Perspectivas

Esperamos receber a qualquer momento as nossas brand new folding bikes. Já as encomendámos e já fizémos a transferência bancária. Resta esperar. Démos uma voltinha numa na Eurobike mas nada como poder mexer à vontade e fazer a devida rodagem para podermos avaliar o produto e habituarmo-nos ao novo conceito. Estamos em pulgas! A ideia é passar a andar mais de transportes públicos do que de carro, e usar a bicicleta como mais um elo na multimodalidade. O meu cartão Lisboa Viva ainda é válido (na altura em que deixei os transportes públicos pelo carro, há alguns anos, não o deitei fora, claro), e o Bruno já entregou o impresso para pedir um para ele. Não sei se demora muito.

Se isto funcionar como espero vai ser muito fixe. Vou ter a liberdade para andar em todos os meios de transporte possíveis: autocarro, comboio, metro, barco, automóvel particular, a pé e de bicicleta (favorito!). Devia haver um passe universal, high-tech e dinâmico, onde se incluissem automóveis e motas em sistema de carsharing e carpooling, e serviço de táxis, bem como parques de estacionamento, portagens e combustível para o carro particular. Vou aproveitar o tempo de commuting para ouvir música, rádio e podcasts (excelente invenção!). Também quero ver se consigo ir lendo alguma coisa, embora os autocarros não se prestem muito a isso por causa das acelerações e travagens, solavancos e abanões. O comboio também não é muito friendly, ao contrário da imagem que me ficou. No outro dia fomos passear para Cascais e levámos as bicicletas no comboio (ao fim-de-semana na CP é gratuito). É barulhento e abana demasiado. Nada a ver com os comboios em que andámos na Alemanha e na Suiça, absolutamente silenciosos e suaves. O desenho das carruagens torna o transporte de bicicletas totalmente unpractical. Ficam sempre no caminho de alguma coisa e é difícil arrumá-las.

Lugares sentados no comboioBicicletas dentro do comboioTentando estacionar as bicicletas dentro do comboio...

E isto foi numa situação de muito pouco movimento e poucos passageiros… Era melhor um esquema como este, na linha Friedrichshafen-Lindau, Alemanha:

Room for bikes, strollers and wheelchairs on the trainIMGP2170.JPG

Para commuting nos nossos comboios só bicicletas dobráveis, as outras nem pensar. O principal desincentivo aos transportes públicos, para mim, é a sujidade dos veículos (tudo castanho, gordura nos vidros e nos pilares de apoio) e estações apeadeiras (lixo, tags), alguma degradação de equipamento, gente a mais em algumas horas e carreiras a menos noutras, incumprimento dos horários e impossibilidade de saber em tempo real quando teremos transporte, desrespeito dos automobilistas pelas faixas bus e pelos carris, ser difícil transportar bagagem mais volumosa de uma forma simples e confortável para todos, pouco equipamento para as pessoas se sentarem enquanto esperam… A poluição, o barulho do motor e dos travões e a má suspensão dos autocarros também é um ponto extremamente negativo. Uma cena que curti nos eléctricos modernos quando andei num há uns anos foi a ausência do efeito de travagem que se verifica nos autocarros.

Algumas destas questões têm recebido alguma atenção e melhoramento nalgumas operadoras. Mas ainda há muito por fazer… Os sítios por onde passamos também conta porque há zonas mais lotadas, ou mais perigosas, ou pior servidas do que outras.

Não sei se estarei melhor servida andando de transportes públicos agora do que há 3 ou 4 anos atrás quando os abandonei. Não sei se andar na rua fora do carro é mais ou menos perigoso ou igual a antes. Não sei como variou a oferta, os serviços e os tarifários. Vou descobrir.

A diferença é que agora não vou ter que andar carregada com livros, dossiers, mochila, comprei o ZEN por isso posso distrair-me mais e com a invenção e maior oferta de podcasts posso aproveitar o tempo para ‘ver’ coisas que geralmente veria em casa, à noite, tenho carta e tenho carro próprio on demand (bom, em breve a partilhar com a minha irmã) para quando for preciso ou mais conveniente, e tenho bicicleta para tornar as ligações entre transportes ou os percursos a pé mais rápidos e mais agradáveis. Ah, e tenho uma câmara digital sempre comigo para me distrair a fotografar tudo o que me apetecer, eheheh. 😉

Vamos ver quando consigo iniciar esta nova fase e como me adaptarei… Espero que valha a pena porque estou farta de 1) conduzir nestas estradas, com estas pessoas e com este trânsito, 2) gastar cerca de ~160 € x 12 = ~2000 € por ano no automóvel, 3) ter que levá-lo às IPO, às revisões, à oficina, a lavar, a pôr gasóleo…, 4) sentir-me presa dentro de uma caixa de metal, 5) não me mexer, 6) não ter tempo para pensar na vida, ler um livro ou ouvir música, 7) não ter contacto com o mundo lá fora, ver as lojas, ouvir as pessoas.

Se eu gastar até 80 € mensalmente em transportes (passe social, táxi, whatever) poupo 1000 € anualmente. Mesmo sem contabilizar o facto de não poluirmos a montante, a jusante e durante a vida útil do automóvel, já é uma grande poupança! Dá para ir de férias, ou comprar uma bicicleta fixe todos os anos! 😛 Claro que neste caso eu mantenho o carro, o que significa que há despesas fixas que não desaparecem (seguro, imposto municipal, IPO), mas suponho que aumente o intervalo entre revisões e diminua as idas à oficina. A poupança será nas portagens, lavagens, parquímetros e combustível. O facto de passar a fazer carsharing com a minha irmã também rentabiliza as despesas fixas.

Há alguns meses registei um domínio online para alojar um site que reunisse info sobre mobilidade, para informar e incentivar as pessoas a diversificarem os seus meios de transporte, mas ainda não consegui pegar naquilo. Nem sei quando terei tempo. Agora a prioridade é o relatório, a par da bolsa de investigação, e da empresa. Espero a partir de Fevereiro poder dedicar-me só ao .org e ao .com. 😉

A propósito, a bicicleta que estamos à espera de receber é uma que encontrei há uns bons meses atrás em deambulações pela web com vista ao tal site. Na altura nem podia desconfiar que alguma vez veria ao vivo aquele gadget e que ele seria o ponto de partida para uma mudança de rumo na minha vida. Just how big the change only time will tell. Esta bicicleta tem um significado especial por várias razões. Mais tarde desenvolvo. 😉

É verdade, há dias experimentámos dar umas voltinhas numa Strida, na Sport Zone do Chiado. Ficámos um bocado decepcionados. É leve e fácil de “compactar”, mas achámo-la extremamente difícil de manejar, o guiador comunica com a roda da frente de uma forma demasiado directa, então qualquer oscilação no guiador faz a roda oscilar também e torna-se difícil manter o equilíbrio. Fez-nos lembrar a recumbent que o Frederico levou na Massa Crítica de Junho.

A única recumbent neste passeio

Pareceu-nos também que o banco é pouco prático de subir e descer (só com ferramentas), e a bicicleta não tem nenhum kickstand. A grande vantagem é mesmo ser leve (cerca de 10 kg) e a no-maintenance chain. Gostávamos de ter oportunidade de a experimentar noutro local mais adequado e durante mais tempo para nos podermos habituar a ela e ver se o treino consegue tornar a condução mais estável. Quanto à relação preço-valor, talvez seja pouco vantajosa. A única maneira de a comprar cá é na Sport Zone (representante exclusivo da Strida em Portugal, parece) onde se vende a 429 €, visto que o fabricante não vende online para fora da Grã-Bretanha (ou tentar os outros sites se soubermos a língua ;-)). Na web, nomeadamente no Flickr, encontram-se imensas fotos de Stridas de várias cores. 🙂

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