Tag Archive for 'Partilha'

Conheces “coisas” sob Creative Commons?

media-cc.pngO projecto LiveContent 2.0 da Creative Commons associado ao projecto OLPC e ao Textbook Revolution pretendem juntar media (texto, imagem, música, vídeo) que esteja sob uma licença Creative Commons para distribuir pelo mundo. O LiveContent é um LiveCD baseado no Fedora 8.

Seja ele de outrem ou próprio, basta sugerir conteúdo a incluir neste pacote.

O gozo de criar por criar e o efeito que isso tem nos outros

Alguém se lembra de fazer uns vídeos a dançar, nada de novo:

acho fascinante o que isso inspira outras pessoas a fazer, também pelo puro gozo de criar:

:D

Ainda vem o Elton dizer para fechar a Internet ou o Andrew Keen a dizer que esta criação amadora vai matar a cultura (análise do livro por Lawrence Lessig)… eu acho que há lugar para tudo, como tudo o que se pratica para se ser melhor nessa área, estas amadorices que as pessoas vão criando são muitas vezes fruto de muito trabalho a desenvolver estas habilidades (seja dançar, pintar, tocar música) que na maioria dos casos nunca seriam aproveitadas, mesmo que a filmagem e edição de vídeo não sejam das melhores.
Claro que há muita coisa sem qualidade, mas cabe a cada um filtrar o que lhe interessa e até quem produz conteúdo sem qualidade pode ser motivado a evoluir com o comentário e avaliação de outras pessoas. Ou talvez não. :P

Música livre na Web?

Acho piada quando certos “jornalistas” perguntam a artistas presos a editoras se são contra ou a favor da música livre (normalmente focam só o factor económico e perguntam por gratuita) na Web (ou Internet considerando as redes P2P). Haverá artistas que são a favor, outros contra. Dos que são contra alguns vão tão longe e de forma incoerente assumindo “aproveitar” para aceder a esta música livre também, apesar de serem contra, presumindo-se que referem música protegida sob licenças anti-partilha.

Não existe um debate sério das questões da liberdade da cultura, da diferença entre os conteúdos gratuitos ou livres. Existem comunidades como o Jamendo onde os artistas colocam a sua música com acesso livre e gratuito, com formatos de ficheiros livres (OGG) e o sistema permite doar dinheiro aos artistas, indo este para eles, não as percentagens ínfimas que os artistas recebem das editoras. Este projecto contém já mais de 2000 álbuns. Se o modelo de negócio das editoras está completamente obsoleto, se existem alternativas à promoção e propagação da música, porque é que não há mais artistas das editoras a mudar para estes sistemas?

O sucesso é bastante subjectivo, e normalmente é criado pelas editoras. Quando uma banda tem sucesso, é provável que não se deva à sua capacidade técnica ou criatividade, mas ao bombardeamento que é feito através das playlists da rádio (a música passa no mínimo uma vez por dia, em cada rádio), aos anúncios, etc. Isto explica perfeitamente as bandas com um só sucesso. Muito dinheiro é investido para criar o sucesso dos artistas, logo seria burro da parte deles serem contra isso, mas quando estes são pressionados a criarem música comercial, a serem comerciais só para vender, onde é que ficou a sua integridade artística? O que é o artista e o que é um stunt comercial? Alguém que interpreta exclusivamente música feita por outros, não toca instrumentos e nem canta nos concertos é um artista?

Quando alguém na Web tem imenso sucesso, vem uma editora à espera de ganhar rios de dinheiro e oferece-lhe a venda da alma por um álbum, e esta pessoa aceita. Será que a editora acha que o que tornou este artista famoso na Web funciona com um modelo de negócios que não é compatível com o conceito básico da Web? Um modelo que é contra a partilha e distribuição livre? Que é contra os fãs?

Acho que os “jornalistas” deviam ter mais cuidado em falar de música gratuita, porque esta existe de forma legal, livre, pode ser partilhada, exibida publicamente, podem criar-se trabalhos derivados (mixes, dubs, usar samples). Perguntar a alguém se é contra isto é absurdo, no âmbito que iria contra a liberdade de artistas em todo o mundo que partilham a sua música por própria iniciativa. Os artistas a quem são feitas estas perguntas sabem melhor que os artistas que partilham a sua música sobre um modelo comunitário, livre? Creio que não. Perguntem se se é a favor da música protegida por Copyright que aparece na Web, não por música gratuita. Não sejam tendenciosos, vejam para além do que as editoras querem mostrar. Ou será que isto é mais uma parte do funcionamento de cartel das editoras? Introduzir este ruído jornalístico nos media?

Para referência pode ser consultada a licença Creative Commons sob a qual existe muita música disponível na Web. Esta licença já tem enquadramento legal em Portugal.

Outros projectos interessantes no âmbito do Creative Commons são o ccMixter, que fornece uma infraestrutura para partilhar remisturas de músicas livres (sob CC) e um projecto comunitário de trechos de som (samples) que funciona agora em parceria com o ccMixter, o freesound project.

Austrália torna os links ilegais?

Yeah, yeah, não foi bem isso que aconteceu, mas serve para chamar à atenção para o que não me parece tão distante assim, visto o avanço galopante das restrições que muitos querem impor à Web. Parece que um site que tinha links para ficheiros de música protegidos por Copyright foi condenado, junto com o hoster por este motivo! Simplesmente ter links para esse conteúdo!

Se isto não se começa a equiparar com o início da destruição da Web, não sei. De um mero site com mp3s ilegais para alguém que faça um link para uma notícia (como sugere a Melissa Draper), ou coloque no seu site/blog um vídeo no YouTube que ache de interesse, mas que acabe por ter Copyright, não vai quase nada…

Continuo a considerar que as editoras de música (empresas que levantaram o processo sobre o site) deviam pagar a sites como o YouTube por lá terem vídeos e músicas deles, e não ao contrário. É assustador verificar que muita legislação é feita em prol destas empresas ignorando os direitos dos cidadãos, direitos de consumo e direito à cultura.

Pena isto fugir à atenção da maioria dos consumidores destas empresas…