Archive for the 'ambiente' Category

As ramificações do problema do pico do petróleo

À medida que o petróleo for escasseando, relativamente às solicitações, não é só o combustível que vai ficar mais caro, nem sequer tudo o que depende do transporte para chegar ao consumidor. TUDO fica mais caro. O petróleo é a matéria-prima para uma série de materiais que os objectos do nosso dia-a-dia incorporam.

Os pneus das bicicletas vão ficar 18 % mais caros já no próximo ano.

Mas tudo o que tenha plástico será afectado. Agora pensem em tudo aquilo que usamos todos os dias… Até a roupa (nylon e outras fibras) deriva do petróleo…

E ao mesmo tempo, com a corrida aos biocombustíveis (mais um problema do greenwashing de consciências) para continuar a alimentar os SUVs mas de uma forma “verde”, a comida também vai ficar mais cara, porque será mais rentável para os agricultores cultivarem as suas terras com espécies boas para transformar em biodiesel do que culturas para alimentação. Além da escassez de culturas para alimentação, pode haver escassez de determinadas culturas específicas também.

Vamos ter que escolher: ou temos combustível para pessoas ou temos para automóveis. Acho que a maior parte da população nem pensa nisto…

Ah, o problema não tem a ver apenas com o petróleo começar a escassear. É que além disso, as necessidades de petróleo como matéria prima para produtos ou combustível não pára de aumentar no Ocidente, e de repente a China começa a despertar e há milhões e milhões de chineses de classe média (and above) a almejar ter tudo aquilo a que nós por estes lados nos habituámos a ter facilmente. Como é óbvio, não vai dar para todos…

Dark times ahead…

A onda do eco-consumo e outras nuances de greenwashing (da consciência ou do marketing)

O João Nunes enviou este vídeo para a lista da MC, um grande achado:

É uma onda em grande expansão no Ocidente e, embora possa ser bem intencionada, os seus seguidores podem incorrer em algumas armadilhas de raciocínio. A sustentabilidade EXIGE um redimensionamento das nossas necessidades. O tamanho das nossas casas (e o número delas que possuímos!), o tamanho e outras características do carro que temos e/ou conduzimos (e o número deles!!), a quantidade de electrodomésticos consumidores de matéria-prima e de energia, as deslocações que fazemos e por que meios as fazemos,…

Um estilo de vida com uma casa principal e sei lá quantas de férias, não sei quantos carros, mesmo que seja uma “eco-casa”, uma moradia de várias centenas de m2 não é “verde”. Um SUV tipo tanque nunca será “verde” mesmo que seja híbrido. Ter a casa cheia de tralha secundária não é verde mesmo que essa tralha seja feita de “eco-materiais”…

A sustentabilidade passa por ter menos e usar menos, e só depois, e aí sim, aquilo que temos e usamos ser feito de materiais reciclados e/ou recicláveis, não tóxicos nem a jusante nem a montante, e sempre que possível fabricados localmente, com materiais locais. O american way of life (tudo em versão XXL) não é sustentável mesmo que seja “eco”.

Beware of marketing greenwash (and its sins), but also of your own conscience’s greenwash…

O futuro da construção

Edifícios dinâmicos e auto-suficientes energeticamente. :-)

[Via]

“Pele - o eco-vestuário por excelência”

O greenwashing está a assolar todas as áreas do consumo. Agora querem fazer crer aos consumidores que as peles de animais (verdadeiras) são “verdes”, “eco”… Valha-nos Santa Engrácia…

Remember, remember, the 5th of November…

[Via]

País insustentável, intolerável

Na 5ª-feira passada, 22 de Novembro, fomos a Lisboa, ao lançamento do livro “País (In)sustentável“, da Luísa Schmidt, no Teatro S. Luiz (again!).

Não sabia do livro, foi através de um blog or something que soube disto, praí na véspera, e decidi ir. Leio a coluna da autora no Expresso desde que me lembro, gostei de ver aqueles documentários «Portugal – Um Retrato Ambiental», e tenho-a em boa conta, no geral. Bom, àparte de ela no final do último “Um Dia Por Lisboa” ter dado convites para o lançamento do livro a pessoas com quem nós estávamos a conversar mas não a nós, à nossa frente. Na altura não sabia o que era, agora já sei. Enfim, também não tem importância, foi só um pormenor. :-P

Nunca tinha ido ao lançamento de um livro, e fui mais para saber como era. Posso comprar o livro noutro sítio qualquer. Afinal ali era mais barato uns 5 € e aproveitei o desconto. ;-)

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Não, no final não fui “falar com a autora”, nem pedir um autógrafo. O que iria dizer? “Ah, gosto muito do seu trabalho.” Ou outros clichés do género? Eu não conheço a mulher! E não sei fazer conversa, já sabem. :-P E também não fomos petiscar depois, afinal, não fomos convidados. lol

Foi uma viagem multimodal: carro + bicicleta para lá, bicicleta + Metro + carro para cá.

No Metro

Já tenho bastante experiência de utilização da Mobiky com o Metro e há cenas que me lixam o juízo. Porque é que a política de mobilidade e acessibilidade não é uniforme em TODAS as estações? Numas há elevadores, noutras não…

No elevador do Metro de Lisboa

Numas vêem-se placas para esses mesmos elevadores, noutras andamos feitos parvos a tentar vê-las. Numas há escadas rolantes além das escadas normais.

Nas escadas rolantes do Metro de Lisboa

Noutras só há escadas normais. Noutras há escadas rolantes mas só nalguns troços das escadas normais, ou só nalgumas entradas… F***-se! Uma pessoa tem que saber à partida que estações vai usar para se certificar de que consegue entrar e/ou sair de lá (assumindo que já as conhece). Isto admite-se? Para mim isto apenas me rouba tempo e torna a minha viagem mais cansativa, quando não habia nexexidade. Pego na bicicleta e lá subo ou desço as escadas. Claro que ao fim de 4 ou 5 ou 6 vezes em que tive que a carregar (quando ela está preparada para eu a levar a rolar ao meu lado!) já começo a questionar a minha opção de ter optado ou pela bicicleta ou pelo Metro. Geralmente quem perde é o Metro porque ou vou o caminho todo de bicicleta ou substituo o Metro pelo carro… (Hey Metropolitano de Lisboa, take a damn HINT!!). Mas e se for uma pessoa com um miúdo num carrinho? Ou uma pessoa em cadeira-de-rodas? Ou um idoso ou outra pessoa com mobilidade algo limitada/condicionada? Porque é que estas pessoas não se vêem no Metro em grande quantidade? Hein? Talvez porque o Metro não serve as suas necessidades. Por isso ou ficam em casa (muitos dos deficientes) ou compram um carro e usam-no intensivamente quer queiram quer não, quer gostem quer não, quer o consigam sustentar quer não (famílias com filhos)!! A sério, isto revolta-me. E sinto-me impotente e é uma sensação horrível. E gostava de ter energia e combater o conformismo e lutar, fazer alguma coisa mais útil que postar fotos das asneiras deste país e blogá-las. Aaargh! :-(

No site deles: “Aconselhamos as pessoas de mobilidade reduzida a viajarem acompanhadas.” No shit!! Claro, elas precisam de alguém que as ajude a localizar os elevadores, quando existam, ou que vá “chamar alguém” para inventar ou lhes indicar uma maneira de saírem dali. Ora, todos os utentes do Metro (ou de qualquer outro transporte público), se pagam o mesmo que toda a gente pelo bilhete, deveriam ter condições para usar os serviços de uma forma independente e fluida. Se eu não posso chegar e sair dos cais de embarque de forma autónoma e rápida, sem ter que esperar e perder tempo a pedir ajuda e a usar infrastruturas “especiais” ou condicionadas, mais vale comprar um carro, porra!! Como está, seria mais justo colocarem nas entradas das estações sinais e dizer “se traz carrinhos ou cadeiras-de-rodas, esqueça, isto não serve para si. Apanhe um táxi, vá a pé ou desista”. Os transportes públicos não podem ser uma não-escolha dos seus utentes, não podem ser o último recurso, porque assim só vão atrair os que não têm dinheiro para comprar e manter um carro, ou andar de táxi. Os transportes públicos têm que atrair utentes porque são melhores alternativas do que ir de carro, ou a pé ou de bicicleta (e não devido à falta de condições dignas para estes modos!).

*sigh*

Aquilo começou às 18h e já era de noite quando íamos para lá (chegámos uns 15 ou 20 minutos atrasados). Passámos pela ciclovia do Campo Grande para fugir aos carros, mas a ciclovia não tem iluminação absolutamente nenhuma, e está toda cheia de caruma e folhas, além de rachas e outros danos no piso.

Na ciclovia ÀS ESCURAS do Campo Grande

Há iluminação nas vias do lado esquerdo e do lado direito, destinadas aos carros (e às bicicletas cujos condutores não temam pela vida a circular num local multi-faixas e onde as latas andam a velocidades MUITO acima dos 50 km/h legais…), que têm luz própria para dar e vender, mas a ciclovia pode ficar às escuras para ser insegura pela infrastrutura e pelo ambiente propício a assaltos… Mas alguém percebe este povo?

Para lá, íamos a descer a Av. Fontes Pereira de Melo e estava fila, hora de ponta. Houve uma gaja que tinha um problema qualquer com bicicletas e então “ultrapassava-nos” para se tentar meter à nossa frente. Atenção, estava tudo parado, muitos carros, semáforos uns atrás dos outros. Qual era a necessidade? Tipo, parece que se pica de estarmos à frente dela, e não pode ser. Ela não nos apitou, simplesmente teve uma atitude imbecil, o que ainda não é crime, infelizmente. :-P A primeira vez que me fez aquilo, passou-me rente (mesmo que a baixa velocidade), para parar 50 cm à minha frente, dei-lhe uma Airzoundzada logo. :-P Adoro, o pessoal nunca está à espera de uma buzinadela de um ciclista, muito menos de uma tipo camião vinda de uma mini-bicicleta como a Mobiky. lolol Ao menos sempre me vou divertindo com estas pequenas desgraças inconsequentes do trânsito. :-D Bom, ela continuou a fazer aquilo a seguir, mas já não passou perto… ;-)

No dia seguinte, 6ª-feira, voltei a Lx, e meti-me em novas aventuras. :-P Logo blogo sobre as minhas peripécias, quando der. ;-)

Bicycling photographer

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Já não me lembro onde ouvi (ou li) falar do Russ Roca pela primeira vez, já foi há uns tempos atrás. Penso que tinha a ver com o facto de ele usar uma Xtracycle (e, quando necessário, mais um reboque) como veículo de trabalho (ele leva uma vida carfree, tal como a namorada, ou pelo menos, carlight), mas não sei onde vi aquilo. Anyway, Só há dias descobri que ele tinha um blog, além do site profissinal, e do espaço no Flickr.

À medida que ia navegando pelos posts, pensei “que vida fixe”. :-) Andar de bicicleta para todo o lado, conhecer pessoas, locais e temas diferentes todos os dias, ser pago para tirar fotografias, poder registar no tempo imagens de famílias, casais, pais & bebés…, e depois ainda fazer coisas giras com as imagens. :-) Gostava de levar uma vida assim. Independente, flexível, criativa, conected.

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Também me deu vontade de fazer uma sessão fotográfica profissional do tipo da que ele faz a famílias, casais, retratos, etc. A minha família não é de tirar fotos junta e cenas assim, somos um bocado desligados como grupo. Gostava de conseguir contrariar isso… Mais não seja na nova. ;-)

Alguém sabe de um eco-friendly bicycling photographer cá pelas nossas bandas? ;-)

Diários da bicicleta

No dia 4 de Novembro, um domingo, fizémos, bom, fez o Bruno, a viagem inaugural “a sério” da Xtracycle dele (Xtracycle é o fabricante do kit FreeRadical e define também qualquer bicicleta equipada com esse kit). Uma Xtracycle tem (no mínimo) 4 vezes maior capacidade de transporte de carga que uma bicicleta normal:

À espera do comboioXtracycle

Esta cena é outro dos nossos produtos-paixão e há quase 2 anos que sonhávamos com isto. :-) Bom, mais tarde, quando instalar o kit na minha bike também, voltarei a falar dela. ;-)

Ele ia gravar outra maquete (a primeira a solo e a ser emitida) do programa Sociedade Livre na Rádio Zero, no Técnico e aproveitámos para fazer a viagem by bike. Bom, pelo menos a maior parte dela. Ao domingo pode-se levar as bicicletas no comboio da linha de Cascais, gratuitamente e a qualquer hora. Por isso aproveitámos e fomos apanhar um em Paço de Arcos. Até lá é smooth. :-)

A caminho da estação de Paço de Arcos

Ora, dado que as carruagens da CP nesta linha não contemplam as necessidades dos utentes com bagagem mais volumosa (bicicletas, pranchas de surf, carrinhos de bebé,…) o segredo para uma viagem tranquila é posicionarmo-nos na zona da primeira ou da última carruagem (ou qualquer uma com uma ponta sem passagem inter-carruagens).

À espera do comboio

Ora, pela minha experiência, o mais seguro é, na estação, ficarmos no fim, para entrarmos na última carruagem (a primeira costuma ter mais gente e mais fluxo de pessoas). Depois é só entrar com as bicicletas (2 no máximo, para não obstruir a passagem nessas portas).

Como cabem 2 bicicletas nas carruagens dos comboios da linha de CascaisComo cabem 2 bicicletas nas carruagens dos comboios da linha de Cascais

Assim, as pessoas nas estações seguintes conseguem entrar ali (não sabem à partida que lá estão bicicletas) e as que quiserem sair também o podem fazer (embora geralmente optem pelas restantes portas da carruagem). Como é a última carruagem, as bicicletas encostadas à parede (e à eventual porta) não estão no caminho nem obstruem a porta nem a passagem de pessoas.

Sempre que temos levado as bicicletas no comboio ao fim-de-semana, as carruagens andam tão vazias que nunca houve sequer o perigo de as bicicletas se constituírem num incómodo para alguém. Em contrapartida, é ver os automóveis a fazer fila na estrada ao lado da linha…

Chegados ao Cais do Sodré, passámos pelo Terreiro do Paço (cada vez mais morto, infelizmente), e por momentos pensámos ver uma revolução, estavam árvores no meio do alcatrão. Afinal era tudo para uma filmagem para um filme de época… :-( Seguimos em direcção à R. dos Bacalhoeiros, para participar na Cicloficina, embora tivéssemos quase certeza de que não iria ocorrer, o que se verificou. Bom, a não ser que o Bruno ter afinado as mudanças da minha bici conte. :-P

Cicloficina a dois

Deu pra ver que a interdição ao trânsito automóvel naquela zona não tem sido respeitada nem fiscalizada…

Bom, depois seguimos em direcção à Alameda, para a tal gravação na Rádio Zero no IST. Fomos pela Baixa (estranhíssimo estar ali de bike, e sem trânsito automóvel, o sossego, a calma…), Restauradores, Av. da Liberdade (uma das ruas laterais), jardim do Parque Eduardo VII e depois mais umas ruas ali pelo meio até ao Técnico.

Estamos quase na Alameda!

As pessoas clamam por ciclovias para andar de bicicleta na cidade, mas não percebem que deviam estar a clamar por 2 coisas imensamente mais importantes e que, a realizarem-se, tornariam as ciclovias desnecessárias: o arranjo e manutenção das estradas (e passeios e demais vias públicas) e a acalmia de tráfego (incluindo regularização do estacionamento automóvel)…

Exemplos da degradação do pisoExemplos da degradação do piso

Os ilhéus pedonais são estupidamente pequenos dado o tempo que dão aos peões para atravessarem as estradas… (acumulando-se as pessoas em passeios minúsculos em vias de tráfego intenso e rápido, muitas das vezes).

Ilhéus de dimensão insuficiente

Bom, lá chegámos à Alameda (fiquei a conhecer um pouco melhor a cidade, nada como viajar de bicicleta) e fomos para o estúdio. Aquilo levou horas, foi só conversa. :-P Eu tinha levado o Expresso e entretive-me a ler. :-) Quando saí do estúdio para ir comprar um lanche, num café cá fora, vi o Jardim Arco do Cego. Tinha bastantes pessoas, sentadas nos bancos, a andar de bicicleta, etc, e tinha bom aspecto. :-) Um pequeno parque verde dentro da cidade, muito bom! :-)

Jardim do Arco do CegoJardim do Arco do CegoJardim do Arco do Cego

Quando voltei, pude ver uma rapariga a sair de bicicleta (que tinha visto antes presa a um poste - a bicicleta, não a rapariga). De bicicleta! Uma rapariga! Weeeee! :-)

Uma estudante do Técnico, utilizadora de bicicleta! :-)

Saímos do estúdio já de noite. Voltámos à estrada de bicicleta. :-)

De bike nos Restauradores

Decidimos ir pela Marginal, ou chegaríamos bué tarde a casa. Correu bem. Temos luzes e reflectores and we “take the lane” sempre que é o necessário para nos mantermos em segurança no meio dos carros. Foi uma viagem pacífica, sempre a pedalar em bom ritmo, o que estranhei pois estou habituada às intermitências dos percursos urbanos.

Na Marginal, de volta a casa

No dia seguinte, segunda-feira, dia 5, houve uma concentração / encenação / manifestação da ACA-M no Terreiro do Paço, no local onde houve aquele acidente homicídio por negligência com contornos macabros. Eu e o Bruno resolvemos ir, tínhamos recebido um e-mail a apelar à participação, que precisavam de gente para fazer um “passadeira humana”. Levámos uns lençóis velhos e lá fomos, de bicicleta, como no dia anterior. Nota: na estação de Paço de Arcos vimos uma bike presa a um gradeamento. :-)

Bike estacionada junto à estação de Paço de Arcos

Para lá fomos de comboio (no sentido Cascais -> Lisboa só deixava de ser permitido levar as bicicletas a partir das 17h). Chegámos lá e vimos um grupo de pessoas mas ficámos à espera pois não conhecíamos ninguém e ainda não era suficientemente claro o que se estava a passar.

Manifestação da ACA-M no Terreiro do PaçoManifestação da ACA-M no Terreiro do Paço

Acabou por não se fazer aquilo das pessoas enroladas nos lençóis, deitas na passadeira, puseram só os lençóis. Entretanto ficámos depois lá a falar um bocado com o Marcos, o Miguel, o Mário e outro rapaz de cujo nome agora não me recordo. Sobre bicicletas, segurança rodoviária, etc. Entretanto ficou de noite e tivemos que nos pôr a caminho. Ainda tinha que passar por Algés a buscar uma roupa que tinha deixado a arranjar, essa loja fechava às 20h, mas não podíamos levar as bicicletas no comboio no sentido Lisboa -> Cascais antes dessas mesmas 20h. Não tivemos escolha e fomos pela Marginal. Que, desde o Terreiro do Paço, estava entupida. Mas lá fomos andando, indo pelo meio dos carros quando tal era fisicamente possível e minimamente seguro. Foi uma experiência útil e desmistificou a Marginal como sítio improprio para ciclistas, pelo menos à hora de ponta (mais carros -> menor velocidade).

A caminho de casa, na Av. 24 de JulhoNo meio do trânsito, rumo a casa, pela MarginalCruzamento da Av. 24 de Julho, em AlcântaraÀ porta da loja Cort&Cose

A questão da sinistralidade rodoviária é um drama tão grande e as pessoas nem se apercebem de quão grande… É uma guerra, um homicídio em massa, uma guerra civil levada a cabo, maioritariamente, por cidadãos normais: integrados, law abiding,… Mas negligentes ou simplesmente inaptos para a condução de um veículo de 1 ou 2 toneladas passível de ser usado (deliberada e conscientemente ou não) como uma arma de arremesso letal… E depois há a questão mais abrangente da mobilidade e dos transportes, porque a poluição também mata, o aquecimento global também, o estrangulamento económico das cidades pelo congestionamento e perda de produtividade e de qualidade de vida também mata (mesmo que suave e lentamente…).

Sacos reutilizáveis

O petróleo também é gasto nos plásticos. Montes de cenas do dia-a-dia são de plástico. Incluindo os sacos dos supermercados. Alguns locais já vendem os sacos, e/ou incentivam a sua reutilização, mas não é suficiente.

Campanha de redução dos sacos de plástico do Pingo DoceCampanha de redução dos sacos de plástico do Pingo Doce

Os sacos nunca podem ser oferecidos gratuitamente, e não devem custar uma ninharia. Os sacos de plástico são usados uma vez (ou poucas mais, mesmo que os reutilizemos nem que seja para pôr o lixo) e levam anos a degradar-se na natureza. Com consequências ambientais. As pessoas têm que se habituar a trazer consigo um ou dois sacos reutilizáveis para as ocasiões. E o mercado tem que oferecer soluções para tal, práticas e eficientes.

Até há pouco tempo usava uns sacos de pano para ir às compras (tinha-os no carro, ou nos alforges na bicicleta):

Trouxe menos 2 sacos de plástico para casa :-)

A desvantagem daqueles sacos é que eram difíceis de manipular para arrumar as compras. Sabem aquele stress de estar numa fila de supermercado a arrumar as coisas nos sacos e ter gente à espera?

Bom, há tempos fui à Intercasa, na FIL, e no stand da “A Janela da Minha Casa”, cheio de tralha, embora engraçada na maior parte das vezes, e encontrei uns sacos reutilizáveis, em poliéster, da Reisenthel. Trouxe 1 pequeno, um mini maxi shopper (20 L / 10 kg), e um grande, para usar com os carrinhos de supermercado, um easy shopping bag (40 L / 15 kg). Ambos em poliéster, laváveis. O primeiro vem numa bolsinha que podemos depois prender ao próprio saco durante o uso, e o grande tem uma bolsa para os nossos pertences, no interior. Também vem numa bolsa, mas tem uma footprint muito maior, nomeadamente por causa das peças de suporte em plástico.

Sacos reutilizáveisSaco reutilizável

Saco de compras reutilizávelSaco de compras reutilizável

Bom, o saco grande é mesmo para usar com o carro, experimentei com a bicicleta e não dá jeito porque encho-o e depois não o consigo enfiar nos alforges. Realmente, é muito prático para usar com o carrinho de compras, evitam-se muitos sacos de plástico e não demoro eternidades a arrumar as compras, consigo até ser mais rápida, é só mandar para lá as cenas. :-)

Gostei mesmo muito dos saquitos pequenos também, por isso decidi comprar mais. Aproveitei uma ida à zona e fui à loja nas Caldas da Rainha.

Loja "A janela da minha casa", nas Caldas da Rainha

Devo dizer que a loja estava tão atravancada de coisas e coisinhas quanto o stand. E o facto de venderem alguns artigos destes não significa que o façam por consciência ambiental, por saberem que estão a contribuir por dar alternativas práticas e bonitas aos sacos de plástico e afins, ou não tivessem insistido em dar-me um saco de papel da loja “para fazer publicidade”, mesmo tendo eu dito que não era preciso porque tinha ali o primeiro saco, igual aos que acabara de comprar, e que tinha vindo ali de propósito para comprar aqueles sacos!! Publicidade? Ninguém ia ver a merda do saco, pá, foi comigo para o carro e só saiu em Lisboa, para casa, e para o caixote-dos-sacos-para-reutilizar-mas-que-a-maioria-não-são- reutilizados-porque-não-surge-oportunidade. Pointless! Desperdício do dinheiro deles, e de matéria prima e energia. E ficaram mal vistos aos meus olhos. Que a factura só veio reforçar: 6 itens iguais e eles dão-me uma factura/recibo em 2 páginas A4 densamente ocupadas por imagens a cores, como se fosse um panfleto publicitário. Eu já escolhi a loja deles! Já lhes comprei produtos! E a melhor publicidade são os produtos deles que acabei de comprar e mandar embrulhar para oferecer!!! Que tónis, meu… Enfim…

Comprei 6 8 sacos mini maxi shopper, a 6 4.5 € cada um [EDIT: estive a lembrar-me disto e apercebi-me que se enganaram, só me cobraram 6 sacos, mas eu comprei e trouxe 8!!]. 1 para mim, 2 para o Bruno e 3 5 para oferecer no Natal a umas pessoas (há que evangelizar o people nestas questões de cidadania ambiental). São muito fixes, cabem bem na minha mala, e depois é só sacá-los quando preciso. Não tenho que pensar com antecedência se preciso de os levar ou não, estão sempre comigo. :-) E são a medida exacta para os alforges da minha bicicleta. Se os encher aos dois, sei que consigo levar tudo, e é só chegar à bicicleta, abrir os alforges e meter para lá os sacos, um de cada lado. Perfeito! :-D

Uma das alternativas equivalentes, nos EUA são os BAGGU.

A Opel e os passarinhos

E eles a darem-lhe no “lava mais verde”…

Opel e os passarinhosOpel e o ar

Cultura do esbanjamento

Isto:

Cultura do desperdício e da aparênciaCultura do desperdício e da aparência

Não devia ser economicamente viável nem vantajoso para nenhuma empresa. As condições legais e económicas deveriam levar a que as empresas optassem pelas embalagens mais eficientes do ponto de vista da utilização de recursos e energia, do transporte e armazenagem, da usabilidade por parte do consumidor (essa é outra), e da disposal (qual a palavra, em português?) das embalagens após a utilização - o ideal seria a reutilização, pelo consumidor (ex.: recargas) ou pelo fabricante (como as garrafas de cerveja). Para que é que eu quero pagar por uma embalagem 10 x maior do que seria necessário? Tenho mais onde gastar o dinheiro… E depois volto a pagar a sua recolha como resíduo urbano, a sua armazenagem ou reciclagem. Less is more, aqui como em muitas outras coisas…

É muito difícil (e trabalhoso) sequer TENTAR ser um consumidor consciente e responsável, hoje em dia (maybe ever, actually)…

Bons exemplos de ecopontos

Também nas Caldas vi isto:

Um ecoponto bem desenhado

Um ecoponto funcional! Weeee! Com estes uma pessoa pode simplesmente levantar a tampa e colocar lá um saco grande, em vez de ter que enfiar quase embalagem a embalagem, como em Oeiras e em muitos outros concelhos pelo país.

O do lixo normal também é bonito e, aparentemente, funcional:

Outro design de ecoponto

A propósito, no outro dia vi isto em Oeiras, perto da estação da CP:

Aqui ainda fazem reciclagem porta-a-porta?

Uns são filhos e outros enteados? Pensei que o fim da recolha porta-a-porta fosse igual para todos…

Vale Fuzeiros nos media

A minha família materna é toda natural do Conselho de Silves e por lá vive. A minha tia e o marido vivem em Vale Fuzeiros, um local de rara beleza natural. Nem vos consigo descrever o quão lindo é o céu nocturno naquele lugar… :-) Nem o da minha avó, perto de Messines, que eu já acho tão overwhelming consegue igualar o do Vale.

É um local habitado essencialmente por pessoas idosas e algumas menos idosas mas de fracos recursos económicos e pouca educação académica. E depois, como um pouco por todo o Algarve mais interior, há os estrangeiros, que são os que descobrem estes pequenos paraísos, e aí instalam diferentes actividades (turismo rural, agricultura biológica, artesanato, etc, etc). São eles que trazem inovação (e dinheiro) a estas povoações e, muitas vezes, são os que mais as defendem de abusos por parte do nosso próprio Governo e por parte de lobbys económicos. Claro que não o fazem exclusivamente por altruísmo, se ali têm os seus refúgios privados ou negócios implementados ou por implementar, mas seja como for, são infinitamente mais activistas e mais informados do que as populações locais que por lá resistem.

Ontem veio um grupo de residentes de Vale Fuzeiros manifestar-se em Lisboa contra o traçado de uma linha de muito alta tensão da REN, que parece que vai passar por lá, colocando em risco a saúde das pessoas e desvalorizando a área, por isso, e por contaminar e afectar a beleza natural daquela zona. Tiveram o apoio dos residentes de Sintra, afectados por uma situação similar (embora mais em questões de saúde, visto não podermos, not in our wildest dreams, comparar o contexto de paisagem de Vale Fuzeiros com o da sobrepopulada Sintra urbana…).

Não sei que interesses este traçado e o modo de implementação (aéreo) servem. Talvez outras alternativas existam, e provavelmente serão mais caras. Azar, gastem-no. Se têm dinheiro a rodos para deixar fugir para os bolsos de políticos e funcionários públicos corruptos ou sem ética, se têm dinheiro para gastar em coisas etéreas e fúteis, também têm para salvaguardar o bem-estar, a vida e os parcos interesses destas pessoas. Não sou de forma alguma contra o “progresso” (autoestradas, rede eléctrica, etc, etc) mas este não pode ser feito com prejuízo para os indivíduos, os pequenos e os insignificantes. E se há maneiras melhores de fazer as coisas, há que optar por elas.

But hey, isto é Portugal. Um país de governo corrupto (brandos costumes, mas a corrupção branda também mói e atrasa) e povo acomodado. Vejam o que têm feito e deixado fazer ao algarve litoral, agora ao alentejo litoral, a tudo o que seja natureza. Destroem os recursos para fazer dinheiro fácil e rápido, e amanhã já não teremos nada para vender nem para atrair turistas e investimento porque as pessoas não vêm cá pelo betão e pelos hotéis luxuosos. Esse podem ser feitos em qualquer lugar. As pessoas vêm cá pelo que a Natureza construiu, não o Homem, vêm pelo mar, pelas praias, pela costa unspoiled and uninhabited (not for long), pelas terras desertas de gente mas povoadas de paz, ar puro, Natureza, beleza.

Não sei se isto é um problema das pessoas no geral, se das do meu país em particular. Mas enoja-me o que as pessoas com mais poder (económico, político) fazem just because they can, quando é delas que se esperaria maior ética, maior sentido de dever, maior inteligência (não em proveito próprio, mas da comunidade). Mas não, parece que quanto mais têm e são, mais querem ter e ser and fuck everyone else. Viver neste mundo é uma desilusão permantente, aliviada apenas por alguns momentos intercalares de esperança ténue…

Enfim, gloomy day, I guess.

Greenwashing em fotos

Já criei o tal grupo no Flickr para reunir exemplos de “greenwashing” da indústria automóvel.

«About Car greenwashing

This group is meant to gather evidence and examples of the growing trend of greenwashing of the traditional automobile industry. Cars are suddenly and apparently becoming “green”, “eco”, “ecological”, “environment friendly”, and so on.

Cars need to get smaller, more energy effcient, made of recyclable and non toxic materials and get better engines and pollute less. They also need to be used less often and more frequently carrying more passengers and/or cargo, putting a stop to 5 seats’ cars running around with only 1 person inside…

Technology and product design must keep on improving, but please don’t try to fool us by associating buzz, trendy eco-conscience words to obsolete concepts.»

Logo que tenha tempo ponho a descrição também em português. :-P Quem quiser contribuir com exemplos pode juntar-se ao grupo como membro ou enviar-me as fotos (bananalogic @ gmail.com) que eu coloco-as online com os devidos créditos.

Na Noruega o governo proibiu o uso de termos como “limpo”, “verde” e “amigo do ambiente” nos anúncios a automóveis…

UPDATE 30 Set: Depois de ver o post do Renato e seguir uns links, vi num comentário o link para um vídeo. Resolvi criar um grupo no YouTube, assim cobrimos foto e vídeo. ;-)

Promoção da mobilidade sustentável no Porto

O eléctrico voltou às ruas do Porto (tem vídeo).

Esta autarquia lançou também um Prémio Municipal de Mobilidade Sustentável com vista a fomentar o desenvolvimento de trabalhos que possam ajudar a melhorar as condições de transporte no concelho

«(…) o principal objectivo da distinção é o de “estimular e valorizar a apresentação de propostas concretas que visem a melhoria das condições de mobilidade no concelho do Porto”. O prémio será atribuído anualmente no decorrer da Semana da Mobilidade e em causa está um valor de 5.000 euros. O júri poderá ainda decidir atribuir duas menções honrosas no valor de mil euros cada.
(…)
De acordo com a proposta de regulamento, a concurso poderão ser apresentados, a título individual ou colectivo, trabalhos, iniciativas, produtos e soluções implementadas ou não que possam ajudar na melhoria das condições de mobilidade do concelho. A autarquia dá a título exemplificativo alguns dos temas que podem ir a concurso, sendo eles os veículos mais limpos e combustíveis alternativos, a organização e planeamento de transportes, a abordagem integrada dos transportes urbanos, o reequilíbrio do espaço urbano e restrições de acesso, os Sistemas de Informação e Gestão Inteligentes para Transportes, a logística urbana limpa, os transportes públicos de alta qualidade, as novas formas de uso do carro, a promoção de modos de transporte limpos e a gestão da mobilidade e sensibilização em relação ao uso do transporte. (…)
»

Fonte: O Primeiro de Janeiro