Tag Archive for 'Oeiras'

Ir ao ecoponto de bicicleta

Depois de a CMO boicotar o sistema de recolha de reciclagem porta-a-porta com falhas recorrentes na recolha (nuns dias era recolhida, noutros não, aleatoriamente), e embora se saiba que é o processo mais eficiente, a CMO acabou por cancelar esta forma de recolha e instalou um ecoponto perto de onde moro.

Como tinha acumulado muitas coisas (damn publicidade pelo correio :evil: tenho que colocar um autocolante) que não tinham recolhido, tinha uma quantidade significativa de papéis para levar ao ecoponto, que levando a pé seria pouco saudável para as costas. Sabia que a minha bicicleta se adequava à tarefa e foi mais uma possibilidade de colocar à prova o conceito long-tail :) . Teria sido mais eficiente se tivesse um acessório que permite levar carga mais larga, mas mesmo assim foi um processo (quase) pacífico:

Eu digo quase porquê? Mesmo o fim da recolha porta-a-porta foi pacífico. Passamos a acumular tudo e a levar ao ecoponto. Já estávamos habituados a acumular até que num dos dias de recolha não tivéssemos que acartar os sacos de volta para o quintal por não os terem recolhido. O problema é quando as infraestruturas não prestam, e aí começamos a sentir-nos estúpidos. Já temos um trabalho acrescido (que no nosso caso já se tornou natural, apesar do José Rodrigues dos Santos achar que é algo muito complicado:evil: ), complicam o processo (a recolha porta-a-porta funcionava bem, quando havia), e implementam soluções pouco adequadas que não só são pouco ergonómicas, como neste caso são perigosas.
Não sei a frequência da recolha do ecoponto, mas notei que os depósitos do ecoponto já estavam quase cheios, o que não deixa de ser bom sinal, há mais gente a usar o ecoponto. Embora naquelas condições tema pela sua segurança.

Parece que em Oeiras a norma é colocar os ecopontos no meio do passeio (ocupando a totalidade do passeio, já vi vários) e obrigar as pessoas a colocar as coisas para reciclagem da estrada. Como se isto não fosse já suficientemente mau, neste local, este está situado na estrada principal da localidade, a seguir a uma curva perigosa onde circulam carros a mais de 80km/h (apesar do limite ser 40km/h). É até um local onde já ocorreu pelo menos um acidente grave onde só não morreu ninguém porque não havia pessoas no passeio (só carros estacionados a ocupá-lo), nem vinham carros em sentido contrário.

A carrinha está estacionada de tal forma que oculta os depósitos e qualquer pessoa que esteja a colocar lá coisas.

Mesmo visto do outro lado da estrada, na curva, o ecoponto fica totalmente escondido tal como qualquer pessoa que o esteja a usar:

Existe um local perto onde existe espaço mais que suficiente para uma ilha com ecoponto onde poderia ser instalado um daqueles enterrados no chão, que não só seria mais seguro de usar, como costuma ser por si só mais ergonómico (as bocas dos depositos são maiores e mais baixas).

Claro que não se pode fazer tudo, ou se constroem rotundas luminosas ou infraestruturas para a população, e há que ter as prioridades bem definidas!

Aparte da construção desenfreada para habitação, vivo num local abandonado, exceptuando algumas obras estéticas típicas no concelho…

Oportunidade perdida - possibilidade de futuro

A grande oportunidade de tornar uma zona esquecida (freguesia de Porto Salvo, parte Oeste da freguesia de Barcarena, freguesia de São Marcos) de Oeiras num local melhor para viver perdeu-se.
Há muitos espaços de escritórios de grandes empresas, até um campo de golfe, mas aquilo que alguém com uma visão acertada de sustentabilidade e qualidade de vida podia ter criado, infelizmente não existe.

A construção da ligação entre a A5 e o cacém/IC19 foi uma oportunidade enorme para ligar adequadamente a freguesia de Barcarena com a freguesia de Porto Salvo e de criar na zona de São Marcos a merecida zona de convivência e lazer que a especulação imobiliária esqueceu.

Em vez de juntar estas zonas e dar-lhes uma nova vida, construiu-se uma muralha.

Será que é pelo facto dos responsáveis pelas decisões de urbanismo do concelho não viverem nestas zonas? Será pelo facto de apenas se deslocarem pelo concelho de carro e nunca pararem em lado nenhum? Esta zona “não tem nada para ver”. Pois, talvez uma conjugação de factores, pois recuso-me a aceitar que estas decisões sejam feitas com conhecimento de causa e sem mais do que olhar para o mapa aéreo do concelho.

Esta ligação rodoviária corta sem uma única ligação pedestre as populações de ambos os lados, desde o Cacém até Oeiras. A ligação mais recente, entre a saída para Porto Salvo da A5 e o Cacém foi desenhada com uma visão no carro, para o carro e sem contemplar absolutamente mais nada. “Construam as estradas e os carros virão”, se não é ditado, devia ser, pode verificar-se que apesar de tão recente já está engarrafada nas horas de maior tráfego.

Divisão total sem nenhuma ligação pedestre.
——————–

A ligação entre Porto Salvo, Vila Fria, Leião e Leceia é feita por duas estradas sem passagem para peões
——————–
Não é possível ir a pé de Leceia para o Tagus Parque

Não é possível ir a pé de Leceia para os escritórios no Tagus Parque, ou para o IST
——————–
Quem trabalhe nos escritórios do Tagus Parque tem que ir de carro se quiser ir para o campo de golfe

Quem trabalhe nos escritórios do Tagus Parque tem que ir de carro se quiser ir jogar para o campo de golfe
——————–
Leião está ligado a Leceia por uma estrada sem berma nem passeio

Leião está ligado a Leceia por uma estrada sem berma nem passeio
——————–
Estrada antiga cortada pelo acesso

Estrada de gravilha antiga onde era possível circular a pé, cortada pelo acesso
——————–
Porto Salvo está ligado a Vila Fria por uma estrada sem ligação pedestre

Porto Salvo está ligado a Vila Fria por uma estrada sem ligação pedestre
——————–
Não existe forma de ir de Porto Salvo para Vila Fria ou daqui para Paço D'Arcos a pé

Não existe forma de ir de Porto Salvo para Vila Fria ou daqui para Paço D’Arcos a pé

Imagine-se que em vez de fazer vários centros comerciais se construia uma via de baixo tráfego (zona 30) com jardim a todo o comprimento (a sério: com montes de árvores e arbustos, bancos para os descansar e almoçar, etc, sem tapetes de relva porque já existe um campo de golfe; nem mármores, porque já temos a Pedreira dos Poetas) para Leceia, Leião, Porto Salvo, Vila Fria, São Marcos. Uma avenida para as pessoas, com comércio local, onde os trabalhadores dos centros de escritórios podiam ir passear, almoçar, comprar mercearias ao fim do dia. Imagine-se que nessa via se fazia uma via de eléctrico para ligar a linha de comboio de Cascais à linha de comboio de Sintra? Um espaço verde, sossegado. Um espaço para as pessoas, sustentável? As crianças da escola podiam ir a pé para casa, apanhar o eléctrico, de bicicleta, depois de passar na padaria a comprar o pão para o lanche e uma alface para o jantar…

Quando o paradigma mudar, isto deixará de ser um sonho. :)

O contraste em Oeiras publicado pela imprensa local

Não é novidade para ninguém que os transportes públicos em Oeiras, fruto de serem geridos por entidades privadas que não prestam contas a ninguém, são sofríveis e estão a degradar-se.
Como as pessoas enchem a paciência com a frustração de cada dia no seu commuting, esta mais cedo ou mais tarde acaba por transbordar. A maioria desabafará em alta voz no autocarro ou no comboio, outros o farão com a família, outros consigo próprio. Gostei de ver que cerca de 100 destas pessoas não estiveram com meias medidas e fizeram aquilo que é necessário, ou seja, manifestarem-se junto da Vimeca (já que a CMO ou não faz nada, ou não tem mão nem dizer nas políticas desta empresa…):

vimeca.jpg

Quanto a mim, no dia em que a Vimeca se recusasse a melhorar as condições das carreiras ou a criar novas ligações, era no dia em que abria um concurso público para outro operador preencher as lacunas. Se não há controlo autárquico destes problemas e é a lei do mercado que define as políticas então se calhar o problema mais uma vez é o monopólio da Vimeca…

Noutra notícia caricata, fala-se de uma rua em Carnaxide a necessitar de requalificação. Ora um dos problemas apontados pelos residentes é a falta de espaço para estacionar. Quem conhece minimamente aquela zona sabe a selvajaria que é o estacionamento (demonstrado até na fotografia ilustrativa), a minha dúvida ficou em saber onde é que vão arranjar mais espaço. Cá para mim aqueles “espaços verdes” da foto (e outros na zona) estão mal aproveitados (alguns não, já têm carros). O melhor será cilindrar tudo, alcatroar e puff mais espaço de estacionamento. Os putos já nem podem vir para a rua jogar à bola que correm o risco de ser atropelados (por isso é que os pais entopem os portões das escolas a deixar as crianças), e o espaço para brincar está todo ocupado por carros. Ora o que vale é que a natalidade também é baixa, senão todas as famílias com 7 ou 8 elementos, cada um com o seu carro, vinham exigir o espaço de estacionamento a que supostamente têm direito, e ai o problema ainda seria maior. A ideia de que o espaço público (ou seja, de todos, ao contrário de quem acha que é de ninguém) dá direito a ser ocupado por propriedade privada, sem que se pague o seu real valor, dá aso a que se ache que se tem o direito de roubar este espaço ao resto das pessoas, enfim:

faltadeespaco.jpg

Oeiras: Concelho cosmética

Oeiras: Concelho CosméticaAs freguesias do interior do concelho de Oeiras são, nem mais nem menos, que serventia do resto do concelho e local onde existe um ou outro ponto de ‘interesse’ económico ou de fachada, como os pólos de empresas e a Fábrica da Pólvora/Universidade Atlântica.

Oeiras: Concelho CosméticaTodas as infraestruturas construidas são para servir essas unidades, as pessoas que não moram no concelho, nunca para servir a população. E quando as necessidades dos trabalhadores das empresas desses pólos estão satisfeitas (leia-se as estradas que trazem e levam as pessoas dos locais), embeleza-se os lados das estradas com umas árvores, ou as rotundas (noite sim, noite não, destruídas por alguém que não viu os sinais de rotunda), deixando de parte as infraestruturas que deviam servir a população. Passeios, passadeiras, apeadeiros de transportes públicos? Isso é coisa de país desenvolvido.

Oeiras: Concelho CosméticaDepois fazem-se obras megalómanas como o SATUO, que nem quando estiver pronto servirá a população, já alguém viu o traçado com atenção? Não se criam infraestruturas para transportes alternativos ou pessoas a pé, bons transportes públicos, mas desperdiça-se o dinheiro antes de se construir o mais básico…

Quando leio que Oeiras é dos concelhos mais avançados, ou sei lá o quê, pergunto-me se quem diz essas barbaridades alguma vez visitou o concelho de Oeiras todo…

Oeiras: Concelho Cosmética

Oeiras: Concelho Cosmética

Oeiras: Concelho Cosmética