Faz-me confusão esta onda de perseguição à partilha de ficheiros, os recursos (públicos, legais) que são alocados para tratar destes casos em que não há roubo de propriedade (são cópias digitais, que ao fim ao cabo custam ao detentor o espaço em disco ou os CDs e DVDs usados), em que a partilha é feita ponto a ponto (mesmo que se usem trackers ou servidores de encontro), sem fins lucrativos (foi para proteger o lucro do copyright holder que este foi criado).
Começo a ficar preocupado se estes casos começam a chegar ao nosso país, os corruptos seguem impunes mas começamos a prender gajos que filmam um filme no cinema (já cá vi um aviso pidesco no cinema sobre cams. Se reduzissem os anúncios ou se melhorassem o serviço talvez fosse mais gente ao cinema: cadeiras e chão imundo, empregados que me dizem o que eu já li no bilhete, por vezes até antipáticos, os filmes também não são nada de especial…).
Muita gente acaba por obter os filmes desta forma porque os DVD não estão disponíveis e porque as datas de lançamento são muito desfasadas.
Isto também acontece com a música, sai o single, os albums já sairam há meses noutros países, ou estão prontos mas não são postos à venda, mas criam procura sem haver oferta. Claro que mais cedo ou mais tarde há um leak e depois admiram-se…
Pelo menos se alguém for apanhado nesta situação (que duvido, já que os filmes já sairam no resto do mundo, não tem interesse fazer uma gravação cá. Por essa altura já há DVDs do filme noutros países…) sabe que tem ao seu dispor as mesmas ferramentas dos corruptos (menos o dinheiro provavelmente), trocam umas palavras num documento qualquer para o processo voltar atrás, tornam-se penpals de algum funcionário do ministério da justiça para trocar cartas até que o processo prescreva, ou algo desse género… mas no final talvez seja mais certo alguém ser preso nesta situação que por corrupção. ![]()









Olá.
Há uns aninhos um grupo de jovens foi “gentilmente” visitado pela PJ porque andavam a “investigar” (mesmo sem aspas) os sistemas a que conseguiram aceder.
Os italianos resolveram a questão das cópias (alguns sem se terem apercebido) há pouco tempo. A Actividade de cópia é executada sem fim lucrativo então não é ilegal.
Nota: No caso de quererem ficar elucidados sobre o grupo de jovens procurem por Celso Martinho no Sol no exemplar (em papel) de sábado passado (não encontrei ligação no lixo do Sol on-line).
Em Inglaterra há uma proposta de lei (ou algo parecido) que pretende colocar os ISP a policiar os utilizadores que usam p2p. A Comcast nos EUA degrada a ligação aos utilizadores de aplicações p2p.
Se um utilizador usar protocolos p2p para obter conteúdos para os quais não precisa pagar royalties, estejam estes sobre licenças que permitam a partilha (cc,outras copyleft), que podem usar trackers ou outros tipos de servidores de encontro também usados para partilhar ficheiros ditos ilegais, ou para os quais tenha pago royalties, em sites que usem este modo de distribuição, como é feita a distinção? Basta usar o tpb para sacar música do Jamendo ou isos de alguma distribuição, com os clientes de bt actuais a cifrar a comunicação como é que deduzem que o utilizador está a quebrar a lei? Snifam o nome do torrent quando o utilizador o obtém?
Dê lá por onde der alguma coisa vai acontecer… Se é o copyright a mudar, um policiamento cretino ou a internet a mudar não sei… mas lá que vai mudar vai, há demasiada gente a não ganhar tanto $ como pode e já se mexem.
Os artistas começam a perceber que têm que arranjar outras formas de ganhar dinheiro: mais media (DVDs dos concertos, mais álbuns), produtos promocionais, mais actuações, e eventualmente mudar para uma distribuição mais justa, em que o dinheiro não fica quase todo por intermediários.
A música tem que ter mais qualidade e o pessoal do meio tem que se contentar em viver bem em vez de serem milionários que usam notas em vez de papel higiénico, esfregando-as na cara dos fãs nos MTV Cribs…
Surgirão empresas de produção e distribuição independentes as quais os artistas podem contratar para produção e distribuição física de CDs e DVDs, tornando o meio principal de distribuição serviços p2p (porque no início será sempre difícil arcar com os preços da largura de banda).
O Copyright devia passar para os estudados cerca de 14 anos, passando para uma licença tipo Creative Commons ao fim desse tempo (para proteger o artista mas garantir que passa a ser parte integrante da cultura e de uso livre) e aquando da morte do artista passava para domínio público.
O pessoal que faz download e partilha ficheiros sob Copyright paga os discos rígidos, uma taxa além do preço dos CDs e DVDs virgens e o acesso à Internet. Claro que esse dinheiro não comprava a música e os filmes, mas talvez o preço destes não esteja adequado. Como pode uma cópia digital custar o mesmo ou mais que um CD/DVD físico? Podiam inventar uma forma de se licenciar a música e os filmes sacados de redes p2p a preços adequados, mas se calhar isso não resultava…