Master plans

Há tempos foi o Chicago Bike 2015 Plan (algo assim é apenas um sonho num município em Portugal…). Agora ouvi falar do Seattle Bicycle Master Plan. Pelos vistos o Departamento de Transportes de Seattle foi agraciado com $32 milhões de dólares para investir em projectos para o uso da bicicleta.

Por cá ficámos a saber que o governo vai gastar (eu diria investir se isto fosse um investimento e não um sítio onde enterrar dinheiro) € 332 milhões de euros em estradas para automóveis… Concordo que há vias que devem ser terminadas, agora aumentar faixas e cenas do género… Falta uma visão global, da big picture, estratégica que envolva todos os modos de transporte e ponha as prioridades nos sítios certos.

Segundo o ministro das Obras Públicas, Mário Lino:

«Considerando que "as acessibilidades rodoviárias hoje existentes na região de Lisboa são manifestamente insuficientes para poder responder de forma adequada a um tão grande volume de tráfego, tornando muito difícil e penosa a mobilidade nesta região", o governante frisa que o principal problema é "só haver duas radiais (A5 e IC19), que apresentam fortes problemas de estrangulamento, provocados pela grande sobrecarga de tráfego automóvel".»

«Mário Lino fez questão de sublinhar que o conjunto de obras anunciado "não são meras intenções, mas compromissos concretos para resolver definitivamente os principais problemas de acessibilidades na zona ocidental da Grande Lisboa".»

lol! Estes tipos querem fazer-nos crer que a solução para a sobrecarga de tráfego automóvel é… abrir mais estradas. E que isto “resolve definitivamente” o problema. Ahahahah! Deixem-me rir. Aliás, deixem-me chorar, porque vivo num país de cegos intelectuais. Eles assumem nas suas conjecturas que o número de carros fica estagnado ao nível actual (pré-obras). “Esquecem-se” que abrir mais e mais estradas só leva a que mais e mais pessoas optem por usar o automóvel mais e mais vezes (“porque acabaram os congestionamentos e leva-se menos 50 % do tempo no IC19″…). Ok, dream on, dream on

Meus amigos, mais uma faixa no IC19 só vai significar que podemos ficar engarrafados numa maior extensão transversal além da longitudinal. Será assim tão difícil de olhar para os exemplos do passado e do presente para perceber isto? Se eu percebo e vejo como é que um Sr. Dr. do governo não é capaz do mesmo?! Olhem o exemplo aqui da variante de Porto Salvo…

Vejam só a sofisticação e o óbvio conhecimento do que estão a falar e do que seria supostamente o seu trabalho por parte dos membros do governo:

«Mário Lino aproveitou para desafiar o ministro do Ambiente, Nunes Correia, "a atestar bem a preocupação ambiental que esteve subjacente à solução encontrada".

Respondendo ao repto lançado, Nunes Correia confirmou essa preocupação, considerando que "estas obras são relevantes em termos de ambiente, ordenamento do território e desenvolvimento regional". Na sua opinião, "as novas acessibilidades são estruturantes para ordenar toda esta região".»

E agora a parte mai linda:

«Esclarece que, como consequência das futuras rodovias, "o aumento da fluidez do tráfego é um elemento-chave para reduzir a emissão de gases com efeito de estufa". Segundo especificou, "os carros parados ou a circular em pára-arranca emitem dezenas de vezes mais gases".»

lol! Estes tipos são mesmo impagáveis! Claro, para diminuir os gases de efeito de estufa vamos construir mais estradas por todo o lado, a cortar cidades e vilas, e separa vizinhos, a tornar o ar irrepirável a a rua um depósito de automóveis impróprio para as pessoas circularem, usufruirem e totalmente off limits para as crianças. F***-se, que merda de país mais bronco.

Esta entrada foi publicada em ambiente, mobilidade com as tags , , , . ligação permanente.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.