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Vale Fuzeiros nos media

A minha família materna é toda natural do Conselho de Silves e por lá vive. A minha tia e o marido vivem em Vale Fuzeiros, um local de rara beleza natural. Nem vos consigo descrever o quão lindo é o céu nocturno naquele lugar… :-) Nem o da minha avó, perto de Messines, que eu já acho tão overwhelming consegue igualar o do Vale.

É um local habitado essencialmente por pessoas idosas e algumas menos idosas mas de fracos recursos económicos e pouca educação académica. E depois, como um pouco por todo o Algarve mais interior, há os estrangeiros, que são os que descobrem estes pequenos paraísos, e aí instalam diferentes actividades (turismo rural, agricultura biológica, artesanato, etc, etc). São eles que trazem inovação (e dinheiro) a estas povoações e, muitas vezes, são os que mais as defendem de abusos por parte do nosso próprio Governo e por parte de lobbys económicos. Claro que não o fazem exclusivamente por altruísmo, se ali têm os seus refúgios privados ou negócios implementados ou por implementar, mas seja como for, são infinitamente mais activistas e mais informados do que as populações locais que por lá resistem.

Ontem veio um grupo de residentes de Vale Fuzeiros manifestar-se em Lisboa contra o traçado de uma linha de muito alta tensão da REN, que parece que vai passar por lá, colocando em risco a saúde das pessoas e desvalorizando a área, por isso, e por contaminar e afectar a beleza natural daquela zona. Tiveram o apoio dos residentes de Sintra, afectados por uma situação similar (embora mais em questões de saúde, visto não podermos, not in our wildest dreams, comparar o contexto de paisagem de Vale Fuzeiros com o da sobrepopulada Sintra urbana…).

Não sei que interesses este traçado e o modo de implementação (aéreo) servem. Talvez outras alternativas existam, e provavelmente serão mais caras. Azar, gastem-no. Se têm dinheiro a rodos para deixar fugir para os bolsos de políticos e funcionários públicos corruptos ou sem ética, se têm dinheiro para gastar em coisas etéreas e fúteis, também têm para salvaguardar o bem-estar, a vida e os parcos interesses destas pessoas. Não sou de forma alguma contra o “progresso” (autoestradas, rede eléctrica, etc, etc) mas este não pode ser feito com prejuízo para os indivíduos, os pequenos e os insignificantes. E se há maneiras melhores de fazer as coisas, há que optar por elas.

But hey, isto é Portugal. Um país de governo corrupto (brandos costumes, mas a corrupção branda também mói e atrasa) e povo acomodado. Vejam o que têm feito e deixado fazer ao algarve litoral, agora ao alentejo litoral, a tudo o que seja natureza. Destroem os recursos para fazer dinheiro fácil e rápido, e amanhã já não teremos nada para vender nem para atrair turistas e investimento porque as pessoas não vêm cá pelo betão e pelos hotéis luxuosos. Esse podem ser feitos em qualquer lugar. As pessoas vêm cá pelo que a Natureza construiu, não o Homem, vêm pelo mar, pelas praias, pela costa unspoiled and uninhabited (not for long), pelas terras desertas de gente mas povoadas de paz, ar puro, Natureza, beleza.

Não sei se isto é um problema das pessoas no geral, se das do meu país em particular. Mas enoja-me o que as pessoas com mais poder (económico, político) fazem just because they can, quando é delas que se esperaria maior ética, maior sentido de dever, maior inteligência (não em proveito próprio, mas da comunidade). Mas não, parece que quanto mais têm e são, mais querem ter e ser and fuck everyone else. Viver neste mundo é uma desilusão permantente, aliviada apenas por alguns momentos intercalares de esperança ténue…

Enfim, gloomy day, I guess.

Fazer pão, à moda antiga

Já viram alguém fazer pão caseiro, no forno a lenha? A minha avó materna ainda vai fazendo, de vez em quando (aquilo é trabalho braçal puxado!).

Preparar e depois tender a massa:

A avó a tender a massa do pãoA avó a tender a massa

Colocar a massa preparada no tabuleiro:

A avó a ajeitar os panitos por cozer

Pôr o pão no forno:

A avó a pôr os pães no forno

Uma hora depois, voilà:

O pão cozido

Pãozinho algarvio caseiro! :-) Melhor, só o pão-bolo que eles chamam “costa” e que é uma gulodice simples mas irresistível. :-D

Geradores eólicos

Na última vez que fui a casa da minha avó, já estavam os 3 geradores instalados, embora apenas um em funcionamento.

3 geradores eólicos

Não resisti e fui lá acima vê-los de perto. :-P

Os geradores eólicos vistos de perto

A escala daquelas coisas é gigantesca!!

Base de um gerador eólicoGerador eólico visto de baixo

Estranhamente, mesmo por baixo daquilo não se ouvia barulho algum das hélices a girar, apenas um zumbido do motor. Mas lá em baixo, onde fica a casa da minha avó e a dos meus tios (um pouco mais para trás), ouve-se um “zuuummmm” mais forte e que parece estar associado ao girar das hélices…

Vista lá do alto

O ruído não é dramático, mas em algumas situações/circunstâncias pode ser um bocado incomodativo. Esperemos que os 3 a funcionar não seja muito pior…

Quando lá fui ao monte espreitar ainda andei às voltas à procura de outra coisa, a escola antiga da minha mãe e dos meus tios. Não a encontrei mas vi imensas casinhas lá no alto, incluindo esta, que ou era mesmo nova ou restaurada:

Casa no topo do cerro

Atrás tinha outra, em ruínas. Está à venda. Parei lá e fui bisbilhotar. Não imaginam o silêncio daquele lugar. Um silêncio ABSOLUTO. Mesmo com os geradores a pouca distância. Só muito raramente passava algum carro. De resto,… era o silêncio. Não me lembro da última vez que senti tanta paz. :-) Nada a ver com o Algarve que a maior parte das pessoas conhece… (e que eu detesto!).