Faz-me confusão esta onda de perseguição à partilha de ficheiros, os recursos (públicos, legais) que são alocados para tratar destes casos em que não há roubo de propriedade (são cópias digitais, que ao fim ao cabo custam ao detentor o espaço em disco ou os CDs e DVDs usados), em que a partilha é feita ponto a ponto (mesmo que se usem trackers ou servidores de encontro), sem fins lucrativos (foi para proteger o lucro do copyright holder que este foi criado).
Começo a ficar preocupado se estes casos começam a chegar ao nosso país, os corruptos seguem impunes mas começamos a prender gajos que filmam um filme no cinema (já cá vi um aviso pidesco no cinema sobre cams. Se reduzissem os anúncios ou se melhorassem o serviço talvez fosse mais gente ao cinema: cadeiras e chão imundo, empregados que me dizem o que eu já li no bilhete, por vezes até antipáticos, os filmes também não são nada de especial…).
Muita gente acaba por obter os filmes desta forma porque os DVD não estão disponíveis e porque as datas de lançamento são muito desfasadas.
Isto também acontece com a música, sai o single, os albums já sairam há meses noutros países, ou estão prontos mas não são postos à venda, mas criam procura sem haver oferta. Claro que mais cedo ou mais tarde há um leak e depois admiram-se…
Pelo menos se alguém for apanhado nesta situação (que duvido, já que os filmes já sairam no resto do mundo, não tem interesse fazer uma gravação cá. Por essa altura já há DVDs do filme noutros países…) sabe que tem ao seu dispor as mesmas ferramentas dos corruptos (menos o dinheiro provavelmente), trocam umas palavras num documento qualquer para o processo voltar atrás, tornam-se penpals de algum funcionário do ministério da justiça para trocar cartas até que o processo prescreva, ou algo desse género… mas no final talvez seja mais certo alguém ser preso nesta situação que por corrupção.




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