo relacionados com este tema, mesmo que indirectamente (ex.: planeamento urbano, modos suaves, restrição ao uso do automóvel, etc). A ideia surgiu da experiência da lista da MC, cujas discussões animadas por vezes afastam pessoas da lista e da própria MC, o que é indesejável. Assim, quem subscrever esta nova lista é mesmo porque quer manter-se informado e está aberto à troca de ideias, à discussão alargada destes temas.

Uma vantagem do Bicicultura.org é que pode ser usado como “chapéu” sob o qual incubar e desenvolver iniciativas e projectos nesta área. Em vez de sermos referidos como “pessoas da MC”, algo que é usual, podemos usar outro nome, mantendo intacto o espírito e natureza originais da MC, evitando afastar pessoas da mesma por não se interessarem por estas discussões ou posições e intervenções políticas.

Massa Crítica natalícia

Foi ontem. Em Portugal houve no Porto, em Coimbra e em Lisboa.

A descer a Av. da Liberdade

Partimos do Marquês por volta das 18h45 (nessa altura alguém contou 35 pessoas). Desde o início contámos com a companhia da jornalista Carla Castelo e de um cameraman (não apanhei o nome), que participaram na MC até à chegada ao Rossio.

A Carla Castelo ia entrevistando o Miguel

A ideia penso que era arranjar footage para uma reportagem a emitir daqui a uns tempos, cujo mote foi a petição do João Branco pela inclusão das bicicletas na possibilidade oferecida pelo Governo de deduzir despesas com veículos não poluentes ou eléctricos no IRS. O cameraman era um “ganda maluco”, com a câmera ao ombro, a pedalar sem luzes nem reflectores (quase?), em contramão, etc. Não sei como não houve nenhum acidente. :-P Ainda chegou a tentar uma alternativa, ir à boleia do Bruno, sentado no Snapdeck da Xtracycle.

Cameraman à boleia na Xtracycle do Bruno

Infelizmente não tínhamos connosco os Footsies nem o guiador extra, teriam dado jeito. :-)

Descemos a Av. da Liberdade, e seguimos pela R. do Ouro (?), depois virámos à esquerda e voltámos para cima, onde parámos um bocado na Praça da Figueira, e alguém tirou umas fotos do grupo. Depois arrancámos de novo e percorremos a Av. Almirante Reis até cá acima a uma rotunda, na Praça do Areeiro. Aí tirámos mais umas fotos e arrumámos as 25 bicicletas + 1 triciclo lado a lado para ver o espaço que ocupavam:

26 veículos unipessoais no espaço ocupado por menos de 2 veículos automóveis penta-pessoais

Menos de 2 carros de 5 pessoas. :-)

Houve um jogger que acompanhou a filha de 7 anos que seguiu de bicicleta, a partir da Praça da Figueira. E mais outra jovem participante de 8 anos, acompanhada pela mãe, que fez toda a Bicicletada. :-)

Numa volta à tal rotunda do final, um carro da polícia abordou as pessoas que seguiam à frente, disse que tinham recebido uma chamada de alguém a dizer que “havia bicicletas a circular na via pública” e que tiveram que ir ver o que se passava. A minha resposta óbvia seria “so what, é lá que elas devem circular”. Os agentes disseram depois que tinham que ver se estavam todos sinalizados, e perguntou pelos coletes (ao que um participante respondeu que não eram obrigatórios). Será que se eu ligar cada vez que encontro um carro estacionado no passeio e noutros locais ilegais eles vão ver o que se passa?…

O resto das fotos aqui.

Cicloficina & BiciCamp

Cicloficina de Lisboa (Dez '08)Hooray! Foi muito fixe! :-)

A conjugação espaço-temporal do BiciCamp com a Cicloficina ajudou a dinamizar esta última, acolhendo as pessoas à medida que iam chegando, e servindo de antecâmara para a desconferência. Podem ler um relato desta segunda e última sessão de 2008 no blog do projecto.

Foi giro estar pessoalmente com algumas pessoas que nos habituamos a encontrar em listas de e-mail, rever pessoas que vimos anteriormente em Bicicletadas, consolidar algumas associações nome-rosto, ver pessoas novas a aparecer… :-)

Podem espreitar algumas fotos que tirei durante a Cicloficina, disponíveis aqui.

Foi uma oportunidade de distribuir alguns autocolantes “menos um carro” que o Bruno tinha mandado fazer depois de se falar nisso na lista da MC, aqui há uns tempos atrás.

Cicloficina de Lisboa (Dez '08)

O Gugas, o mais novo participante destes dois eventos, encarregou-se de colocar um nas costas da sua cadeirinha, na bicicleta do pai. :-)

Cicloficina de Lisboa (Dez '08) Cicloficina de Lisboa (Dez '08)

Cicloficina de Lisboa (Dez '08) Cicloficina de Lisboa (Dez '08)

O BiciCamp começou cerca de 45 min mais tarde do que o previsto. Tal teve a ver com o facto de a Cicloficina se ter arrastado um pouco mais também (as pessoas chegavam para a desconferência e no meio da conversa, ah, já agora, via-se este problemazito aqui ou ali), e com o facto de termos a cave, além do corredor de entrada, ocupados com sacos de lixo de um evento qualquer anterior. :-( Era aí que prevíamos conseguir arrumar algumas das bicicletas dos participantes, pelo que gerir a situação foi mais moroso do que o inicialmente planeado. O Ricardo foi quem cuidou destas questões de logística e de comunicação com a Crew Hassan, além de também ajudar na Cicloficina. Outro problema foi lanchar, esperávamos ter o bar aberto pelas 17h mas foi só mais tarde, pelo que alguns de nós fomos comer qualquer coisa a um café em frente (temos pena, mas sem comida no estômago, não há banana para ninguém).

Acho que na próxima edição nada disto se repetirá, aquele dia foi “anormal” na Crew Hassan, por causa do evento Natal Social que decorreu também nessa noite, e a experiência desta primeira desconferência também permitirá melhorar as subsequentes.

Tirei poucas fotos, e ficaram mázinhas, mas é o que se arranja. Estão aqui.

1º BiciCamp em Lisboa 1º BiciCamp em Lisboa

Durante a Cicloficina, e durante o BiciCamp, senti-me mesmo contente com aquilo. Uma sensação de comunidade que só me lembro de sentir no “Um dia por Lisboa” a que assisti há tempos. :-)

Quanto ao tema que propus, o Código da Estrada, não tive oportunidade de apresentar e discutir com os aderentes ao grupo mais que 20-25 % do mesmo, nem deu para aquecer :-P, mas valeu a pena pelo input mesmo assim. Espero continuar na próxima desconferência, porque interessa-me obter feedback de outras pessoas, e ter acesso a diferentes perspectivas para afinar as minhas impressões e opiniões, e consolidar um conjunto de propostas de alteração ao CE.

Gostei do formato da desconferência. Fiz a minha apresentação com um slideshow a passar no portátil, apoiado numa cadeira ao meu lado, que me ia indicando o caminho e que servia de apoio ao que eu ia dizendo, mas diferiu de uma apresentação convencional porque a conversa ia fluindo, em vez de ser relegada para o final. A consequência foi que muito ficou por apresentar, mas o mais importante é que aquilo que foi apresentado foi discutido e não ficou “para a próxima”. Gostei do contexto, com todos sentados no chão em roda, ao mesmo nível e próximos como numa conversa de coffee break. Apesar da timidez e inibição social que me são intrínsecas e com as quais me debato sempre em situações destas, aquele contexto permitiu-me sentir-me à vontade e não-intimidada. :-) Algo que não aconteceria num evento mais convencional.

Estou muito contente por termos arriscado o formato da desconferência, por termos avançado com o evento mesmo on short notice, e estou ainda mais contente por ter visto interesse por parte de tantas pessoas. :-) Vamos ver se conseguimos ir mantendo as coisas a mexer e a avançar! ;-)

Fomos para Lx de bicicleta (com boleia do comboio entre Paço de Arcos e o Cais do Sodré), onde as Xtracycle deram um jeitão para transportar o quadro branco, o flipchart, as ferramentas, etc, para a Cicloficina e para a desconferência.

A caminho da Cicloficina & BiciCamp

Apanhámos o comboio de volta à meia-noite, depois de jantarmos e darmos mais dois dedos de conversa na Crew Hassan. Pedalar de volta para casa, àquela hora, foi fixe. Já sabem que adoro pedalar de noite, é uma paz, foi o final de dia perfeito. :-)

A discussão dos Temas do 1º BiciCamp continua no wiki, que foi entretanto ligeiramente reformulado para evoluir com o desenrolar dos acontecimentos. E a 2ª edição está já prevista para dia 18 de Janeiro, também a seguir à Cicloficina, e prevê-se que seja uma continuação da 1ª, com os mesmos temas, provavelmente.

Lugares para bikes nos parques sub dos CC

Há várias questões a ponderar ao implementar uma infraestrutura de estacionamento de bicicletas. É por desconhecimento, negligência ou simples desvalorização dos utentes deste serviço que a oferta disponível (quando a há) é tão má. Aproveito algumas fotos que tirei em alguns grandes centros comerciais privados com lugares de estacionamento para bicicletas no parque subterrâneo/coberto, para apontar algumas questões básicas. Quanto às racks, há várias coisas a considerar, mas vou só abordar as mais imediatas, até porque não tive a oportunidade de as testar convenientemente:

Oeiras Parque

Sinalização do parque de estacionamento do Oeiras Parque Sinalização do parque de estacionamento do Oeiras Parque

Parque de estacionamento para bicicletas no Oeiras Parque Parque de estacionamento para bicicletas no Oeiras Parque

Parque de estacionamento para bicicletas no Oeiras Parque Parque de estacionamento para bicicletas no Oeiras Parque

Parque de estacionamento para bicicletas no Oeiras Parque Parque de estacionamento para bicicletas no Oeiras Parque

Sinalização de acesso: não-específica
Sinalização de identificação: boa
Tarifa: gratuito
Iluminação: insuficiente
Localização: acessibilidade - não avaliada; segurança: videovigilância mas sem luz, longe de zonas de passagem, facilmente visível e acessível da rua
Racks: não permitem prender o quadro com um U-lock, 1 só ponto de apoio, (distância entre slots não avaliada). A substituir, transferindo estas para outro estacionamento (a criar) à superfície, mesmo junto à porta principal e/ou do Continente. É aqui que costumo estacionar, e não sou a única.

Pre-loading snapshotTcharan! E somos dois! :-)

Divulgação: não são discriminados os lugares de estacionamento para bicicletas (nem para motos) no site. Nada fora ou dentro do centro comercial publicita as infraestruturas de estacionamento para bicicletas.

Colombo

Sítio para bicicletas no Parque de Estacionamento do C.C. Colombo

Sinalização de acesso: não-específica
Sinalização de identificação: inexistente
Tarifa: gratuito
Iluminação:boa
Localização: acessibilidade - não avaliada; segurança: não avaliada
Racks: não permitem prender o quadro com um U-lock, 1 só ponto de apoio, tipo dobra-rodas, (distância entre slots não avaliada). A substituir, transferindo estas para outro estacionamento (a criar) à superfície, junto às portas secundárias, para apoio às lojas e serviços virados para a rua (estacionamento de curta-duração e/ou sob vigilância directa do ciclista).
Divulgação: não são mencionados os lugares de estacionamento para bicicletas (nem para motos, nem para carros) no site. Nada fora ou dentro do centro comercial publicita as infraestruturas de estacionamento para bicicletas.

Alegro

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Sinalização de acesso: não-específica
Sinalização de identificação: boa
Tarifa: gratuito
Iluminação:boa
Localização: acessibilidade - boa; segurança: boa (mas melhorável)
Racks: não permitem prender o quadro com um U-lock, 1 só ponto de apoio, tipo dobra-rodas, (distância entre slots não avaliada). A substituir, transferindo estas para outro estacionamento (a criar) à superfície, junto às portas de entrada (? não conheço assim tão bem este CC) (estacionamento de curta-duração e/ou sob vigilância directa do ciclista).
Divulgação: não são mencionados os lugares de estacionamento para bicicletas (nem para motos, nem para carros) no site. Nada fora ou dentro do centro comercial publicita as infraestruturas de estacionamento para bicicletas.

Amoreiras

Ver este post.

Carsharing acessível a nível nacional em Portugal

Para quando?…

O da Carris não me serve, pois vivo em Oeiras (e além disso parece que tem videovigilância no interior dos carros, o que não me parece aceitável). Agora ia lançada a pensar que a Hertz ia ter carsharing também, mas afinal é só em Paris, Londres e Nova Iorque. Not so global afterall… :-(

A esperança é a última a morrer, I guess.

Os amanhãs fazem-se hoje

É uma das minhas máximas.

Lembram-se da cena das Amoreiras?

Há tempos fomos para aquelas bandas, de bicicleta, à procura da famigerada Byblos (entretanto falida). Pensava que era mesmo nas Amoreiras, mas afinal era mais abaixo. Aproveitámos a oportunidade para ver os tais novos lugares para bicicletas que a senhora anunciou.

Primeira hesitação: à entrada do parque de estacionamento subterrâneo nada indicava que havia lugares disponíveis para bicicletas, nem qual o acesso aos mesmos. Tinha cancelas, e estava sinalizado proibindo a circulação de peões (que é o que somos com a bicicleta pela mão). O Bruno ficou cá fora e eu desci a pé e fui perguntar. Lá descobri aquilo, voltei, e voltámos a entrar, com as bicicletas.

A localização está óptima, a seguir às motas, mesmo debaixo do nariz do segurança, boa iluminação.

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E a zona está sinalizada.

imgp5748.jpg

Contudo os suportes são maus. Não suportam bem a roda, estão muito próximos uns dos outros (os guiadores entram em conflito em bicicletas arrumadas em slots consecutivas) e não permitem prender o quadro.

imgp5747.jpg

O que fizemos foi estacionar as 2 bicicletas lado a lado e fora das slots (ambas têm apoio de descanso), e prendê-las (com autorização do segurança) com o U lock a uma grade que ali estava mesmo a jeito.

Recomendações a fazer a seguir:

Sinalizar acessos para ciclistas. Indicar lotação e tarifas (neste caso, gratuito). Substituir racks. Referir a oferta de bike racks na secção relevante no site do centro comercial.

Mais algum activista de sofá por aí? É tipo estafetas. :-P

Como transportar um puto numa bicicleta dobrável

Opção 1, sentado na rack traseira:

Kid transport option 1

Opção 2, ao colo, apoiado com os pés no quadro:

Kid transport option 2

Outra alternativa aqui.

Opção 3, em pé sobre a rack traseira:

Kid transport option 3

Nenhuma é legal segundo o nosso Código da Estrada, mas isso não é relevante para o caso. :-P

Proibido sentar

Um exemplo de medidas anti-sentar, na Baixa:

Anti-sit devices

Na 2ª-feira fui com o Bruno dar uma volta ao Parque de estacionamento das Nações, ver a Rita Red Shoes no Casino (saímos na 4ª ou 5ª canção, porque não tolero o fumo do tabaco omnipresente).

Concerto da Rita Redshoes no Casino de Lisboa

A shame, really… Ainda nem tinha cantado a minha canção favorita.

Antes disso, entrámos no Vasco da Gama para usar a casa-de-banho e jantar (a oferta lá fora não era apelativa, muitos estavam fechados de qualquer maneira). Estava o Bruno à minha espera quando um outro rapaz também à espera se sentou no chão, encostado à parede. Veio um segurança dizer-lhe para se levantar porque aquilo era contra as regras.

Noutro episódio há tempos aconteceu o mesmo com um casal sentado nos sofás, acho que dessa vez era no Colombo. Ela estava sentada sobre os joelhos, ao colo, dele, e o segurança disse que os sofás eram individuais… Eles não estavam na marmelada, diga-se de passagem, apenas “inocentemente” sentados.

Qualquer dia dizem-nos que andar lá de mãos dadas ou metermo-nos em manifestações públicas de carinho é contra as regras.

No Casino não se pode entrar de chapéu, por exemplo…

Foda-se, alguém nos salve desta privatização do espaço público? Aliás, desta espaço-publicação do privado? Trocamos a liberdade pela segurança e o conforto. Sounds familiar? Há que tornar o verdadeiro espaço público limpo, seguro, confortável, com casas-de-banho, sombra, bancos, luz, bom piso, acessível… A escolha assim é desigual, isto é concorrência desleal com a “rua” verdadeira.

Nota: o Parque das Nações está um horror, com o barulho e fumo dos carros, tipos a andar a abrir por aquele empedrado, carros estacionados por todos o lado, mal abrem uma faixa ao trânsito, uma das vias passa automaticamente a estacionamento. E não há ninguém com tomates para dar dois murros na mesa e parar com esta merda?… Era esta a cidade imaginada?…

Tertúlia da Bicicleta 2008

Houve uma em 2006 (Junho), outra em 2007 (também em Junho). Com tanto por discutir não podíamos deixar acabar 2008 sem nova edição. :-) Já vai no fim do ano, no próximo domingo, dia 21, dia de Cicloficina e 5 dias antes da última Massa Crítica de 2008, mas ainda vai! :-P

logo BiciCamp

1ª desconferência em Lisboa sobre mobilidade em bicicleta

O objectivo deste evento é: reunir num só lugar e em tempo real vários interessados na promoção e defesa da mobilidade em bicicleta, para que possam partilhar conhecimentos, experiências e pontos de vista, com o objectivo de chegar a consensos e/ou opiniões
mais sólidas sobre diferentes questões relativas aos ciclistas, servindo de base para esforços de lobbying, comunicação e cidadania activa.

Há um wiki preparado e que pretende acolher os interessados em participar na desconferência, e servir de suporte de colaboração e preparação do evento: http://bicicultura.org/bicicamp. O wiki é de livre e simples acesso, não exige registo para permitir editar a página.

»»»» Este formato (desconferência) é uma experiência nova, o espaço disponível pode ser um problema, não fazemos ideia quantas pessoas aparecerão. Claro que gostaríamos muito que colaborassem / se inscrevessem no wiki mas não é preciso que o façam para aparecer. As inscrições nos grupos de discussão permanecerão sempre abertas (até é possível alguém mudar de grupo a meio da discussão).

»»»» A ausência de uma estrutura rígida em termos de programa ou organização, das hierarquias tradicionais e do formato mais comum de comunicações em que um orador apresenta um tema e há uma audiência que se limita a pouco mais do que receber o input, pode ser algo desconcertante. Sorrindo Mas ao mesmo tempo uma lufada de ar fresco, uma oportunidade. Não há nada a perder mas muito a ganhar, e no processo podemos divertir-nos um pouco e experimentar novos processos sociais. :-)

Como participar na desconferência?

Tem alguma questão, relacionada com o objectivo deste evento, que gostaria de apresentar a, ou debater com, outros ciclistas? Veja mais abaixo se já há um tema proposto que englobe essa questão. Se houver, registe o seu nome na lista de “aderentes”. Se ninguém tiver ainda proposto esse tema, acrescente-o à lista no papel de proponente.

Quem não tiver um tema a propôr, pode juntar-se ao grupo do tema que mais lhe interessa discutir, como aderente. Nesse caso, registe o seu nome na lista de “aderentes” do Tema respectivo.

Qualquer participante pode depois mencionar os pontos que gostaria de ver abordados na discussão do tema em que se registou.

Se não houver aderentes a um determinado Tema proposto, o proponente do mesmo deverá juntar-se como aderente a outro grupo cujo Tema lhe interesse.

Como funciona a desconferência?

Discrição sumária: A desconferência inicia-se com todos ao mesmo nível em roda na sala grande. Um facilitador explica o procedimento:

a) Qualquer pessoa pode propor um tema escrevendo num papel de cenário na parede (ou/e usando o tal wiki, em preparação e antecipação do dia do evento)
b) Quem não propuser um Tema (a maioria) pode escolher um ao qual se juntar. Quem propuser um Tema que não tenha adesão terá que se juntar a outro.
c) Os grupos separam-se por temas durante um determinado tempo (uma hora? 1/2 hora?)
d) Os grupos depois de discutirem em separado voltam à sala grande resumir o que discutiram e as conclusões que chegaram com todos.
e) voltar a a)

Informações práticas

Local: Crew Hassan (Rua das Portas de Santo Antão, 159 - uma sala no 3º andar, Lisboa)
Dia: 21 de Dezembro de 2008, Domingo
Hora: Início às 17h. Termina quando a discussão acabar ou quando os participantes dispersarem - temos a sala garantida até às 21h.
Nota: Imediatamente antes, entre as 14h30 e as 16h30 decorrerá na cave / R/C da Crew Hassan a 2ª Cicloficina de 2008!
Jantar: O bar/cozinha da Crew Hassan estará aberto e em funcionamento.

NOTA IMPORTANTE: No mesmo dia decorrerá na Crew Hassan o “Natal Social” (começa esta 5ª-feira dia 18 e termina na 4ª-feira dia 24), e a desconferência foi integrada neste evento, pelo que será requerido o pagamento da entrada na Crew Hassan nesse dia, mesmo para as pessoas que só planeiam ir participar na desconferência. É apenas “1 € ou roupa, comida, brinquedos, material escolar”.

A desconferência não é um evento ao qual se vá assistir, requer participação activa. Partilhar opiniões, colocar questões, interagir.

Temas de conversa e discussão já propostos

TEMA 1 - Psicanálise ao Código da Estrada
TEMA 2 - A bicicleta e os incentivos fiscais no OE2009
TEMA 3 - Propostas pró-bicicleta no OP de Lisboa
TEMA 4 - Nova associação : ciclistas, modos suaves,…?

Os interessados em participar só têm que “estudar” um tema, propô-lo, e/ou juntarem-se ao grupo de um tema já proposto.

No wiki podemos ir listando tópicos que gostaríamos de abordar dentro de cada tema, fazer comentários, sugestões, alinhavar a composição dos grupos/temas (pode-se mudar de ideias! :-) ), etc. Preparar a discussão no dia do evento, no fundo.

Só falta 1 semana!!!

Mais info no wiki: http://bicicultura.org/bicicamp

Participem! :-)

Working

O Google começou numa garagem. :-) E outros exemplos não faltam. Por isso achei deliciosos estes pequenos vídeos com empreendedores, os bastidores, o início, os desenvolvimentos e progressos, as motivações, a falta de dinheiro, a filosofia… Em Portugal o arriscar e tentar, e em algumas tentativas falhar, o começar pequeno e modesto, é mal visto. Quem é bom e bem-sucedido começa logo em grande. Ainda não tem clientes mas já se endividou para poder andar de BMW da empresa. Nos EUA a iniciativa e as experiências de falhanço são valorizadas, é o que dizem. A pessoa é mais rica porque passou por aquilo, é mais sábia, está mais preparada para outros desafios. Faz sentido independentemente do sítio onde se está. Por que não em Portugal? Somos dos povos com maior taxa de empreendedorismo empresarial, mas é o de sobrevivência, não o da paixão, dos sonhos, da criatividade ao serviço da inovação, da ambição…

Bom, I digress. :-)

Binas

O António Correia iniciou um projecto giro: Binas. Segundo ele, os objectivos desta “caderneta de cromos” «são despretenciosas: intensificar “a moda” das biclas para que sejam levadas a sério, e se possível fazer um cruzamento dos trajectos mais utilizados.» Na página diz:

Um registo dos que utilizam a bicicleta como meio de transporte na cidade, e os rostos de quem tem vontade em ver melhores condições para circular no dia-a-dia pelas suas próprias pernas.

Participem enviando as vossas fotos, juntamente com alguma info, tipo: nome, zona onde mais costumam circular de bicicleta, link para o vosso blog or something, um comentário qualquer que achem pertinente.

Ciclistas urbanos - “eles andem aí”!! :-)

Yours truly já lá está. :-P

Banquetes

Mais uma vergonha:

A Invesfer, uma participada da Refer que tem como missão ganhar dinheiro com os terrenos e imóveis que já não têm utilidade “tendo em vista libertar meios financeiros para a melhoria da infra-estrutura ferroviária”, acumulou dívidas de 48,9 milhões de euros.

Também não compreendo esta cena de uma empresa (pública?) criar outra empresa, que detém a 100%, para tratar de algo que a empresa-mãe deveria tratar: a gestão (incluindo compras e vendas) dos seus activos. É para arranjar mais cargos, e para criar mais “diversions” que permitam coisas destas: «a Invesfer vendeu em 2006 por um euro uma participação de 50 por cento no capital social da Espaços Seniores - Serviços de Continuidade de Cuidados de Saúde, SA, que havia sido adquirida um ano antes. O negócio traduziu-se num custo de 1,2 milhões de euros.»

Ou não, o mais certo é ser eu que não percebo nada de finanças, economia ou gestão…

Epá, as cadeirinhas são um logro?…

Hmm, isto é material muito interessante…

Parece um logro como os cintos de segurança nos carros, aparentemente. E com os capacetes para ciclistas e motociclistas?…

Esta é uma área que me desperta bastante interesse, a do risco, real e percepcionado, e as respostas pessoais e societais ao mesmo. Esta cena dos capacetes é algo cujo estudo ando há tempos a adiar por falta de tempo, mas que na crescente trend securitária batendo-se pelo uso (obrigatório) do capacete por ciclistas importa não descurar, porque haverá lobby para alterar as leis mais tarde ou mais cedo.

A propósito, uma cena mesmo insólita e… estúpida? Em Espanha, onde os ciclistas são obrigados a usar capacete, excepto em determinadas circunstâncias (tipo subidas), os ciclistas “profissionais” estão isentos desta obrigação. Hmmm… I see.

Richard Dawkins: An atheist’s call to arms

Enquanto dou uma volta ao escritório, uncluttering, sorting, “taskfying”, prioritizing, etc, vou ouvindo mais uma TEDTalk. Aqui está uma essencial: