Monthly Archive for Julho, 2009

Memória curta

Esses peões arrogantes e perigosos…

Via StreetsBlog, há motoristas que se sentem “tão cansados de peões mal-educados, arrogantes e egoístas que deliberadamente se atravessam à frente dos seus veículos“, e outros que defendem que a presença de peões tornou uma determinada avenida “uma das ruas mais assustadoras onde conduzir um automóvel“, queixando-se ainda da indignidade de tere que “circular abaixo do limite de velocidade”…

Fantástico.

Cegos a conduzir automóveis

Apesar de perceber como isso pode ser positivo para a autonomia e realização pessoal dos visados, não consigo achar isto boa ideia. Se com dois olhos funcionais já se fazem tantas asneiras…

Limpar Portugal

Fantástico! :-D

E há gente a querer repetir a ideia em Portugal! Eu já me alistei no grupo de Oeiras. Não fiquem a olhar, participem!

E não deu em nada

A propósito deste assunto, enviei um e-mail ao IGAI a 20 de Janeiro de 2009:

Enviada: terça-feira, 20 de Janeiro de 2009 17:27
Para: geral@igai.pt
Cc: com1cacdlg@ar.parlamento.pt
Assunto: Informação acerca de inquérito a episódio irregular de acção policial

Boa tarde,

Gostaria de saber o que está a ser feito em termos de inquéritos, investigações, acções disciplinares e outras, relativamente à actuação desproporcionalmente agressiva, violenta e, nomeadamente, irregular, de alguns agentes da PSP contra um conjunto de cidadãos, no passado dia 16 de Janeiro, na chamada Zona Pedonal de Almada.

Gostaria de ter acesso a informação acerca das razões alegadas pelos agentes para estarem no local, e para, a dada altura, agirem como agiram.

Gostaria ainda de ser informada acerca das contra-ordenações e/ou crimes de que aquelas pessoas (algumas delas detidas e/ou agredidas e/ou ameaçadas e/ou vítimas de danos materiais – aparelhos de gravação de som e imagem propositadamente danificados ou com conteúdo media apagado) eram suspeitas ou acusadas de estar a praticar ou terem praticado, e que motivos são alegados para justificar o modo como foram detidas, e tratadas.

Seria importante saber também que justificações apresentam para determinadas irregularidades tais como a ausência de identificação dos agentes e recusa em fornecê-la a pedido dos cidadãos com quem estavam a lidar, a intimidação daqueles que se encontravam na altura a proceder à gravação de imagens e vídeo, e a destruição deliberada de propriedade privada (câmaras fotográficas e/ou de vídeo e gravações).

Aguardarei resposta a estas questões.

Grata pela atenção.

Cumprimentos,

Recebi ontem a resposta:

From: Geral – IGAI
Subject: RE: Informação acerca de inquérito a episódio irregular de acção policial
Date: Thu, 16 Jul 2009 12:19:58 +0100

Assunto: -2/2009 – Arquivamento do PND 32/2009

Encarrega-me o Sr. Subinspector-Geral de informar, que relativamente aos factos ocorridos na Zona Pedonal de Almada, em 16 de Janeiro p.p. e transmitido por V.Exa, que por despacho de 8 de Julho, de Sua Excelência o Ministro da Administração Interna, foi determinado o seu arquivamento, em virtude de não existir matéria indiciária, no âmbito do objecto dos autos.

Com os melhores cumprimentos

A Coordenadora Técnica

A Alleycat

Pois é, já foi há 2 semanas e ainda não bloguei sobre isto. Pensava que Julho ia ser uma pasmaceira mas enganei-me, o tempo livre tem escasseado.

Gostei muito da experiência. :-) Não foi a minha primeira Alleycat Race pois não participei nela, apenas colaborei na organização, tratando do site, fazendo alguma divulgação e mandando uns bitaites de feedback ao masterplanner da coisa, o Ricardo. :-) O Bruno criou o material gráfico, e assegurou a sessão da Cicloficina que consistiu num Task Checkpoint da Alleycat, enquanto o Ricardo andava pelos outros Checkpoints a controlar e a dar apoio.

Muitos participantes chegaram bastante antes da hora!

Early birds

Fez-se sala conversando, observando as bicicletas que iam chegando, como a do Pedro, uma bicicleta antiga do exército suiço que pesava “toneladas”. :-)

Swiss Army bike (from ages ago)

Entretanto foram chegando os restantes, e antes do início da corrida fez-se um briefing.

Briefing

A cada participante foi atribuída à sorte uma carta de um baralho para servir de identificação de cada rider. Esta carta foi colocada presa nos raios da roda dianteira de cada bicicleta, juntamente com um outro spoke card alusivo a esta Alleycat Race.

Spoke cards

Até pouco antes do início estava céu nublado e um tempo abafado, e entretanto começou a chover. E choveu bem, até, mas ninguém desmobilizou nem desmoralizou! Com impermeáveis ou sem eles, de calças ou calções, ninguém se importou muito com a chuva.

As bicicletas ficaram num sítio e os respectivos donos concentraram-se noutro.

Bikes Antes da partida

De uma forma bastante atípica na cultura lusa, a corrida teve início à hora prevista, estavam todos ansiosos por começar. ;-) Quando o Ricardo deu a partida correram todos para as bicicletas, uns arrancaram mais cedo, a maioria ficou mais uns minutos ali a analisar o mapa e delinear estratégias.

Messenger look

Acabaram por se formar grupos que funcionaram em equipa.

De volta do mapa

Após ajudar na partida e depois de documentar a mesma, fui ter à Cicloficina, por onde todos tinham que passar para encher pneus, um ponto de controlo com tarefa. :-)

Toca a encher!

Também aqui choveu, o que ajuda a explicar que, além do João, que apareceu para montar uma roda de um kit de assistência eléctrica, a única freguesia forma mesmo os riders da Alleycat.

Kit de assistência eléctrica por montar na próxima sessão

Fiquei, penso que ficámos todos, bastante surpreendidos pela afluência de participantes (27), e foi com agrado que vimos aparecer vários tipos de bicicletas, algumas pessoas mais velhas, e 5 firmes representantes do género feminino! :-)

Enquanto fotografava e filmava, antes e durante a partida, senti-me como no 1º BiciCamp. Senti-me mesmo bem por ter contribuído para que aquilo acontecesse e fiquei muito contente por ver pessoas a aderir, muitos deles pessoas que eu nunca tinha visto nos “círculos” habituais de ciclo-culto-activistas. ;-)

O final da corrida foi em Benfica nas instalações da Muzzak, que gentilmente abriu as suas portas para receber os participantes.

Todos aguardavam os resultados. :-)

So, who won?

A tabela (e o mapa, etc) pode ser consultada n’o Bicicultura.org. O Ricardo anunciou com a devida pompa os 3 primeiros do ranking:

O MC, Mr. RicardoOne of the first 3
Another top 3 racerAnother one of the first 3

Depois o pessoal ainda ficou por ali um bocado, na conversa.

Convívio pós-corrida

A bike-geek que há em mim não pôde deixar de notar que estava um Zigo in the room! Em Portugal! Claro que pedi ao dono para me deixar dar uma volta, como até já nos conhecíamos e tal ainda consegui que me emprestasse também os sobrinhos para tornar o test ride mais “real”. :-)

Test riding the Zigo

Tem muito bom aspecto, e às muito baixas velocidades a que andei, pareceu-me fixe, à parte a brecagem, que nos obriga a desmontar e virar à mão se quisermos inverter o sentido de marcha (não deve ser um problema nas curvas normais do caminho). Troquei então impressões com o Samuel, o dono da Corrente Paralela, a empresa que está a iniciar a comercialização deste veículo por terras lusas, e que começou por importar as famosas Brompton.

Foi uma tarde bem passada. :-) Podem ver o resto das fotos aqui.

Logo que possível, a ver se editamos o vídeo para compôr a coisa. :-)

«Bicicletas já têm vias próprias»

Olhem-me bem para isto.

4697

Será possível que ninguém comente este tipo de asneiras? «O presidente da autarquia chamou os jornalistas ao local das obras, no parque, para explicar que a construção de ciclovias é uma “área em que o know-how técnico é muito pouco”.» Ha! No shit?! Pelos vistos, e dada a frequência com que encontro exemplos deste género (e piores) o know-how básico do bom-senso também é escasso…

Ora, fantástico, os primeiros 500 metros de ciclovia estão prontos, e são dentro de um PARQUE URBANO. Um “espaço verde” em S. João da Madeira.

A jornalista lembra que «As ciclovias são faixas destinadas a bicicletas, que se estendem num dos lados da estrada, com 1,20 metros de largura, pintadas de vermelho e balizadas por linhas brancas.» Bolas, espero que não sejam bi-direccionais, com 1,20 m de largura e só de um lado da faixa de rodagem…

No orçamento camarário para 2009 estão descritos sete quilómetros de ciclovia, um investimento de 232.700 euros. Para 2010 estão previstos mais oito quilómetros de ciclovias, um investimento de 120.882 euros.

Ora, 353.582 € para pintar 15 km da berma da estrada de vermelho (dá 23.572 € / km). Os cofres públicos ficam mais pobres em 350 mil euros, os ciclistas perdem o seu direito legal a uns 60 % daquelas vias (se forem assinaladas com aquele sinalzinho azul…) e não obtêm absolutamente nenhum benefício a nível de segurança (pelo contrário*!), conforto, whatever, os políticos podem cortar umas fitas e motoristas e políticos vão para casa descansados porque acham que estão a ser bonzinhos para os ciclistas.

Ora, quantas paragens de autocarros decentes, redes pedonais decentes, parques de estacionamento para bicicletas, programas de formação escolar em condução de bicicleta, ciclovias “atalhos” ou ou ciclovias recreativas/turísticas/interurbanas não sobrepostas com a rede viária normal, etc, etc, é que estes 350 mil euros atirados para o lixo não poderiam assegurar?…

E ainda dizem que somos um país pobre. Somos, mas não é de dinheiro.

* É só tinta. O desconforto associado à proximidade com veículos automóveis continua, pode até ser piorado porque agora não temos espaço por onde gerir a nossa posição na via, e os carros passarão mais perto e mais depressa por nós, o que só torna aquela via mais perigosa para os ciclistas… *sigh*

Regulação do trânsito de peões

I would freak out se tivesse que circular todos os dias em ruas assim tão congestionadas. O tráfego pedonal é tão intenso que foram instituídos fluxos de circulação, sentidos de trânsito

[Via]

Boas notícias

O Ginásio Clube de Vila Real organiza autocarros pedonais (pedibuses) para crianças, no âmbito de um programa de férias desportivas. :-) E quer expandir a iniciativa às escolas da cidade. E planeia ainda, em conjunto com a Corgobus (empresa que gere os transportes urbanos de Vila Real) organizar um dia «em que se vai ensinar às crianças como se utiliza a rede de transportes públicos», a lê-la, «a saber como podem fazer um transbordo para apanhar outra linha ou como se deslocar de um ponto de partida para um ponto de destino». Não deixem de ler esta notícia, aqui.

Estas raridades dão-me alguma esperança na espécie humana da variedade portuguesa… :-)

Right on!

hunter-thompson-10

Um post daqueles que não interessam nem ao menino jesus

Hoje andei de recumbent no Seixal e curti. Vi ciclovias no passeio. Vi parques de estacionamento para bicicletas. Tivemos um furo ao regressar a casa e não deu para resolver hoje. Nem vai dar para o fazer amanhã. Mas vamos precisar do carro. Uma tenda que tínhamos encomendado e de que precisávamos para este fds não veio. Estou cansada. Vou dormir pouco, outra vez. Ia dizer que a minha vida anda um bocado merdosa mas seria falso. Há coisas positivas, algumas coisas correm bem, de vez em quando, e comparando com o resto do mundo não me posso de todo queixar. As outras hão-de resolver-se. Mas às vezes ando tão farta e tão cansada que só queria desaparecer, fazer um reboot, sei lá. Estou a precisar de férias. Férias mesmo férias. Unplugged. Continuo à espera que a minha vida comece. É uma sensação que me persegue, mas sei que a vida acontece quando fazemos com que aconteça, o meu problema é que não consigo desligar e aceitar que a vida são dois dias, já o trabalho nunca acaba e eu tenho um especial jeito para o inventar ou descobrir, mas muito pouco para lhe dar despacho rápido… *sigh*