Em Espanha há a primeira unidade prisional do mundo (segundo eles) com celas para famílas. Personagens da Disney nas paredes, um berço, e um “recreio” para as crianças. A ideia é que os putos estabeleçam laços com os seus pais encarcerados enquanto são suficientemente pequenos para não serem afectados pelo meio circundante, e que os detidos que procuram uma reabilitação possam aprender a ser pais. A prisão fica a 40 km a Sul de Madrid e tem 36 células para famílias, mas só 16 estão ocupadas, a maioria com Latino-Americanos. As unidades desta secção especial F-1 são conhecidas no meio como “celas 5 estrelas”. Foto aqui.
Tropecei nuns comentários e “bati os olhos” num parágrafozinho por um tal de Rui Barbosa, que passo a citar:
A Patrícia diz: “o corpo é da mulher, a mulher é que está a sofrer MAIS NINGUÉM TEM NADA A VER COM ISSO, ELA É QUEM MANDA EM SI!“. Eu digo: O corpo é da mulher mas o ser que está lá dentro não é propriedade dela!
Esta frase: “O corpo é da mulher mas o ser que está lá dentro não é propriedade dela!” Querem coisa mais humilhante, inferiorizante, ofensiva, brutal, que isto? A mulher não tem direito de propriedade sobre o seu próprio corpo. Sim, enquanto gera uma nova pessoa, até esta estar pronta pra nascer faz parte do corpo da mulher. Vai para onde a mulher vai, “come” o que a mulher come, fuma o que a mulher fuma, tem as doenças que a mulher tiver e o estado emocional desta repercute-se no feto. Para todos os efeitos é uma mulher grávida que ali está, não uma mulher mais outra-pessoa-cujo-nome-ainda-não-se-sabe-ou-não-se-registou. Se o feto está DENTRO da mulher como pode este tipo dizer que não é “propriedade” dela? Quiçá paga-lhe renda, aluguer, prestação do crédito à habitação?! Não é propriedade dela para parar o seu desenvolvimento até se formar um novo ser, mas é para ter todos os comportamentos e mais algum lesivos desse novo ser em formação (álcool, drogas, tabaco, má alimentação, medicação contraindicada,…). Isto ninguém pensa em criminalizar. Ora se um aborto de uma gravidez incipiente é tido como um homicídio, um assassinato de um ser humano, de uma pessoa, então estes comportamentos durante a gravidez não deveriam ser considerados como maus tratos e negligência?… É melhor começarem a instaurar inspectores da barriga das mulheres. E da vagina, trompas, ovários, etc. Just in case.
Às vezes ao lanche apanho a Aliança Evangélica Portuguesa ou A Fé dos Homens a passar na 2:. Acho entretenimento. Os outros canais também não oferecem nada de jeito e assim sempre me vou relembrando e informando das fairy tales pelas quais se regem (ou fingem que regem) tantos milhares de pessoas. Às vezes é aborrecido, outras hilariante, muitas vezes tão hilariante que se torna motivo pra chorar. A Aliança Evangélica costuma ter uma rapariga a fazer entrevistas que parece que saiu do Canal da Meteorologia, está sempre a sorrir. Mas sempre. E sorriso rasgado mesmo. Independentemente do assunto. Hoje foi lá mais uma senhora falar do aborto e da gravidez e da “Vida” e de como é que é um “bebé” às 0, 1, 2, 3, …. 10, semanas, etc. Esta treta já enjoa. E os spots da campanha do referendo? Credo! Ouvir a Dr.ª Jerónima não-sei-das-quantas, o Marques Mendes, etc, etc. Aquilo até dá dó. E as músicas?! Christ!… Aquela americana dum rapper / hip hopper que passava sempre na Rádio Cidade já estava preparadinha… Embora não associasse à partida esta rádio com esta opção de voto, mas enfim…
«Uma entrevista ficcionada com o dr. NÃO. Apesar de o personagem ser de ficção, as respostas são todas reais e os seus autores devidamente identificados. Com os actores Cláudia Andrade e Gonçalo Amorim.»
Já vi muitos videos e fotos acerca da temática do aborto. Focam-se sempre na célula, embrião, feto, bebé, etc. O palco é a barriga da mulher mas esta fica nos bastidores, como se o útero não fosse o dela e não fosse ela. Este foi o primeiro que vi que aponta a câmara para a mulher e para o que a mulher passa e sofre. Arrepiante… Quem é que pode achar que um aborto “simplesmente por opção da mulher” é feito de ânimo leve? Alguém que faz coisas destas a si própria só pode estar totalmente desesperada, os motivos TÊM forçosamente que ser válidos, justificados, racionais. Ninguém se submete a tal sofrimento e risco, às sequelas físicas e psicológicas, e vai contra um instinto e reflexo tão primário como o da reprodução se o que estiver em jogo não for de suprema importância. Recear deixar a capacidade de decisão sobre a gravidez nas mãos da mulher é pôr em causa a sua inteligência, discernimento, juízo, integridade, e ética. É dizer que ela só serve para servir de incubadora acéfala, e as decisões da sua reprodução têm que ser tomadas por terceiros. É uma indignidade. A capacidade da mulher de gerar vida é uma responsabilidade imensa, o seu papel na reprodução humana é essencial (pelo menos por enquanto). A “Natureza” atribuiu-lhe este dom, e simultaneamente um fardo, com a responsabilidade que tal implica, e negar-lhe a liberdade de gerir essa responsabilidade, esse dom e esse fardo, de acordo com o seu melhor juízo é extirpar-lhe da sua balança o prato dos direitos, deixando apenas os deveres. Esquecendo, no entanto, que os deveres não se limitam ao gerar e deitar cá pra fora crianças. Os deveres implicam cuidar delas, amá-las, protegê-las, alimentá-las, educá-las, cuidar do seu desenvolvimento físico, emocional, intelectual, psíquico. Ao negar à mulher o direito a avaliar a sua capacidade de prover todos estes deveres à criança que começa a gerar, bem como às eventuais outras já a seu cargo, e agir em conformidade com a sua avaliação, os seus deveres como progenitora também são atacados e debilitados. E na respectiva avaliação, os direitos e deveres da mulher relativamente a si própria e à sua vida também têm que ter o seu lugar, para que haja sempre uma mulher-mãe e não apenas uma mãe.
«Dever de coabitação Comunhão de leito:
débito conjugal – limitação lícita à liberdade sexual (ter relações sexuais com cônjuge e não ter com terceiro) – violação: recusa sistemática, injustificada e prolongada (JDP)»
O casamento implica o cumprimento de “deveres conjugais” como as relações sexuais (”comunhão de leito”). A falta delas pode ser motivo para um divórcio. Mas a falta de amor, ou “o fim do amor” não é razão legítima para justificar um pedido de divórcio litigioso, à luz da nossa Lei. Tem que se alegar “divergências incompatíveis”.
Engraçado como a cola que permite às pessoas manterem-se juntas e felizes (muita gente permanece unida mas a contragosto, por motivos mais pragmáticos) não é tida nem achada no contrato de casamento. Mas o sexo é. Esta lei impede um casamento “aberto” do ponto de vista sexual, mas por omissão permite um casamento em que se ama várias outras pessoas mas não o cônjuge!
No passado dia 27 de Janeiro levei a minha afilhada (não se preocupem, continuo a ser 100 % ateia…) ao Dia Aberto no ITQB (algumas fotos aqui).
A I. achou engraçado.
Gostou especialmente da experiência de fazer células de plasticina. Estava muita gente e às vezes era difícil chegar à mesa da algumas das experiências montadas. É um sinal do sucesso da iniciativa.
Depois disso fomos passar a tarde na Biblioteca Municipal de Oeiras. Foi a primeira vez dela lá…. Ela gostou imenso. Ainda não sabe ler mas adorou andar a ver os livros, trouxe carradas para ler ao pé de mim, em vários turnos.
A ver se a consigo levar a mais sítios e mais frequentemente…
Agora descobri no site da FCT-UNL que eles estão a preparar uma iniciativa que promete, a ExpoFCT. Vai decorrer no dia 13 de Abril deste ano. Resta-nos aguardar por mais e mais definitivos pormenores. Mas acho que crianças de 7 anos devem ficar um bocado abaixo do limite de idade do público para este evento.
Ao deambular mais um pouco pelo novo site da FCT não posso deixar de ficar agradavelmente surpreendida. Está muito bom! Até já há fotos do campus e tudo. Mas vai mais longe. O e-learning, por exemplo. A reunião de tanta informação e recursos num só lugar e à distância de um clique, é mind blowing. Muito fixe.
Para assistir ao vivo às TED Talks temos que nos tornar membros da TED, o que não é fácil. Além da taxa bem puxada ($ 6.000) temos que ser de algum modo “excepcionais”. Resta-nos a nós meros mortais e ainda por cima $ 6000 short assistir a posteriori às ditas conferências (FELIZMENTE!) disponibilizadas online.
O tema das TED2008 já foi definido, serão “As grandes questões”:
* Who are We?
* What is our place in the Universe?
* What is Art?
* What is Love — and why are we so bad at it?
* What is Evil? — and how do we fight it?
* What are the most Gorgeous New Things being created in our world?
* Are we inadvertently creating New Forms of Life?
* What are today’s most significant Cultural Trends?
* What will the Future be like?
* What are the Problems I should be most worried about?
* Who will be the next President?
* What will be my Legacy?
Acho que não há outra coisa que me desse tanto gozo participar/assistir do que este evento. Férias em sítios paradisíacos, viagens, sei lá. I really get a kick out of listening to people and stuff like that. “Graças a Deus” pela internet.
Atraente, durável, confortável de pisar, quente e amigo do ambiente. Além disso é muito mais barato do que um chão de madeira, por exemplo. É um material pouco processado (menor poluição associada), mais fácil de obter e simples de reparar/substituir ou “deitar fora” (não cria lixo!), caso necessário.
Estes chãos podem dar problemas com rachaduras (saltos altos e pés das cadeiras podem causar deformações e brechas). Por isso há pessoas a tentar desenvolver receitas para fazer este tipo de chão que o tornem livre de rachaduras, sólido e de fácil manutenção.
Os benefícios térmicos são apelativos. A elevada densidade e baixa condutividade térmica dos materiais de terra torna-os “aparelhos” solares passivos, facilmente capturando e retendo o calor durante o dia e libertando-o à noite. (Claro que isto tem que estar conjugado com uma construção eficiente da casa, para a chão não apanhar a luz do sol directamente também no Verão! )
Outra boa ideia é substituir os cabides de plástico dos serviços de limpeza a seco por cabides 100 % feitos de papel reciclado. Ainda por cima pagam-se a si próprios com publicidade! São os EcoHangers.
Depois poderão ser novamente reciclados, sempre se evitam uns milhares de cabides de plástico nas lixeiras e aterros…
Finalmente, a solução para as minhas “preces”. Uma alternativa mais ecológica do que os talheres de plástico descartáveis e mais prática do que os de metal reutilizáveis mais tradicionais. Vêm aí os talheres comestíveis! Melhor, além de totalmente comestíveis, ainda são nutritivos! E com sabores, doce e salgado/picante, e diferentes cores. Já viram, acabar de comer a sopa e passar à colher e até mesmo à tigela? Eheheh! Muito fixe. Podem ler mais sobre a empresa (BK Edible Innovations) e os seus planos aqui. Aqui está disponível uma apresentação com algo tipo plano de negócios. Entretanto li no artigo que nuns restaurantes em Chicago os clientes podem ver e escolher a sua refeição do menu e depois… comê-lo, dado que é feito de papel de arroz com sabor a parmesão, e impresso com tinta de soja comestível! Buéda fixe, já estou mesmo a imaginar o restaurante do futuro. Já não é uma questão de “deixar o prato limpo”, faz-se uma “limpeza” à mesa toda! lol
Um video de ~15 min para vermos o paradigma da cidade autocêntrica “de fora”. É um filme alemão mas está dobrado em inglês (excepto os últimos 2 ou 3 min). Isto supostamente é em Munique em 1994. Entretanto, hoje em dia parece que Munique é das melhores cidades para circular de bicicleta! Mas será que o comportamento dos automobilistas continua a ser abusivo como antes? Ou seja, será um sítio bom para os ciclistas mas mau na mesma para peões, pessoas em cadeiras de rodas e com carrinhos de bebé, etc?…
Ao ver estas imagens só me lembro de Lisboa e outras cidades portuguesas. As pessoas são muito cegas e egoístas e este egocentrismo automóvel leva a que este possa literalmente obstruir, atropelar e destruir tudo inpunemente: caminhos, pessoas, jardins, passeios,…
Gostava de ter coragem para fazer como o Michael e passar por cima dos carros estacionados nos passeios e ciclovias…
[Agora tenho postado as coisas sobre bicicletas e mobilidade no outro blog, mas achei que este devia aparecer aqui também. ]
Violação? Temos pena. Se continuar a gravidez vai morrer ou ter graves problemas de saúde? É a vida. Não tem trabalho, já tem 6 filhos e não tem o que comer? Onde não comem 6 não comem 7. Gravidez ectópica? Azar o seu. Tem uma doença hereditária grave que não quer passar a um filho seu? Paciência, aguentem-se. Morreu-lhe um filho recentemente e não é capaz de ter outro agora? Não seja lamechas! Fetus in fetus? Esqueça! (A não ser que seja num homem, claro.) É uma criança de 10 anos que foi violada/abusada? Temos pena. Os 99 % de eficácia da pílula não foram suficientes? Azar, tivesse pensado nisso antes, quem a mandou fazer sexo?
Eu acho que só se deve praticar sexo quando se está preparado para lidar com as suas consequências (pelo que não acho aconselhável miúdos com menos de 15/16 anos se iniciarem tão cedo, até por razões de saúde). Consequências emocionais, de saúde (DSTs, “cistites de lua-de-mel” e todos esses percalços de iniciantes), gravidezes, implicações no futuro profissional e pessoal… Isso não quer dizer que, se uma mulher engravidar porque teve sexo consentâneo e o método contraceptivo falhou (ou mesmo que o casal tenha sido pouco cuidadoso com o mesmo) tenha que prosseguir com uma gravidez indesejada e indesejável “para aprender”, porque “devia ter pensado nisso antes”, porque “ninguém a mandou fazer sexo”. As pessoas devem ser responsabilizadas pelos seus actos, mas punir alguém com a obrigação de levar a termo uma gravidez e gerar um filho é aviltante.
Esta mulher obviamente terá uma perspectiva completamente alienada do sexo, da liberdade, e da maternidade e paternidade. Os seres humanos não fazem sexo para procriar. Fazem-no porque é bom. Faz-nos sentir fisicamente bem. E além disso tem um imenso poder de estabelecer laços de cumplicidade, intimidade e proximidade entre um casal. Oxitocina, anyone? Claro que é um truque biológico para nos levar a querer ou pelo menos não nos importarmos tanto com fazer sexo, e estar naquelas posições ridículas, e sujeitarmo-nos a doenças, lesões, etc, e assim poder perpetuar a espécie com maior sucesso (reprodução sexuada aumenta a diversidade genética, logo a capacidade de adaptação e sobrevivência de uma espécie). Os católicos hoje em dia nem deviam fazer sexo. Se ele só deve ser praticado com fins reprodutivos, para uma vida mais “santa” deviam todos fazer inseminação artificial, qual Virgem Maria. A ciência ao serviço da castidade.
Não consigo perceber as pessoas que defendem o Não neste referendo e que depois vêm dizer que as mulheres não deviam ir prá prisão. Mas que lei hipócrita seria essa? Se é crime, deve haver pena, não? Pior, se estas pessoas pensam mesmo que abortar uma gravidez no início é matar uma pessoa, como é que podem não defender uma pena similar à dos outros homicídios?! 25 anos. E uma pessoa que aborta espontaneamente? Já li e vi/ouvi sobre diversos estudos que indicam que há muitas gravidezes que se iniciam mas são abortadas muito precocemente sem a mulher sequer se aperceber que esteve grávida. De alguma forma o corpo feminino identifica e elimina fecundações inviáveis. Não serão então os abortos espontâneos mas involuntários homicídios por negligência ou homicídios involuntários? Prós defensores do Não talvez sejam. Também devia dar pena de prisão.
Sou contra o aborto. Toda a gente é. Sou pela vida. Toda a gente é. Mas acima de tudo sou pela liberdade de cada um ser pelo que quiser e viver a sua vida como entende e sente melhor. Até uma criança nascer ela e a mãe são a mesma pessoa. Ela é tão “vida” como qualquer órgão ou célula da mãe. Só existe porque faz parte de algo maior. Só quando o processo de gerar uma nova pessoa tiver terminado é que a criança nascerá, com uma capacidade de vida auto-sustentada. Só depois de nascer passa a ser uma pessoa (e uma “vida”) individualizada e independente da mãe. Ser independente da mãe é totalmente diferente de ser independente per se. A partir do nascimento ela pode ser cuidada por qualquer outra pessoa a tal disposta. É óbvio que só posso ser contra um aborto aos 6 meses ou depois. Já é possível um feto viável a partir das 24-26 semanas. Com sequelas, mas já tem alguma hipótese. Agora dizer que uma pessoa já era pessoa quando era uma conjunto de 2, 4, 16 células e que por isso não se pode abortar essa gravidez porque se está a matar essa pessoa… Epá, tenham dó. Daqui a pouco está tudo como aquela mulher no telejornal da RTP à hora de almoço há dias que disse que todos os óvulos e espermatozóides devem ter o direito de seguir a sua caminhada para a vida. Já não me lembro as palavras que ela usou mas foi algo que implicaria que a cada menstruação a mulher estaria a matar alguém, e que o homem idem idem aquando de cada ejaculação…
Alguém defender o Não-direito a optar por um aborto quando já há um coração a bater é apelar ao sentimentalismo ignorante das pessoas, que associam a emoção ao coração. Eu posso viver sem coração, com uma máquina a fazer o trabalho dele, e continuo a ser humana. O meu coração pode estar a trabalhar e eu ser declarada morta. Há pessoas a viver sem membros e sem alguns órgãos, só não há ninguém a viver sem cérebro funcional (embora apareçam na TV e na imprensa alguns casos que merecem uma investigação).
Quando oiço na rádio aqueles spots da campanha, pessoal a queixar-se e a indignar-se com a possibilidade de uma mulher poder fazer um aborto sem motivo, razão, ou qualquer justificação, dá-me vómitos. Nenhuma mulher fará um aborto “sem motivos”, “sem razões”, “sem justificação”. Ela lá as terá, podem é não agradar a terceiros. Mas estes não têm nada com isso! O que lixa esta gente é que as mulheres possam tomar decisões relacionadas com a sua reprodução sem o aval de médicos ou juízes. Já não bastava a revolução sexual e a pílula agora mais isto! Sabe-se lá, qualquer dia as mulheres até passam a ser seres humanos de pleno direito e reconhecimento!…
Obrigar a mulher a seguir com uma gravidez com o argumento de que no fim ela pode dar a criança para adopção também não é legítimo. Uma gravidez não é um processo fácil nem isento de risco e complicações, e o parto não é “a walk in the park”. Além disso não posso concordar que obrigar alguém a levar a termo uma gravidez indesejada, passar pelo parto, e depois abandonar um filho seu sabe-se lá aos cuidados de quem, seja menos imoral do que permitir um aborto, que é o que os do Não defendem. Como é que alguém abandona um filho?! Como é que alguém gera um filho que sabe que vai ter que abandonar? Ou que se o gerar não vai ser capaz de o abandonar e vai ter que se sujeitar às implicações dessa decisão? Como é que alguém abandona um filho no sistema de adopções e cuidado de crianças do nosso país?!
Uma criança com deficiência tem tanta dignidade e direitos como outra “normal”. Isso não implica que se pudermos evitar que alguém nasça com uma deficiência significativa conhecida à partida, não o devamos fazer. Abortar uma gravidez devido a uma deficiência não é o mesmo que dizer que alguém que existe hoje e nasceu com essa mesma deficiência não tenha direito à vida ou que não seja tão válido como “the next guy”. Parece haver muita gente que não percebe isto e traz míudos deficientes prá TV a dizer obrigado às mães por os terem tido. Duh! Não é como se eles andassem por ali noutra dimensão e de repente achassem uma mãe para os “ter”. Ela não os teve, ela fê-los. Se não os tivesse feito não havia ninguém para se sentir mal por isso, duh!
Acho que não concordo com a possibilidade de o Estado pagar integralmente o custo de um aborto legal que não seja por motivos de saúde, violação ou deficiência grave do feto. Mas o argumento do “pagar abortos com os impostos de todos” e “desviar dinheiro de outras coisas para pagar abortos” é imbecil. Ninguém anda a espalhar cartazes contra o financiamento de tratamentos a diabéticos que não têm cuidado com a sua saúde, ou a estropiados vítimas da sua própria irresponsabilidade com a bebida e/ou com o automóvel, ou a seropositivos que abusaram da sorte, ou a doentes de cancro causado pelo fumo do tabaco que alegremente foram consumindo (e obrigando outros a fazê-lo também), ou a doentes de cancro da pele que sempre curtiram torrar ao sol, etc, etc.
Depois há os que dizem que o Estado vai facilitar os abortos quando nós temos falta de natalidade e precisamos é de mais crianças. São duas coisas e dois problemas sem relação. Ou a solução para a falta de crianças desejadas é obrigar as indesejadas a existirem? Então as mulheres são simplesmente fábricas parideiras. Baixa demográfica, tudo a deitar cá pra fora putos, desejados ou não, convenientes ou não, sustentáveis ou não. O que interessa é renovar a população, mesmo que isso implique uma população mais pobre, menos instruída, mais frustrada e com menos perspectivas de emprego, carreira, futuro, vida. Claro que o Estado deve trabalhar para que a natalidade aumente. Para isso o país tem que melhorar: a economia, a educação, a saúde, o emprego, a assistência à família e os direitos laborais para a conciliar com o trabalho. Não é no meio do desespero social ainda obrigar a literalmente gerar mais problemas.
Este é outro excelente outdoor do Não. “Nenhuma vida é demais”. Sentido figurado: mentira. Se calhar o Hitler era dispensável. Pronto, ok, isso poderia implicar uma História ainda pior. Mas o Ted Bundy, por exemplo, não afecta muito a História mundial mas para as suas vítimas seria altamente dispensável. Sentido literal: há muitos locais e muitas situações em que qualquer “vida” é demais. Em zonas arrasadas pela fome, por exemplo.
Há muita gente que aborda a questão do direito a optar por um aborto pela óptica do “o que é que isto vai resolver”. A resolução do problema tem que ser tentada, mas tal é independente do que está aqui em causa: o direito da mulher a decidir sobre o seu corpo e sobre a sua reprodução. Mesmo que só houvesse 1 única mulher a precisar ou a simplesmente querer abortar uma gravidez incipiente, essa mulher não deveria poder ser punida por isso. Todas as medidas sociais e económicas que puderem ser tomadas com vista a diminuir o número de gravidezes indesejadas, aumentar a taxa de aceitação e sustentação dessas gravidezes indesejadas de modo a diminuir o número de abortos, e aumentar o número de gravidezes e crianças desejadas, de modo a aumentar a natalidade e a felicidade das famílias, são bem-vindas e aplaudidas. Mas os direitos fundamentais não devem ser legislados consoante as suas consequências sociais ou económicas. Esse pessoal do Não que regra geral também é contra o direito a uma pessoa morrer quando o entender, não iria concerteza basear uma defesa da eutanásia e do suicídio assistido num excesso de idosos e doentes face ao tamanho da população… Então porque o faz no caso oposto: “há poucas crianças por isso vamos obrigar estas pessoas a gerarem filhos”?
É muito fácil obrigar os outros a terem filhos em condições indesejáveis. Mas quando são eles, as mulheres, as filhas, ou as irmãs, há sempre Espanha ou alguma clínica jeitosa em Lisboa. E assim podem continuar a ser gente “decente” pelo Não e “pela vida” e a ir à Missa e estar de bem com o clero. Pertencer a clubes poderosos dá sempre jeito.
Sou pela vida. Pela vida que eu quero viver, como e quando a quero viver. Nenhuma mulher devia poder ser obrigada a sujeitar-se a exames ginecológicos forçados nem a devassas da sua vida íntima, afectiva e sexual, com exposição e julgamento públicos das suas opções individuais que a mais ninguém dizem respeito. No dia 11 de Fevereiro de 2007 vou votar SIM.
As mulheres fazem os filhos sozinhas, sim. Levam mais ou menos 9 meses. Os homens estão envolvidos durante alguns minutos no início. Sem eles não havia filhos, mas o papel principal é, para o melhor e para o pior, das mulheres. Como tal, se levadas a abortar contrariamente aos seus desejos o homem deverá ser chamado ao caso. E se a mulher não quiser abortar uma gravidez indesejada pelo parceiro, após o nascmento da criança ele vai ter que acartar com as implicações da paternidade, tal como a mulher as da maternidade. Mas se o homem desejar um filho mas a mulher não? Por mais injusto que isso possa ser para o homem, a mulher tem que ter a última palavra, porque ela é que faz o filho. O homem poder impôr à mulher o prosseguimento da gravidez seria ainda mais injusto. Life’s a bitch. Biology can be a bitch too, sometimes.
No próximo domingo, vota no referendo! A abstenção só diz “eu estou-me lixando para mim próprio e para os outros”…
Telha Sol: prédio de 6 apartamentos - dois T2 e quatro T3 - em Leceia (Oeiras), com jardim e espaços comuns amplos. Os apartamentos, para venda, têm bons acabamentos, cozinha espaçosa e equipada, terraços e varandas convidativos, divisões amplas e desafogadas, com muita luz natural, e têm garagens individuais. Numa zona calma, com vista para o rio e para o campo.
Cenas a Pedal: bicicletas dobráveis, karts a pedal / triciclos reclinados, malas para ciclistas, buzinas, kits para transporte de carga em bicicleta (reboques sem engate), aluguer de karts, batidos a pedal.
Cafetaria Doce Lima: cafetaria & pastelaria, pão para fora, sopa e mini-pratos durante a semana. Cibercafé, TV por cabo, música ambiente, zona lounge, wifi gratuito.
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