Esta semana fui por duas vezes ao centro de Lisboa.
Na 4ª fui a uma consulta médica. Saí do INETI e fui de carro até à Quinta das Conchas onde apanhei o Metro. Levei a bicicleta comigo. Saí na estação de Arroios por volta das 16h30. Estava um caos. Os passeios estavam apinhados com tanta gente a circular. As obras, os caixotes do lixo, sinais de trânsito e automóveis mal estacionados ainda pioravam mais o trânsito pedonal. Não conhecia aquela zona. O consultório era numa casa antiga, num 3º andar. As escadas eram de madeira e rangiam por todos os lados, e estreitas. Felizmente tinha elevador, mas era absolutamente minúsculo! Acho que nunca estive num tão pequeno. Devia dar para duas pessoas no máximo, e não podiam ser encorpadas…
Mas não tive problema em transportar a Mobiky, eheheh.
Ali tudo era pequeno, pelos vistos, até as portas! Uma pessoa tinha que se espremer para passar!… As pessoas deviam ser muito magrinhas antigamente…
Tive que esperar imenso pela consulta, por isso ainda dei umas voltas lá em baixo pelas lojas. Deu pra comprar umas meiazitas e uma revista para ler durante a espera. A D. Deolinda, a recepcionista, achou muita piada ao meu “brinquedo” e achou uma boa ideia para oferecer aos netos. Ficou é um bocado esmorecida quando calculou os custos de 1 Mobiky x 3 netos. É um investimento considerável, sem dúvida.
Todo o andar tinha um cheiro quase insuportável a tinta, pois tinha sido pintado recentemente. Enquanto esperava na salinha de espera pedi licença para abrir a janela da varanda para arejar um pouco o espaço. Não aguentei muito tempo e voltei a fechá-la pouco depois porque o ruído que vinha da rua agitada lá em baixo era inacreditável! Não me pareceu que a janela tivesse vidros duplos, por isso fiquei muito surpreendida pela brutal capacidade de abafar o barulho…
De vez em quando abria-a novamente e espreitava lá para fora, para respirar algum ar sem cheiro a tinta. E tirei umas fotos. Houve uma que ficou com um efeito giro, parecia uma televisão no meio da estrada.
Ao olhar para a rua lá em baixo apercebi-me da desigualdade gritante na ocupação do espaço público:
Reparem: os carros têm para si 6/8 do espaço entre prédios, ou seja, 75 % do espaço público é dos carros em circulação ou em estacionamento. Os magotes de peões têm direito a uns miseráveis 25 %, que na verdade ainda é menos. Basta descontar o espaço usado por obras, sinais de trânsito, caixotes do lixo, paragens de autocarros, esplanadas, vasos e afins à porta de estabelecimentos comerciais, carros estacionados abusivamente, suportes publicitários,… E como se não bastasse os passeios são uma merda e não estão coerentemente desnivelados nas zonas de atravessamento… Dá mesmo vontade de fugir dali…
Imaginem um cenário utópico:
Das 8 faixas disponíveis de espaço público só as duas centrais serem para circulação automóvel (uma para cada sentido). As 4 faixas em frente aos prédios (2 de cada lado) serem vias pedonais e cicláveis - nada de calçada portuguesa, um piso mais uniforme como o alcatrão, cimento, whatever. Nada de postes de sinais de trânsito plantados no meio do caminho - ex:
Adopção de um sistema deste género (Winterthur, na Suiça):
Nada de painéis publicitários literalmente a obstruir o caminho, como neste exemplo:
Quiosques, esplanadas, etc, teriam que ser bem pensados para não obstruir ou afunilar inaceitavelmente o fluxo de peões, ciclistas, etc, como aqui:
As restantes 2 faixas (uma em cada sentido) poderiam ser para autocarros, táxis, eléctricos e motas, por exemplo. A questão do estacionamento de longa duração e o estacionamento de ocasião teriam que ser melhor pensados. But you get the idea, right? Às vezes pergunto-me se ainda verei o meu país a funcionar em termos similares a estes ou se terei mesmo que emigrar se quero ter direito a uma vida mais humana.
No dia seguinte voltei a Lisboa (novamente com a minha amiga de duas rodas), desta vez à Baixa, para ir aviar a minha receita à Farmácia Homeopática de Santa Justa (quando saí da consulta no dia anterior já passava das 20h e já a farmácia tinha fechado).
Nestes dois dias de experiências no Metro fiquei um bocado mal impressionada com duas coisas: a falta de limpeza das carruagens (cascas de amendoins, jornais, líquidos,… espalhados pelo chão) e a selvajaria de algumas pessoas. Transportar a Mobiky não levantou problemas com ninguém nem situações complicadas por causa da sobrelotação, mas numa ocasião houve uma rapariga que foi literalmente empurrada contra o poste em frente à porta e quase que esmagada contra ele (enquanto se queixava!) pelas pessoas que entraram atrás e forçaram a entrada simplesmente empurrando toda a gente. Como eu estava do lado oposto do poste fiquei protegida. Mas a bicicleta estava à minha frente, com o poste no meio. A rapariga estava a ser comprimida contra ela, e a magoar a mão com que segurava nuns livros contra o guiador da bicicleta. Eu segurei-lhe nos livros para ela soltar a mão. Curiosamente mesmo num sítio tão absolutamente apinhado a bicicleta não causou transtorno, ficando ali despercebida junto a mim.
Nessa mesma situação havia um frotteur atrás de mim. Quando me apercebi desviei-me da frente dele mais para o lado e dei-lhe um olhar assassino e entretanto ele saiu na estação seguinte, e até parecia que ia acompanhado da mulher (!)… A minha vontade foi ter levantado o braço e partir-lhe o nariz com o cotovelo. Tenho que deixar de ver coisas na minha cabeça e passar a fazê-las. Há gajos com muita lata, mesmo! O primeiro gajo que me lembro de fazer isto foi num autocarro quando eu tinha uns 10-12 anos! Tarados do caraças. Há gente muito fucked up, mesmo. Não me interpretem mal, por mim toda a gente pode ter as parafilias que quiser desde que isso não implique prejudicar/usar terceiros sem o seu consentimento. Ora o frotteurismo baseia-se justamente no não-consentimento…
















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