Ai Lisboa…

Esta semana fui por duas vezes ao centro de Lisboa.

Na 4ª fui a uma consulta médica. Saí do INETI e fui de carro até à Quinta das Conchas onde apanhei o Metro. Levei a bicicleta comigo. Saí na estação de Arroios por volta das 16h30. Estava um caos. Os passeios estavam apinhados com tanta gente a circular. As obras, os caixotes do lixo, sinais de trânsito e automóveis mal estacionados ainda pioravam mais o trânsito pedonal. Não conhecia aquela zona. O consultório era numa casa antiga, num 3º andar. As escadas eram de madeira e rangiam por todos os lados, e estreitas. Felizmente tinha elevador, mas era absolutamente minúsculo! Acho que nunca estive num tão pequeno. Devia dar para duas pessoas no máximo, e não podiam ser encorpadas… 😛 Mas não tive problema em transportar a Mobiky, eheheh.

The smallest elevator EVER!

Ali tudo era pequeno, pelos vistos, até as portas! Uma pessoa tinha que se espremer para passar!… As pessoas deviam ser muito magrinhas antigamente… 😛

A Mobiky no consultório médico

Tive que esperar imenso pela consulta, por isso ainda dei umas voltas lá em baixo pelas lojas. Deu pra comprar umas meiazitas e uma revista para ler durante a espera. A D. Deolinda, a recepcionista, achou muita piada ao meu “brinquedo” e achou uma boa ideia para oferecer aos netos. Ficou é um bocado esmorecida quando calculou os custos de 1 Mobiky x 3 netos. É um investimento considerável, sem dúvida.

Todo o andar tinha um cheiro quase insuportável a tinta, pois tinha sido pintado recentemente. Enquanto esperava na salinha de espera pedi licença para abrir a janela da varanda para arejar um pouco o espaço. Não aguentei muito tempo e voltei a fechá-la pouco depois porque o ruído que vinha da rua agitada lá em baixo era inacreditável! Não me pareceu que a janela tivesse vidros duplos, por isso fiquei muito surpreendida pela brutal capacidade de abafar o barulho…

Janela para a cidade

De vez em quando abria-a novamente e espreitava lá para fora, para respirar algum ar sem cheiro a tinta. E tirei umas fotos. Houve uma que ficou com um efeito giro, parecia uma televisão no meio da estrada. 😉

Giant ghost TV in the middle of the road?!

Ao olhar para a rua lá em baixo apercebi-me da desigualdade gritante na ocupação do espaço público:

Figura exemplificativa do paradigma urbano português

Reparem: os carros têm para si 6/8 do espaço entre prédios, ou seja, 75 % do espaço público é dos carros em circulação ou em estacionamento. Os magotes de peões têm direito a uns miseráveis 25 %, que na verdade ainda é menos. Basta descontar o espaço usado por obras, sinais de trânsito, caixotes do lixo, paragens de autocarros, esplanadas, vasos e afins à porta de estabelecimentos comerciais, carros estacionados abusivamente, suportes publicitários,… E como se não bastasse os passeios são uma merda e não estão coerentemente desnivelados nas zonas de atravessamento… Dá mesmo vontade de fugir dali…

Imaginem um cenário utópico:
Das 8 faixas disponíveis de espaço público só as duas centrais serem para circulação automóvel (uma para cada sentido). As 4 faixas em frente aos prédios (2 de cada lado) serem vias pedonais e cicláveis – nada de calçada portuguesa, um piso mais uniforme como o alcatrão, cimento, whatever. Nada de postes de sinais de trânsito plantados no meio do caminho – ex:

Uma rua com 15 % de inclinação?!

Adopção de um sistema deste género (Winterthur, na Suiça):

Traffic signs out of the wayTraffic signs out of the way

Traffic sign set up properly

Nada de painéis publicitários literalmente a obstruir o caminho, como neste exemplo:

Abusos ao espaço dos peões (1)

Quiosques, esplanadas, etc, teriam que ser bem pensados para não obstruir ou afunilar inaceitavelmente o fluxo de peões, ciclistas, etc, como aqui:

Abusos ao espaço dos peões (2)

As restantes 2 faixas (uma em cada sentido) poderiam ser para autocarros, táxis, eléctricos e motas, por exemplo. A questão do estacionamento de longa duração e o estacionamento de ocasião teriam que ser melhor pensados. But you get the idea, right? Às vezes pergunto-me se ainda verei o meu país a funcionar em termos similares a estes ou se terei mesmo que emigrar se quero ter direito a uma vida mais humana.

No dia seguinte voltei a Lisboa (novamente com a minha amiga de duas rodas), desta vez à Baixa, para ir aviar a minha receita à Farmácia Homeopática de Santa Justa (quando saí da consulta no dia anterior já passava das 20h e já a farmácia tinha fechado).

A Mobiky no Metro de Lisboa

Nestes dois dias de experiências no Metro fiquei um bocado mal impressionada com duas coisas: a falta de limpeza das carruagens (cascas de amendoins, jornais, líquidos,… espalhados pelo chão) e a selvajaria de algumas pessoas. Transportar a Mobiky não levantou problemas com ninguém nem situações complicadas por causa da sobrelotação, mas numa ocasião houve uma rapariga que foi literalmente empurrada contra o poste em frente à porta e quase que esmagada contra ele (enquanto se queixava!) pelas pessoas que entraram atrás e forçaram a entrada simplesmente empurrando toda a gente. Como eu estava do lado oposto do poste fiquei protegida. Mas a bicicleta estava à minha frente, com o poste no meio. A rapariga estava a ser comprimida contra ela, e a magoar a mão com que segurava nuns livros contra o guiador da bicicleta. Eu segurei-lhe nos livros para ela soltar a mão. Curiosamente mesmo num sítio tão absolutamente apinhado a bicicleta não causou transtorno, ficando ali despercebida junto a mim. 🙂

Nessa mesma situação havia um frotteur atrás de mim. Quando me apercebi desviei-me da frente dele mais para o lado e dei-lhe um olhar assassino e entretanto ele saiu na estação seguinte, e até parecia que ia acompanhado da mulher (!)… A minha vontade foi ter levantado o braço e partir-lhe o nariz com o cotovelo. Tenho que deixar de ver coisas na minha cabeça e passar a fazê-las. Há gajos com muita lata, mesmo! O primeiro gajo que me lembro de fazer isto foi num autocarro quando eu tinha uns 10-12 anos! Tarados do caraças. Há gente muito fucked up, mesmo. Não me interpretem mal, por mim toda a gente pode ter as parafilias que quiser desde que isso não implique prejudicar/usar terceiros sem o seu consentimento. Ora o frotteurismo baseia-se justamente no não-consentimento…

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