Monthly Archive for Outubro, 2008

Pelos iluminados ou por todos?

Que tal pelo próprio, único e principal interessado?…

Citação (aos 60 minutos) do Presidente da Sociedade Portuguesa de Bioética, Rui Nunes, no Sociedade Civil de hoje (great show, by the way, verdadeiro serviço público):

Não podemos continuar a entender que os portugueses são crianças, que são irresponsáveis, que não conseguem apreender um conceito complexo como este. Claro que conseguem, claro que conseguem, todos os estudos de opinião o dizem. Nós fizémos um estudo alargado com pessoas internadas em lares de terceira idade e residências. Algumas pessoas mal sabiam escrever, mas todas percebiam o que estava em causa, portanto não vamos passar um atestado de menoridade aos portugueses e dizer que isto é só para as elites, para os iluminados, porque o comum dos cidadãos não percebe nada disto, não tem que perceber, e os iluminados é que vão decidir por todos nós.

Ora, não vamos pôr os “iluminados” a decidir por todos nós, vamos pôr os iluminados bem como todos os obscurecidos. A minha vida e os meus direitos fundamentais não devem ser decididos por um grupo de especialistas, isso era passar-me um atestado de menoridade. Não, justo e democrático é pôr os meus pares a mandar bitaites acerca disso e a decidir se eu posso dispôr de mim própria ou não… Especialistas, fundamentalistas religiosos, imbecis e génios, toda a gente a decidir reconhecer ou não um direito fundamental dos outros, mas sem direito a exercê-lo em si próprio, em sentido oposto, após o referendo. I see…


Promover uma reflexão e um debate nacional sobre a eutanásia é um dos propósitos do presidente da Associação Portuguesa de Bioética. Rui Nunes entende que um referendo nacional poderia ser uma forma de conseguir essa “reflexão crítica sobre a morte medicamente assistida na perspectiva ética, jurídica e social” e diz mesmo que pretende contribuir para um “debate plural na sociedade portuguesa”.

O especialista esclareceu que o parecer para o referendo trata, apenas, da eutanásia voluntária que consiste em “abreviar o momento da morte de alguém a seu pedido, firme e consciente, através da intervenção directa de um profissional de saúde” e que seria “eticamente inaceitável se o tema não fosse de consulta popular”.

Concordo que a sociedade precisa de discutir estas questões, as pessoas precisam de ser educadas e precisam de esgrimir os seus argumentos para formarem as suas opiniões. Mas não posso aceitar que se faça um referendo para obrigar a essa discussão.

Será que o fim da escravatura também foi referendado? Será que o sufrágio das mulheres foi sujeito a voto (lol)? Que direitos fundamentais foram reconhecidos por referendo?…

Quanto ao programa, que é “pluralista” (ver min 65), achei mal convidarem católicos, islâmicos, budistas e hindus a expressarem a sua filosofia de vida e as suas crenças religiosas e deixarem de parte os nossos amigos da IURD, os mórmons, os evangélicos, etc, etc, todas as seitas com filiais em solo português.

Eu pensava que quando alguém dá algo a outro alguém, essa “prenda” passa a pertencer ao presenteado. Mas isso não se aplica ao deus católico, que dá algo mas tecnicamente continua a controlar essa oferta. Ou seja, não dá nada. É como eu oferecer um livro à minha irmã agora pelo aniversário dela mas dizer-lhe que ela não pode dispôr do livro, só eu é que decido quando é que ela pode emprestar ou dar o livro a alguém. Segundo o padre Jerónimo Trigo (min 66) a vida é um dom que nos é dado por deus, e não é nosso para dele dispôrmos. Ora é dado mas não é nosso. I see… Os católicos gostam de se sentir umas marionetas, é o que sou levada a concluir…

Olhem, nem vou continuar a comentar as ideias do islão, do budismo,… epá, aquela cena do karma é lixada… Coitados se aquilo for tudo uma tanga e não houver karma nem reencarnação nem nada, terão sofrido para nada…

Meios desproporcionais de transporte

Acabei de dar um pulo ali ao Cascaishopping para me encontrar com um rapaz que me queria comprar 2 livros. O único meio de transporte disponível para tal salto-relâmpago às 9 da noite era o jipe Toyota Land Cruiser do meu pai (que é usado geralmente apenas para as idas à terrinha ou coisas similares).

Haverá coisa mais estúpida do que andar sozinha, eu, meia-leca de gente, num camião daqueles, vazio, sem passageiros, sem carga (os livros são uns calhamaços mas não justificam um jipe)?… Senti-me mesmo culpada. Quando tiver dinheiro para comprar um carro meu, comprarei… uma mota. :-P Mais à escala certa para este tipo de situações.

E andar com aquilo dentro de localidades? Credo, o peso da responsabilidade, ai se tiro uma lasca a alguma coisa, se atropelo alguém, que isto nem se vê bem o chão à frente…

E há gente que anda com tractores daqueles (em versão ainda menos rugged e mais luxuosa, os tais SUV) diariamente na cidade… Deviam ser presos.

“BBC Vida Selvagem” Casal da Choca way

O meu irmão encontrou isto aqui no quintal há dias:

imgp5727.jpgimgp5731.jpgimgp5730.jpgimgp5729.jpg

Looks cute. :-) Será prima desta?

Atheists against bullshit

Achei isto uma óptima ideia. Felizmente que este nível de marketing religioso ainda não chegou a Portugal. Bom, fora talvez a IURD e outras seitas menores do género…

O Richard Dawkins é um dos meus “heróis”. :-)

Note to self: ver como me fazer sócia da Associação Ateísta Portuguesa (uma cena recente, já conhecem?).