Archive for June, 2007

Tertúlia II

A tertúlia de ontem foi… interessante.

Fomos de carro, comboio e bicicleta.

Multimodalidade: comboio + bicicleta

Chegámos um bocado atrasados (30-40 min) por causa de um curso de formação que estamos a fazer em Sintra, e que termina lá para as 17h. Quando chegámos à Crew Hassan vimos logo uma data de bicicletas estacionadas cá fora, presas a umas grades e umas às outras.

Bicicletas estacionadas frente à Crew Hassan, em dia de Tertúlia

Lá dentro, além das nossas duas estava uma outra bici dobrável. :-)

Tertúlia “Bicicleta é transporte! Como potenciar o uso deste veículo em Lisboa?”

Ora, 10 bikes para umas cerca de 40-50 pessoas presentes lá dentro (no pico, digamos), dá cerca de 20 % de bike commuters! :-)

Mal entrámos vimos o Daniel Oliveira a falar com outra pessoa à entrada, junto ao balcão (acho que estava ali por coincidência, não esteve na tertúlia). E a começar a fumar mesmo apesar de haver sinais a indicar a proibição, mas ao perguntar/confirmar à rapariga ao balcão esta diz-lhe um não que se torna sim… Enfim. Apesar dos sinais, havia mais gente a fumar. Não compreendo. E depois ficam surpreendidos se lhes pedimos para não o fazerem por nos sentirmos incomodados (isto pessoas que, supostamente, sabem o que é sentir-se incomodado pelo fumo dos carros; claro que há fumos e fumos, não é?).

Chegámos a tempo de apanhar parte da apresentação do Mário Alves, mas estava a sala cheia e ficámos a tentar ver e ouvir alguma coisa um bocado atrás, já na sala ao lado.

Tertúlia “Bicicleta é transporte! Como potenciar o uso deste veículo em Lisboa?”

Depois seguiu-se a apresentação de um rapaz cujo nome desconheço. Não sei se será o António Cruz, o Ricardo Sobral,… do Tiago Carvalho. Já conheço uma série de nomes e uma série de caras, mas enquanto algumas associações cara-nome já estão “consolidadas” outras ainda andam nebulosas… :-/

Tertúlia “Bicicleta é transporte! Como potenciar o uso deste veículo em Lisboa?”

Ele fez a resenha do que os programas eleitorais dos vários candidatos às eleições para a CML referem acerca da mobilidade, nomeadamente do uso da bicicleta. Alguns candidatos não têm propostas nesse campo. Um não tem porque acha que Lisboa não é sítio para isso. Enfim.

CDS-PP: Telmo Correia

Tertúlia “Bicicleta é transporte! Como potenciar o uso deste veículo em Lisboa?”

PSD - Fernando Negrão

Tertúlia “Bicicleta é transporte! Como potenciar o uso deste veículo em Lisboa?”Tertúlia “Bicicleta é transporte! Como potenciar o uso deste veículo em Lisboa?”

BE - José Sá Fernandes

Tertúlia “Bicicleta é transporte! Como potenciar o uso deste veículo em Lisboa?”

CDU - Ruben de Carvalho

Tertúlia “Bicicleta é transporte! Como potenciar o uso deste veículo em Lisboa?”

Cidadãos por Lisboa - Helena Roseta

Tertúlia “Bicicleta é transporte! Como potenciar o uso deste veículo em Lisboa?”

PNR - José Pinto Coelho

Tertúlia “Bicicleta é transporte! Como potenciar o uso deste veículo em Lisboa?”

PS - António Costa

Tertúlia “Bicicleta é transporte! Como potenciar o uso deste veículo em Lisboa?”Tertúlia “Bicicleta é transporte! Como potenciar o uso deste veículo em Lisboa?”

Enquanto ele falava o José Sá Fernandes interveio para corrigir/rectificar umas coisas referidas e que ele dizia que não era assim, mesmo apesar de o debate que se seguiria servir justamente para essas correcções e outros comentários… Quando chegou a hora, lá discursou um bocado.

Tertúlia “Bicicleta é transporte! Como potenciar o uso deste veículo em Lisboa?”

Depois o representante da CDU, se não me engano, mas cujo nome não conheço.

Tertúlia “Bicicleta é transporte! Como potenciar o uso deste veículo em Lisboa?”

E depois o representante da Helena Roseta, cujo nome também desconheço.

Tertúlia “Bicicleta é transporte! Como potenciar o uso deste veículo em Lisboa?”

[Desculpem a foto com um ângulo estranho, mas o senhor estava atrás de mim, e eu estava sentada no meu banquinho do campismo, a fotografá-lo de baixo pra cima...]

O único candidato presente foi o José Sá Fernandes (penso que todos foram convidados). Dos outros, a Helena Roseta, a CDU e, parece, o MPT tiveram representantes a marcar presença. Pelo que me apercebi, estiveram mesmo lá a ouvir as apresentações (pelo menos a do Mário e a outra, da resenha das propostas eleitorais). Depois do direito de antena pós apresentação o pessoal começou a dispersar… Já estava muito menos gente a ouvir a pequena apresentação seguinte, do Frederico Bruno, a alertar para os principais défices portugueses no que toca a evolução e progresso:

Tertúlia “Bicicleta é transporte! Como potenciar o uso deste veículo em Lisboa?”Tertúlia “Bicicleta é transporte! Como potenciar o uso deste veículo em Lisboa?”

E depois para o debate a seguir já só estavam lá umas 10-12 pessoas. Ora, dessas, pelo menos umas 5 já estão “imersas” neste tema. As pessoas que mais interessava ter ali deram à sola… Por causa da falta de gente e também pelo “adiantado” da hora (talvez umas 20h30), já não se passou nenhum vídeo. :-( Fica para este próximo domingo, às 17h, depois da Cicloficina, que começa às 14h30, na Rua dos Bacalhoeiros.

O espaço:

Tertúlia “Bicicleta é transporte! Como potenciar o uso deste veículo em Lisboa?”Tertúlia “Bicicleta é transporte! Como potenciar o uso deste veículo em Lisboa?”

Vista para a rua:

Bicicletas estacionadas frente à Crew Hassan, em dia de Tertúlia

Aquele casal não poderia caminhar assim abraçado nos passeios, porque não têm largura suficiente… Ainda bem que pedonalizaram a rua. Só falta mudarem o pavimento para algo mais amigável. :-) E colocar uns Us invertidos para estacionar bicicletas. ;-)

No regresso voltámos a passar pela Baixa, aé ao Cais do Sodré para apanhar o comboio.

De bicicleta pela Rua Augusta, no lusco-fuscoNo cruzamento do Cais do SodréMultimodalidade: comboio + bicicletaMultimodalidade: comboio + bicicleta

Tenho-me apercebido de como Lisboa é - ou pode ser - agradável quando regresso de alguma coisa e lá passo ao anoitecer. No lusco-fusco. ;-) Em que ainda há luminosidade, mas há muito menos carros estacionados e a circular, e também menos magotes de peões. Respira-se melhor, tem-se a sensação de espaço, e a rua convida a estar lá fora. Até a luz é bonita. Se o mobiliário urbano fosse mais frequente e mais people-friendly, se a cidade fosse limpa, restaurada, e habitada, seria um sítio espectacular para viver, trabalhar ou simplesmente estar. Tudo é perto. Há tudo ali. Podia ser tudo tão diferente, tão melhor. Estaremos condenados a sub-aproveitar os nossos recursos e a sub-viver a nossa vida desnecessariamente?…

Quanto aos media, só tenho conhecimento de uma notícia sobre a Tertúlia, no Sol, pela Susana Teodoro. O texto está bem escrito e dá para ver que foi escrito por alguém que esteve no local e prestou atenção. No Correio da Manhã referiram a participação do José Sá Fernandes numa notícia sobre a agenda diária dos vários candidatos. Eis a pérola, pela Janete Frazão:

Da parte da tarde, Sá Fernandes dedicou-se ao desporto, participando da tertúlia ‘Bicicleta é Transporte’ – Crew Hassan Cooperativa Cultura. Recorde-se que o candidato já defendeu, em fase de pré-campanha, a criação de ciclovias como forma de sensibilizar os lisboetas para o uso “de transportes alternativos e não poluentes”.

Deveria ter dito “dedicou-se à mobilidade”, mas não, escolheu dizer “desporto” para desvalorizar o tema e a opção política e/ou porque simplesmente não sabe do que fala. Por que é que uma pessoa pegar numa bicicleta e ir ali ao fundo da rua buscar pão, ou ir para o trabalho, é “desporto”? Quiçá pegar nas perninhas e fazê-lo a pé também é “desporto”? Não me digam que qualquer movimento ou actividade básica que eu desenvolver com o corpo, com os músculos, é “desporto”. Esta gente já é mesmo muito sedentária. Qualquer coisa que implique não estar sentada à secretária ou no carro é fazer desporto. Não sei se hei-de rir ou chorar…

Quanto ao que eu penso disto tudo… No início, quando se falou disto acerca do António Costa, veio-me logo à cabeça “aproveitamento político”. Ainda mais quando o próprio é o primeiro a dizer que há anos não pegava numa bicicleta (significa que nem em lazer), aquando do passeio “Lisboa Antiga de Bicicleta” da FPCUB. Depois apareceram as mesmas notícias acerca do José Sá Fernandes. A Helena Roseta não enfatizou o tema das bicicletas porque, penso, já demonstrou essa preocupação antes.

A intervenção mais “autêntica” pareceu-me a do representante da Helena Roseta, tal como citou a jornalista:

Já o movimento ‘Cidadãos por Lisboa’ que apoia Helena Roseta, defende que o que conta é «liderar pelo exemplo», vincando o facto de nenhum político ter o hábito de utilizar a bicicleta como meio de transporte.

Como propostas concretas dizem que antes de mais é preciso a redução drástica do trânsito em Lisboa, o que poderia ser feito, por exemplo, com o aumento e alargamento das faixas destinadas aos autocarros.

Acima de tudo o movimento independente «não concorda com a segregação», afirmando que as vias destinadas unicamente a bicicletas são «folclore político».

Concordei em absoluto com a cena do exemplo. Eles não andam de bicicleta, nunca andaram, logo não sabem do que estão a falar. Será que alguém na equipa deles anda, e sabe? Porque senão fica difícil acreditar na autencicidade das intenções… Também concordo com a futilidade da criação de vias especiais para ciclistas dentro da cidade. Fica mais barato e mais fácil integrar o trânsito de carros e bicicletas e peões. Só concordo com ciclovias para percursos de lazer e desporto e tipo “via rápida”, para atravessar rapidamente zonas da cidade. Um caminho destes ribeirinho, entre Cascais e Parque das Nações serviria os usos turísticos, de lazer, e utilitários.

Bom, enfim, já chega de deambulações. Vamos ver o que sai destas eleições. O meu palpite é: pouco ou nada. “Um pessimista é um optimista realista”. :-P

“Green MBA’s” a chegar a Portugal?…

«Mestrado Executivo de Sustentabilidade Empresarial, Negócios e Ambiente

O Curso promovido pelo INDEG/ISCTE, em Sustentabilidade Empresarial, Negócios e Ambiente desenvolve competências no domínio da gestão sustentável como factor de competitividade empresarial.

O programa foi desenhado com três objectivos principais: compreender os novos desafios e a interdinâmica entre os vários aspectos hoje essenciais na gestão empresarial, abrangendo nomeadamente os aspectos ambientais, sociais e de governance; antecipar as novas tendências de gestão integrada bem como os novos riscos associados aos intangíveis das empresas, transformando potenciais custos em oportunidades de negócio; e inovar com criatividade quer ao nível dos processos tecnológicos quer ao nível da forma como se gerem empresas e organizações.

Em síntese, este programa prepara profissionais para integrar a sustentabilidade empresarial na gestão a todos os níveis. A aplicação do conceito de desenvolvimento sustentável ao contexto empresarial assenta na capacidade de analisar a situação presente sob um novo prisma, revelando abordagens concretas de desenvolvimento de negócios que podem constituir um factor estratégico de diferenciação.

O programa inclui ainda formação preparatória para a certificação de Auditor de Ambiente. Conferimos ao diplomado as competências de auditoria interna de ambiente, como ferramentas cruciais para uma gestão mais racional dos recursos e para uma melhoria significativa nos processos produtivos, contribuindo assim para reforçar a competitividade empresarial de forma sustentável.»

[Via]

Quero fazer um MBA… some day. E é fixe que as externalidades estejam a ser internalizadas de algum modo e o bom-senso esteja a tornar-se moda por terras lusas. :-)

Biocant Park abre centro de ciência júnior

«O Biocant Park – Parque de Biotecnologia de Portugal, com o apoio do Programa Ciência Viva, vai ter um espaço laboratorial exclusivo ao qual chamou Centro de Ciência Júnior. Este Centro pretende sensibilizar os jovens Portugueses para o ensino experimental das Biociências bem como para a importância de uma atitude empreendedora.

O modelo idealizado para este espaço não se esgota na demonstração e divulgação, mas requer uma participação activa dos jovens, fazendo com que se sintam investigadores e empreendedores, tomando eles próprios a iniciativa, mediante a orientação de um tutor ou professor. O Biocant Park pretende contribuir, assim, de uma forma activa, para o reconhecimento do valor social e económico das Biociências.

A inauguração do Centro de Ciência Júnior terá lugar no dia 27 de Junho, pelas 9:00h, no edifício sede do Biocant Park.

A apresentação do Centro de Ciência Júnior será feita com demonstrações experimentais levadas a cabo por grupos de alunos dos 1º, 2º e 3º ciclos do ensino básico de uma escola local.»

[Via]

Tertúlia sobre o uso da bicicleta em Lisboa

Em 2006 decorreu a primeira tertúlia deste género, agora, um ano depois, nova edição, desta vez com um foco nas eleições para a Câmara Municipal de Lisboa.

Programa:

* Exibição de um pequeno video sobre uma cidade grande que tenha sido sujeita a intervenções a favor da bicicleta (Paris);
* Pequena resenha sobre as propostas dos vários candidatos à CML;
* Apresentação de propostas: Trajecto Farol, Acalmia em bairros residenciais;
* Discussão aberta.

Local: Crew Hassan (Rua das Portas de Santo Antão, 159. 1, 1150-267 Lisboa - junto ao Coliseu; Metro: Restauradores ou Avenida)
Data: 28 de Junho de 2007
Hora: 18.30
Duração: 1h30min

Bikes, bikes, BIKES!

Hoje fui a Cascais de manhã e num espaço de 5 min e “meia dúzia” de metros, entre a estação de comboios, o Cascais Villa e o Jumbo, vi 14 bicicletas estacionadas ou a serem utilizadas. 14! Mais a minha (a única mini, única dobrável) são 15. :-) E 3 eram BICAS.

Há bocado fui a Oeiras e levei a bicicleta grande. 5,5 Km até ao meu destino, feitos em 20 min (em que quase 5 foram para a estacionar e prender com os cadeados). O mesmo para cá. Se tivesse levado o carro teria levado o mesmo, ou talvez menos 10 min se encontrasse logo lugar e próximo. Se fosse de autocarro teria levado mais tempo, e ainda tinha que andar um bocado porque nenhum passa lá. E, claro, ficaria sujeita aos horários, e ao trânsito, porque a estrada é a mesma dos carros. :-P

My bike

Poupei dinheiro, fiz um bom exercício e deu-me um gozo imenso passear um bocado, apanhar sol na pele e sentir o vento fresquinho! :-D Sei que estou sempre a reptir a mesma coisa, mas que posso fazer, tenho que partilhar a satisfação! :-P lol A minha mãe e a minha irmã viram-me de novo em casa e perguntaram estupefactas “mas já foste a Oeiras e já voltaste? Foste muito rápida!”. lol Eu bem lhes digo que a bicicleta é o meio de transporte mais eficiente para pequenas distâncias, mas elas ainda não encaixaram bem isso. ;-)

Às vezes sinto que estou a desempenhar um trabalho social, ao andar por aí de bicicleta. Porque penso e sinto que é importante dar o exemplo e mostrar aos outros que é possível e agradável deslocarmo-nos de bicicleta. Porque sei que ver outras pessoas a fazer algo nos motiva, ou pelo menos desinibe e dá confiança, a fazermos também. Quantos mais malucos houver a fazer isto mais hão-de haver a seguir, até já não ser uma coisa de malucos, ser normal, como andar a pé, de carro ou de autocarro. :-) Sendo mulher esta carga de “exemplo” é ainda maior porque, embora se observe um grande aumento no número de pessoas a usar a bicicleta diariamente, raramente esses bike commuters são mulheres, ou mesmo miúdas (já era assim quando eu era uma também). Dou um exemplo bom por isso (”as gajas também podem e conseguem”), mas muitas vezes dou um mau por não usar capacete. Faço-o geralmente por duas razões: 1) por causa do calor (o capacete não me permite arejar a cabeça!) e 2) porque tenho a impressão que quando não levo capacete (e o meu vestuário e/ou acessórios me identificam rapida e facilmente como mulher) sofro menos razias. Penso que isto é porque os motoristas passam imediatamente a associar-me com duas características que os estereótipos ligam a fraqueza: sou inexperiente na estrada e com a bicicleta (porque não visto licra nem uso capacete) e sou naturalmente naba a guiar seja o que for (porque sou mulher). Nenhum deles é verdade, mas na prática funcionam a meu favor, porque me tratam com um bocadinho mais (só mesmo um bocadinho) de condescendência e atitude defensiva.

Hoje tem estado um dia mesmo lindo, não vos parece? Muito sol, mas o vento é fresco por isso conseguimos manter sempre uma temperatura corporal agradável. :-) Ah, a Primavera!… Oops, acaba mesmo hoje! :-P

Reino Unido defende direito ao ar

Depois da Irlanda, Gales e Escócia, é a Inglaterra a ser smoke-free a partir de dia 1 de Julho de 2007. O Reino Unido passará a ser o maior país smoke-free do mundo. :-)

Em Portugal falam, falam mas não fazem nada. Eu bem gostaria de sair mais vezes a bares e afins, e mesmo umas discotecas pra curtir a música e dançar um pouco. Mas com tanto fumo não consigo estar. É suposto uma pessoa sair e ir a um lugar para se divertir e passar um serão agradável. Se não consigo respirar, se me ardem os olhos e a garganta, se o meu cabelo, pele, roupa, mala, etc ficam a tresandar a tabaco, um cheiro seco e insuportável, obviamente não estou a divertir-me nada. Quando vou, tento sair o mais depressa possível e acabo por consumir menos do que poderia. E na maior parte das vezes nem chego a sair.

Aqueles empresários todos sempre a queixarem-se que se proibirem o tabaco os clientes desaparecem, nunca pensaram que há outros clientes que não aparecem justamente pela ausência de proibição… Tónis. Por mim, que se lixe. Um dia ainda abro uma rede de bares smoke-free e agarro o nicho de mercado. Já se a proibição for real e não ao gosto do empresário, lixa-me a ideia de negócio. ;-)

Abusos policiais

Assustador, não é?… :-(

QuercusTV

Descobri isto através de um link para um vídeo que passou na SIC sobre carpooling. Que fixe! :-)

Fiquei assim a saber que no dia 1 de Junho foi lançado o Flexis Carpooling, um serviço oferecido pelos Serviços Municipalizados de Transportes Colectivos do Barreiro (SMTCB) e pela Fertagus, em associação. Esta decorre da candidatura que o município do Barreiro e os SMTCB, em parceria com os municípios de Lisboa, Loures, Odivelas e a empresa Inteli, Inteligência em Inovação, apresentaram no âmbito do Sub-projecto Flexis-Services Flexibles pour le Sud de l’Europe, da Operação Quadro Regional (OQR) ‘MARE - Mobilidade e Acessibilidade Metropolitana nas Regiões da Europa do Sul’. No site do MARE descobri vários projectos propostos pelos parceiros, nomeadamente um de instalação e operação de uma frota de bicicletas de utilização pública em Lisboa! :-) Parece bom de mais, não é? :-P

Na QuercusTV acabei por descobrir um outro vídeo sobre construção sustentável, onde a protagonista é uma casa “de arquitecto”, aqui entre Porto Salvo e o Bairro Auto-Construção. Já tinha passado por lá algumas vezes de bicicleta, ainda estava em construção, e aquilo parecia um tijolo. :-P Em termos de design não me convence muito, mas sou pela function over form, pelo que se é assim tão mais eficiente que uma casa normal só posso dar os parabéns aos donos e morrer de inveja! ;-)

Paralelamente, acabei por saber também da nova rubrica do jornal da SIC, Terra Alerta. Cool! :-)

Eatware

Se há coisa que me aflige é coisas descartáveis. Tipo loiça e talheres de plástico ou papel. Há tempos falei de talheres comestíveis, pois há mais, uns compostáveis (e, no limite, comestíveis, embora não seja recomendado).

«Os produtos da Eatware vêm numa variedade de formas e tamanhos, podem reter óleos e água em segurança, podem ir ao microondas e são 100 % compostáveis. São feitos de 100 % fibras naturais de bambu, polpa de cana de açúcar, amido e água - e sem aditivos químicos!

eatware.jpg

Há várias empresas de recipientes alimentares biodegradáveis (baseados em amido de batata ou de milho), mas os da Eatware estão entre os mais duráveis e seguros - decompõem-se na compostagem e dispersam-se na água em apenas 2 semanas.

Enquanto os materiais biodegradáveis são um passo na direcção certa, muitos contêm polímeros plásticos para manter a sua forma. e podem levar centenas de anos a degradarem-se antes de poderem começar a decompôr-se para o solo. Em contraste, os produtos da Eatware podem decompôr-se no solo em apenas 180 dias, e embora não se recomende, podem até ser comidos! (…)»

[Fonte: Inhabitat]

A dignified way out

Há dias vi o documentário sobre a EXIT, na RTP2.

Do site deles:

«The World Federation, founded in 1980, consists of 38 right to die organisations from 23 countries. The Federation provides an international link for organisations working to secure or protect the rights of individuals to self-determination at the end of their lives.»

Foi interessante acompanhar um pouco do trabalho desta associação. É pesado. Mas é tão importante! Fico tão feliz por saber que há pessoas que se sujeitam a este desgaste a bem de terceiros! É preciso muita abnegação, aguentar aquele fardo emocional para ajudar alguém que não nos é - à partida - próximo, da nossa família, amigos,…

Há demasiada procura para a oferta deles. E muita procura de pessoas de outros países, onde a eutanásia/suicídio assistido [já agora, qual a diferença, exactamente?] não é permitida pela lei, e que a associação não pode ajudar…

Há tanta gente a sofrer tanto… Não consigo compreender aqueles que negam aos outros o direito a morrer, a dispôr da própria vida e do próprio corpo, à auto-determinação. Geralmente também são contra o direito a abortar uma gravidez. Embora possa tentar compreender a posição deles neste caso - porque envolve um outro ser vivo em desenvolvimento - não posso aceitar a sua posição quanto à eutanásia, porque só envolve a pessoa em causa. Haverá algo mais humilhante e degradante do que ser obrigado a viver uma vida que não se quer viver? É de um egoísmo e de uma falta de compaixão e de empatia que me choca. Ia dizer que é desumano, mas não, é totalmente humano, só estes são capazes de actos tão cruéis.

Hoje li no Público a notícia de que 40 % dos 450 médicos oncologistas inquiridos num estudo defendem legalização da eutanásia. Aaah, mais algum alento na inteligência e compaixão das pessoas neste país!… Nomeadamente, dos médicos. Já na campanha do referendo sobre a despenalização do aborto fiquei contente pela existência do Movimento Médicos pela Escolha, esta notícia vem reforçar a confiança na evolução das mentalidades.

Embora 40 % sejam pelo direito a, só 20 % admitem praticar a eutanásia caso esta seja legalizada. Não interessa, tal como com o aborto e a grande quantidade de médicos e instituições que farão objecção de consciência, o importante é que quem execute estes procedimentos o possa fazer dentro da legalidade, e da dignidade…

«(…)Rui Nunes, presidente do Serviço de Bioética da Faculdade de Medicina [do Porto, que realizou o estudo], manifestou a sua preocupação pela percentagem de médicos que é favorável à eutanásia e ao suicídio assistido, o que, em sua opinião, reflecte “uma mudança na forma como estas questões fracturantes passaram a ser encaradas”. “O resultado evidencia que há cerca de 40 por cento dos médicos oncológicos que antevêem legalizar a eutanásia em Portugal e isso é, naturalmente, um resultado preocupante, dado que a ética e a deontologia médicas tradicionalmente são contra esta prática no nosso país”, declarou Rui Nunes.

Contrário à legalização da eutanásia, mas favorável à realização de um referendo, “precisamente por se tratar de uma questão fracturante”, aquele professor observa que a legalização não é a solução. “A nosso ver a resposta não é legalizar a eutanásia é ver porque é que as pessoas pedem a eutanásia e tentar responder a isso”, disse ao PÚBLICO Rui Nunes, sublinhando que é preciso reflectir por que é que “uma franja tão significativa da população médica é favorável à legalização da eutanásia”

Sou totalmente a favor da aposta e expansão dos cuidados paliativos, mas estes têm os limites da medicina. Esta não consegue evitar todas as doenças, não consegue curá-las a todas e nem sequer consegue ao menos livrar completamente os doentes (terminais ou não) da dor. Por melhores que sejam os recursos materiais e humanos disponíveis. Vai sempre haver alguém para quem a medicina não tem resposta ou solução para uma vida condigna. Esse alguém deve ter o direito de escolher continuar e aguentar ou ficar por ali. Esta questão “fracturante” não deve ser decidida em referendo, porque implicaria que parte da população poderá impôr à outra um código de conduta para a sua vida pessoal que só ao indivíduo diz respeito. Tal como poderia ter acontecido no referendo à despenalização do aborto, mas ainda pior, porque aqui não há terceiros envolvidos e afectados pela decisão da pessoa.

«“(…)nada se fizer, temo que estes 40 por cento sejam amanhã 60 ou 70 por cento e depois aí a população vai começar a aderir mais a esta causa”.»

Espero bem que sim, que adira e se dê um salto civilizacional importantíssimo.

Mexeram-se na Marginal

O “Mexa-se na Marginal!” deste ano (no passado dia 3 de Junho, das 10h às 13h, entre Algés e Oeiras) foi ainda mais concorrido que o “Marginal sem Carros” do ano passado, e teve mais actividades de animação paralelas (aulas de dança, insufláveis, campos de vólei improvisados, etc).

Foi excelente! :-) Um dia de sol maravilhoso (que valeu um escaldão ao Bruno e um “escaldinho” a mim).

I Feira do Desporto e Aventura do Montijo

Um belo passeio junto ao mar, uma estrada sem carros e cheia de gente, aaah… lindo.

Mexa-se na MarginalMexa-se na MarginalMexa-se na MarginalMexa-se na MarginalMexa-se na MarginalMexa-se na Marginal

É surreal estar ali e lembrarmo-nos do que é nos outros dias todos do ano…

Claro que o comportamento pouco cívico dos portugueses se manteve, só que fora da Marginal. Levaram os carros até o mais perto possível e estacionaram os carros em cima de passeios, no meio da estrada, etc. Exemplo:

Mexa-se na Marginal

Não pude deixar de reparar na ironia da publicidade paralela, em dia de Marginal sem carros, havia publicidade a jipes…

Mexa-se na Marginal

Estava muita gente, e supostamente havia uma indicação de faixas e sentidos de circulação para peões e velocípedes, mas só os sentidos eram - mais ou menos - respeitados.

Mexa-se na Marginal

Só vi um acidente:

Mexa-se na Marginal

O que não faltava era putos a abrir (sem capacete) pelo meio dos outros utilizadores da estrada…

Vimos pessoas a pé, de patins, de skate, de trotinete, montes de famílias a caminhar empurrando carrinhos de bebé, muitas mulheres e homens de bicicleta com putos em cadeirinhas atrás, um ou outro atrelado, uma tandem, putos em bicicletas com e sem rodinhas, um miúdo num go-kart / balanzbike que ia puxando uma miúda de skate, alguns trikkers, umas quantas bicis dobráveis, muitos putos em BMXs, imensas BTT, algumas bicicletas de estrada, e até umas choppers todas estilosas! :-)

Mexa-se na MarginalMexa-se na MarginalMexa-se na MarginalMexa-se na MarginalMexa-se na MarginalMexa-se na MarginalMexa-se na Marginal

Também vi pessoas em cadeiras-de-rodas.

Mexa-se na MarginalMexa-se na MarginalMexa-se na Marginal

O Bruno foi de KMX kart e eu fui de Mobiky. :-)

Mexa-se na MarginalMexa-se na Marginal

A meio do caminho ele viu uma miúda que levava uma bicicleta da Cicloeiras (bicicletas de uso gratuito, da Câmara) pela mão, com a corrente saída e parou para a ajudar. Mas a miúda estava com azar, a corrente estava mesmo busted e não deu para arranjar, teve que a levar o caminho todo de volta à mão. E à mãe dela tinham-lhe roubado uma… Enfim, depois disso puxei a minha mais pró pé de mim enquanto esperava que o Bruno se despachasse daquilo e tirava umas fotos. :-P

Mexa-se na Marginal

Como perdemos noção das horas e nos afastámos muito, parte do caminho de volta foi feito de comboio, entre Paço de Arcos e Oeiras, porque entretanto a estrada iria ser reaberta ao trânsito motorizado e de novo interdita às pessoas. Vejam a diferença “antes e depois”:

Ao fim-de-semana as bicicletas são permitidas e não se paga mais (bom, o problema seria apenas o trike do Bruno, a minha bicic dobrável nunca paga. :-) No entanto, os bilhetes são caros, pagámos 1,10 € cada um, para aquela pequena distância…

Regresso de comboioRegresso de comboio

Quando saímos da estação passámos pelo estacionamento de bicicletas e vimos uma com peças roubadas. Voilà, a importância de prender bem todas as partes da bicicleta…

Always properly lock your bike!

Depois lá voltámos para a labuta. Foi uma manhã muito fixe. :-) Quando será que teremos alguém nas Câmaras e Governo que se digne a implementar um projecto brutal de uma faixa para peões e bicicletas desde Cascais até ao Parque das Nações, sempre junto ao mar e rio? Imaginem o potencial turístico e de mobilidade quotidiana… Era lindo. Enfim, resta sonhar…

Dão-se gatinhos!

Lindos e fofos, nascidos a 8 de Maio de 2007. :-)

Dão-se gatinhos

Feira do Livro de Lisboa

Bicicleta estacionada

Fomos lá no feriado e trouxémos 5 livritos, todos “utilitários”. Agora só falta arranjar tempo para eles. :-P Ainda comprámos alguns, mas se pudesse fazia como este senhor e levava um carrinho todo cheio de livros. ;-P

Trolley

Ah, e vimos o Jel a gravar um sketch qualquer:

Jel na Feira do Livro de Lisboa

Nota: detesto a zona do Túnel do Marquês e os malditos semáforos que nem dão tempo para atravessar a estrada. Quando é que alguém muda este ultraje que é a semaforização em Lisboa?

Campanha de sensibilização rodoviária

Há tempos vi o vídeo, anteontem, no regresso da Feira do Livro, vi ao vivo no Cais do Sodré.

Campanha de sensibilização rodoviária

O carro urbano, esse sorvedor de dinheiro e energia

Desde 2005 que registo todos os meus gastos mensais (yes, I’m a geek), para poder controlar tudo e aperceber-me onde gasto o dinheiro. Estive a compilar os dados de 2006 e para o meu carro, um Opel Corsa (a gasóleo) de 1997, os resultados são estes:

Total anual: 1912 € (2005), 1726 € (2006)
Média total mensal: 159 € (2005), 144 € (2006)

portagens/mês: 13 € (2005), 6 € (2006)
combustível/mês: 46 € (2005), 49 € (2006)
limpeza e manutenção/mês: 48 € (2005), 55 € (2006)
impostos e seguros/mês: 41 € (2005), 36 € (2006)

Não contabilizei os gastos em estacionamento nem em outros transportes alternativos/complementares. A diferença entre 2005 e 2006 é que no primeiro as minhas deslocações diárias eram para a FCT-UNL e para a FCUL. Em 2006 eram essencialmente para o INETI

Uma bicicleta dobrável, p.e. a Mobiky, no meu caso, paga-se em 7 meses se abdicar do carro e pagar o passe social L123 (~50 €) para usar a bicicleta em conjugação com os transportes públicos. Dependendo da pessoa - consumo e manutenção do carro, gastos em estacionamento, etc - este período pode diminuir significativamente mais. Eu não ando actualmente num ginásio, mas se andasse, o facto de passar a deslocar-me de bicicleta regularmente podia diminuir-me a factura aqui também. Se fosse ao ginásio seria para as aulas de grupo que mais gosto ou para actividades específicas e não simplesmente para andar na passadeira ou outras máquinas, tipo hamster. :-P

É brutal o dinheiro que se gasta por ano no carro… Cerca de 1750 €, mesmo que tirasse 600 € pró passe mensal, ainda tinha 1150 € para ir de férias ou comprar uma bicicleta ou um trike fixe (tipo um KMX Kart X Class, eheheh!). ;-) Em 2 anos dava para poupar o suficiente para comprar um trike já de gama média!! :-P

Em altura de pensar em arranjar casa própria uma pessoa que queira levar uma carfree life, em Portugal terá muita dificuldade… As urbanizações são feitas prós carros e não prás pessoas. Tudo é desenhado sob o paradigma do automóvel e do petróleo inesgotável, as estradas, as grandes superfícies, os caminhos e acessibilidades,… As pessoas são empurradas para este estilo de vida e mentalidade urbana de auto-estrada, quer queiram quer não. Mesmo tentar não usar o carro na zona onde vivemos é difícil. É comum não haver passeios, só estradas - muitas vezes sem bermas - a ligar povoações a 500 metros (ou menos!) de distância, ou locais dentro da mesma povoação (ex: Queluz de Baixo e Queluz Ocidental, Oeiras Parque e Quinta da Fonte, Ribeira da Lage e Casalinho Morais e Sassoeiros, etc, etc), e com muito movimento. As pessoas acabam por se refugiar dentro dos carros. E depois chegamos a esta cultura em que se leva o carro até à porta de casa, da escola, do restaurante, do supermercado. Daqui a 20 anos vamos ter uma população toda obesa, está-se mesmo a ver…

*sigh*

Temos que mudar este estado de coisas.